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10 coisas que valem a pena serem eliminadas para se viver melhor

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A vida é muito curta para mantermos alguns hábitos ou para tolerarmos algumas situações por muito tempo. No final, os anos passam, a vida muda, as pessoas chegam e vão embora. Tudo é cíclico e o que fica são as experiências, os momentos felizes, as boas lembranças e tudo de bom que vivemos e construímos.

Por isso, algumas coisas podem ser eliminadas para que possamos viver melhor. Listamos 10 coisas que não valem à pena mantermos. Confira:


1 – Colocar os outros em primeiro lugar e esquecer de você.

Tentar agradar a todos é sempre uma garantia de frustração. Por mais que se faça e se esforce, cada um tem uma expectativa e um grau de exigência. Reflita se a preocupação em agradar sempre não é uma necessidade de aprovação ou uma insegurança. Foque em suas necessidades, pois cada um é responsável pela própria felicidade.

2 – Não cuidar de si

Quando falamos em saúde, não estamos pensando apenas em saúde física ou em ir ao médico e sim, em um autocuidado de todas as formas, seja na alimentação, em hábitos saudáveis, atividades físicas e não se permitir sentimentos, pensamentos e pessoas tóxicas na sua vida.

3 – Permitir que o outro nos magoe repetidamente 

Os outros só fazem conosco aquilo que permitimos. Se te magoaram, se pisaram em você, te ofenderam, é porque você abriu espaço para isso. Quando nos amamos e nos respeitamos verdadeiramente, não permitimos que os outros nos façam mal.

4 – Procrastinar

Deixar tudo para depois, não fazer as mudanças que são necessárias para nossa vida é uma forma de procrastinar, de autoboicote, uma forma de ficarmos presos na zona de conforto.

5 – Manter-se em uma profissão ou emprego que o faz infeliz

Passamos a maior parte do tempo trabalhando e se for algo que não nos faça feliz, não temos que nos contentar e aceitar um trabalho só porque paga as nossas contas. O mundo é cheio de oportunidades e sempre temos chances de buscar coisas melhores para nossa felicidade.

6 – Virar escravo do dinheiro

Todos precisamos de dinheiro para viver e para pagar as contas, mas que isso não vire uma causa de preocupação, que não tire a nossa paz, o nosso sorriso e o nosso sono.

7 – Buscar aceitação dos outros

Quem precisa de aprovação de outras pessoas fica o tempo todo se justificando de suas ações e sua vida. Isso gera uma confusão mental, desgaste energético e físico e ao longo do tempo, você corre o risco de se perder a sua personalidade, passando a viver como acha que os outros esperam. Preço alto para ser aceito, não acha?

8 – Alimentar diálogo interno negativo

A mente tagarela pode ser muito rude conosco mesmo. Lembre-se que o nosso pior inimigo não está fora e sim dentro de nós mesmos. É preciso cuidar com carinho do seus diálogos internos, confrontando tudo o que for negativo em positivo.

9 – Conviver com pessoas tóxicas e críticas

Aqueles que nos amam, nos apoiam e nos ajudam. Por isso, busque estar com pessoas positivas e que te fazem bem.

10 – Aceitar algum estado de infelicidade

Nunca se acomode ou se permita ficar em um lugar ou estado ou situação que não esteja feliz. Lembre-se que a vida é muito curta para isso.
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Descubra o grande poder do NÃO: aprenda como o não pode ser positivo em sua vida.

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Quem nunca passou por uma situação em que se sentiu pressionado a aceitar uma tarefa, um favor ou a ida a uma festa que não tinha a menor vontade de ir? Então, você disse sim e acabou assumindo algo que só irá estressá-lo depois. Você precisa dizer não mais vezes.

Dizer não é um processo que começa na cabeça. Para dizer não, primeiro é preciso pensar não. Parece uma banalidade, mas não é. Na verdade, muitos pensamentos ficaram automáticos com o tempo. Você pensa, sem que tome consciência disso. E esses pensamentos produzem medos, que o impedem de pensar e dizer não. Por isso, muitas pessoas com frequência dizem sim, apesar de, depois de terem refletido, preferirem dizer não. Torne esse fenômeno consciente e dê a você mesmo tempo para responder uma exigência ou favor.

Veja aqui alguns exemplos de pensamentos bloqueadores típicos, ou seja, aqueles que causam medo, e algumas alternativas correspondentes, que facilitam o ato de dizer não. Encontre para seus pensamentos bloqueadores pessoais, suas próprias alternativas. Cuide para que suas alternativas convençam a si próprio.

Pensamento bloqueador: Se eu disser não, o outro irá me rejeitar (angariar sua simpatia é muito importante para mim).
Pensamento útil: Não sei se serei rejeitado. Se ele apenas gosta de mim porque eu sempre digo sim, esse preço ficará alto a longo prazo. Eu aguento se ele me rejeitar.

Pensamento bloqueador: Se eu disser não, sou egoísta e insensível (e eu não quero ser assim).
Pensamento útil: Expressar um desejo não faz de mim uma pessoa egoísta. Tenho o mesmo direito de expressar os meus desejos que meu interlocutor.

Pensamento bloqueador: Se eu disser não, o outro irá me culpar ou agir de forma agressiva, sem que eu tenha como me defender.
Pensamento útil: Eu não sei como o outro irá reagir. Minha negativa não é motivo para agressões nem acusações. Estou no meu direito de defender meus interesses. Às vezes não há como evitar conflitos. Isso não é motivo para que eu negligencie minhas necessidades.

Pensamento bloqueador: Se eu digo sim, posso me considerar uma pessoa boa e altruísta.
Pensamento útil: Ninguém é altruísta. Também espero obter um ganho ao dizer sim. Eu também tenho necessidades que precisam ser atendidas. E isso é bom.

Você pode ver nos exemplos que há pelo menos uma alternativa para cada pensamento bloqueador. Cada um de nós tem pensamentos diferentes, que nos impedem de dizer não. Você também tem. Pense em situações do passado em que disse sim em vez de não e tente se lembrar dos motivos que o levaram a isso.

Faça o mesmo em relação ao seu futuro: imagine que você queira dizer não ao próximo pedido do seu chefe, do seu parceiro ou outra pessoa. Visualize essa situação e preste atenção ao que pensa e ao que sente. Descreva para si mesmo os pensamentos bloqueadores que o impedem de dizer não. Anote-os e construa, para cada um deles, pelo menos uma alternativa útil, passando-as também para o papel. Importante: essas alternativas têm que ter o poder de convencê-lo! Da próxima vez verá que é possível, se quiser, dizer não sem ser indelicado.

Não tenha medo. Siga essas estratégias, depois comente com a gente!


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Problemas no relacionamento? Experimente parar e escutar o seu parceiro.

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Dar atenção para o parceiro e demonstrar real interesse em sua vida é de suma importância para um casamento ou namoro feliz. Muitos problemas no relacionamento são causados por desentendimentos passados mal resolvidos ou falhas na comunicação entre os dois. Então, se reúna com seu amado e faça este exercício de escuta para resolver as pendências atuais ou que possam surgir com o tempo:

Primeiro, cada um de vocês escolhe uma expectativa que tem em relação à vida. Depois, descreva seus sentimentos e peça que o parceiro faça o mesmo. Cada um será ouvinte do outro, e devem responder demonstrando atenção e empatia. Em seguida, conversem da mesma sobre as frustrações que vivenciam atualmente.

Use as ferramentas de escuta listadas a seguir durante a conversa. Posteriormente, tente aplicá-las no dia a dia para se manterem nos trilhos e evitar outros problemas no relacionamento:

Experimente como as diferentes alternativas fazem o ouvinte se sentir


Em vez de dizer “mas”, como em “Sei que está cansado, mas o que acha de sair para jantar?”. Experimente dizer “e”: “Sei que você está cansado, e me pergunto o que acha de sair para jantar.”

Eis por quê: Usar o “mas” nega o que quer que tenha vindo antes e soa como uma rejeição. Substituir o “mas” pelo “e” indica que você está acrescentando, e não subtraindo, outra idéia. 

Não rejeite imediatamente as idéias ou sentimentos do parceiro, experimente só escutar


Tente trocar algo como “Não é verdade que não ficamos juntos. Na semana passada almoçamos juntos!” por “Estou escutando. Parece que nunca temos muito tempo só para nós dois. O que você tinha em mente?”

Eis por quê: Dizer ao cônjuge que ele está errado ou não devia pensar ou se sentir daquela forma interrompe a comunicação. Se você está mesmo confuso, faça uma pergunta – isto faz com que o outro se sinta apoiado e lhe forneça mais informações.

Não mude de assunto rapidamente, experimente prestar atenção e seja educado se precisar desviar o assunto brevemente


“Você está chateada porque não foi escolhida para o novo projeto no trabalho? Ei, você viu o jornal de hoje? Preciso dos classificados.”, por exemplo, pode ser trocada por “Você deve estar se sentindo muito frustrada – você é muito mais qualificada do que qualquer outra pessoa no seu departamento, e tem se dedicado tanto! É realmente para ficar chateada. Quero conversar melhor sobre isso assim que encontrar o jornal de hoje – João vai passar aqui em cinco minutos para buscar os classificados.”

Eis por quê: Assegurar que seu cônjuge tem prioridade e que você valoriza seus sentimentos, mesmo que esteja fazendo outra coisa, cria confiança, respeito e segurança.
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Assuma o que você diz, mas não se sinta responsável pelo que o outro entende

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Existem indivíduos que se ofendem com tudo e com todos, com qualquer coisa que ouvem ou leem, como se o mundo girasse em torno deles, como se todos agissem pensando neles, como se a população acordasse e dormisse se lembrando deles.

Sempre que expressarmos nossa opinião sobre algo, haverá quem se sentirá ofendido, quem discordará agressivamente, quem permanecerá em silêncio, quem distorcerá cada palavra, assim como quem concordará. Cada pessoa tomará o que dissermos à sua maneira, de acordo com o que possui dentro de si, e usará nossos dizeres tanto com boas quanto com más intenções. Isso serve para nos levar a tomar cuidado com o que e para quem dizemos o que sentimos.

Jamais poderemos conhecer com profundidade todos que estarão à nossa volta e, mesmo aqueles que pensamos conhecer de fato, em algum momento poderão fazer mau uso de nossas palavras, usando-as contra nós, para que possam continuar mentindo em meio ao jogo de interesses egocêntricos que pautam as suas vidas. Geralmente, quem se sente ameaçado por nós, sabe-se lá por conta de que loucura que se passa pela sua mente doentia, tentará nos difamar e sujar a nossa imagem. É só isso que querem: ver os outros se ferrando.´

Da mesma forma, existirão indivíduos que se ofendem com tudo e com todos, com qualquer coisa que ouvem ou leem, como se o mundo girasse em torno deles, como se todo mundo agisse pensando neles, no que eles sentirão, pensarão, como se a população acordasse e dormisse se lembrando deles. Sentem-se perseguidos pelo universo, enxergando conspirações em qualquer roda de conversa, lamentando supostas tramoias que usam para atingi-los. A estes, portanto, tudo o que dissermos soará a perseguição.

Infelizmente, muitos de nós nos sentimos mal ao saber que magoamos os sentimentos de alguém sem ter essa intenção. Por mais que saibamos que não era aquele o nosso propósito, mesmo que tenhamos a certeza de que não dissemos nada de mais, ficaremos chateados por ferir o outro. Cabe-nos, nesses casos, conversarmos com a pessoa, para que o entendimento entre as partes supere rusgas inúteis, principalmente quando existe carinho nessa relação.

Como se vê, conviver é um exercício diário, uma vez que lidaremos com pessoas que vieram de lugares diversos, cujos sentimentos passaram por experiências únicas, tornando-as, na maioria das vezes, inesperadas em suas ações e reações. Vale mantermos nossas verdades firmes e seguras, para que não nos tornemos vulneráveis às afetações e à maldade de gente que mal sabe o tanto de história que carregamos aqui dentro.

No mais, quem nos ama pelo que somos jamais acreditará em qualquer um que tente nos denegrir, ficando junto, oferecendo o seu melhor. E essa gente com quem podemos contar é que valem – e assim sempre será – cada suor e cada lágrima de nossos dias.


                                                                                                              Texto de Marcel Camargo 

                                                                                                                                                 Fonte
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Sintomas de depressão na infância e adolescência são mais variados

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Os sintomas na infância e adolescência são mais variados do que nos adultos. E podem se confundir com outros problemas. Pode apresentar irritabilidade, agitação, que pode ser confundido com transtorno de hiperatividade, por exemplo. Ter medo de dormir sozinha, não querer ir para escola, ter piora no rendimento escolar, dores de cabeça, abdominais.


Sintomas de acordo com a idade: 

  • 2 a 5 anos: sintomas físicos, como parar de comer, dor na barriga. 
  • 5 a 7 anos: sintomas psicossomáticos, desempenho pobre e recusa escolar, ansiedade, fobia, irritabilidade, retraimento social. 
  • 8 a 12 anos: perda do prazer e tristeza, desesperança, variação de humor, ansiedade, recusa escolar, desejo de morte. 
  • 13 a 18 anos: irritabilidade, inquietação, isolamento social, agressividade, problemas com drogas, cansaço, dormir muito, ideação e atos suicidas. 

Antes de diagnosticar a depressão é preciso descartar outras doenças. Ficar triste e quieto é OK. Depressão é mais intensa, imobiliza.

Na adolescência, o jovem pode apresentar isolamento social, ficar muito no quarto, não querer interagir com os pais, com os amigos. Esses sintomas muitas vezes são confundidos. Os pais precisam perceber quando passa da normalidade ou quando gera sofrimento, prejuízo social e emocional para esse adolescente. Esse é o gatilho para entender que esse adolescente está em risco ou que ele realmente está com quadro de depressão. 

E as redes sociais? 

Elas podem funcionar para o bem e para o mal. O adolescente pode encontrar acolhimento na internet, mas também pode encontrar pessoas que o colocam para baixo. É muito importante os pais ficarem SEMPRE de olho no que os filhos estão vendo. 

O que protege? 

  • Ter com quem conversar 
  • Ter um amigo que vai ligar para os pais se algo estiver estranho 
  • Poder se abrir com a família, sem julgamentos 
  • Ter suporte na escola 
  • Alimentação 
  • Atividade física 

O que traz riscos? 

  • Bullying 
  • Violência doméstica 
  • Violência emocional 
  • Violência sexual 
  • Assalto 
  • Privação de sono 
  • Fator genético 
  • Abandono 
  • Ausência de suporte social 
  • Contato precoce com substancias psicoativas 
O que fazer? 

Rompa o isolamento em que vive o jovem 
Expresse disponibilidade de escutá-lo sem julgamento 
Avalie a urgência do caso 
Não o deixe só até que as providências sejam tomadas 
Envolva a família 

Tratamentos 

Crianças e adolescentes com depressão também devem fazer terapia e, se for necessário, tomar antidepressivos. O tratamento deve ser multidisciplinar. Além do psiquiatra e psicólogo, as pessoas ao redor também precisam se envolver. Carinho, apoio, atenção são fundamentais. 

Estudos já comprovam que aquelas pessoas que têm uma vida social com amigos verdadeiros, têm capacidade de troca com eles, conseguem viver uma vida mais harmoniosa, com humor muito melhor. 

As pessoas precisam olhar para elas mesmas e tratar as pessoas que estão deprimidas com carinho. Ajudar a buscar uma solução e não ficar criticando.




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É possível lembrar-se de como era ser um bebê?

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Toda fase da vida tem sua parcela de novidade — primeiro beijo, primeira restituição de imposto de renda, a primeira pontada de morte certa –, mas quando se trata de novas experiências, a maioria de nós chega ao nosso auge na infância. Simplesmente ali deitados, arrotando e sujando nossas fraldas, nós, como bebês, passamos por milhares de primeiras experiências. Seria interessante lembrar de algumas delas, já que nossas vidas desaceleram quanto às novidades — quando nos acomodamos na mesma cadeira do escritório pela centésima vez e bebemos da mesma caneca de café. Mas a infância parece um grande branco para a maioria de nós.

Mesmo assim: muitas pessoas afirmam se lembrar de ter nascido e nem todas elas tomaram ayahuasca. Essas pessoas são tão mal orientadas e/ou mentirosas assim? É possível lembrar como era a vida aos seis meses de idade? Para o Giz Asks dessa semana, nós contatamos vários especialistas — em pediatria, psicologia, neurociência, etc. — para explicar essa questão. Acontece que a ciência ainda não descobriu por que, exatamente, nos esquecemos de praticamente todos os nossos primeiros anos de vida — mas há muitas teorias convincentes por aí.

Jennifer Zosh, Ph.D.- Professora Associada de Desenvolvimento Humano e Estudos da Família, Penn State Brandywine

Você provavelmente se lembra do nome do professor do ensino fundamental que fez você aprender as primeiras coisas, mas quando se trata de lembrar nossas vidas na infância, é um grande vazio. Quando se trata de memórias declarativas — o tipo de memória que permite que você se lembre de experiências específicas — nós eventualmente experimentamos o que o nosso campo de conhecimento chama de amnésia infantil: a incapacidade de lembrar de experiências específicas antes dos 2 a 3 anos de idade.

Isso não significa que nossos cérebros sejam um grande nada até os 2 ou 3 anos de idade. Como qualquer pessoa que já tenha estado perto de um bebê pode confirmar, a quantidade de aprendizado que acontece nos primeiros anos é surpreendente. Somos capazes de nos lembrarmos as informações que captamos (não temos que reaprender a linguagem que aprendemos quando bebês), aprendemos a andar e também informações importantes sobre o mundo que permanece conosco durante toda a vida. (Por exemplo, aprendemos se nossas necessidades serão atendidas ou se as pessoas ao nosso redor nos abusarão). Desde aprender uma língua até aprender a contar, ou mesmo aprender em quem você pode confiar no mundo, uma grande parte do trabalho dos primeiros anos é aprender (e lembrar-se de) novas informações, mesmo que não nos recordemos de experiências específicas.
Mas existem outros tipos de memórias que são mais semelhantes desde a infância até a idade adulta. Há alguns anos, trabalhei com Lisa Feigenson na The Johns Hopkins University e exploramos a memória de trabalho dos bebês, ou seja, sua capacidade de lembrar informações a curto prazo. Usamos um paradigma para explorar se as crianças conseguiam lembrar as identidades dos objetos que escondemos em uma caixa. Quando tornamos a tarefa muito difícil para coisas como contar ou truques de memória, as crianças podem, como os adultos, lembrar de até três objetos, mas, se pedirmos que lembrem mais, elas experimentam um esquecimento catastrófico.

Também descobrimos que, à medida que o número de itens aumentava de 1 para 3, o que as crianças conseguiam lembrar sobre os objetos ocultos diminuía. Por exemplo, se pedíssemos às crianças que lembrassem que um cachorrinho de brinquedo estava em uma caixa e, em seguida, pegassem um caminhão pequeno, continuariam procurando por aquele cachorrinho de brinquedo. Mas, à medida que aumentávamos os itens da caixa, as crianças sabiam que estavam procurando um determinado número de itens, mas não pareciam lembrar quais eram esses itens. 

Dessa forma, a arquitetura de memória infantil é muito parecida com a arquitetura de memória adulta — nós apenas aprendemos a usá-la melhor.

Lorraine E. Bahrick - Professora do Departamento de Psicologia da Universidade Internacional da Flórida

Poucos adultos realmente se lembram de terem sido bebês. Os cientistas chamam isso de “amnésia infantil”. Isso se refere ao fato de que os adultos relatam pouquíssimas lembranças anteriores aos 3 ou 4 anos de idade.

Mas pesquisas mostram que as crianças em si têm excelentes memórias — elas podem reconhecer os rostos, vozes e as ações das pessoas ao seu redor, aprender nomes para as coisas e se deliciar com objetos especiais, rotinas familiares e lugares. Um estudo que fizemos em meu laboratório descobriu que bebês de 3 meses de idade podiam reconhecer o movimento (balançando contra circulando) de um objeto que tinham visto por apenas 2 minutos, 3 meses depois — com 6 meses de idade!

Outra razão que poderíamos esperar para lembrar a infância é que os primeiros anos de nossas vidas são conhecidos por terem efeitos duradouros ao longo da vida. Eles estabelecem as bases para o nosso desenvolvimento social emocional, perceptivo e cognitivo. Por exemplo, as palavras que aprendemos na infância são mantidas através da prática ao longo da vida, assim como as rotinas comuns, como segurar um garfo, beber em uma xícara e colocar um sapato. De acordo com alguns especialistas, os primeiros anos moldam nossa personalidade e determinam a natureza de nossos apegos aos outros — moldado ao quão firmemente ligados somos aos nossos cuidadores primários quando crianças.

Assim, embora possamos não lembrar explicitamente de termos sido crianças, as experiências da infância não estão perdidas — elas são sistematicamente construídas ao longo do tempo. Os cientistas propuseram uma série de razões para a amnésia infantil (por exemplo, a mudança da codificação visual para a verbal das memórias, ou à organização das memórias em torno do desenvolvimento do senso de si mesmo), mas não há uma explicação unânime.

Dito isto, há grandes diferenças individuais em quanto nos lembramos da infância e da primeira infância. Alguns de nós, inclusive eu, relatam ter lembranças claras da idade de dois anos e mais, enquanto outros relatam não ter praticamente nenhuma lembrança até os 7, 8 ou 9 anos.

Para aqueles que desejam melhorar suas memórias de infância, existem técnicas que podem ser usadas. Imagine-se no contexto da casa em que você morou quando criança. Reconstrua o espaço: imagine as cores, cheiros e sabores. Imagine os sons e visões de pessoas familiares e suas vozes. Tente invocar todos os sentidos. Imagine experimentar a vida a partir da perspectiva de uma criança pequena, engatinhando ou sendo carregada. Concentre-se no que quer que pareça familiar e vá mais fundo (o cheiro de talco de bebê, gosto de leite, a sensação de ser levado, o som da canção de ninar). A maioria das pessoas consegue recuperar algumas memórias específicas dessa maneira.

Claudia Gold, Médica- Especialista em Saúde Mental Infantil, Austen Riggs Center, Programa de Saúde Mental Infantil-Parental da Faculdade de Boston Massachusetts, e autora de The Developmental Science of Early Childhood: Clinical Applications of Infant Mental Health Concepts From Infancy Through Adolescence  (2017), entre outros livros

Os bebês não têm linguagem ou pensamento consciente, então memórias de suas experiências são diferentes daquelas que convencionalmente consideramos como “memórias”. O que eles “lembram” está em seu corpo, não codificado na linguagem. A partir do momento que você nasce, você começa a entender o que está acontecendo no mundo, interagindo com as pessoas que cuidam de você: o modo como você é segurado, a maneira como você muda, como as pessoas falam com você.

Essa experiência informa como você está no mundo, no seu corpo. Ela informa o desenvolvimento de seu cérebro, seu intestino e todo o seu sistema nervoso autônomo — todas essas coisas se desenvolvem através de interações com as pessoas que cuidam de você quando você é um bebê, e tudo isso se torna literalmente parte de seu corpo, não apenas do seu cérebro.

Por exemplo, se você tem uma criação muito presente, ela sinaliza aos seus genes a produzir uma certa quantidade de proteína que determina sua resposta ao estresse. Também determina como diferentes partes do seu cérebro crescem, através de um processo chamado epigenética. A maneira como seus genes são ativados é influenciada pela forma como você é cuidado durante as primeiras semanas e meses de vida.

Digamos que você vá a algum lugar que não tem memória consciente de ter visitado antes, mas tem uma reação física a ele. Isso lembra você de algo que não está em sua memória consciente — mas está em sua memória corporal. Você tem esse tipo de reação física, mesmo que a sua memória consciente lhe diga “oh, este lugar é bom, não há nada de perigoso aqui”. Seu corpo pode ter uma reação diferente com base em experiências anteriores.

Charles Nelson, Ph.D- Professor de Pediatria e Neurociência, Harvard Medical School

Gostaria de reformular ligeiramente esta questão “o quanto nos lembramos dos primeiros anos de vida?”.

Este é um debate antigo, tipicamente conceituado como “Amnésia infantil.” A grande questão tem sido o paradoxo de que mais de 40 anos de pesquisa demonstraram alguns notáveis feitos de memória que são possíveis nos primeiros meses e anos de vida e, no entanto, geralmente não nos lembramos de nada de nossas vidas antes da idade de 2 anos (a média na verdade é de 4 anos). Por que isso?

Várias razões foram propostas. Freud afirmou que através da repressão dessas memórias iniciais, elas são de fato mantidas — nós simplesmente não temos acesso a elas (não há evidências para isso). Outros sugeriram que sem um sistema de linguagem, nós não sabemos como representar essas memórias e, portanto, não podemos organizá-las e recuperá-las.

Há também a teoria do cérebro — embora os sistemas neurais envolvidos na formação de uma memória entrem em funcionamento bem cedo na vida, os sistemas para armazenar essas memórias a longo prazo são imaturos durante os primeiros anos; Como resultado, a codificação de algo como uma memória não é traduzida em armazenamento a longo prazo.

Um tema relacionado é que os sistemas do cérebro que estão realmente envolvidos na recuperação — a maioria dos quais estão no córtex pré-frontal — são imaturos nesses primeiros anos.

Mikael Heimann, Ph.D- Professor de Psicologia do Desenvolvimento, Linköping University, Suécia

Em geral, os estudos que pedem às pessoas para relembrar suas memórias mais antigas concluem que as pessoas não conseguem lembrar de eventos anteriores ao seu terceiro ou quarto aniversário. Este é um valor médio, então naturalmente há alguma variação. Algumas pessoas lembram-se de eventos até mesmo antes disso, enquanto muitos outros não conseguem se lembrar de nada antes dos 6 ou 7 anos de idade.

Vale a pena notar que essa linha de pesquisa se baseia no pressuposto de que as pessoas realmente sabem que se lembram de algo, o que nem sempre é fácil hoje em dia, com tantas fotos e vídeos dos nossos primeiros anos. Eu realmente lembro ou criei uma memória baseada em histórias que me contaram ou vídeos que eu vi? Nem sempre é fácil distinguir — somos criaturas muito suscetíveis e construímos facilmente memórias que mais tarde acreditamos ter experimentado em primeira mão.

Dito isso, exceções à amnésia infantil podem ocorrer se ou quando experimentamos algo único — algo carregado de forte emoção. Mesmo que você não se lembre do seu segundo aniversário, você ainda pode ter uma forte memória visual dos novos sapatos vermelhos que ganhou antes mesmo de fazer dois anos.

Mesmo que nós, como adultos, não consigamos lembrar de eventos de nossos primeiros anos, um bebê ou uma criança conseguem. Um corpo muito grande de pesquisas mostrou que crianças de até 6 meses lembram um evento que tiveram muito brevemente durante alguns dias (e com algo que recorde dele, durante muito mais tempo). Então, por que é que não conseguimos nos lembrar de eventos de nossos primeiros anos, mas bebês conseguem?

Nós realmente não sabemos ao certo, mas suspeita-se que o cérebro, a linguagem e o desenvolvimento psicológico em conjunto sejam os fatores-chave. O cérebro passa por um desenvolvimento imenso durante os primeiros anos de vida, mudanças que provavelmente afetam como as memórias são armazenadas e recuperadas. Quanto à linguagem, suspeita-se que quando a criança entra no mundo da linguagem falada (a explosão da linguagem geralmente começa no final do segundo ano) isso também como suas memórias são organizadas. Finalmente, do ponto de vista psicológico, o self ou a autoconsciência que começa a se formar à medida que você envelhece podem ser fatores-chave. Quando você começa a ter um sentimento central de ser alguém, de ser você mesmo, isso influencia como e o que você lembra.

Devemos nos lembrar também que esquecer pode ser uma coisa boa. Lembrar cada detalhe em nossa vida não nos ajuda muito. Em vez disso, muitas vezes, é melhor deixar que as lembranças e experiências generalizadas nos guiem em nossa vida diária.







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8 maneiras de melhorar a capacidade do seu cérebro

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Já passou por aquela situação em que você tenta desesperadamente lembrar o nome de alguém ou de um lugar e simplesmente dá um "branco"? Ouvimos dizer muitas vezes que a memória diminui com a idade, assim como outras funções cognitivas - como o raciocínio. Mas, calma, há esperança. Existem maneiras de "religar" nosso cérebro. Então, se você quer aumentar sua capacidade cerebral, siga as dicas abaixo e se prepare para exercitar a mente:

1. Exercício aumenta o cérebro

É verdade - nosso cérebro cresce à medida que nos exercitamos. A atividade física aumenta as sinapses, cria mais conexões dentro do cérebro e ajuda na formação de células extras.

Uma boa saúde cardiovascular também significa que você transporta mais oxigênio e glicose para o cérebro, além de eliminar toxinas. Se você conseguir se exercitar ao ar livre, melhor ainda - terá o benefício adicional de absorver mais vitamina D.

Dica: combinar a prática de exercício à exploração de um ambiente diferente, a novas maneiras de fazer as coisas ou compartilhar ideias - dessa forma, você aumenta as chances das células nervosas novas formarem um circuito adequado.

Por exemplo, se você gosta de jardinagem, vale participar de uma horta comunitária para fazer amigos enquanto mexe na terra, ou se juntar a um grupo em vez de ir sozinho.

O mais importante é garantir que você esteja se divertindo - é o desejo de se envolver em algo que ajuda a impulsionar os efeitos do exercício e da interação social no cérebro.

2. Memória em movimento


Essa é uma técnica respaldada por cientistas e reconhecida há muito tempo no mundo da dramaturgia. Se você tentar decorar algo enquanto se movimenta, é muito mais provável que a informação seja retida.

Dica: na próxima vez que você tiver uma apresentação ou discurso para fazer, que tal dar uma volta ou dançar para ajudar a guardar o conteúdo?

3. Coma os alimentos certos para abastecer o cérebro

Cerca de 20% do açúcar e da energia que você consome vão para o cérebro, fazendo com que a função cerebral dependa dos níveis de glicose. Se os níveis de açúcar não forem controlados, sua cabeça pode ficar confusa.

Comer algo de que se goste libera dopamina, que ativa a área de recompensa do cérebro. E é por isso que você sente prazer em comer determinados alimentos.

Mas, além de nutrir os mecanismos de recompensa do cérebro, você precisa alimentar seu intestino com cuidado.

Existem mais de 100 trilhões de bactérias no sistema digestivo humano, que se conectam com o cérebro pelo eixo intestino-cérebro. E o equilíbrio desses micróbios é fundamental para o bem-estar da mente.

Na verdade, o intestino é muitas vezes chamado de "segundo cérebro". Uma dieta variada e saudável ajuda a manter essas bactérias em sincronia e o cérebro saudável.

Dica: as células do cérebro são compostas por gordura, por isso, é importante não erradicar a gordura da dieta. Ácidos graxos essenciais presentes em nozes, sementes, abacate e peixes são bons para desenvolver o cérebro, assim como o alecrim e açafrão.

Tente também fazer as refeições na companhia de outras pessoas quando puder - a socialização reforça os benefícios de uma boa dieta saudável no cérebro.

4. 'Desligue' e relaxe

Uma certa dose de estresse é necessária porque nos ajuda a responder rapidamente em situações de emergência. O estresse produz o hormônio cortisol que, ao ser liberado, nos dá energia e ajuda a concentrar.

Mas a ansiedade prolongada e os altos níveis de estresse desconfortável são realmente tóxicos para o cérebro. É importante, portanto, que a gente aprenda a "desligar" de vez em quando, para permitir que essa parte do cérebro descanse.

E, ao se desconectar, você exercita uma parte diferente do cérebro: a chamada rede neural de modo padrão, que nos permite sonhar e é importante para consolidar a memória.

Ao "desligar" do mundo externo, permitimos que essa parte do cérebro seja ativada e faça seu trabalho.

Então, da próxima vez que você for pego sonhando acordado no trabalho, explique ao seu chefe que você estava fazendo uma atividade cerebral crucial.

Dica: se você achar que é difícil relaxar, por que não tentar técnicas de relaxamento, como meditação, que podem ajudar a reduzir o nível dos hormônios do estresse?

5. Encontre novas formas de desafiar a si mesmo

Uma outra maneira de estimular o cérebro é se desafiar a fazer ou aprender algo novo. Atividades como aulas de arte ou cursos de idioma aumentam a flexibilidade do cérebro.

Dica: jogue uma partida online contra amigos ou familiares. Não apenas vai te desafiar, como vai estimular a interação social, o que ajuda o cérebro.

6. Ouça música

Pesquisas indicam que a música estimula o cérebro de um jeito muito peculiar. Quando você observa a imagem cerebral de alguém que está ouvindo ou tocando música, quase todo o órgão está ativo.

A música pode melhorar a cognição geral, e a memória musical é muitas vezes a última a desaparecer, quando somos afetados por certas condições, como a demência.

Dica: faça parte de um coral ou compre ingressos para ver sua banda favorita. 

7. Durma

Se você aprender algo novo durante o dia, será formada uma conexão entre células nervosas no cérebro. Quando você dorme, essa conexão é fortalecida e reforçada - e aquilo que você aprendeu vira uma lembrança.

O sono é, portanto, um momento realmente importante para a consolidação da memória.

Se você der uma lista para alguém memorizar antes de dormir, há uma grande chance da pessoa se lembrar na manhã seguinte - uma chance maior do que se você tivesse entregado a lista a ela pela manhã.

Dica: se estiver estudando para uma prova, tente repassar na cabeça as respostas em um simulado enquanto adormece.

Caso você tenha passado por um evento traumático ou tenha a memória ruim, tente não pensar nisso antes de dormir, pois pode pressionar a memória e fortalecer as emoções negativas associadas a ela.

Pela mesma razão, evite filmes de terror ou histórias assustadoras na hora de dormir.

Em vez disso, concentre-se em algo positivo que você aprendeu ou experimentou durante o dia para que seja consolidado.

8. Acorde bem

Todo mundo sabe que o sono é importante. Com menos de cinco horas de sono, você não fica tão forte mentalmente. Já se dormir mais de 10 horas, pode sentir os efeitos do "jet lag".

Mas a chave para ajudar você a ter um desempenho melhor ao longo do dia é como você acorda.

Idealmente, durma em um quarto escuro e acorde com luz natural, que vá aumentando gradualmente.

Essa luz penetra nas pálpebras fechadas e estimula o cérebro para que tenhamos uma resposta maior de cortisol ao despertar.

A quantidade de cortisol no corpo quando você acorda afeta o desempenho do cérebro durante o dia.

Dica: compre um despertador luminoso que simule a luz do sol para ajudar você a acordar naturalmente.

Para quem tem o sono profundo, vale a pena se certificar de que o despertador venha com um alarme de som tradicional acoplado.
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Efeito manada e medos: psicologia explica por que você vai votar em A ou B

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As pesquisas eleitorais captam momento e tendências. Mas o resultado das eleições, com o perdão da obviedade, só se conhece no momento da contagem dos votos. E a psicologia e a neurociência tentam explicar fenômenos que levam o eleitor a confirmar ou a mudar esse voto.

Um estudo realizado pela Universidade McGill, do Canadá, publicado em 2015, mostrou que uma região do cérebro – o córtex orbitofrontal lateral – é acionada quando tomamos a decisão de votar neste ou naquele candidato.

O estudo identificou dois padrões: quem combina diferentes fontes de informação e toma decisão com base nelas (portanto, de maneira mais racional) apresentava essa área do cérebro em perfeitas condições. Já quem escolhe com base em apenas um atributo que considera mais atrativo tinha danos nessa região.

Mas além de fatores físicos ou neurológicos, há elementos psicológicos que influenciam a escolha diante da urna.

Nelson Destro Fragoso, professor de psicologia da Universidade Presbiteriana Mackenzie, cita três: necessidade de aprovação, necessidade de pertencer a um grupo e medo de castigo.

Aprovação e pertencimento

Fragoso explica que o humano, um ser social, precisa de apoio e reforço para saber que aquilo que fará é "a coisa certa". "Este fenômeno acontece psicologicamente em tomadas de decisão, inclusive com o voto", diz o psicólogo.

"Como as pessoas precisam sentir apoio da sociedade, votam naquele que está sendo mais propagado. Muita gente fala que vai votar no candidato A, quando na verdade está propenso a votar no B. É comum ter receio de assumir a posição", diz Fragoso.

É o que, na linguagem popular, se chama de "efeito manada". "Se os amigos são mais de direita ou esquerda, provavelmente a pessoa terá opinião parecida", exemplifica Fragoso.

Ele compara isso com hábitos da juventude. Se todo o grupo passa a fumar cigarro, por exemplo, é natural que aquele que não queira aderir ao hábito se sinta excluído. "Somos seres sociais, vivemos em grupo. E, para isso, precisamos da aceitação do grupo e isto interfere em nosso comportamento", explica.

O psicólogo Helio Roberto Deliberador, professor de Psicologia Social da PUC de São Paulo diz que o voto de manada "é da nossa cultura". "Tem parcelas que gostam de votar em quem ganha – e o faz indicado pelas redes e pelas pesquisas. A psicologia social explica isso", afirma.

Para ele, por isso, é pouco provável que haja surpresa nas urnas na eleição para presidente. "Salvo algum acontecimento muito bombástico, pouca mudança deve haver. Para os cargos executivos creio que o eleitor vai com seu voto definido", diz.

Por fim, a necessidade de fazer parte de um grupo explica o comportamento em bolhas e os resultados eleitorais que mostram que em determinadas regiões o voto é mais à esquerda, em outras, mais à direita.

Medos

Nem só de vontades se faz um voto. Os medos também exercem um papel importante na decisão do eleitor. No voto em manada, além da necessidade de apoio e aprovação, há também receio de errar sozinho: caso a decisão não se revele acertada, a 'culpa' deixa de ser individual e passa a ser coletiva.  Outros medos também têm papel importante.

Um estudo realizado pela Universidade de Nebraska, nos Estados Unidos, expôs voluntários a imagens assustadoras, como um homem com uma aranha no rosto, e a ruídos altos As pessoas que tiveram mais reações físicas a esses estímulos (por exemplo, pele arrepiada) tenderam a ter opiniões mais conservadoras - apoiando, por exemplo pena de morte. E quem reagia menos a essas situações tinham posições mais progressistas.

Pesquisa realizada pelo psicólogo Yoel Inbar, professor da Universidade de Toronto, no Canadá, chegou a resultados semelhantes. Ele agrupou pessoas de acordo com uma escala de repugnância – ou seja, de acordo com o nível de nojo que essas pessoas sentiam. E submeteu esses voluntários a um questionário político. Concluiu que os mais conservadores politicamente são aqueles que têm mais nojo das coisas.

De acordo com o relatório da pesquisa, isso significa que tais pessoas são predispostas a "evitar conviver com aqueles com quem não estão familiarizadas" , "abdicar de uma maior liberdade sexual" e "aderir à práticas mais tradicionais da vida social". O nojo, portanto, evoca um tipo de medo.

O medo está tão presente nesta campanha eleitoral que, segundo Fragoso, isso explica por que as campanhas apostam tanto em "não vote em A" e "não vote em B" - em vez de "vote em mim".

A tendência de votar no "menos ruim" ou votar em um para que o outro não se eleja foi estudada pelo cientista político Jon Krosnick, professor da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos. Ele constatou que quanto mais uma pessoa não gosta de determinado candidato, mais ela se sente engajada a participar do debate eleitoral, mirando seus esforços para eleger aquele diametralmente oposto ao tido como "inimigo".

É isto que explica o fato de que os políticos tentem sempre enfatizar as características negativas de seus oponentes.

E por fim, há o medo da punição. "Fomos educados assim. A religião que diz que quem não viver corretamente será punido. Os pais que colocam a criança desobediente de castigo ou lhe tiram presentes. E assim por diante", argumenta Fragoso. "Na hora do voto, a mesma questão: se eleger A em vez de B, poderei ser punido pela minha escolha?"

Fake news e prazer

A todo o complexo sistema de tomada de decisões humana, soma-se um novo elemento nos últimos tempos: as fake news bombardeadas em massa pelas redes sociais.

"A sociedade passa por uma coisa muito difícil que é conseguir resolver quais informações são verdadeiras e quais são falsas", analisa Fragoso.

"Sempre existiu a notícia verdadeira e a paralela, que ganha força. Mas com as redes sociais, ganhou em amplitude e agilidade", diz.

Estudos apontam que as pessoas tendem a acreditar em teorias conspiratórias para reforçar pontos de vistas que elas já aprovam. Este viés cognitivo é chamado de "distorção da confirmação" e estudado por acadêmicos como o psicólogo Christopher French, professor da Universidade de Londres.

Uma outra razão que contribui na disseminação de teorias conspiratórias é a nossa predisposição de achar que grandes acontecimentos precisam de grandes causas. Assim, para qualquer notícia mais relevante, procuramos explicações fantásticas - o que, convenhamos, na vida real, nem sempre é verdade.
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10 Sentimentos com os quais os manipuladores adoram brincar

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Os manipuladores, de forma consciente ou inconsciente, brincam com os medos, as dúvidas e os desejos dos outros. Seus métodos mais detestáveis consistem em brincar com os sentimentos mais puros das outras pessoas, como o amor, a gratidão e a esperança.

Confira os truques mais comuns usados por manipuladores ’profissionais’, aprenda como enfrentá-los e, principalmente, como se proteger.





Uma pessoa com o sentimento de culpa é capaz de fazer tudo para compensar o dano causado. Isso é exatamente o que um manipulador sempre procura: colocar essa sensação no seu interlocutor.

Quem é o culpado? Se você sempre se culpa por tudo que acontece, comece a refletir um pouco mais sobre os acontecimentos. Será que não se sente culpado pelo estado emocional da outra pessoa?Se você realmente fez algo de errado, peça desculpas sinceramente, mas não deixe que a outra pessoa te faça sentir culpado por tudo que acontece.



Um manipulador pode provocar uma pessoa não apenas para seu benefício, mas também para satisfazer o seu ego, sentir poder imediato ou apenas se divertir um pouco. As pessoas inseguras costumam ser as grandes vítimas, porque temem que sua reputação seja afetada.

Em primeiro lugar, pense se a opinião daquela pessoa realmente importa. E não se deixe influenciar por provocações infundadas. Não tenha vergonha de errar e não arrisque a sua imagem para impressionar os outros.


Muitas pessoas se esquecem delas mesmas por causa de outras. Claro que não devemos deixar de ajudar os nossos familiares, mas precisamos saber em que medida nos estamos deixando manipular pelo sentimento de fraqueza que os outros têm.

É importante entender os limites de nossas capacidades. Sim, precisamos ajudar familiares e amigos, mas isso não significa que tenhamos de sacrificar a nossa própria vida. O ideal, como sempre, é achar um ponto médio entre a ajuda ao próximo e os nossos próprios interesses.


Ao chantagear a outra pessoa, o manipulador negocia para obter uma série de benefícios. Em geral, usa a técnica de se fazer de vítima abandonada.

Mais uma vez, é importante saber se respeitar. Nunca esqueça que você merece um amor e uma amizade verdadeiros.




O sentimento de gratidão pode ser objeto de abuso sem fim. Ao lembrar aquele gesto ou serviço de antes, os manipuladores sempre conseguem o que querem.

Sim, é chato ter que dizer ’não’ a uma pessoa, mas isso sempre será necessário. Encontre uma maneira de devolver o favor de maneira que isso não signifique um sacrifício enorme para você.


Esses espertinhos sempre brincam com a bondade e a compaixão alheia. Com frequência, as coisas não vão tão mal, mas eles têm o dom de causar pena nos outros e provocam na vítima um enorme desejo de oferecer ajuda.

Incentive o manipulador. Se ele disse que não pode fazer determinada coisa porque não tem tempo ou forças, diga que você não acredita nisso, comente algumas qualidades dele e diga que você acredita que ele é capaz. Desta forma, a manipulação irá acabar e você irá causar uma boa impressão.



Muitas pessoas aguentam muita coisa por amor, ou apenas por medo de acabarem sozinhas. O manipulador sabe muito bem como atacar esse sentimento, e isso faz com que seja cada vez mais difícil escapar.

Acredite em você e aprenda a se respeitar e a se amar. Apenas assim você poderá avaliar de maneira adequada a atitude das outras pessoas em relação a você sem cair em armadilhas por medo da solidão.




A vergonha é um sentimento que faz com que a pessoa se sinta inferior. Muita gente faz de tudo para evitá-la, mas os manipuladores sabem muito bem como se aproveitar disso.

Se você perceber que alguém quer que você sinta vergonha, fique esperto. Se você cometeu um erro, peça desculpas e pronto. Mas não sinta vergonha por não alcançar as expectativas de outra pessoa. Esse sentimento só faz com que as pessoas nos controlem cada vez mais.



Algumas manipulações existem apenas para gerar esperança. A pessoa promete mundos e fundos, mas pensa apenas em benefício próprio.

Não acredite em tudo que você ouvir. Olhe para os fatos de maneira objetiva e pragmática. Estabeleça prazos concretos e não deixe que as esperanças vazias mudem os seus sonhos.



Este exemplo é claro: o manipulador faz com que a vítima se sinta a melhor pessoa do mundo e, assim, consegue o que quer.

Antes de aceitar qualquer coisa, olhe para os seus interesses pessoais, habilidades e preferências. Talvez seja mentira que ’apenas você é capaz de fazer isso’. De repente o trabalho corresponde a outro funcionário e você tenha que aprender a dizer ’não’.

Fonte: Incrível
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