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Losers: Série da Netflix mostra que quem aprende com o fracasso são os verdadeiros campeões.

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Você não precisa gostar de esportes para apreciar Losers, série documental  da Netflix . Pode parecer que cada um de seus 8 episódios apenas contam um caso relacionado a uma modalidade esportiva, mas essa produção original da plataforma de streaming é muito mais do que isso.

Ali não há histórias de campeões. Ao invés disso, elas focam nos “perdedores”. Mostram que a derrota abre portas, revelam nosso verdadeiro caráter, aumentam nossa compreensão do que é a vida real. A derrota pode ser dolorosa, mas não há evolução sem ela.

Seja contando a história do lutador de boxe que odiava lutar boxe, de uma patinadora negra que sofria preconceito, de um jogador de curling que passava por cima de tudo e de todos para vencer, ou de uma condutora de trenós que dava mais importância para o bem-estar de seus cachorros do que chegar ao ponto mais alto do pódio, Losers mostra que o fracasso é, sim, uma alternativa.

Não há representação mais precisa da natureza humana que o esporte. Competimos o tempo todo por um conceito de vitória que exalta apenas o 1ºlugar, que não dá a mínima para como chegamos lá, privilegiando apenas o resultado. E onde o 2º colocado é o maior dos perdedores.

Mas as histórias retratadas na série mostram o contrário. Que não há conquista no mundo que valha o sacrifício da felicidade ou do amor pelo outro.

Entre os episódios, destaque para Um ex-lutador e Julgamento. O primeiro conta a história de Michael Bentt, um ex-campeão de boxe que viu em uma grande derrota a oportunidade de fazer o que realmente amava, enquanto o outro mostra a patinadora negra Surya Bonaly, que encontrou seu devido reconhecimento quando finalmente parou de tentar ser o que os outros queriam que ela fosse para agradar os jurados e passou a ser ela mesma.

Fique de olho também em dois EPs que mostram a outra face do fracasso. O de quem, pela vitória, faz absolutamente de tudo, transformando a conquista em algo amargo. Como na história do jogador de curling Pat Ryan, que inventou uma fórmula de vitória garantida que acabou com a graça do jogo; e a do corredor italiano Mauro Prosperi, que se afasta totalmente de sua família obcecado por uma maratona no deserto do Marrocos, que quase o matou.

Esqueça livros de autoajuda. Losers mostra que o esporte está cheio de lições importantes para nossas vidas. Principalmente a de que perder é necessário. Que são as derrotas que nos fazem pessoas melhores.

Quem aprende com o fracasso são os verdadeiros campeões.


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De masculinidade tóxica a masturbação: O que aprendemos com a série da Netflix Sex Education

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Sex Education, série da Netflix, apresenta um grupo de estudantes do ensino médio que se deparam com as complexidades do amor e das relações — principalmente as sexuais.


O sexo precisa ser discutido como algo natural. Precisamos dessa naturalidade para conversar. As pessoas vão transar e têm dúvidas. E é fantástico que a Netflix possa abordar esse tema, porque pode ajudar principalmente os jovens, mas também os pais. O seriado passa a estabelecer um canal de comunicação sobre o prazer com os jovens, mas também sobre a responsabilidade que o sexo traz.

Diante disso listamos 5 motivos por que Sex Education pode ser uma série tão educativa, e não só para os jovens:


1. Pornografia não é uma representação real do sexo


A série passa a ser representativa ao retratar as dúvidas e como muitas vezes os jovens não falam sobre os seus questionamentos.

Em Sex Education há jovens que já são sexualmente ativos, mas também aqueles que se reprimem e nem sequer conseguem encarar uma masturbação, caso de Otis Milburn(Asa Butterfield), um garoto de 16 anos que sofre com ataques de pânico toda vez que tenta se tocar.

Ao promover esse debate, a série ocupa um espaço educativo. Muitos jovens em busca de informações acabam tendo acesso à pornografia e, com isso, constroem uma visão deturpada das relações.

Esses materiais mais do que incentivar o desenvolvimento da sexualidade baseado na escuta, no desejo, nos limites e nas preferências de cada um, impõem aquilo que “deveria” ser feito no sexo e o que seria o “caminho certo” em busca do prazer. Isso não é nada realista.
2. É importante respeitar o espaço do outro

Otis é o único filho de uma terapeuta sexual, Jean (Gillian Anderson). Após o divórcio, ela afasta qualquer ideia de ter uma relação que vá além da intimidade do sexo casual com os seus (vários) parceiros.

A relação de Otis e Jen é marcada ora pelo constrangimento, ora pela liberdade total com que ela trata a sua própria sexualidade e a do filho. Jen, apesar de incentivar e ser aberta à escuta, muitas vezes é intrusiva na vida pessoal de Otis e isso acaba por ser o gatilho do pânico dele.

A personagem de Gillian Anderson traz reflexões importantes sobre sexo na trama, como por exemplo quando diz para o filho que “a experiência pode ser maravilhosa, mas também pode causar uma tremenda dor.”

Por outro lado, também traz uma ideia caricatural do que seria o papel de um sexólogo ao encarnar o clichê do terapeuta que analisa tudo o que é dito pelas pessoas e que, muitas vezes, não coloca em prática aquilo que se prega.


3. Superproteção nem sempre é sinônimo de amor


“O que seu filho quer e aquilo que você acha que é certo, muitas vezes pode ser muito conflitante”, explica o ator Ncuti Gatwa, que dá vida ao personagem Eric.

Eric (além de ter os melhores figurinos do seriado) é abertamente gay e tem uma relação tensa com seu pai superprotetor. “Para qualquer pai, tudo o que eles querem é que seu filho esteja seguro. Mas infelizmente, quando você é um pai e ama completamente seu filho, isso pode fazer você agir um pouco como louco”, desabafa.

Como pais, geralmente você não está mais convivendo diariamente com o “mundo” do seu filho. Enquanto para alguns adultos o ensino médio é só uma fase, para os jovens é a única realidade do momento.

Por isso, Gatwa tem um conselho: “Apenas escute. Escute quando eles estiverem tentando se comunicar. Tente abstrair um pouco das suas verdades e ouça qualquer ansiedade que seu filho esteja lidando”.


4. Otis, Eric e a masculinidade tóxica


O roteiro da série não é nenhuma novidade, recheada de clichês tipicamente adolescentes. Mas o que eleva a produção para além do drama adolescente é que os personagens - e principalmente os personagens masculinos - falam sobre sexo de maneiras saudáveis e cheias de nuance.

Enquanto Otis mal consegue se tocar, Eric sabe exatamente o que ele quer, mas ele é um dos poucos gays de sua escola.

Ao primeiro olhar, muito do que Otis carrega sobre conhecimento em relacionamentos parece vir de sua mãe, a terapeuta, mas no fundo a sua amizade com Eric é que é a sua grande fonte de inspiração.

Eric provoca Otis por ele não conseguir se masturbar, mas não é cruel ou machista em suas colocações. Eles podem brincar sobre isso, porque eles também conversam sobre isso. E os diálogos nunca são sobre se gabar, ser cruel com outra pessoa ou envergonhar os outros. É sempre mostrar o lado mais íntimo de cada um deles — muito diferente do que é construído na ideia de masculinidade que pode ser tóxica.

Eric é corajoso. Ele é o filho gay de imigrantes conservadores, religiosos e africanos, e, talvez por isso, não tenha outra escolha que não seja ser forte.

É por isso que ele é capaz de até mesmo perdoar Otis quando ele fura a programação principal do seu aniversário e exibe todo o seu egoísmo - mas sem spoilers por aqui. Em outra cena, ele é capaz de “ensinar” sexo oral com ajuda de uma banana na frente de toda a escola.

Eric sabe o que é se arriscar e, principalmente, o que significa ser vulnerável.


5. Todo mundo deveria saber o que gosta - mas nem sempre é assim

Aimee (Aimee Lou Wood) é uma das personagens que mais se destacam na série, e isso se deve por uma cena específica. Ela é uma garota popular e com cabelos perfeitos que nunca precisou se conhecer porque sempre teve um namorado para fazer o trabalho por ela.

As coisas mudam, no entanto, quando Aimee começa a namorar Steve. No meio de uma relação, ele pergunta para Aimee “o que ela gosta e o que ela quer” e é nesse momento que ela trava e procura ajuda da clínica sexual coordenada por Otis e Maeve (Emma Mackey).

“Ninguém nunca me perguntou isso antes”, ela diz a Otis. O garoto sugere, então, que ela descubra o que lhe traz prazer usando as suas próprias mãos. E é aí que a mágica acontece.

Em seguida, assistimos a Aimee em seu quarto e uma ótima sequência em que ela experimenta a masturbação. A masturbação ainda é um tabu para muitas mulheres. Assistir a cenas como essa reforçam a importância de que todo mundo deveria saber o que traz prazer.
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The Sinner: série mostra como o inconsciente influência nossas ações

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"Até você se tornar consciente, o inconsciente irá dirigir sua vida e você vai chamá-lo de destino."Carl Gustav Jung. 


Produzida pela USA Network, casa de Suits e Mr. Robot, baseada no best-seller homônimo de Petra Hammesfahr, o drama The Sinner acompanha a jovem mãe Cora (Jessica Biel), que durante um ataque de raiva inexplicável, comete um ato de violência assustador – e, para seu horror, sem saber porquê. 

O investigador Harry Ambrose (Bill Pullman) é encarregado de descobrir um motivo, cada vez mais obcecado em entender as profundezas mesmo que esteja enterrado no inconsciente da moça, acaba desvendando segredos violentos que ela tenta manter no passado, longe dos olhos do mundo.

Para psicólogos de plantão a série é uma análise a cada capítulo. Isso porque a atriz consegue transmitir de uma forma envolvente e clara como o inconsciente influencia as nossas ações e pensamentos, para o bem e para o mal. Todos nós temos desejos, temores, ideias preconcebidas que não sabemos exatamente de onde vêm, que não foram escolhas nossas e que simplesmente se manifesta.

As teorias de Sigmund Freud, são referenciais importantes para os estudos do inconsciente. Freud já defendia que apenas uma pequena fração das nossas memórias encontra-se ativada, demarcando os limites da consciência. Todas as demais estão em estado latente, ou seja, escondidas.

Uma das principais funções do inconsciente é manter o equilíbrio da nossa psique. É simplesmente impossível guardar todas as nossas experiências e ainda ter plena consciência delas. Para isso, existe o inconsciente.

Logo, o inconsciente é a nossa bagagem de memórias, um repositório que nos alimenta continuamente de imagens e símbolos. De vez em quando, o inconsciente interage com a consciência, o que pode ser bom ou ruim, dependendo de como lidamos com os resultados que essa ação nos traz. Quando uma associação entre memórias é muito forte, mas reprimida conscientemente, ela pode escapar ou vazar por meio de um ato falho ou mesmo de um sonho que expressa aquele conteúdo de forma direta ou indireta. Esse mecanismo explicaria, por exemplo, o fato de alguém dizer “tchau” em vez de “oi” a uma pessoa que acabou de encontrar e da qual não gosta muito.

Nesse ambiente inconsciente que a drama ocorre a protagonista comete um crime e não entende o que a motivou. Quando o detetive se propõe a ajudá-la ele começa a questionar o que aconteceu. Como ele não tem respostas do motivo, ele procura na hipnose a busca das memórias reprimidas para entender o ocorrido.

Nas sessões de hipnose , Cora começa a se lembrar do ocorrido , porém de forma distorcida. O inconsciente mostra as imagens, mas o conteúdo é tão pesado que para ela lidar ele o faz de doses homeopáticas. Mas não é através da hipnose que a cura vem. Por causa das lembranças distorcidas que Cora “se lembra”, o conteúdo não se encaixa, e oferece poucas pistas do motivo.

Apesar de Cora não ser lembrar totalmente do seu passado, a hipnose dispara aquilo que chamamos de processo terapêutico. Ela começa a sonhar , a reviver o seu passado até que a lembrança do real motivo vem à tona e o caso é solucionado.

A série dessa forma, nos mostra como o inconsciente é real e tem poder sobre nossos pensamentos e ações. Deste modo, perceber e analisar o inconsciente pode ser um caminho para minimizar distúrbios emocionais, pois é comum uma pessoa enfrentar um problema por anos, sem entender seu motivo, e a explicação estar em algo que ficou guardado no inconsciente. E, quanto mais acessado, maior a chance de ampliar a consciência e com isso agir de forma menos inconsciente possível.

Debora Oliveira
Psicóloga Clínica
CRP: 06/123470






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De acordo com Freud, assistir Game of Thrones é saudável para nós?

 



Além da sua trama intrigante e relato de personagens que cativam o público, Games of Thrones conta ainda com uma boa dose de pessoas brutalmente torturadas, cenas sexuais explícitas e violentas, morte de personagens que amamos sem a menor cerimônia de forma brutal.

Então a pergunta que não sai da minha mente é como um seriado que mostra cenas tão escuras, brutas e violentas se tornou algo tão popular em uma sociedade que evita falar e ver qualquer tipo de comportamento descrito acima?

Sendo bem direto ao assunto, acredito que Freud diria que Game of Thrones é realmente bom para a nossa psique, bem como para o funcionamento saudável da nossa sociedade. Como assim? Basta darmos uma pequena olhada em três pontos da sua teoria : o modelo estrutural da nossa psique, sua teoria sobre os sonhos e a forma como Freud descreve o conflito que existe entre os impulsos no indivíduo e a maneira que esse reprime para viver bem em sociedade em seu livro O mal estar na civilização.


1- O modelo estrutural da nossa Psique

"Eu sou Daenerys Targaryen e tomarei o que é meu com fogo e sangue".

Em 1923, em seu texto O Ego e o Id, Sigmund Freud apresentou a sua teoria referente ao modelo estrutural da nossa Psique. Freud afirma que são três a estruturas do nosso aparelho mental. Cada uma delas cuidaria de algum aspecto da nossa personalidade e regeria nossa interação com outras pessoas. São considerados conscientes e inconscientes e agem de forma integrada e em conjunto determinando o nosso comportamento.

O Id é regido pelo “princípio do prazer”. Profundamente ligado a libido, está relacionado a ação de impulsos considerado inato. Está localizado na zona inconsciente da mente, sem conhecer a “realidade” consciente e ética, agindo, portanto apenas a partir de estímulos instintivos, o que lhe atribui a característica de amoral. É responsável pelos nossos impulsos mais primitivos: as paixões, a libido, a agressividade. O id (“isso”, em alemão) está conosco desde que nascemos , mas seus desejos são frequentemente reprimidos.

O ego é a parte consciente da mente. É regido pelo “princípio da realidade”, sendo o principal influente na interação entre sujeito e ambiente externo. É um componente moral, que leva em consideração as normas éticas existentes e atua como mediador entre id e superego. Essa parte é aquela que mostramos aos outros. Fortalecido pela razão, o ego está “preso” entre os desejos do id (tentando encontrar um jeito adequado de realizá-los) e as regras ditadas pelo superego.

O Ego está tentando ativamente encontrar uma maneira de satisfazer o que realmente queremos do nosso Id, dentro das restrições do que a sociedade considera aceitável através do Superego. Um Ego de funcionamento saudável é aquele que é capaz de encontrar um meio feliz entre os dois. Segundo Freud, basicamente, somos todos pervertidos, violentos e com uma tendência escura para o mal, e passamos a maior parte do tempo tentando nos esconder atrás de uma máscara bonita.

O Superego também chamado de “ideal do ego”, tem a função de conter os impulsos do id. Considerado hipermoral, segue o “princípio do dever” e faz o julgamento das intenções do sujeito sempre agindo de acordo com heranças culturais relacionadas a valores e regras de conduta. O superego é, então, componente moral e social da personalidade. Suas regras sociais e morais não nascem com a gente: nós as aprendemos na sociedade para que possamos conviver nela corretamente.

Então, o que tudo isso tem a ver com Game of Thrones? Bem, ao assistirmos a série, estamos realmente encontrando uma maneira socialmente aceitável de satisfazer nosso Id. Vemos muitas lacerações, decapitações e sexo nesta série. Às vezes, de uma forma assustadora, nessa ordem exata. As coisas que geralmente são consideradas como tabu (pelo menos na cultura ocidental) tornam-se socialmente aceitáveis até certo ponto ​​quando lançadas no contexto da arte e da literatura. E não apenas aceitável, mas torcemos pela morte das personagens e que essa morte venha da forma mais cruel possível! Ou sou a única honesta aqui?

O sexo e a violência nos seriados provocam muita controvérsia entre os críticos da mídia ( mais recentemente com a série Os 13 Porquês) , especificamente aqueles que dizem que violência e sexo na mídia são influenciadores no comportamento desviante. Freud, contudo, pensa o contrario e afirma que esses comportamentos vistos e que são apresentados nos seriados não são exatamente influenciadores por dizer, mas sim , terapêutico. Como? Vamos caminhar mais um pouco através da sua teoria sobre análise de sonhos.


2- Os sonhos são a “estrada real” para o nosso inconsciente

Os Sonhos, para Freud, são uma maneira do psiquismo de “realização de desejos” – os sonhos são tentativas por parte do inconsciente para resolver um conflito de algum tipo, seja algo recente ou algo do passado mais distante (mais tarde em “Além do Princípio do Prazer”, Freud discute alguns tipos de sonhos que não parecem ser de realização de desejo). Como os conteúdos do inconsciente são muitas vezes perturbadores, existe um “censor” que não permite que esses conteúdos sejam manifestados conscientemente. No entanto, quando dormimos, a vigília do “censor” é reduzida, embora ainda permaneça atenta: assim, o inconsciente deve distorcer e deformar o sentido da sua informação para conseguir que ele passe pela censura. Os sonhos para Freud são “o caminho real para o inconsciente”.

Desse modo, para Freud na maioria das vezes o que sonhamos não é o que parece ser, mas sim algo distorcido e mais profundo que precisa então de interpretação para ser compreendido. Essa distorção decorre principalmente dos mecanismos de condensação (síntese de ideias/conteúdos com pontos em comum, fusão de ideias/afetos/desejos semelhantes com objetivo de desfocar o verdadeiro objeto) e de deslocamento (substituição de um objeto latente por um de seus fragmentos constituintes). Assim todo sonho tem um conteúdo latente e um conteúdo manifesto. O conteúdo manifesto é aquele que nos lembramos, o enredo, a história do sonho, já o conteúdo latente é aquele que está por trás do manifesto, é o conteúdo verdadeiro e censurado e, portanto, o objetivo da interpretação do analista é o de encontrar e tornar consciente o conteúdo latente.

Além disso, Freud afirma que o sonho que temos no dia é usado como um mecanismo de defesa para aliviar algumas tensões do id que enfrentamos. Para ele, enfrentar algum conflito no campo da fantasia ou do sonho é tão real quanto experimentar a realidade. Por exemplo: se você fantasiar ou sonhar que está batendo em alguém que você não gosta, através dessa experiência você terá aquilo que chamamos de catarse e com isso será menos provável que você vá até a pessoa de fato e bata dela. A catarse traz alívio emocional, mesmo que de fato não aconteça.


Tudo isso junto, coloca as coisas em um contexto interessante, em termos de como a Psicologia funciona para nós ao vermos um filme ou um seriado que traduz e retrata algum conflito inconsciente que temos. Se aquilo que está sendo passado na tela, vai de encontro a algo reprimido e a algum conflito interno ficamos imersos no conteúdo, o que nos coloca em uma espécie de estado de sonho, em catarse, onde nossos desejos reprimidos são realizados.


Isso explica o porque de em cenas de morte de personagens nos encolhemos no sofá, ficarmos tristes e até choramos, sentimos raiva e defendemos nossos personagens preferidos com unhas e dentes. É assim que Games of Thrones nos ajuda a satisfazer nossos desejos mais pervertidos e violentos do Id, porque assim como nos sonhos, você está experimentando esses desejos de forma indireta. E então ao sentirmos essas coisas estamos fazendo uma espécie de catarse, liberando assim energia psíquica de forma saudável.

Nesse momento você pode estar ai se perguntando : “ Bom, eu nunca quis torturar alguém ou , não sinto prazer nisso, na verdade, eu me sinto chocado e desconfortável ao assistir a essas cenas de tortura e sexo! É óbvio que meu id não está recebendo qualquer satisfação.”

Bom, Freud com certeza iria te responder: “ Então, pergunte a você, porque você ainda assiste a esse seriado e gosta tanto? A verdade é que ao assistir e gostar do seriado você pode não se imaginar fazendo aquelas torturas e o sexo de forma consciente, mas seu inconsciente se fosse permitido ter acesso de forma clara, seria talvez, muitas cenas de Games of Thrones que veríamos. Ei, não me bata! Na verdade quando você nega dessa forma os seus desejos, é uma forma saudável que o seu ego está fazendo para protege-lo de despertar esses desejos inconscientes e sair para a prática. Assim como o seu ego censura os seus sonhos.

3- O mal estar na civilização 

Segundo Freud, nossa agressividade é parte integrante da natureza humana, e a civilização (cultura), é a força que sufoca essa agressividade. Ou seja, o que causa a ansiedade e as neuroses, entre as pessoas, é justamente esse controle que a civilização impõe sobre nossos desejos e para resolvermos isso, devemos nos libertar da sociedade e de suas cadeias civis.

Quando Joffery toma o trono, ficamos revoltados com sua tirania, o que acabou resultando em grandes conflitos e na guerra dos tronos. A revolta que foi gerada em Westeros ilustra como nos sentimos diante de uma sociedade (Governo) que nos reprime e oprime. É nesse momento que a nossa natureza humana se identifica. Mesmo os "bons" que tentam agir de forma civilizada, ficam cegos pela conquista do poder e da vingança e diante disso as espadas entram em cena, sangue é derramado e a violência é liberada.

É justamente por isso que torcemos pelos nossos protagonistas. Eles liberaram e lutam pelos nossos desejos e vontades mais íntimas e inconscientes que só podem ser realizadas em nossos sonhos ou na tela da Televisão.

Concluindo, se Freud estivesse vivo, ele aplaudiria Game of Thrones de pé e seria um grande fã. Ele veria o seriado como uma maneira aceitável de celebrar e liberar nosso Id. Game of Thrones nos dá uma saída para toda a energia borbulhante que está guardada nas partes mais escondidas da nossa psique. O seriado então, de certa forma nos impede de partimos para a ação, além de nos distrair da nossa frustração com a nossa sociedade atual.

Quem diria que Game of Thrones poderia até prevenir ansiedade e neuroses? Definitivamente a série tem o selo de aprovação de Freud como algo essencial para a nossa saúde mental.



Debora Lima de Oliveira
Psicóloga Clínica
CRP:06/123470




 
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Hodor hodor hodor. Hodor hodor? Hodor. Hodor-hodor. Hodor!

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"- Hodor? - disse ele, com voz triste.
- Hodor - concordou Bran, perguntando a si mesmo que significado teria aquilo." 
(A guerra dos tronos, capítulo 53)



Game of Thrones volta com tudo neste Domingo (na HBO, 12/04 com sinal aberto.UEBA!) . Se você não mora na lua já deve ter ouvido falar alguma coisa a respeito da série e para os fanáticos psicólogos, médicos ou apenas fanáticos da série de plantão este texto vai te interessar.

Afinal de contas, porque Hodor fala apenas “Hodor”? Pois saiba que há uma explicação neurológica que explica o por quê de Hodor falar apenas uma palavra.

Da forma mais simples de se explicar , Hodor é um dos servos da família Stark. É lento de raciocínio, mas é gentil e leal à família Stark. Ele só é capaz de dizer uma palavra, Hodor. As crianças Stark acreditam que este seja o seu nome, até que a Velha Ama, sua bisavó, revela que seu verdadeiro nome é Walder. Ah, e claro, é que ele só fala uma única palavra: Hodor.

Então, o que pode explicar a incessante de” Hodor Hodor-ando”? Se ele pretendia ou não, George RR Martin criou um personagem com um exemplo clássico de uma condição neurológica chamada afasia expressiva ou afasia de broca.


Esta condição remonta ao médico francês Paul Broca. Em 1861, Broca foi apresentado a um homem chamado Louis-Victor Leborgne. Enquanto sua compreensão e funcionamento mental permaneceu relativamente normal, Leborgne perdeu progressivamente a capacidade de produzir fala significativa ao longo de um período de 20 anos. Como Hodor, o homem foi apelidado de Tan porque ele só falou uma única palavra: Tan.

Apenas alguns dias depois de conhecer Broca, Leborgne faleceu. Na autópsia foi encontrado uma lesão no lobo frontal de Leborgne no hemisfério cerebral, ao lado de uma dobra cérebro chamada de sulco lateral. Ao longo dos próximos dois anos, Broca pode analisar os cérebros de mais 12 pacientes com os mesmos sintomas de Leborgne, e encontraram danos notavelmente consistentes nessa área.

Os neurocientistas ainda estão examinando esta pequena região do cérebro, agora conhecida como "área de Broca” em uma tentativa de entender as suas muitas funções. Enquanto a maioria das pesquisas tem se concentrado em incapacidade do paciente para formar frases sintaticamente complexas quando esta área está danificada, o trabalho mais recente usando ressonância magnética funcional também mostrou que a área de Broca é ativo durante tarefas como a compreensão de linguagem , a interpretação de movimento, e abrangendo vários gestos associados com a fala, como acenando adeus.

A causa mais comum da afasia expressiva é o AVC, o que ocorre quando um coágulo bloqueia o sangue de um dos vasos no cérebro, mas também também pode ser causada por um tumor, hemorragia, um hematoma no revestimento de membrana do cérebro, ou traumatismo craniano. Sabe-se por exemplo que Leborgne teve crises de epilepsia quando era criança - alguns têm especulado que ele pode ter sofrido traumatismo craniano durante um episódio.

Então, qual é a história de Hodor? Será que ele teve uma pancada na cabeça, sofreu um acidente vascular cerebral, ou simplesmente quando bebê gigante caiu do colo da sua mãe? Martin não ofereceu nenhuma dica para os leitores ou espectadores.


Bem, enquanto Hodor só pode falar uma palavra, podemos apenas imaginar que ele um passado tão interessante como os outros personagens de Martin.
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