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Problemas no relacionamento? Experimente parar e escutar o seu parceiro.

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Dar atenção para o parceiro e demonstrar real interesse em sua vida é de suma importância para um casamento ou namoro feliz. Muitos problemas no relacionamento são causados por desentendimentos passados mal resolvidos ou falhas na comunicação entre os dois. Então, se reúna com seu amado e faça este exercício de escuta para resolver as pendências atuais ou que possam surgir com o tempo:

Primeiro, cada um de vocês escolhe uma expectativa que tem em relação à vida. Depois, descreva seus sentimentos e peça que o parceiro faça o mesmo. Cada um será ouvinte do outro, e devem responder demonstrando atenção e empatia. Em seguida, conversem da mesma sobre as frustrações que vivenciam atualmente.

Use as ferramentas de escuta listadas a seguir durante a conversa. Posteriormente, tente aplicá-las no dia a dia para se manterem nos trilhos e evitar outros problemas no relacionamento:

Experimente como as diferentes alternativas fazem o ouvinte se sentir


Em vez de dizer “mas”, como em “Sei que está cansado, mas o que acha de sair para jantar?”. Experimente dizer “e”: “Sei que você está cansado, e me pergunto o que acha de sair para jantar.”

Eis por quê: Usar o “mas” nega o que quer que tenha vindo antes e soa como uma rejeição. Substituir o “mas” pelo “e” indica que você está acrescentando, e não subtraindo, outra idéia. 

Não rejeite imediatamente as idéias ou sentimentos do parceiro, experimente só escutar


Tente trocar algo como “Não é verdade que não ficamos juntos. Na semana passada almoçamos juntos!” por “Estou escutando. Parece que nunca temos muito tempo só para nós dois. O que você tinha em mente?”

Eis por quê: Dizer ao cônjuge que ele está errado ou não devia pensar ou se sentir daquela forma interrompe a comunicação. Se você está mesmo confuso, faça uma pergunta – isto faz com que o outro se sinta apoiado e lhe forneça mais informações.

Não mude de assunto rapidamente, experimente prestar atenção e seja educado se precisar desviar o assunto brevemente


“Você está chateada porque não foi escolhida para o novo projeto no trabalho? Ei, você viu o jornal de hoje? Preciso dos classificados.”, por exemplo, pode ser trocada por “Você deve estar se sentindo muito frustrada – você é muito mais qualificada do que qualquer outra pessoa no seu departamento, e tem se dedicado tanto! É realmente para ficar chateada. Quero conversar melhor sobre isso assim que encontrar o jornal de hoje – João vai passar aqui em cinco minutos para buscar os classificados.”

Eis por quê: Assegurar que seu cônjuge tem prioridade e que você valoriza seus sentimentos, mesmo que esteja fazendo outra coisa, cria confiança, respeito e segurança.
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5 benefícios que o voluntariado traz para a sua saúde

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Na teoria, muita gente considera o trabalho voluntário em orfanatos, asilos e hospitais como algo bonito e que “um dia irá fazer parte disso”. Porém, na prática muita gente se esquece de realmente colocar a mão na massa e trabalhar em prol de pessoas mais necessitadas.

Apesar de o voluntariado ser algo que, a priori, beneficia quem está recebendo a ajuda, ele também pode causar impactos positivos na vida de quem o pratica. A Ciência detectou 5 vantagens na saúde de quem tira um tempinho para olhar para os outros:

1. Diminui o estresse

O dia a dia é capaz de tornar nossa vida muito estressante, afastando as pessoas de praticarem o voluntariado por medo de mais sobrecarga emocional. Acontece que dois estudos publicados em 2013 mostram que a prática, na verdade, ajuda a diminuir a tensão e a ficar mais relaxado. Praticar o bem tem um efeito catártico na vida das pessoas.

2. Reduz incidência do uso de drogas

A universidade de Oxford publicou em 2015 que adolescentes e universitários que praticam o voluntariado têm mais chances de abandonar vícios em drogas ou álcool, além de outros comportamentos considerados nocivos. A prática também previne que esses vícios surjam no futuro, tornado a vida do voluntário mais saudável.

3. Previne contra doenças do coração

O sedentarismo tem elevado as taxas de sobrepeso da população e aumentado o risco de doenças cardiovasculares. Se você faz parte deste grupo e não tem ânimo de se exercitar, o voluntariado pode ser um caminho mais viável: um estudo de 2013 feito com alunos do Ensino Médio mostrou que os que praticavam o bem para desconhecidos tinham o colesterol e o peso mais adequados para a idade do que aqueles que não ajudavam o próximo.

4. Aumenta a felicidade

Um estudo de 2005 mostrou o cérebro dos praticantes de voluntariado liberam mais hormônios como a dopamina e a serotonina, que nos deixam mais felizes naturalmente. Consequentemente, a autoestima será mais elevada, os índices de depressão cairão e a capacidade de lidar com as mais diferentes situações será aprimorada.

5. Diminui o risco iminente de morrer

A prática do voluntariado não tem idade: pode ser feita em qualquer fase da vida, mesmo depois que você já se tornou adulto ou idoso. Um estudo publicado em 2013 mostrou que pessoas mais velhas que praticam ações em prol da sociedade possuíam menos chances de morrer subitamente, mesmo que tivessem a saúde impecável antes de exercer o bem.
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Agora que você já sabe de tudo isso, que tal colocar em prática aquilo que você provavelmente já considera algo benéfico para a sociedade? Procure alguma ONG ou grupos que praticam o bem e faça sua parte para tornar o mundo melhor para todos!

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Efeito manada e medos: psicologia explica por que você vai votar em A ou B

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As pesquisas eleitorais captam momento e tendências. Mas o resultado das eleições, com o perdão da obviedade, só se conhece no momento da contagem dos votos. E a psicologia e a neurociência tentam explicar fenômenos que levam o eleitor a confirmar ou a mudar esse voto.

Um estudo realizado pela Universidade McGill, do Canadá, publicado em 2015, mostrou que uma região do cérebro – o córtex orbitofrontal lateral – é acionada quando tomamos a decisão de votar neste ou naquele candidato.

O estudo identificou dois padrões: quem combina diferentes fontes de informação e toma decisão com base nelas (portanto, de maneira mais racional) apresentava essa área do cérebro em perfeitas condições. Já quem escolhe com base em apenas um atributo que considera mais atrativo tinha danos nessa região.

Mas além de fatores físicos ou neurológicos, há elementos psicológicos que influenciam a escolha diante da urna.

Nelson Destro Fragoso, professor de psicologia da Universidade Presbiteriana Mackenzie, cita três: necessidade de aprovação, necessidade de pertencer a um grupo e medo de castigo.

Aprovação e pertencimento

Fragoso explica que o humano, um ser social, precisa de apoio e reforço para saber que aquilo que fará é "a coisa certa". "Este fenômeno acontece psicologicamente em tomadas de decisão, inclusive com o voto", diz o psicólogo.

"Como as pessoas precisam sentir apoio da sociedade, votam naquele que está sendo mais propagado. Muita gente fala que vai votar no candidato A, quando na verdade está propenso a votar no B. É comum ter receio de assumir a posição", diz Fragoso.

É o que, na linguagem popular, se chama de "efeito manada". "Se os amigos são mais de direita ou esquerda, provavelmente a pessoa terá opinião parecida", exemplifica Fragoso.

Ele compara isso com hábitos da juventude. Se todo o grupo passa a fumar cigarro, por exemplo, é natural que aquele que não queira aderir ao hábito se sinta excluído. "Somos seres sociais, vivemos em grupo. E, para isso, precisamos da aceitação do grupo e isto interfere em nosso comportamento", explica.

O psicólogo Helio Roberto Deliberador, professor de Psicologia Social da PUC de São Paulo diz que o voto de manada "é da nossa cultura". "Tem parcelas que gostam de votar em quem ganha – e o faz indicado pelas redes e pelas pesquisas. A psicologia social explica isso", afirma.

Para ele, por isso, é pouco provável que haja surpresa nas urnas na eleição para presidente. "Salvo algum acontecimento muito bombástico, pouca mudança deve haver. Para os cargos executivos creio que o eleitor vai com seu voto definido", diz.

Por fim, a necessidade de fazer parte de um grupo explica o comportamento em bolhas e os resultados eleitorais que mostram que em determinadas regiões o voto é mais à esquerda, em outras, mais à direita.

Medos

Nem só de vontades se faz um voto. Os medos também exercem um papel importante na decisão do eleitor. No voto em manada, além da necessidade de apoio e aprovação, há também receio de errar sozinho: caso a decisão não se revele acertada, a 'culpa' deixa de ser individual e passa a ser coletiva.  Outros medos também têm papel importante.

Um estudo realizado pela Universidade de Nebraska, nos Estados Unidos, expôs voluntários a imagens assustadoras, como um homem com uma aranha no rosto, e a ruídos altos As pessoas que tiveram mais reações físicas a esses estímulos (por exemplo, pele arrepiada) tenderam a ter opiniões mais conservadoras - apoiando, por exemplo pena de morte. E quem reagia menos a essas situações tinham posições mais progressistas.

Pesquisa realizada pelo psicólogo Yoel Inbar, professor da Universidade de Toronto, no Canadá, chegou a resultados semelhantes. Ele agrupou pessoas de acordo com uma escala de repugnância – ou seja, de acordo com o nível de nojo que essas pessoas sentiam. E submeteu esses voluntários a um questionário político. Concluiu que os mais conservadores politicamente são aqueles que têm mais nojo das coisas.

De acordo com o relatório da pesquisa, isso significa que tais pessoas são predispostas a "evitar conviver com aqueles com quem não estão familiarizadas" , "abdicar de uma maior liberdade sexual" e "aderir à práticas mais tradicionais da vida social". O nojo, portanto, evoca um tipo de medo.

O medo está tão presente nesta campanha eleitoral que, segundo Fragoso, isso explica por que as campanhas apostam tanto em "não vote em A" e "não vote em B" - em vez de "vote em mim".

A tendência de votar no "menos ruim" ou votar em um para que o outro não se eleja foi estudada pelo cientista político Jon Krosnick, professor da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos. Ele constatou que quanto mais uma pessoa não gosta de determinado candidato, mais ela se sente engajada a participar do debate eleitoral, mirando seus esforços para eleger aquele diametralmente oposto ao tido como "inimigo".

É isto que explica o fato de que os políticos tentem sempre enfatizar as características negativas de seus oponentes.

E por fim, há o medo da punição. "Fomos educados assim. A religião que diz que quem não viver corretamente será punido. Os pais que colocam a criança desobediente de castigo ou lhe tiram presentes. E assim por diante", argumenta Fragoso. "Na hora do voto, a mesma questão: se eleger A em vez de B, poderei ser punido pela minha escolha?"

Fake news e prazer

A todo o complexo sistema de tomada de decisões humana, soma-se um novo elemento nos últimos tempos: as fake news bombardeadas em massa pelas redes sociais.

"A sociedade passa por uma coisa muito difícil que é conseguir resolver quais informações são verdadeiras e quais são falsas", analisa Fragoso.

"Sempre existiu a notícia verdadeira e a paralela, que ganha força. Mas com as redes sociais, ganhou em amplitude e agilidade", diz.

Estudos apontam que as pessoas tendem a acreditar em teorias conspiratórias para reforçar pontos de vistas que elas já aprovam. Este viés cognitivo é chamado de "distorção da confirmação" e estudado por acadêmicos como o psicólogo Christopher French, professor da Universidade de Londres.

Uma outra razão que contribui na disseminação de teorias conspiratórias é a nossa predisposição de achar que grandes acontecimentos precisam de grandes causas. Assim, para qualquer notícia mais relevante, procuramos explicações fantásticas - o que, convenhamos, na vida real, nem sempre é verdade.
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Por que nós não encontramos as coisas quando elas estão na nossa frente?

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Você consegue encontrar a escova de dente na imagem acima? Pois saiba que além da escova no meio da pia, há uma enorme e azul ao lado do espelho. Apesar do tamanho, é fácil deixá-la passar: a imagem, produzida por cientistas da Universidade da Califórnia, Santa Barbara, nos Estados Unidos, indica que, quando algo inesperado aparece em cena, as chances de identificá-lo são bem menores.

Em estudo publicado no periódico Current Biology, os pesquisadores afirmam que as nossas expectativas podem afetar a habilidade de identificarmos o que há no nosso entorno. Para a pesquisa, os cientistas realizaram experimentos para entender o que as pessoas veem - e como essa percepção pode ou não ser diferente da de computadores.

Eles apresentaram imagens como a do começo da matéria, em que a escova é colocada em uma escala maior do que o restante do ambiente. Segundo o estudo, as pessoas tendem a não conseguir encontrar objetos em grande escala 13% a mais do que objetos de tamanho normal. No caso dos computadores, não houve diferença na performance.

"Ficamos impressionados com o quão persuasivo esse efeito pode ser", disse um dos autores da pesquisa, o psicólogo Miguel Eckstein, da Universidade da Califórnia, Santa Barbara, em entrevista ao jornal The New York Times. Segundo ele, isso acontece porque "trata-se de um truque que o cérebro faz quando tem que processar cenas rapidamente para encontrar o que estamos procurando".

Leia também: 



É claro que raramente estamos procurando objetos maiores do que o normal no nosso dia a dia. Mas o exemplo serve para ilustrar que a nossa atenção é determinada pelas expectativas que temos sobre o que deveria estar presente. De acordo com a pesquisa, se temos expectativas, provavelmente não estamos prestando atenção ao que estamos vendo, o que aumenta as chances de não conseguirmos encontrar o que procuramos.

Fica ai a reflexão para a próxima vez em que não conseguir encontrar as chaves de casa ou "perder" os óculos. Esses objetos provavelmente estão debaixo do seu nariz.
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Encerrando ciclos – Se transforme em quem você é.

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Sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao final. Se insistirmos em permanecer nela mais do que o tempo necessário, perdemos a alegria e o sentido das outras etapas que precisamos viver. Encerrando ciclos, fechando portas, terminando capítulos – não importa o nome que damos, o que importa é deixar no passado os momentos da vida que já se acabaram.

Foi despedido do trabalho? Terminou uma relação?Deixou a casa dos pais? Partiu para viver em outro país?A amizade tão longamente cultivada desapareceu sem explicações?

Você pode passar muito tempo se perguntando por que isso aconteceu. Pode dizer para si mesmo que não dará mais um passo enquanto não entender as razões que levaram certas coisas, que eram tão importantes e sólidas em sua vida, serem subitamente transformadas em pó. Mas tal atitude será um desgaste imenso para todos: seus pais, seu marido ou sua esposa, seus amigos, seus filhos, sua irmã, todos estarão encerrando capítulos, virando a folha, seguindo adiante, e todos sofrerão ao ver que você está parado.

Ninguém pode estar ao mesmo tempo no presente e no passado, nem mesmo quando tentamos entender as coisas que acontecem conosco. O que passou não voltará: não podemos ser eternamente meninos, adolescentes tardios, filhos que se sentem culpados ou rancorosos com os pais, amantes que revivem noite e dia uma ligação com quem já foi embora e não tem a menor intenção de voltar.

As coisas passam, e o melhor que fazemos é deixar que elas realmente possam ir embora. Por isso é tão importante (por mais doloroso que seja!) destruir recordações, mudar de casa, dar muitas coisas para orfanatos, vender ou doar os livros que tem. Tudo neste mundo visível é uma manifestação do mundo invisível, do que está acontecendo em nosso coração – e o desfazer-se de certas lembranças significa também abrir espaço para que outras tomem o seu lugar.

Deixar ir embora. Soltar. Desprender-se.Ninguém está jogando nesta vida com cartas marcadas, portanto às vezes ganhamos, e às vezes perdemos. Não espere que devolvam algo, não espere que reconheçam seu esforço, que descubram seu gênio, que entendam seu amor. Pare de ligar sua televisão emocional e assistir sempre ao mesmo programa, que mostra como você sofreu com determinada perda: isso o estará apenas envenenando, e nada mais.

Não há nada mais perigoso que rompimentos amorosos que não são aceitos, promessas de emprego que não têm data marcada para começar, decisões que sempre são adiadas em nome do “momento ideal”. Antes de começar um capítulo novo, é preciso terminar o antigo: diga a si mesmo que o que passou, jamais voltará.

Encerrando ciclos. Não por causa do orgulho, por incapacidade, ou por soberba, mas porque simplesmente aquilo já não se encaixa mais na sua vida. Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira. Deixe de ser quem era, e se transforme em quem é.


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Síndrome do ninho vazio: o impacto da saída dos filhos de casa na vida dos pais

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Apesar de sentir-se realizada ao ver a única filha casar e estruturar uma nova vida, Hebe desmoronou quando se viu sozinha em casa, em 2017.

"Quando eu falava dela, sentia uma vontade incontrolável de chorar. A razão dizia que eu precisava construir novos laços, mas o sentimento era de não querer conversar com outras pessoas", conta Hebe, hoje com 52 anos e viúva há 13.

Formada em Economia, ela trabalha como bancária há 29 anos em Jundiaí (SP). Apesar de gostar do trabalho, não conseguia lidar com a solidão e sentiu dificuldades para recriar a rotina, agora voltada para si e não mais para a filha Ana Carolina.

"É difícil não ter mais uma pessoa para cuidar e conversar. Eu não fazia muita coisa sozinha, a maioria do meu tempo era para ela, com ela e por ela", diz Hebe. "Ela tinha atividades durante o dia, mas a gente sempre conversava quando ela chegava em casa, mesmo que fosse tarde da noite. Eu não ficava totalmente sozinha."

Após a saída da filha, Hebe começou a apresentar sintomas depressivos: só saía de casa para trabalhar e visitar os pais, sentia dores intensas no corpo e vontade constante de chorar.

Em abril de 2018, após 11 meses, Hebe decidiu buscar uma psicóloga e foi diagnosticada com a síndrome do ninho vazio (SNV), caracterizada pelo sofrimento dos pais após o esvaziamento da casa pela saída dos filhos.

"Abri mão das minhas coisas pensando apenas nela. A gente se apega e acaba se esquecendo um pouco da gente", afirma.

Apesar de não se arrepender da dedicação à filha, Hebe hoje reconhece a importância de buscar outras atividades de seu interesse e de construir si mesma em outros papéis além da maternidade. Se antes esperava convites para sair de casa, agora Hebe busca viver de outra maneira. "Chorava a ausência dela e pensava que alguém poderia me convidar para sair. Agora não fico mais lamentando e tento convidar as pessoas", conta.

Hoje, Hebe acompanha Ana Carolina por telefone e nos almoços de fins de semana. Apesar de ainda sentir falta da filha, ela considera que o contato não se perde: apenas se transforma. "Os filhos precisam seguir o caminho deles e nós que temos que buscar o nosso, sem a presença deles tão constante."

Síndrome do Ninho Vazio

A Síndrome do Ninho Vazio é caracterizada por um sentimento de tristeza e desânimo que acomete os pais quando os filhos se tornam independentes e saem de casa. A maioria das pessoas educa seus filhos e os prepara para buscar seus próprios caminhos, mas alguns pais (principalmente as mães) que dedicaram suas vidas exclusivamente aos filhos começam a perceber que não descobriram outros papéis enquanto indivíduos a não ser o de pai/mãe e, assim, começam a se sentir desconfortáveis.

Principais sintomas

Depressão;
Distúrbios do sono;
Melancolia;
Raiva;
Distúrbios alimentares;
Diminuição da libido.

Além disso, é comum que os casais que estão passando por esta fase acabem tendo conflitos. Isso porque, quando os filhos já estão criados e a vida financeira é estável, existe um reencontro entre o casal que, às vezes, pode perceber que não há mais nenhum projeto comum. Inconscientemente, marido e mulher estabelecem um compromisso de vínculo para educar os filhos e, quando eles amadurecem, os pais sentem que sua função foi cumprida.

Dicas para lidar com a partida dos filhos

Entenda a nova fase

Reconheça que é natural que os filhos saiam de casa para buscar sua própria independência é natural. Neste momento, é importante refletir e aceitar que a fase de mãe protetora passou e perceber que outras possibilidades podem se abrir e a descoberta de novos papéis é essencial. Encare essa nova fase como uma oportunidade de cuidar de você e realizar novas tarefas.
Encerre o ciclo

Faça um exercício: inspire e segure a respiração. Repare como o “ar antigo” nos sufoca, não deixando novos ciclos de oxigênio acontecerem. A mesma coisa ocorre quando nos apegamos a ciclos que já se encerram e quando temos medo da perda e não conseguimos focar nos ganhos que ela nos traz. Permita-se abrir espaço para o novo.
Tire seus sonhos da gaveta

Orgulhe-se de ter completado sua missão: você criou seus filhos para serem independes e cumpriu sua tarefa. Agora é o momento de tirar seus sonhos da gaveta. Encontre novos hobbies, pratique exercícios, comece um novo curso e aprenda coisas novas. Reflita honestamente sobre as ações que te dão prazer. Ao longo da vida, as pessoas acabam adiando uma lista de atividades prazerosas por conta da correria diária. Faça uma lista com tudo que deseja realizar e coloque-se no centro da sua vida.

Pense nos lados positivos

Além de ter mais tempo para você, muitas vezes o relacionamento com os filhos melhora quando eles mudam de casa. Aproveite a nova fase para dar mais atenção ao seu relacionamento e sair mais à dois.

Preparar a saída

O sofrimento causado pela SNV não se relaciona somente à saudade e a solidão dos filhos, mas também à falta de preparação prévia dos pais para essa fase da vida.

A prevenção é sempre o melhor remédio. As pessoas precisam começar a se preparar para essa fase e buscar outras vivências além dos filhos: sair com amigos, praticar atividades físicas, estudar, viajar. Falta de saúde social também faz adoecer.

O esvaziamento da casa pode ter impactos diferentes sobre o casamento dos pais dependendo da maneira como eles construíram a relação.

Não é difícil haver divórcios nessa fase porque muitos não suportam a pressão de se ver frente a frente com o parceiro. Perderam a intimidade, não sabem o que o outro gosta e só se enxergam como pai e mãe. Tudo isso faz o casamento perder sentido.

Porém, há também casais que se fortalecem e usam o tempo antes dedicado ao filhos para buscar novas atividades juntos.

FONTE: BBC Brasil
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11 sinais de que você se preocupa mais com o relacionamento do que seu parceiro(a)

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Nenhum relacionamento é perfeito o tempo todo e é normal que o casal precise fazer alguns ajustes para que os dois se sintam valorizados. Isso, porém, só vai funcionar se ambos estiverem igualmente envolvidos.

Quando o parceiro ou a parceira não está tão interessado quanto você, nada do que você possa fazer para melhorar a relação surtirá efeito – afinal, ele ou ela simplesmente não está a fim de se esforçar ou mudar algum comportamento.

Confira estes sinais que podem ajudar você a confirmar ou descartar essa possibilidade:

1. É sempre você que pede desculpas e tenta consertar as coisas

Casais discutem e isso é normal. O problema é quando apenas você precisa tomar a iniciativa de chamar o parceiro ou a parceira para conversar, acertar os ponteiros e pedir desculpas. Quando ele ou ela não se preocupa com isso, é um sinal de que a importância atribuída ao relacionamento é menor.

2. Você se adapta aos planos da outra pessoa, nunca ao contrário

Se apenas você se dispõe a desviar um pouco do seu caminho, reorganizar sua agenda ou mesmo deixar de fazer algo que você queria para poder atender às vontades do parceiro, temos um problema. Em um relacionamento, os dois precisam ceder na mesma proporção.

3. Você é a única pessoa a fazer planos, aliás


Talvez você seja mais organizada e tenha mais prática para fazer reservas e marcar horários, mas seu parceiro ou parceira pelo menos deveria manifestar vontade de fazer alguma coisa com você. Quando você é a única responsável pelas atividades do casal, isso mostra que você se dedica mais a essa relação.

4. É sempre você que liga ou manda mensagem

Pode ser que o parceiro não seja muito chegado em WhatsApp, mas, se ele nem se dá ao trabalho de responder suas mensagens ou te deixa no vácuo por horas ou dias, esse é um sinal bastante evidente de desinteresse. Quando gostamos de alguém de verdade, queremos estar em contato com essa pessoa.

5. Somente você demonstra ter interesse pelas relações sexuais

Quando apenas você parece querer ter relações sexuais ou qualquer tipo de contato físico, isso pode ser um sinal de que você investe mais nesse relacionamento do que seu parceiro ou parceira. Ninguém precisa estar a fim de sexo o tempo todo, mas, quando a outra pessoa parece nem se lembrar disso, é preciso ficar alerta.

6. Você tolera as manias dele, mas o contrário não é verdadeiro


Todos nós temos hábitos que podem ser irritantes para a outra pessoa, mas, em geral, existe um esforço mútuo para tolerar essas manias. O problema é quando apenas você finge que não viu a tampa da privada levantada ou o controle remoto fora do lugar, enquanto ele arruma encrenca por absolutamente qualquer coisa que você faça diferente dele.

7. Você não conhece a família nem os amigos dele ou dela

Se vocês já têm algum tempo de relacionamento e ele ou ela nunca quis te apresentar para a família ou os amigos, isso pode ser um alerta de que, por algum motivo, o parceiro quer te manter escondida. Vale a pena ser direta, pedir para conhecer essas pessoas e observar a reação dele.

8. O relacionamento de vocês não existe nas redes sociais do parceiro

Mesmo que seu parceiro ou sua parceira não seja muito fã de redes sociais, o fato de ele ou ela não fazer nenhuma referência a você também é um sinal de que ele pode estar tentando esconder a sua existência ou fingir que não está em um relacionamento.

9. Você quer dividir as grandes novidades, mas ele não

Não importa se você conseguiu uma promoção, ganhou uma viagem num sorteio ou foi demitida: o parceiro ou a parceira é sempre a primeira pessoa a quem você quer contar a novidade, seja ela boa ou ruim. Porém, se a recíproca não for verdadeira, talvez você não tenha esse mesmo grau de importância na vida dele ou dela.

10. Você jamais se envolveria com outra pessoa, mas o parceiro sim


Talvez seu parceiro (ainda) não esteja tendo relações sexuais com outra pessoa, mas o fato de ele flertar ou criar uma conexão emocional com mais alguém já é um sinal de que ele não está tão envolvido quanto você – ainda mais se você não se vê tendo essa mesma atitude.

11. Ele ou ela parece não conhecer você a fundo


Pessoas realmente interessadas em seus parceiros têm curiosidade sobre a vida do outro e costumam se lembrar de fatos importantes, como a data do aniversário, a comida preferida ou até mesmo alguma fobia. Assim, quando você sabe tudo sobre seu parceiro e a recíproca não é verdadeira, isso pode sinalizar que ele não está tão envolvido no relacionamento quanto você.

Cada pessoa tem uma forma própria de demonstrar seus sentimentos, e talvez você realmente seja mais explícita do que o parceiro ou a parceira. Contudo, se você não está recebendo a atenção e o afeto que você espera e merece, este é o momento de ter um bom diálogo com a outra pessoa e, se for o caso, avaliar se vale a pena continuar nesse relacionamento.
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Você é uma pessoa sistemática? Confira dicas para ser uma pessoa mais relaxada!

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Metódicos, certinhos, organizados e conhecidos como caxias – quem cumpre com extremo rigor suas obrigações. Quem carrega esse tipo de personalidade, possui pontos positivos e costuma ser bastante produtivo mas, pode apresentar algumas dificuldades e limitações como se adaptar a qualquer mudança na rotina, se abrir para o novo e, principalmente, saber o momento de relaxar. O sistemático é exigente e duro consigo e com os outros.

Normalmente, as pessoas sistemáticas possuem um alto nível de produtividade e de organização, sendo muito racionais e exigentes com elas mesmas. Entretanto, elas também são pessoas mais resistentes à mudanças.

A tendência então do sistemático é ver o seu mundo ruir se alguém entra na sua rotina ou algo sai dela e, geralmente, ele não está preparado para lidar com isso. O sistemático tende a lidar mais com a razão do que com a emoção e não consegue ver os seus limites.

Você se considera uma pessoa sistemática? Confira as principais características:
  • Extremamente organizados
  • Presos a normatizações
  • Precisam de método para tudo
  • Adquirem um caráter quase automático para realizar tarefas
  • Possuem muita dificuldade para se adaptar ao novo
  • Elaboram um cronograma mental que não pode ser quebrado
  • São muito autodisciplinados e produtivos
  • Resistem a todos os tipos de mudança
  • Possuem um padrão de exigência muito elevado
  • Sentem-se ameaçadas quando não conseguem cumprir uma incumbência do seu planejamento
  • São extremamente racionais e essa característica acaba prejudicando seus relacionamentos

Como encontrar um equilíbrio e conseguir ser uma pessoa mais relaxada?

Pessoas sistemáticas, geralmente, possuem uma rotina muito atribulada e a cabeça vive cheia de preocupações: cobranças profissionais e familiares, trânsito, excesso de compromissos e estresse emocional.

Esvaziar a mente, relaxar e deixar com que as coisas fluam de forma mais natural pode ser um grande desafio.Porém, é preciso entender que não basta cumprir com todas as obrigações e tarefas diárias se você não consegue tirar prazer disso e se sentir realizado não só quando atinge o resultado mas também, durante todo o processo.

Talvez você não você pense que não tem tempo para relaxar, mas existem maneiras rápidas e simples para aliviar a tensão da mente e afastar o estresse e, assim, conseguir cumprir com todas as suas atividades – profissionais, pessoais, familiares e sociais –, com mais saúde e felicidade.

Tenha flexibilidade, saiba que está tudo bem se as coisas não acontecerem do jeito que você quer. Lembre-se, todas as suas escolhas tem 50 por cento de dar certo e 50 por cento de dar errado, assim como todo mundo. Ninguém entra neste mundo com as cartas marcadas, saiba perder, levantar e começar novamente.

Não seja tão exigente com você e com os outros. Saiba a hora de ceder e a hora de persistir. Existe uma diferença muito grande em insistir em algo e em persistir. Saiba a diferença. Sinta-se satisfeito com as coisas boas que estão acontecendo e não se prenda às ruins.

Esteja pronto para adotar novas estratégias caso a ideia inicial falhar. A adaptação rápida facilitará muitos processos.  Entenda as críticas como uma forma de aprimoramento pessoal. Veja o lado bom dos imprevistos porque só assim será mais fácil lidar de maneira bem-humorada com os problemas.

Mude de opinião sem ter medo de fazê-lo. Muitas vezes, novas informações são obtidas e descaracterizam as ideias anteriores. Não tenha meda da mudança, evolua, cresça!

Explore seu lado criativo. Pessoas com esta habilidade em potencial tendem a encontrar soluções mais fáceis para os problemas. Seja mais atento aos sentimentos e pensamentos dos outros. Invista na sua auto confiança e na sua “voz interior” e ouça diferentes opinões. 

Se abra para o mundo e por fim:  Esvazie a sua mente.

Esvaziar a mente é fundamental para conseguir ter uma rotina mais saudável e realizar suas tarefas com mais consciência. Encontre soluções e respostas criativas e inovadoras, como:

  • Ter um hobby
  • Adotar hábitos saudáveis
  • Praticar um esporte que você realmente goste
  • Praticar atividades fora do ambiente de trabalho, como cursos, aulas de música ou aprender um novo idioma
  • Estar na companhia de pessoas queridas
  • Investir em conversas agradáveis e dar mais risadas
  • Passar mais tempo com a família
  • Dormir bem
  • Cuidar da alimentação
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As redes sociais como reflexo da falta de empatia no mundo

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Empatia é a capacidade psicológica que temos para sentir o que uma pessoa sentiria se estivéssemos passando pela mesma situação que ela; é o sentimento que nos liga ao outro. Ser empático tem a ver com ser altruísta, ter amor pelo outro e ajudá-lo.

Num mundo extremamente conectado, mas também individualista, as redes sociais são poderosas intermediadoras que escancararam a falta de empatia da sociedade. As pessoas disseminam ódio e rancor pela internet, denegrindo e expondo sem nem pensar como se sentiriam se estivessem no lugar dos outros. E, apesar dessa desumanização ter sido amplificada com o contato via web, essa falta de empatia é apenas um reflexo da ausência de solidariedade e amor dentro de cada um.

Nas redes sociais as pessoas falam sem pensar, nem se colocam no lugar dos outros. A partir do momento que você faz uma crítica maldosa, mesmo sabendo que pode machucar, você está sendo apático com o sentimento do outro. E machucar o outro, só machuca a você mesmo. Afinal, não fazer com os outros o que você não quer que façam com você é um princípio que deveria ser levado em consideração.

É evidente que muitos ainda não tenham assimilado que as maiores mazelas do mundo se dão por causa da falta de empatia dos homens. Essa ausência gera uma desumanização, tanto em sí mesmo quanto no outro. E com isso, nos tornamos menos humanos, mais egoístas, mais competitivos e mais individualistas.

Devemos levar em consideração que transtornos de personalidade antissociais são causados também pela falta de empatia. Isso não significa necessariamente que não ter empatia te torna um psicopata ou sociopata. Pessoas que não possuem empatia emocional – caso das TPA’s – conseguem entender o que os outros estão sentindo, e até mesmo sabem a resposta que aquela emoção causa, mas elas simplesmente não a sentem.

A ignorância, o desafeto e a raiva são sinônimos claros de um pensamento intolerante: estamos em estado alarmante de falta de solidariedade. Precisamos reconhecer na empatia a possibilidade de promover mudanças significativas no mundo. A maturidade emocional está intimamente ligada à capacidade de sentir empatia. 

É a capacidade de se colocar no lugar do outro que faz com que tenhamos a abertura para ouvir as várias respostas para uma mesma pergunta e entender que não há verdade absoluta. Que a sua necessidade não é menos importante que a minha.

Sem empatia há corruptos, traidores, violentos, assassinos, aproveitadores, sem-palavras, charlatões, 
enrolões, abusadores, perversos, impacientes, intolerantes, presunçosos, folgados, procrastinadores, indiferentes.

Enquanto as pessoas se distanciam por meio do preconceito e do julgamento, a empatia cria laços que as aproximam.

Enquanto a intolerância é um dos maiores problemas do mundo, a empatia é a cura.


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Transtorno Bipolar: como a família e amigos podem ajudar no tratamento

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O aparecimento do transtorno bipolar se deve a uma combinação de fatores, em que aspectos biopsicosociais desempenham papel importante no desencadeamento da doença. Assim sendo, tratamentos medicamentosos, orientação sobre a doença e psicológicos estão indicados. O segredo está no encontro da combinação ideal para cada paciente.

Orientação psicoeducacional

Se o remédio não for tomado, de nada adianta receitá-lo. Para aumentar o sucesso do tratamento é preciso esclarecer o paciente e familiares sobre os sintomas da doença, suas causas, como ela pode seguir durante a vida da pessoa, quais os riscos, que atitudes tomar durante a depressão e na mania, como se preparar para as recorrências e assim por diante. Alguns aspectos são fundamentais. Em primeiro lugar, estará sendo tratado o diagnóstico de transtorno bipolar, não apenas sintomas depressivos ou eufóricos. Levando em consideração que a doença é para a vida toda, podendo hibernar por meses ou anos, o tratamento deve ser planejado para atender as necessidades a curto, médio e longo prazos. 

Na orientação acerca da doença também deve ser abordado o preconceito. Resolver dúvidas ajuda a diminuí-lo, mas só o tempo poderá eliminá-lo de vez. Infelizmente pacientes e famílias sofrem durante anos acumulando ressentimentos, queda do poder aquisitivo, atraso na formação, antes da aceitação do diagnóstico e do tratamento.

Outra questão a ser aprendida é como lidar com uma nova crise. Cuidar da decepção, da frustração, da desesperança e além disso prevenir conseqüências prejudiciais são fundamentais na recuperação.

Tratamento medicamentoso

Existem vários tipos de substâncias usadas no tratamento do transtorno bipolar, dependendo do estado em que o paciente se encontra: estabilizadores do humor, antidepressivos, antipsicóticos e tranqüilizantes. Para tratar uma crise de depressão pode ser necessário o uso de antidepressivos, se os estabilizadores do humor não forem suficientemente eficazes; numa (hipo)mania apenas estabilizadores do humor podem resolver ou se adiciona antipsicóticos e tranqüilizantes. Estes são os tratamentos de fase aguda.

Quando a pessoa já teve pelo menos 3 crises ou uma muito séria e tem o diagnóstico de transtorno bipolar do humor, é aconselhável não adiar o tratamento de manutenção, para evitar ou reduzir a gravidade de novos períodos de doença. Os estabilizadores do humor podem bastar para controlar uma (hipo)mania ou estado misto, mas são os remédios ideais para o tratamento de manutenção ou preventivo de novos episódios do transtorno bipolar.

É importante lembrar que mesmo a curto prazo, o efeito dos medicamentos na depressão, na (hipo)mania ou no estado misto leva pelo menos duas a quatro semanas para ser significativo. A melhora completa pode levar alguns meses e depois disso é necessário manter as medicações usadas na fase aguda da doença por mais algumas semanas ou meses, dependendo da gravidade. Depois de melhorar por completo, não apenas parcialmente, o paciente segue para a fase de manutenção.

Nesta fase normalmente a pessoa se sente bem e corre o risco de descuidar do rigor no tratamento medicamentoso. Da mesma maneira como acontece na hipertensão arterial ou no diabetes, a pessoa se sente bem por estar tomando remédios. Ela não pode parar sem o consentimento do médico achando que está curada.

Felizmente dispomos hoje em dia de vários remédios que podem controlar o transtorno bipolar do humor, de tal modo que se a pessoa não puder tomar algum deles ou não se beneficiar o suficiente, é possível trocá-los ou fazer combinações entre eles. Serão mencionados somente os disponíveis no Brasil.

Estabilizadores do humor são os remédios mais importantes e devem ser usados a partir do diagnóstico de transtorno bipolar. Controlam o processo de ciclagem de um episódio a outro, reduzindo a quantidade de depressões e (hipo)manias e a gravidade delas. Eles variam entre si no efeito antidepressivo e antimaníaco. Os mais estudados e bem conhecidos são o carbonato de lítio, a carbamazepina e o ácido valpróico. Com exceção do lítio, todos eles são também usados como anticonvulsivantes (remédios para tratar epilepsia).

Antidepressivos são o tratamento indicado para as depressões. No paciente com transtorno do humor bipolar o médico primeiro introduz o estabilizador do humor e se não melhorar associa um antidepressivo. Esta cautela reduz o risco de ciclagem para euforia, que os antidepressivos podem desencadear. Se isso acontecer, demorará mais para controlar a doença a longo prazo.

Tratamentos psicológicos

O tratamento medicamentoso é básico, mas o transtorno bipolar não é meramente um problema bioquímico, também psicológico e social. Entrar em contato com os sintomas do transtorno bipolar causa sofrimento e pode ser traumatizante para o paciente e a família. O medo de como isso vai afetar sua vida, o preconceito, a aceitação do diagnóstico requerem atenção psicológica. Para aceitar é necessário conhecer a doença a ponto de diferenciar seus pensamentos e sentimentos e fazer decisões baseado em conhecimento e não em emoções, como medo ou raiva da doença. Tratamentos psicológicos procuram fornecer boas informações, orientação e motivação em um ambiente de apoio e confidencial. 

Há vários tipos, dependendo da necessidade específica de cada paciente, como psicoterapias individual ou grupal, terapia familiar ou conjugal e orientação psicoeducacional, como mencionado anteriormente.

Durante o curso do tratamento o paciente costuma enfrentar recorrências, pois o manejo medicamentoso pode demorar até ser acertado. Tais experiências trazem desapontamento, dúvidas sobre o tratamento, sentimentos de culpa e de revolta. Na psicoterapia e na orientação sobre a doença é possível encontrar esclarecimento e apoio necessários para superar cada novo obstáculo que a doença impõe.

Como a família e amigos podem ajudar?

Antes de mais nada é necessário conhecer a doença e o tratamento do transtorno bipolar do humor. Mesmo assim, cada novo episódio representa um desafio, porque se misturam problemas individuais, questões pendentes, características de cada família.

O apoio ao tratamento é fundamental para ajudar o paciente em momentos difíceis a manter os medicamentos na dose certa e no horário prescrito. Bastam alguns dias sem tomar a medicação ou tomando menos que necessário para que entre em nova crise. Compreender os sintomas não como seu jeito de ser, mas como doença, alivia muito e reduz o sentimento de culpa no deprimido. O doente em euforia requer firmeza e paciência, porque o relacionamento se torna mais desgastante. Ele pode recusar as orientações da família, alegando que agora toda vez que se sentir feliz e de bem com a vida logo pensam que está em mania. A intervenção junto ao médico antes que perca a autocrítica previne conseqüências piores ou eventual internação.

- se os medicamentos estiverem causando efeitos colaterais muito incômodos e o paciente mencionar que quer parar com tudo isso, o médico deve ser informado;

- detectar com o paciente os primeiros sinais de uma recaída; se ele considerar como intromissão, afirmar que é seu papel auxiliá-lo;

- falar com o médico em caso de suspeita de idéias de suicídio e desesperança;

- compartilhar com outros membros da família o cuidado com o paciente;

- estabelecer algumas regras de proteção durante fases de normalidade do humor, como retenção de cheques e cartões de crédito em fase de mania; auxiliar a manter boa higiene de sono; 

- programar atividades antecipadamente.

- mesmo depois da melhora, há um período de adaptação e desapontamento; é importante não exigir demais e não superproteger; auxiliá-lo a fazer algumas coisas, quando necessário;

- evitar chamar o paciente de louco ou demonstrar outros sinais de preconceito, que favorecem o abandono do tratamento; tratá-lo normalmente e apontar sintomas com carinho;

- aproveitar períodos de equilíbrio para diferenciar depressão e euforia de sentimentos normais de tristeza e alegria. 

Como o paciente pode se ajudar?

A pessoa mais interessada no próprio bem-estar é quem está doente. O paciente com transtorno bipolar do humor tem uma doença que costuma durar a vida toda, que se mantém sob controle com tratamento adequado. Cabe a ele o esforço de manter o tratamento: é ele quem toma os medicamentos - ou não. Ninguém pode forçá-lo, a não ser em situações que ponham em risco a sua segurança ou a de outros. Portanto, se você é portador do transtorno bipolar:

- comprometa-se com o tratamento - discuta dúvidas com seu médico, eficácia dos estabilizadores do humor, intolerância a efeitos colaterais, etc.;

- mantenha uma rotina de sono; mudanças no sono ou redução do tempo total de sono podem desestabilizar a doença; converse com seu médico, caso precise mudar o hábito de dormir; - evite álcool e drogas; além de interagirem com algumas medicações, também agem no cérebro, aumentando o risco de desestabilização da doença; se tiver insônia ou inquietação, não se automedique - converse com seu médico;

- evite outras substâncias que possam causar oscilações no seu humor, como café em excesso, drinques, antigripais, antialérgicos ou analgésicos - eles podem ser o estopim de novo episódio da doença;

- enfrente os sintomas sem preconceito - discuta com seu médico sobre ele;

- se não estiver podendo trabalhar, "não queime o filme" - é mais sensato tirar uma licença, conversar com a família ou com o patrão, e se permitir convalescer;

- lembre-se: você está bem por tomar a medicação; se parar de tomá-la, mesmo após 5 ou 10 anos, os sintomas podem voltar sem prévio aviso; é preciso manter-se alerta para o aparecimento dos primeiros sinais, como insônia e irritabilidade;

- há indícios de que quanto mais crises da doença a pessoa tiver, mais ela continuará tendo, por isso, procure participar ativamente do tratamento;

- descubra seus sintomas iniciais de nova crise depressiva ou maníaca - tome nota e avise imediatamente seu médico;

- aproveite períodos de bem-estar para redescobrir como você de fato é; como são os sentimentos de tristeza, alegria, disposição e como você lida com seus problemas;

- quanto mais você conhecer a doença, melhor você poderá controlar os sintomas no período inicial; proteja-se: evite estímulos de risco em potencial, como decisões importantes, relações sexuais sem preservativos, projetos ambiciosos, gastos - ponha seus planos no papel e espere para executá-los quando se reequilibrar; procure canalizar hiperatividade ou idéias negativas para atividade física ou manual; se estiver deprimido, dê-se um empurrão, pois a iniciativa está em baixa;

- procure e aceite ajuda da família e dos amigos quando perceber que não consegue se cuidar sozinho.

- é comum querer parar o tratamento, ou porque vai tudo bem, ou porque não está dando certo; procure conversar com outras pessoas com o mesmo problema, que já passaram por isso; lembre-se de como era seu sofrimento; discuta com a família se valeria a pena buscar uma segunda opinião sobre o diagnóstico e o tratamento. 

Temporariamente o paciente pode ficar inapto a se tratar adequadamente. Nestas fases a intervenção amiga da família é fundamental.

Fonte: Abrata
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15 Perguntas que você deveria fazer para se conhecer melhor

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Seja na adolescência, vida adulta ou velhice, estamos sempre buscando encontrar um denominador comum para a nossa existência neste planeta.

Para dar uma ajudinha nos seus dilemas existenciais, confira algumas perguntas que vão te ajudar a atingir o autoconhecimento!

1. O que é mais importante para mim na vida neste momento?

Faça uma reflexão sobre aquilo que te motiva a acordar todos os dias e encarar as barras pesadas da vida com ânimo.

2. Quais meus objetivos a curto e médio prazo?

Todos temos metas na vida, sejam elas mais ou menos ambiciosas, mas todos temos! Reflita claramente sobre quais os seus objetivos a médio e curto prazo.

3. O que eu mais gosto de fazer para me divertir?

Qual atividade te desperta prazer, alegria e relaxamento ao mesmo tempo? Liste as coisas que mais gosta de fazer e tente pôr em prática pelo menos uma dessas atividades ao longo do dia.

4. O que me deixa mais envergonhado(a)?

Esclareça quais são os seus pudores e, consequentemente, conseguirá compreender melhor a sua posição moral na sociedade em que vive.

5. O que mais me preocupa na vida neste momento?

Seus piores pesadelos e receios atuais…

6. Se eu tivesse um desejo para realizar, qual seria?

Consiste na sua vontade mais profunda e fantasiosa…

7. O que eu faço que me deixa satisfeito comigo mesmo?

Ao contrário do item número 3, este está relacionado com algo que você costuma fazer de modo excepcional e que sempre te dá satisfação quando conclui, mesmo não sendo essencialmente divertido ou relacionado ao entretenimento.

8. Qual meu maior fracasso?

Chegou a hora de tocar em feridas… Reflita e esclareça consigo mesmo quais os momentos de sua vida que mais te decepcionaram por erros ou má escolhas que partiram exclusivamente de você.

9. O que eu mais gosto sobre o meu trabalho? E o que eu mais odeio?

Faça um balanceamento sobre a sua satisfação profissional. As suas habilidades e vocações vão de encontro ao trabalho de desempenha atualmente?

10. Qual a minha memória mais feliz?

Momento nostálgico. Revire o baú de lembranças e resgate as memórias mais felizes que você tiver. Elas estão relacionadas a um lugar ou alguém específico?

11. Qual meu livro favorito? Meu filme, comida, banda, animal, cor…?

Pode parecer muito superficial, mas para ajudar a fazer com que você compreenda melhor os seus gostos, crie uma lista com todas as suas coisas favoritas, como o seu filme, comida, música e etc.

12. Qual o meu feito que tenho mais orgulho?

Algo que você já fez e que se sente muito orgulhoso(a) de ter realizado. Qual a sua “marca” neste mundo?

13. Quando estou me sentindo triste eu gosto de fazer o quê?

Todos nós seguimos um “ritual” quando estamos em momentos mais depressivos… Seja escutar uma playlist melancólica, dormir, assistir filmes com final nada feliz… Enfim, existem diversas atitudes que “personificam” o nosso estado de espírito. Quais as suas?

14. Eu sou agradecido pelo quê?

Mais uma pergunta que poderá ser respondida em 2 segundos ou 2 semanas de reflexão… Pense nos acontecimentos mais afortunados da sua vida, onde a única coisa que você pôde fazer foi agradecer.

15. Quais os meus pontos fortes e meus pontos fracos?

Por fim, liste todas as suas qualidades e defeitos. Faça isso aos poucos e da forma mais sincera possível.

Tente responder pelo menos uma dessas perguntas por dia, refletindo com calma e sinceridade sobre as respostas. Experimente repetir o questionário ao longo dos anos e veja como a sua visão de mundo vai se alterando com o passar do tempo...
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TRISTE REALIDADE: 9 em 10 meninas associam escolha profissão a gênero

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Pesquisa da Disney e de organizações latino-americanas mostra como crianças da América Latina se relacionam com a ciência


Quando se fala em profissões do futuro, é impossível não pensar em ciência e tecnologia. Uma pesquisa realizada por organizações latino-americanas e financiada pela Disney quer entender como as crianças de hoje estão se preparando para seguir essas carreiras e se há alguma diferença entre os estímulos dados aos meninos e às meninas.

O estudo foi realizado com crianças, pais e professores das classes médias e baixas de São Paulo, Buenos Aires e Cidade do México. "São poucos os estudos que versam sobre a desigualdade de gênero na ciência dessa região", observa Marcela Czarny, fundadora da Associação Chicos.net e coautora da pesquisa. "Apesar disso, investigar e analisar dados são passos imprescindíveis para mudar a desigualdade por motivo de gênero", afirma.

De acordo com o estudo, as crianças associam carreiras em STEM (sigla em inglês para Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática) a pessoas que sejam “muito inteligentes e importantes”. Com isso, 60% dos meninos e meninas de seis a oito anos dizem gostar de fazer experimentos em casa, mesmo que a ciência não seja uma de suas matérias preferidas.

Gênero

Uma das preocupações do estudo foi observar se há estímulos para que as meninas se interessem pelas áreas consideradas STEM, já que a falta desse apoio pode colaborar posteriormente com a ausência de mulheres nesses setores.

O resultado é desapontador, porém não surpreendente: segundo a pesquisa, nove em cada dez meninas de seis a oito anos associam a engenharia a "afinidades e destrezas masculinas". Já oito em cada dez pais e mães afirmam que apoiariam suas filhas a seguir essas carreiras caso esse fosse o desejo delas. 

“O que vemos na pesquisa é que pais e mães têm uma atitude muito mais flexível, muito mais aberta, que diz ‘faça o que você gosta, faça o que você quiser’”, afirma Gloria Bonder, coautora o estudo e pesquisadora da Faculdade Latinoamericana de Ciências Sociais da Argentina. “Há um interesse e uma preocupação por parte dos pais para que os filhos escolham o que gostem, porque assim eles terão mais êxito”.

Metade dos pais também considera que a baixa participação das mulheres nessas áreas é consequência dos poucos estímulos que elas recebem da família e da escola. Outros 33% acreditam que isso ocorre simplesmente porque elas não gostam dessas carreiras.

A maioria dos adultos entrevistados não vê diferenças no desempenho escolar entre meninos e meninas. Entre aqueles que acham que há essa diferença, a maioria acredita que as meninas se destacam mais em ciência e os meninos em matemática e informática.

Na escola, dois terços dos professores não acredita que haja diferença no desempenho de meninos e meninas em STEM. Os docentes paulistanos creem que o raciocínio lógico-matemático pode ser desenvolvimento independentemente do gênero e que as novas gerações têm muita facilidade para desempenhar carreiras em ciência e tecnologia.

Para somar

As crianças paulistanas adoram matemática. O estudo ressalta que o interesse pela disciplina dura toda a infância e que ela é uma das mais queridas pela criançada, junto com Educação Física.

Já os pequenos de Buenos Aires e Cidade do México não curtem tanto a matéria. Entre as meninas de seis a oitos anos, o interesse por matemática cai 30% e, dos nove aos dez anos, a porcentagem sobe para 40%.


“Acreditamos que isso se deve a forma de como a matemática é ensinada nas escolas brasileiras. Provavelmente, envolve um aprendizado mais lúdico do que em outras cidades da América Latina”, explica Bonder. “A pesquisa pode servir como ferramenta para ajudar professores a trabalharem o tema em sala ou provocar mudanças em políticas públicas”, avalia Belén Urbaneja, diretora de Corporte Citizienship e Brand Management da Disney na América Latina.
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Arkangel - Quanto o controle dos pais se torna perigoso

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Que Black Mirror é uma série tão “Black Mirror” a gente já sabe. É impossível assistir os episódios da série e não ficar mobilizado por alguma questão relatada. Algumas pessoas juram que a série trata sobre a tecnologia. Eu discordo, acredito que Black Mirror se utiliza da tecnologia para “esfregar” na nossa cara questões sociais, emocionais e de relacionamento que já estamos vivendo. Mesmo não tendo acesso a toda tecnologia (ainda) apresentada no seriado.

É pensando nisso que irei falar de uma questão muito bem retratada sobre relacionamento entre pais e filhos , sobre cuidados parentais e sobre a dificuldade em deixar com que o filho passe por experiências que em um primeiro momento pode parecer algo maléfico para a formação da criança ou do adolescente.

O segundo episódio da quarta temporada dirigido por ninguém nada menos que Jodie Foster mostra a relação entre mãe e filha . A trama revela uma mãe comum, que trabalha, cuida da filha e tem um relacionamento tranquilo com o pai. A filha também: começa com ela criança e depois a típica adolescente, crescendo, fazendo o que pode para se desviar das limitações da sociedade e da própria família.

A relação parece ser plausível dentro daquilo que podemos chamar de normal. Uma mãe que não mede esforços pare proteger e cuidar da filha. Entretanto , não é bem assim que acontece. A simbiose entre mãe e filha é elevada a um novo patamar . Para pais preocupados, uma empresa oferece um sistema que é inserido no cérebro da criança. A partir dali, é possível, em um tablet, observar os sinais vitais e a localização do filho, aplicar filtros de desfoque de visão em momentos estressantes do pequeno e literalmente enxergar pelos olhos do jovem. O total controle tranquiliza inicialmente, mas, claro, aterroriza pouco tempo depois.

A distância dos momentos considerados estressantes que são bloqueados pela mãe através do filtro do dispositivo influencia no desenvolvimento da menina. Ela passa a apresentar comportamentos agressivos e de automutilação em resposta a falta de maturidade que seria adquirida pelas experiências que lhe foram privadas. A mãe então desiste do dispositivo — até Sara chegar à adolescência.

Winnicott, psicanalista inglês em sua teoria vem trazer a definição do que é a “mãe suficientemente boa”. Contrariando o próprio senso comum de que a mãe boa é aquela que ama , protege e assegura que na caminhada do seu filho ele encontrará o menor número de adversidades e frustrações possíveis, Winnicott vem trazer luz a essa definição.

Segundo o psicanalista a mãe suficientemente boa não é aquela mãe perfeita, porque essa não existe. Mas é a mãe que sabe a hora certa para favorecer a ilusão no bebê e, logo após, a desilusão.

A ilusão é criada quando a mãe se adapta às necessidades do bebê e este projeta o que ele mesmo criou daquilo de que ele necessita. Aliás, o bebê percebe a mãe dele como sendo parte sua: os dois são um só – o que dá sustento ao pensamento de dependência para com a mãe. Winnicott escreveu em O Brincar & a Realidade: “A mãe, no começo, através da adaptação quase completa, propicia ao bebê, a oportunidade para a ilusão de que o seio dela faz parte do bebê, de que está, por assim dizer, sob o controle mágico do bebê.” É este o período de dependência absoluta, que vai de 4 a 6 meses. É importante notar que o bebê não tem percepção dessa situação, mas adquire uma sensação de onipotência.

Logo após esse período, é tarefa da mãe desiludir a criança, não atendendo tudo tão prontamente. Ou seja, a mãe, progressivamente, começa a fazer com que a criança suporte algumas frustrações. De confrontos em confrontos, o desenvolvimento do ego da criança será facilitado e ela passa a esperar certas atitudes que anteriormente queria na hora.
Em outras palavras a mãe suficientemente boa é aquela mãe que ama, cuida, protege, mas frustra o filho. Ela permite que o filho saia do estado de dependência rumo à independência.
Nesse episódio vemos justamente o oposto disso. Vemos uma mãe insegura, que utiliza da tecnologia como uma desculpa para suprir seus medos de perder essa filha. Mas observe que não é uma perda real, é uma perda imaginária de uma falsa ilusão que dá a essa mãe a falsa onipotência de poder cuidar e proteger essa filha. Onipotência essa que vira onisciência e onipresença e portanto se torna sufocante, opressora.

O resultado é catastrófico: a filha não amadurece porque sua mãe está sempre “filtrando” o que ela pode ver e com isso não permite que a filha enfrente o mundo real. Com todos os seus percalços e adversidades.

Vale aqui algumas reflexões sobre como o cuidado materno e também paterno pode ser algo que prejudica. Prejudica quando não dá a liberdade para o filho escolher e errar. Não permite o filho se machucar. A aprender com a vida. Vida essa que no futuro, quando esses mesmos pais não estiverem vivos não irá protegê-lo.

O episódio nos faz refletir mostrando que não é o excesso de controle que protege. O controle deve existir desde que não invada a liberdade ( liberdade essa de acordo com a idade). O que protege a criança , como Winnicott demonstra em sua teoria é o amor, o cuidado e a disciplina ( a frustração, o não para a criança). Esses três elementos juntos faz com que o filho se sinta amado e confiante de que ele pode errar e que sempre que isso acontecer, ele terá um para seguro para voltar . Afinal, ninguém é totalmente independente. Vez ou outra precisaremos de um colo de mãe.

Debora Oliveira
Psicóloga Clínica
CRP:06/123470
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