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Pai: o primeiro amor da filha e o primeiro herói do filho

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Por Marcos Mion

Por que eu não falo em destruir clichês ou provar que estão errados? Porque uma frase ou conhecimento só se torna um quando é usado exaustivamente gerando identificação nas pessoas que fazem questão de o passarem para frente. Ou seja, verdade absoluta para uma enorme maioria, e isso tem que ser respeitado.

Por isso mesmo, minha busca como pai é fugir do lugar-comum, quebrar as expectativas da sociedade em relação à paternidade, fazer meu amigo “velha guarda” repensar tudo que ele acha que deve ser um bom pai, criar meus próprios clichês. E, acima de tudo, fazer os que valem a pena, como o que abri a coluna, serem regra na minha casa!

Quantos pais não se gabam de saber que a personagem ruiva é a Ariel e a morena a Bela? Muitos. Mas quantos cantam todas as músicas e conhecem o nome dos outros personagens? Quantos se esforçam para transpor situações do filme para o cotidiano da sua filha, facilitando o entendimento de tantos dilemas e dúvidas? E, agora, a grande pergunta: quantos ficam mais de 40 minutos penteando o cabelo de borracha que o pentinho não penteia de jeito nenhum sem estragar a boneca? Vou parar por aí, mas poderia seguir… Pois já me vesti de Rei Tritão, com tridente e rabo de peixe, para anunciar a chegada da minha Ariel na piscina...

Sim, sou pai nível hard. Enquanto muitos riem de uma declaração assim, me encho de orgulho. Colocar uma criança no mundo não tem volta. Por isso, a maior sabedoria é se dedicar a isso com 100% da sua capacidade, como abrir mão da sua vontade em todas as vezes. Soa absurdo ou impossível? Abrir mão de assistir ao jogo na TV para ver um DVD do Barney? Aguentar uma lombar travando por ficar debruçado no berço uma única noite, sabendo que outras vêm na sequência? Enfim, se colocar como um eterno prestador de serviços para um cotoquinho que, no começo, não bate nem no seu joelho? Sim, é isso.

“Ah! Extremamente exagerado!”, muitos pensarão. Mas, sendo assim, tenho certeza de como meus filhos lembrarão de mim e de que tipo de adulto se tornarão. E, quando chegar a hora, qual será o exemplo de paternidade que terão enraizado em sua essência. E só isso já faz valer a pena esse tipo de dedicação. Nada clichê.

Eu coloquei no mundo. São minhas responsabilidades e sou eu que tenho que dar as ferramentas para que eles me superem em todos os aspectos. Só assim o mundo evolui: quando compreendermos que a próxima geração tem que ser melhor que a nossa e que isso é nossa responsabilidade. E que qualquer problema que apareça no caminho não seja por falta de amor. Que o amor e a dedicação sempre sejam em excesso. E, se essa frase que escrevi não for um clichê, que passe a ser a partir de agora!
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A seleção dos filhos sem pai

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Como conclusão dos dados analisados, com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), o estudo avalia que esse panorama agrava “o risco de vulnerabilidade social, já que a renda média das mulheres, especialmente a das mulheres negras, continua bastante inferior não só à dos homens, como à das mulheres brancas”. Porém, Dona Vera, abandonada pelo marido, que foi viver com outra mulher antes mesmo de Jesus nascer, nunca deixou nada faltar ao caçula. 


“Quando ia aos jogos e via meus amigos, sentia inveja por não ter um pai presente. Mas, do jeito que minha mãe me criou, eu logo esquecia que tinha pai”, contou o atacante em depoimento ao The Players’ Tribune.


O enredo familiar de Jesus é semelhante ao de Paulinho, seu companheiro de seleção e jogador do Barcelona. O volante leva o mesmo nome do pai, José Paulo Bezerra Maciel, mas raramente o encontra. Da última vez, ainda atuava pelo Corinthians, quando o time enfrentou o Náutico no estádio dos Aflitos, no Recife, em 2012. José Paulo estava na arquibancada e ganhou de presente a camisa que o volante usou na partida. Descendente de índios xukurus de Pesqueira, cidade do interior pernambucano, o pai se separou da mãe, Erica Lima, logo depois do nascimento de Paulinho. O contato com os dois filhos era raro – e praticamente se restringiu a breves telefonemas desde que o então aspirante a jogador de futebol tinha 13 anos, época em que o pai deixou São Paulo para retornar de vez a Pesqueira, onde hoje trabalha como feirante.


No Corinthians, Paulinho, que chegou a largar o futebol após sofrer racismo e calote em sua primeira passagem pela Europa, mas foi convencido pela mãe a não desistir, dividia o dilema da ausência paterna com Cássio. Terceiro goleiro da seleção na Copa, ele nunca conheceu o pai, que, segundo familiares, teria desaparecido e se mudado para o Mato Grosso assim que soube da gravidez da mãe, Maria de Lourdes. Programas de televisão chegaram a procurá-lo com o intuito de promover um encontro, mas o goleiro sempre rechaçou a possibilidade. 


“Não quero mexer com isso. Passou muito tempo já”, disse, em entrevista à Placar. “Minha infância foi difícil. Quando precisei do meu pai, ele não estava presente. Não sei quais as circunstâncias ou por que ele não quis me registrar, as pessoas erram. Mas é passado. Para mim, isso é assunto encerrado.”


Assim como Paulinho, que foi criado desde os três meses de idade pelo padrasto, Cássio teve o apoio do tio, João Carlos Kojak, a quem ele ajudava em um lava-jato de Veranópolis. “Mais importante que o suporte paterno, é o suporte de valores”, observa a psicóloga do esporte Suzy Fleury, que já integrou a comissão técnica da seleção brasileira.


“Muitas vezes, a mãe ou outra pessoa, como o padrasto, tio e até mesmo um treinador, consegue assumir as funções de acolhimento que caberiam ao pai biológico. Por isso há várias histórias em que a ausência paterna não impede um jogador de alcançar o sucesso no futebol.”


É o caso do lateral Marcelo, titular de Tite e do Real Madrid. Seus pais se separaram muito cedo. Aos quatro anos, ele passou a viver com os avós maternos. O avô Pedro assumiu o papel de pai. Além de prover o sustento da casa, levava o garoto aos treinos no Fluminense e comparecia a todos os seus jogos. “Ele praticamente deu a vida por um moleque de 13, 14 anos, sem saber se eu viraria jogador”, contou Marcelo em seu canal no YouTube. Pedro morreu em 2014, às vésperas da Copa no Brasil. “Meu avô foi pai e mãe, por tudo que fez por mim.”


Os zagueiros da seleção também cresceram sem pai. Miranda perdeu o dele aos 11 anos. Maria, a mãe, tinha outros 11 filhos para sustentar  quando ficou viúva. Já Thiago Silva, com cinco anos, perdeu o pai para o mundo. Nunca mais o viu depois que ele se separou de sua mãe. Quando estava grávida do zagueiro, Angela cogitou fazer um aborto por não ter condições de criar mais um filho – ela já tinha dois. Foi convencida pela família a mudar de ideia, levou a gestação até o fim, mas o casamento ruiu na medida em que brotavam dificuldades financeiras em casa. Se casou novamente com Valdomiro, que cuidou de Thiago Silva como se fosse filho. Tanto que o zagueiro não escondeu a emoção ao lamentar sua morte, em outubro de 2014. “Se cheguei onde eu cheguei na minha carreira, foi graças a você. O senhor que foi meu pai, amigo, parceiro, é meu super-herói. Em todos os momentos em que eu precisava, lá estava você pra me socorrer.”


Para Casemiro, a separação do pai aconteceu ainda mais cedo, aos três anos. Cresceu com a mãe Magda e os dois irmãos em uma casa pobre de São José dos Campos, mas contou com o incentivo de Nilton Moreira, treinador de uma escolinha de futebol na cidade, para deslanchar no futebol. Por sua vez, Taison, reserva da seleção, logo teve de ir à labuta para ajudar a garantir comida na mesa para ele e os 10 irmãos no bairro Navegantes, em Pelotas. O pai, entregue ao alcoolismo, separou-se de Rosângela, que dependia de doações de uma igreja para não deixar os filhos passarem fome. “Tudo que eu tenho hoje é por causa dela”, afirmou Taison ao Jornal Nacional. Antes de virar jogador do Inter de Porto Alegre, o meia-atacante trabalhou como flanelinha, pintor e auxiliar de pedreiro. Não titubeou, logo em sua primeira entrevista antes da Copa, ao rebater críticas à sua convocação. “Sou uma pessoa batalhadora. Não cheguei à seleção por acaso.”


O time dos pais presentes


A seleção brasileira também tem jogadores bastante identificados com a figura paterna. Fagner, por exemplo, foi criado pelo pai depois que ele se separou de sua mãe, com quem o lateral-direito quase não teve contato. Além do pai, Zé Carlos, o meia Philippe Coutinho, também era apoiado pelos irmãos mais velhos, Leandro e Cristiano. Já Willian conta com a inseparável companhia de Severino, que sempre interveio em assuntos internos do Corinthians na época que o filho integrava as categorias de base, incluindo o episódio em que exigiu punição a um treinador acusado de abusar sexualmente de garotos no clube.


“O núcleo familiar é muito importante para a formação da personalidade. E, nesse sentido, a ausência paterna pode deixar enormes lacunas no desenvolvimento psicológico de um atleta”, explica o psicólogo do esporte, João Ricardo Cozac.


Neymar Junior, craque da seleção, que herdou o nome do pai, talvez seja o exemplo mais conhecido de ascendência paterna no futebol brasileiro, já que Neymar também é o responsável por gerenciar as finança do filho desde os tempos em que ele ainda era uma promessa na base do Santos.


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