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9 coisas que o filme Divertida Mente ensina sobre o cérebro e as emoções

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O filme Divertida Mente, sucesso de público e crítica da Disney e da Pixar, conta a história de Rilley, uma garota de 11 anos que enfrenta uma série de mudanças em sua vida. A principal delas foi sair de sua cidade natal, no estado de Minnesota (EUA), para morar na longínqua cidade de São Francisco. O enredo se desenrola dentro da cabeça da menina, onde cinco emoções — Alegria, Tristeza, Medo, Raiva e Nojo — são responsáveis por processar as informações e armazenar as memórias. O desenho foi dirigido pelo americano Pete Docter, que procurou ajuda de psicólogos e neurologistas na preparação do roteiro. Abaixo, listamos nove conceitos trabalhados nas cenas que encontram respaldo na ciência. Eles podem dizer muito sobre como você enxerga o mundo e lida com as coisas ao seu redor:

1. As memórias são fixadas pelas emoções

Durante o filme, os cinco sentimentos ficam dentro de uma sala, onde acompanham tudo o que acontece com Rilley. Os principais eventos do dia são guardados em esferas — a representação de nossas memórias. Cada uma delas tem uma cor e está relacionada com o sentimento mais forte daquele momento. Pode ser alegria, tristeza, raiva… Já se sabe que as lembranças são fixadas no cérebro junto com um estado de humor. Todas as recordações que temos, sejam elas boas ou ruins, trazem consigo sentimentos.

2. Não existe sentimento melhor ou pior

Apesar de preferirmos os momentos alegres de nossa vida, cada emoção tem a sua importância — e é necessário saber usá-las da melhor forma possível diante dos desafios. “Precisamos ter alegria no momento certo e dar passagem para a tristeza em determinadas ocasiões. O problema ocorre quando os sentimentos ultrapassam os limites”, esclarece a especialista.

3. A tristeza é necessária

A personagem Alegria tenta, a todo o momento, sufocar e ignorar a Tristeza. “A animação faz uma crítica ao mundo atual, em que precisamos estar felizes o tempo todo, a qualquer custo”, comenta Cleide. Há ocasiões em que um pouco de melancolia é essencial para encarar e lidar com as dificuldades que surgem em nossa vida.

4. O medo nos faz sobreviver — assim como o nojo

Esses dois sentimentos nos livram de grandes enrascadas. O medo impede que entremos na jaula do leão durante uma visita ao zoológico. O nojo, por sua vez, não deixa a gente comer um lanche apodrecido. “O segredo está em equilibrar as emoções e não permitir, por exemplo, que o temor nos impeça de sair de casa”, exemplifica a neuropsicóloga.

5. Muita alegria é ruim

O exagero na felicidade faz o indivíduo perder a noção das coisas: é como se tudo fosse mais florido do que a realidade. Em Divertida Mente, a personagem Alegria não cansa de ver as coisas com extremo otimismo — mesmo quando a situação exige um pouco de medo, tristeza, nojo ou raiva.

6. A raiva impede injustiças

Calma, ninguém está falando que gritar e quebrar tudo são soluções para os problemas. Mas especialistas na área de psicologia concordam que esse sentimento tem o potencial de indignar e corrigir eventuais injustiças. O segredo, mais uma vez, está no equilíbrio. “A raiva estimula o sujeito se defender. Mas se ultrapassa os limites, ela se tornar destrutiva”, analisa.

7. Há memórias que acabam apagadas — e esquecer pode ser algo bom

É natural que certas recordações sejam esquecidas com o passar dos anos. No filme, esferas que não são utilizadas vão parar num lixão e viram poeira com o tempo. Isso acontece com muitas informações que processamos ao longo de um dia e de toda a nossa vida — você provavelmente não se lembra muito bem do que comeu no último dia de janeiro. Esse dom do esquecimento também é útil para lidar com situações traumáticas e difíceis: o cérebro vai, aos poucos, apagando os detalhes do fato ruim como uma maneira de lidar com a situação.

8. A memória define (e influencia) a sua personalidade

Outras recordações, porém, são muito importantes e determinam boa parte de nossa personalidade pelo resto da vida. Em Divertida Mente, elas são as memórias base, as esferas em que estão guardados os momentos especiais da vida de Rilley — a brincadeira com os pais, o jogo de hockey com as amigas… No nosso cérebro, as lembranças são processadas numa região chamada hipocampo, que converte memórias de curto em longo prazo.

9. Nós temos um verdadeiro arquivo de memórias

Na animação, quando Alegria e Tristeza saem do escritório central das emoções, elas visitam a região onde as esferas estão estocadas em prateleiras. Na nossa massa cinzenta, as recordações estariam organizadas de uma forma parecida: elas ficam próximas uma da outra por associação. Exemplo: quando queremos lembrar o nome de uma flor específica, pensamos que ela é avermelhada, tem muitas pétalas e seu cabo é cheio de espinhos. Pronto, é a rosa. Nossas memórias são armazenadas como um arquivo, por semelhança.
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10 pais inesquecíveis do cinema: com qual o SEU pai se parece?

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Eles são fortes, sábios, protetores e estarão ao lado dos filhos quando eles mais precisarem. Aqui vai uma seleção de 15 pais inesquecíveis do cinema que nos ajudam a mostrar tudo aquilo de que somos capazes de fazer por nossos filhos.



1-Don Vito Corleone (Marlon Brando) – O Poderoso Chefão


Se há uma figura paterna por excelência nos cinemas, é a de Don Corleone. Tratando seus amigos com generosidade e exigindo de volta sua devoção, o chefe da máfia italiana nos Estados Unidos pode até não ser um exemplo de cidadão cumpridor da lei, mas faz questão de ensinar a todos os seus filhos o valor da família.






2-Professor Henry Jones (Sean Connery) – Indiana Jones e a Última Cruzada






Indiana Jones é sedutor, esperto, ameaçador, mas apenas quando não está perto do pai, o professor Henry Jones. É ele que revela ao público o motivo banal do apelido do herói e faz piada com ele – isso depois de ter sido salvo pelo filho. O importante é que eles encararam a roubada juntos, não é mesmo?










3-Chris Gardner (Will Smith) – À Procura da Felicidade






Chris Gardner é um exemplo de pai. Sempre presente, ele mostra ao filho que é possível superar uma vida miserável com trabalho e auto-estima – mesmo que, até lá, seja preciso dormir na rua.








4-Sam Dawson (Sean Penn) – Uma Lição de Amor




Sam é um pai solteiro, deficiente, que está prestes a perder a guarda da filha porque ela irá ultrapassar sua idade mental. Apesar de não poder ajudá-la com os estudos, ele cria a menina com muito carinho e é seu melhor amigo.






5-Mufasa (James Earl Jones) – O Rei Leão




Mufasa é o corajoso e responsável rei das savanas fez muita gente chorar quando deu a vida para salvar seu filho Simba de uma debandada de gnus causada pelo seu irmão, Scar. Ele aconselha o filho até mesmo depois de morto e é a inspiração para Simba em toda a sua trajetória.







6-Jean Valjean (Hugh Jackman) – Os Miseráveis



Jean Valjean foi preso injustamente e fugitivo para o resto da vida, o personagem de Victor Hugo não é o pai biológico de Cosette, mas promete à sua mãe Fantine que irá protegê-la por toda a vida – o que cumpre com dedicação exemplar.










7-Marlin (Albert Brooks) – Procurando Nemo






A dedicação desse pai é tão grande que deu nome ao filme: quando seu filho Nemo é capturado na Grande Barreira de Corais, Marlin parte numa busca quase sem rumo, contra todos os seus medos, só para encontrar o peixinho.






8-Guido Orefice (Roberto Benigni) – A Vida é Bela





Guido é, provavelmente, o homem mais forte do mundo. Preso num campo de concentração nazista ao lado do filho pequeno, ele consegue manter o bom humor e fazer piadas com a situação, só para proteger a criança de enxergar a maldade dos homens.








9-Jake Davis (Russell Crowe) – Pais e Filhas





O escritor Jake perdeu a esposa em um acidente de carro e as sequelas o levaram a um hospital psiquiátrico, onde tratou suas convulsões durante sete meses. Enquanto isso, a pequena Katie residiu com os tios, que no fim empreendem uma batalha judicial para tirar a guarda de Jake. É claro que ele não desiste da filha e faz de tudo para mantê-la consigo.




10-Sonny Koufax (Adam Sandler) – O Paizão





Sonny não é bem o pai ideal. Na verdade, ele é o oposto disso: preguiçoso nos estudos e no trabalho, ele tem a ideia de adotar uma criança para impressionar a nova namorada e “provar” que é um homem maduro. A tarefa não é fácil, mas vamos dar uma colher de chá: ele se esforça bastante!
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Arkangel - Quanto o controle dos pais se torna perigoso

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Que Black Mirror é uma série tão “Black Mirror” a gente já sabe. É impossível assistir os episódios da série e não ficar mobilizado por alguma questão relatada. Algumas pessoas juram que a série trata sobre a tecnologia. Eu discordo, acredito que Black Mirror se utiliza da tecnologia para “esfregar” na nossa cara questões sociais, emocionais e de relacionamento que já estamos vivendo. Mesmo não tendo acesso a toda tecnologia (ainda) apresentada no seriado.

É pensando nisso que irei falar de uma questão muito bem retratada sobre relacionamento entre pais e filhos , sobre cuidados parentais e sobre a dificuldade em deixar com que o filho passe por experiências que em um primeiro momento pode parecer algo maléfico para a formação da criança ou do adolescente.

O segundo episódio da quarta temporada dirigido por ninguém nada menos que Jodie Foster mostra a relação entre mãe e filha . A trama revela uma mãe comum, que trabalha, cuida da filha e tem um relacionamento tranquilo com o pai. A filha também: começa com ela criança e depois a típica adolescente, crescendo, fazendo o que pode para se desviar das limitações da sociedade e da própria família.

A relação parece ser plausível dentro daquilo que podemos chamar de normal. Uma mãe que não mede esforços pare proteger e cuidar da filha. Entretanto , não é bem assim que acontece. A simbiose entre mãe e filha é elevada a um novo patamar . Para pais preocupados, uma empresa oferece um sistema que é inserido no cérebro da criança. A partir dali, é possível, em um tablet, observar os sinais vitais e a localização do filho, aplicar filtros de desfoque de visão em momentos estressantes do pequeno e literalmente enxergar pelos olhos do jovem. O total controle tranquiliza inicialmente, mas, claro, aterroriza pouco tempo depois.

A distância dos momentos considerados estressantes que são bloqueados pela mãe através do filtro do dispositivo influencia no desenvolvimento da menina. Ela passa a apresentar comportamentos agressivos e de automutilação em resposta a falta de maturidade que seria adquirida pelas experiências que lhe foram privadas. A mãe então desiste do dispositivo — até Sara chegar à adolescência.

Winnicott, psicanalista inglês em sua teoria vem trazer a definição do que é a “mãe suficientemente boa”. Contrariando o próprio senso comum de que a mãe boa é aquela que ama , protege e assegura que na caminhada do seu filho ele encontrará o menor número de adversidades e frustrações possíveis, Winnicott vem trazer luz a essa definição.

Segundo o psicanalista a mãe suficientemente boa não é aquela mãe perfeita, porque essa não existe. Mas é a mãe que sabe a hora certa para favorecer a ilusão no bebê e, logo após, a desilusão.

A ilusão é criada quando a mãe se adapta às necessidades do bebê e este projeta o que ele mesmo criou daquilo de que ele necessita. Aliás, o bebê percebe a mãe dele como sendo parte sua: os dois são um só – o que dá sustento ao pensamento de dependência para com a mãe. Winnicott escreveu em O Brincar & a Realidade: “A mãe, no começo, através da adaptação quase completa, propicia ao bebê, a oportunidade para a ilusão de que o seio dela faz parte do bebê, de que está, por assim dizer, sob o controle mágico do bebê.” É este o período de dependência absoluta, que vai de 4 a 6 meses. É importante notar que o bebê não tem percepção dessa situação, mas adquire uma sensação de onipotência.

Logo após esse período, é tarefa da mãe desiludir a criança, não atendendo tudo tão prontamente. Ou seja, a mãe, progressivamente, começa a fazer com que a criança suporte algumas frustrações. De confrontos em confrontos, o desenvolvimento do ego da criança será facilitado e ela passa a esperar certas atitudes que anteriormente queria na hora.
Em outras palavras a mãe suficientemente boa é aquela mãe que ama, cuida, protege, mas frustra o filho. Ela permite que o filho saia do estado de dependência rumo à independência.
Nesse episódio vemos justamente o oposto disso. Vemos uma mãe insegura, que utiliza da tecnologia como uma desculpa para suprir seus medos de perder essa filha. Mas observe que não é uma perda real, é uma perda imaginária de uma falsa ilusão que dá a essa mãe a falsa onipotência de poder cuidar e proteger essa filha. Onipotência essa que vira onisciência e onipresença e portanto se torna sufocante, opressora.

O resultado é catastrófico: a filha não amadurece porque sua mãe está sempre “filtrando” o que ela pode ver e com isso não permite que a filha enfrente o mundo real. Com todos os seus percalços e adversidades.

Vale aqui algumas reflexões sobre como o cuidado materno e também paterno pode ser algo que prejudica. Prejudica quando não dá a liberdade para o filho escolher e errar. Não permite o filho se machucar. A aprender com a vida. Vida essa que no futuro, quando esses mesmos pais não estiverem vivos não irá protegê-lo.

O episódio nos faz refletir mostrando que não é o excesso de controle que protege. O controle deve existir desde que não invada a liberdade ( liberdade essa de acordo com a idade). O que protege a criança , como Winnicott demonstra em sua teoria é o amor, o cuidado e a disciplina ( a frustração, o não para a criança). Esses três elementos juntos faz com que o filho se sinta amado e confiante de que ele pode errar e que sempre que isso acontecer, ele terá um para seguro para voltar . Afinal, ninguém é totalmente independente. Vez ou outra precisaremos de um colo de mãe.

Debora Oliveira
Psicóloga Clínica
CRP:06/123470
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Os famosos que decidiram lutar contra o estigma das doenças mentais

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David Beckham, Ryan Reynolds e Lady Gaga são alguns famosos que decidiram lutar contra o estigma




As doenças mentais têm suas peculiaridades. A primeira é o estigma social. Temos dificuldade em entender que se quando nossa perna dói é preciso ir ao médico, quando nos dói “até a alma” também é preciso ir ao especialista. É por isso que ainda existem pessoas que resistem a falar de seus problemas e procurar ajuda, justamente por esse medo do que “os outros dirão”.

Nesse sentido, são várias as personalidades que quiseram falar de suas próprias doenças mentais para sensibilizar sobre o assunto e acabar com o estigma. Um dos últimos e melhores exemplos foi o vídeo da conversa entre o Príncipe William e Lady Gaga feito no ano passado. Mas não são os únicos, e são vários os famosos que tomaram partido para lutar contra o estigma da doença mental.

Transtorno por estresse pós-traumático

Segundo a Sociedade Espanhola de Psiquiatria (SEP), é definido como a angústia posterior a um processo traumático inesperado, que dura mais de seis semanas, e até mesmo meses ou anos. É o caso da própria Lady Gaga. A cantora escreveu uma carta como parte de suas ações para a campanha da Fundação ‘Born this way’, em que relatava que “lutei durante algum tempo sobre quando, como e se deveria revelar meu diagnóstico de transtorno de estresse pós-traumático (TEPT). Depois de cinco anos de procura das respostas à minha dor crônica e à mudança que senti em meu cérebro, finalmente estou suficientemente bem para contá-lo. Existe uma boa dose de vergonha que acompanha a doença mental, mas é importante que se saiba que há esperança e uma oportunidade de recuperação”. Por sua vez, o Príncipe William insiste que é o estigma mais profundo para os homens. “Todos iremos passar por momentos difíceis em nossas vidas, mas os homens sentem especialmente a necessidade de fingir que tudo está bem, porque admitir isso a seus amigos pode fazer com que pareçam frágeis. Posso afirmar que isso na verdade é um sinal de força.”

Transtorno bipolar

“Me sinto muito saudável em relação à minha loucura” —essa era uma das frases usadas por Carrie Fisher como brincadeira, com a intenção de normalizar seu diagnóstico de transtorno bipolar, doença que ajudou a tirar do armário. “Alguém com transtorno bipolar passa por mudanças severas de estado de espírito. Essas mudanças duram normalmente várias semanas ou meses e vão além do que a maioria de nós vivencia”, explicam representantes da Sociedade Espanhola de Psiquiatria. Outra das mulheres que ajudou a abrir a conversa em torno do transtorno bipolar é a atriz e cantora Demi Lovato que argumentou que “viver bem com o transtorno bipolar é possível, mas é preciso ter paciência, trabalhar e é um processo contínuo”.

Ansiedade e pânico

O ator Ryan Reynolds comentou certa vez seus problemas com a ansiedade e até que a origem poderia estar em sua infância. “Nosso pai era duro, não era fácil. Acredito que a ansiedade pode ter começado ali, tentando encontrar formas de controlar os outros, tentando me controlar. Nesse momento, não percebi. Eu era só um menino nervoso.” Ellie Goulding também falou sobre seus ataques de pânico, explicou que “certas vezes não podia ir à escola a menos que estivesse deitada em um carro com uma almofada sobre o rosto. Costumava bater em mim mesma por isso.” Algo que corresponde à definição da SEP de ansiedade: “Um sentimento normal de temor que todos experimentamos quando deparamos com situações de ameaça ou difíceis. Pode nos ajudar a evitar situações perigosas, alertando-nos e motivando-nos a enfrentar os problemas. Mas se esses sentimentos de ansiedade são fortes demais, podem até nos impedir de fazer as coisas que queremos”.

Transtorno obsessivo-compulsivo

Para entender essa doença, os psiquiatras relatam que “algumas pessoas têm pensamentos ou ideias que aparecem em sua mente mesmo que não queiram. Esses pensamentos com frequência parecem não ter sentido ou são desagradáveis; chamam-se obsessões. As compulsões são atos que as pessoas pensam que têm de fazer inclusive quando não querem”. Em relação a isso, Lena Dunham mostrou a realidade do TOC dentro e fora da tela, quando relatou que seus pais a colocaram em terapia quando diagnosticada com um surto de ansiedade, caracterizado por pensamentos intrusivos, ou seja, um transtorno compulsivo obsessivo. Não é a única: o jogador David Beckham também teve receio de afirmar que “sofro de uma desordem obsessiva-compulsiva que me obriga a colocar os objetos em linha reta ou em pares”.

Depressão

“Todo mundo pode se sentir triste às vezes, mas se diz que alguém sofre depressão quando esses sentimentos não desaparecem rapidamente ou pioram tanto que interferem na vida diária”, afirmam os representantes da SEP. Em relação a essa patologia, no ano passado o cantor Kid Cudi escreveu um post sincero em seu Facebook, para explicar que “minha ansiedade e a depressão governaram minha vida durante todo o tempo de que me lembro e nunca saio de casa por isso. Não consigo fazer novos amigos por isso. Não confio em ninguém por isso e estou cansado. Mereço ter paz. Mereço ser feliz e sorrir”. Outro dos rostos conhecidos que se atreveu a expressar-se em torno de sua depressão é a modelo e atriz Cara Delavigne, que escreveu um tuíte de forma simples e direta. “Sofro de depressão e trabalhei como modelo durante um período bastante difícil de autodesprezo.”

Transtorno alimentares

Zayn Malik, cantor do One Direction, declarou ter passado por problemas de alimentação, um transtorno que normalmente afeta as mulheres, mas de que os homens também sofrem. O cantor afirmou que poderia estar até dois ou três dias sem comer, “perdi tanto peso que fiquei doente. A carga de trabalho e o ritmo de vida, ao lado das pressões e tensões de tudo que acontece em uma banda, afetaram gravemente meus hábitos alimentares”. Assim, os representantes da SEP lembram que “muita gente jovem que não tem sobrepeso quer ser mais magra. Com frequência tentam perder peso fazendo dieta ou pulando refeições. Para alguns, as preocupações sobre o peso se tornam uma obsessão”. Outro personagem que também afirmou ter sofrido problemas alimentares foi Victoria Beckham, em sua biografia Learn to fly.

A importância das mensagens

Sobre este tema, o professor Julio Bobes, presidente da Sociedade Espanhola de Psiquiatria insiste que é preciso cuidado com as mensagens, já que “o exibicionismo social não é necessariamente terapêutico”, e por isso destaca como positivos aqueles que se concentram em “mostrar como pessoas que se destacam em alguma medida expliquem que, apesar desses problemas, são se viram limitadas, para mostrar que ter uma doença mental não lhes torna incapazes de se desenvolver.”

Em relação a se muitas vezes essa mensagem pode ser distorcida e se pensar que a fama está associada a esse mal-estar mental, Bobes afirma que “a fama não produz depressão”, já que de outra forma a incidência seria muito maior. No entanto, é possível afirmar que “haja uma má gestão do sucesso que pode produzir dificuldades psicológicas”. É por isso que a mensagem chave é explicar que as doenças mentais ocorrem em todos os ambientes sociais e que não devem ser uma limitação para se alcançar objetivos de vida.

De fato, como afirma o presidente da SEP, realmente existe um aumento dos diagnósticos das doenças mentais mais comuns, em suas formas mais leves e moderadas. A explicação, segundo o especialista, está em que “as pessoas vão com mais frequência consultar seu especialista, e há mais acesso, mais recursos e mais proximidade”, também em parte graças a que a divulgação das mesmas faz com que as pessoas procurem ajuda antes que sua patologia se agrave, o que também melhora os prognósticos.
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The Sinner: série mostra como o inconsciente influência nossas ações

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"Até você se tornar consciente, o inconsciente irá dirigir sua vida e você vai chamá-lo de destino."Carl Gustav Jung. 


Produzida pela USA Network, casa de Suits e Mr. Robot, baseada no best-seller homônimo de Petra Hammesfahr, o drama The Sinner acompanha a jovem mãe Cora (Jessica Biel), que durante um ataque de raiva inexplicável, comete um ato de violência assustador – e, para seu horror, sem saber porquê. 

O investigador Harry Ambrose (Bill Pullman) é encarregado de descobrir um motivo, cada vez mais obcecado em entender as profundezas mesmo que esteja enterrado no inconsciente da moça, acaba desvendando segredos violentos que ela tenta manter no passado, longe dos olhos do mundo.

Para psicólogos de plantão a série é uma análise a cada capítulo. Isso porque a atriz consegue transmitir de uma forma envolvente e clara como o inconsciente influencia as nossas ações e pensamentos, para o bem e para o mal. Todos nós temos desejos, temores, ideias preconcebidas que não sabemos exatamente de onde vêm, que não foram escolhas nossas e que simplesmente se manifesta.

As teorias de Sigmund Freud, são referenciais importantes para os estudos do inconsciente. Freud já defendia que apenas uma pequena fração das nossas memórias encontra-se ativada, demarcando os limites da consciência. Todas as demais estão em estado latente, ou seja, escondidas.

Uma das principais funções do inconsciente é manter o equilíbrio da nossa psique. É simplesmente impossível guardar todas as nossas experiências e ainda ter plena consciência delas. Para isso, existe o inconsciente.

Logo, o inconsciente é a nossa bagagem de memórias, um repositório que nos alimenta continuamente de imagens e símbolos. De vez em quando, o inconsciente interage com a consciência, o que pode ser bom ou ruim, dependendo de como lidamos com os resultados que essa ação nos traz. Quando uma associação entre memórias é muito forte, mas reprimida conscientemente, ela pode escapar ou vazar por meio de um ato falho ou mesmo de um sonho que expressa aquele conteúdo de forma direta ou indireta. Esse mecanismo explicaria, por exemplo, o fato de alguém dizer “tchau” em vez de “oi” a uma pessoa que acabou de encontrar e da qual não gosta muito.

Nesse ambiente inconsciente que a drama ocorre a protagonista comete um crime e não entende o que a motivou. Quando o detetive se propõe a ajudá-la ele começa a questionar o que aconteceu. Como ele não tem respostas do motivo, ele procura na hipnose a busca das memórias reprimidas para entender o ocorrido.

Nas sessões de hipnose , Cora começa a se lembrar do ocorrido , porém de forma distorcida. O inconsciente mostra as imagens, mas o conteúdo é tão pesado que para ela lidar ele o faz de doses homeopáticas. Mas não é através da hipnose que a cura vem. Por causa das lembranças distorcidas que Cora “se lembra”, o conteúdo não se encaixa, e oferece poucas pistas do motivo.

Apesar de Cora não ser lembrar totalmente do seu passado, a hipnose dispara aquilo que chamamos de processo terapêutico. Ela começa a sonhar , a reviver o seu passado até que a lembrança do real motivo vem à tona e o caso é solucionado.

A série dessa forma, nos mostra como o inconsciente é real e tem poder sobre nossos pensamentos e ações. Deste modo, perceber e analisar o inconsciente pode ser um caminho para minimizar distúrbios emocionais, pois é comum uma pessoa enfrentar um problema por anos, sem entender seu motivo, e a explicação estar em algo que ficou guardado no inconsciente. E, quanto mais acessado, maior a chance de ampliar a consciência e com isso agir de forma menos inconsciente possível.

Debora Oliveira
Psicóloga Clínica
CRP: 06/123470






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Gipsy: quando o Psicólogo precisa de cuidados

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“ Nenhum psicanalista avança além do quanto permitem seus próprios complexos e resistências internas; e, em conseqüência, requeremos que ele deva iniciar sua atividade por uma auto-análise e levá-la, de modo contínuo cada vez mais profundamente, enquanto esteja realizando suas observações sobre seus pacientes (FREUD, 1910)


Freud , Em seu texto “Sobre o ensino da psicanálise nas universidades” (1919), afirma que a formação de um analista deve ser sustentada a partir de um tripé constituído por: ensino teórico, supervisão e análise pessoal.

O tripé aconselhado por Freud é muito importante e necessário para o profissional em sua formação acadêmica e depois de já formado. Embora a teoria seja a base para os atendimentos , não há uma receita de “bolo” a ser seguida, mas um comprometimento em melhorar não apenas como pessoa, mas também como profissional. O Código de ética do Psicólogo , no item IV de seus princípios fundamentais, deixa claro que o psicólogo atuará com responsabilidade por meio do contínuo aprimoramento profissional.

Mas por que fazer terapia é vital para o profissional? Poderíamos ficar o dia todo aqui escrevendo a respeito, mas vou citar apenas dois. O primeiro e o mais óbvio é que o psicólogo também precisa se cuidar. Ele não está imune às circunstâncias adversas da vida ou a sofrimentos. Alguém já viu um médico doente cuidar de outro enfermo? Claro que não. O princípio é o mesmo para o psicólogo. Ele precisa se cuidar e experimentar primeiro ele, a eficácia da terapia.

Em segundo lugar é importante que o psicólogo faça terapia (principalmente se ele for para a área clínica) , porque em seus atendimentos, vez por outra ele irá encontrar algo, feridas e traumas em seus pacientes que esbarram nas suas feridas. A terapia irá ajudá-lo a separar suas dores das dores de seus pacientes , permitindo assim que o processo não “se contamine”. 


Tão importante quanto a terapia é a supervisão clinica. É durante a supervisão que o psicólogo terá a oportunidade de visualizar seus atendimentos sob a ótica de alguém mais experiente, bem como avaliar sua capacidade de ir além do que o paciente traz para a sessão. A continuidade dos estudos faz com que o psicólogo se aprimore e acompanhe o ritmo e as mudanças da sociedade e cultura na qual ele está inserido.

Mas o que tudo isso tem a ver com o seriado Gipsy? Tudo eu diria.

Gipsy é uma série forte e mostra claramente o que acontece quando o psicólogo não se atenta para o tripé em sua formação e ultrapassa e desrespeita todos os limites entre pacientes e psicólogos . A ética profissional existe por uma razão : proteger o paciente e o psicólogo. Quando Jean desrespeita a ética , sua conduta profissional não apenas deixa a desejar , mas também prejudica a vida dos seus pacientes de forma direta.

Jean é uma psicologa que faz tudo o que um psicólogo não deve fazer. Ela começa a desenvolver relações íntimas e ilícitas com as pessoas que fazem parte da vida dos seus pacientes e em certo ponto esse envolvimento não tem volta. Com isso o inevitável acontece: não apenas sua vida vira uma bagunça , como suas sessões são influenciadas de forma negativa por essa proximidade. 

A psicóloga tem claros problemas emocionais e ela age como se fosse outra pessoa para sustentar seu envolvimento. De fato ela cria uma persona, com nome , uma vida diferente da sua e esse "jogo emocional" custa caro para Jean.

A série retrata de forma clara, ao contrário do que muita gente pensa, como o psicólogo é frágil , ser humano, passível de erros. Quebra a onipotência do profissional como um ser superior , detentor do saber único e que sempre sabe o que fazer com a sua vida.

Por outro lado , percebemos que embora essa fragilidade seja algo normal, ela não deve suportará como algo imutável, pelo contrário, ela deve ser cuidada. A cada episódio acompanhamos como Jean vai se complicando, se envolvendo em um emaranhado de mentiras e manipulação. Ela se perde em suas tramas, nessa persona criada e vemos claramente que o psicólogo que não faz terapia fica à mercê das suas próprias feridas, preso na teia das suas dores e com isso, Jean não sabe onde começa e termina suas questões o que acaba complicando o tratamento de seus pacientes e cada mais fica difícil lidar com o paciente quando a sua dor esbarra na dele.

Embora Jean não se cuide em uma análise, ela faz supervisão dos seus casos. Talvez isso ocorra porque é feita na clínica, junto com outros profissionais que também trabalham lá. Contudo , o que poderia ser algo muito bom , não acontece porque os dados que são repassados por ela são manipulados. Jean conta em supervisão apenas aquilo que lhe convém e não somente omite fatos importantes como também chega a criar histórias sobre o progresso de seus pacientes. Dessa forma, ela é vista como uma boa profissional por seus colegas, inclusive um pede para ela lhe ajudar em um caso parecido com o seu, já que ela teve grandes progressos no mesmo ( falsamente e inventado).

A série é intrigante e envolvente. Mas quando analisada percebemos que o tripé de Freud que é aconselhado em sua teoria não é cumprido e com isso percebemos o quão importante e necessário é o profissional se cuidar emocionalmente, fazer supervisão e continuar os seus estudos. Fica um alerta para todos nós psicólogos o quão prejudicial nossos atendimentos se tornam quando cruzamos essa linha e não nos cuidamos. 

Para os pacientes ou o público em geral que assistem a série e se questionam se a pessoa com quem faz terapia pode ser tão problemática quanto Jean, lembre-se : ele é humano, mas isso não o exime da responsabilidade e necessidade em se cuidar. Não tenha medo em perguntar se o profissional faz terapia e tão pouco verificar no conselho regional de Psicologia do seu Estado se existe algum processo ( e se esses são legítimos ou meras acusações ) contra o mesmo.

Debora Lima de Oliveira
Psicóloga Clinica 






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