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Estudo foi feito com crianças de 8 a 12 anos, na região de
Campinas.
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Um estudo da Faculdade de Educação (FE) da Unicamp, em
Campinas (SP), concluiu que as crianças que usam aparelhos eletrônicos sem controle
e não brincam, ou brincam pouco, no "mundo real" podem ter atraso no
desenvolvimento. A pesquisa foi realizada com meninos e meninas de 8 a 12 anos
de idade, que ficam de quatro a seis horas diante das telas de computadores,
tablets, celulares e videogames.
Para a pedagoga Ana Lúcia Pinto de Camargo Meneghel, que
desenvolveu o estudo na FE durante o mestrado na linha de psicologia da
educação, as crianças que se enquadram neste perfil acabam não brincando e nem
tendo uma rotina, o que afeta no ritmo de construção do desenvolvimento
cognitivo.
Ao todo, 21 meninos e meninas de uma escola particular na
região de Campinas (SP) passaram por testes para avaliar as capacidades que
eles precisam ter para, inclusive, aprender bem o conteúdo ensinado na escola.
Para a surpresa da pesquisadora, de todas as crianças, apenas uma mostrou as
habilidades esperadas para essa faixa.
"Apenas uma criança, de 12 anos, tinha construído as
noções lógico-elementares, que seriam as noções matemáticas e a noção de
espaço", afirma a pesquisadora da Unicamp.
Brincar aumenta a criatividade
O uso de eletrônicos em si não é exatamente o problema,
segundo a pesquisa, mas sim a falta de brincadeiras no "mundo real".
"O mais importante é eles brincarem. Num parquinho, na
piscina, na escola. Precisa oferecer para essas crianças atividades criativas.
Atividades que eu vou buscar, que eu tenha curiosidade". explica Ana
Lúcia.
Segundo a pesquisa, quando a criança brinca, faz uso das
operações infralógicas, que garantem noção operatória de espaço, tempo e
causalidade. Um exemplo é uma brincadeira simples de entrar debaixo de uma
cadeira. A criança precisa viver a experiência para saber se cabe naquele
espaço ou não.
Crianças foram entrevistadas
A pedagoga e pesquisadora Ana Lúcia conversou com as
crianças e todas afirmaram ter pelo menos quatro aparelhos eletrônicos em casa.
Sobre brincadeiras na rua, os meninos e meninas responderam que não brincavam
porque os pais não deixavam, por ser perigoso.
Sobre a prática de atividades físicas, das 21 crianças
avaliadas, 14 afirmaram que não praticavam nenhuma. As que disseram sim,
afirmaram fazer natação, uma ou duas vezes na semana.
A pesquisadora percebeu em outros questionamentos, sobre o
que as crianças fazem quando não estão na escola, que muitas não conseguem
descrever suas rotinas.
Dificuldades para medir espaço
Entre os testes desempenhados, as crianças tiveram que
montar uma torre com peças de madeira em uma mesa e depois outra no chão, com
peças diferentes. A ideia é que construíssem torres de igual tamanho. Elas
tiveram dificuldades para medir as duas.
Em outra prova, a pesquisadora avaliou a perspectiva. Com a
ajuda de uma maquete de casas e fotos de diversos ângulos da maquete, muitas
das crianças não conseguiram definir as posições das casas. Ana Lúcia concluiu
que essas crianças ainda não tinham desenvolvido a noção de espaço.
E em atendimentos psicopedagógicos, verificou que as
crianças sem oportunidade de brincar, explorar e que passam horas diante dos
aparelhos eletrônicos, apresentaram dificuldade na hora de organizar os
pensamentos. Foi difícil, por exemplo, montar contas matemáticas no papel com
um número embaixo do outro.


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