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Método Montessori: 10 princípios para educar crianças felizes

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Os princípios do Método Maria Montessori de educação é aplicável a todos, mesmo em casa e não havendo à disposição os materiais didáticos que fazem parte do método escolar.

De acordo com Maria Montessori, o centro da aprendizagem é a própria criança que, com sua curiosidade natural, explora e dá ainda mais vazão à sua necessidade de aprender, se tiver à sua disposição um ambiente adequado, variado e estimulante. As crianças devem ser livres para escolherem os materiais, os brinquedos e as ferramentas que preferirem usar em cada etapa de seu crescimento, pois, cada experiência é uma oportunidade de aprendizagem.

Aqui estão algumas reflexões sobre o Método Montessoripara inspirar pais, educadores e professores.

1. Ambiente e ordem

Maria Montessori acreditava que as crianças aprendem melhor em um ambiente arrumado. O conselho é criar seções diferentes em uma prateleira para armazenar livros, quebra-cabeças, jogos, bonecas, carrinhos, etc, tudo separadamente.

É aconselhável escolher recipientes como cestas e caixas que devem ser colocadas a uma altura facilmente alcançávelpelas crianças. Também é importante ensinar a criança a arrumar cada brinquedo em seu lugar depois de tê-lo usado. Os pais devem apenas deixar à disposição os brinquedos adequados para cada idade e deixar que a criança seja livre para escolher o que quiser, mas manter a ordem e brincar com uma coisa de cada vez é muito importante.

2. Movimento e Aprendizagem

De acordo com Maria Montessori, as crianças precisam se concentrar em algumas atividades que exigem o uso e o movimento das mãos. Pense na cena clássica em que uma criança aprende a empilhar cubos um em cima dos outros. Nesta atividade, que parece um jogo, a criança não está apenas se divertindo, mas está aprendendo a importância da concentração e da coordenação.

3. Livre escolha

Maria Montessori acreditava que a liberdade de escolha foi o mais importante processo mental do ser humano. As crianças aprendem muito mais e absorvem mais informações quando elas são deixadas livres para fazerem suas próprias escolhas.

A liberdade de escolha não significa liberdade para fazer o que quiser, sem regras. Trata-se de uma liberdade que leva a criança à capacidade de escolher a coisa certa a fazer. E para a criança a coisa certa é decidir o que fazer para atender as suas próprias necessidades e dar um novo passo no seu processo de crescimento.

4. Estimular o interesse

A criança aprende melhor se viver em um ambiente estimulante e cheio de objetos interessantes que atraiam a sua atenção. Mas isso não significa comprar a loja inteira de brinquedos. Crianças amam os nossos objetos do dia a dia como peneiras, panelas, colheres de pau.

Fique atento a não dar objetos muito pequenos que possam ser perigosos para os “menorzinhos”. Se puder, ofereça vários livros diferentes, materiais para fazer novos pequenos objetos artesanais (como por exemplo o rolo do papel higiênico, potinhos de iogurte etc), deixe ferramentas para desenhar e colorir à disposição da criança e tudo o que possa estimular a sua criatividade. Até mesmo uma música clássica ou relaxante pode ser útil durante o jogo e a aprendizagem.

5. Recompensas

Maria Montessori não gostava de sistemas de ensino baseados em prêmios e punições porque ela acreditava que a melhor recompensa para a criança é ter conseguido aprender a fazer sozinha uma coisa nova, graças a sua curiosidade e a sua força de vontade.

De acordo com o Método Montessori, o verdadeiro prêmio é ser capaz de atingir a meta: completar um quebra-cabeça, regar a planta sem deixar a água cair.


Nisso, um alerta: deixe a criança errar e acertar sozinha. O problema atual dos pais é não conseguir manter a ansiedade e querer ajudar a criança a completar sua tarefa. Deixa a criança fazer sozinha, ela é muito mais capaz do que você supõe.


6. Atividades práticas

A aprendizagem das crianças de acordo com o Método Montessori, se dá especialmente através de atividades práticas durante os anos pré-escolares. As atividades práticas ajudam o seu filho a estimular os sentidos do tato, visão e audição, essenciais para aprender a ordem, a concentração e a independência.


Deixe teus filhos ajudarem a limpar a casa, a cozinharem, cuidar da horta, até mesmo a costurar, pregar um botão com uma agulha não pontiaguda.

7. Grupos com crianças de diferentes idades

Na escola montessoriana as crianças estão distribuídas em diferentes classes com base na idade, mas Maria Montessori acreditava muito na formação de grupos mistos com crianças de diferentes idades porque sentia que isso era um estímulo para a aprendizagem.

Por exemplo, as crianças mais jovens ficam intrigadas com o que as mais velhas fazem e pedem ajuda a estas. Por sua vez a criança mais velha fica feliz em ensinar o que ela faz e já aprendeu. Este conselho é muito importante para os pais que têm crianças de diferentes idades.

As atividades que podem ser feitas dentro de um grupo misto podem incluir: desenho, jardinagem, esportes, brincadeiras de rua etc. Um dos princípios subjacentes ao método Montessori é deixar as crianças interagirem com as próprias crianças de diferentes idades, para que elas aprendam umas com as outras.

8. Importância do contexto

É importante, de acordo com o Método Montessori, que os temas e os conceitos a serem aprendidos sejam colocados no contexto certo. Desta forma, as crianças vão entender e lembrar melhor deles. Exemplos concretos são mais fáceis de entender do que conceitos abstratos.

Este princípio prega além do mais que é essencial que as crianças aprendam fazendo em vez de (tentarem) aprender simplesmente escutando a lição.

9. O papel do professor


Para Maria Montessori o papel do professor é o de gerir e facilitar as atividades dos alunos. Não é uma pessoa que dá uma palestra falando sobre os tópicos que ensina, é um auxiliar no processo de aprendizagem que a criança pode alcançar sozinha.

10. Independência e autodisciplina

O Método Montessori encoraja as crianças a desenvolverem a independência e autodisciplina. Com o tempo, as crianças vão aprender a reconhecer quais são as suas paixões e suas inclinações e te farão entender o estilo de aprendizagem que elas preferem.

Algumas crianças gostam de leitura, enquanto outras são mais propensas a atividades práticas. Maria Montessori buscou unir, de uma forma equilibrada, todos os aspectos da aprendizagem, de modos que os princípios básicos do seu método, possam ser aplicados por todos. No entanto, na Itália, país de origem de Maria Montessori, para ser um professor montessoriano, é necessário passar por uma formação montessoriana, mas isso não impede que muitos docentes misturem ou usem o método nos aspectos em que acreditam. Muitos destes aspectos também podem aplicados em casa. O Método Montessori é genial e vai além da aprendizagem escolar pois, viver é aprender, certo?
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É importante deixar seu filho errar

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“Errando que se aprende”, diz o velho ditado popular. Está certo que todas essas antigas sabedorias têm algum fundamento e viraram tradição porque fazem sentido. Mas, na prática, nenhum pai ou mãe quer ver o seu filho errando, ficando chateado, ou se arrependendo.

Nessa ânsia de não deixar as crianças cometerem seus próprios deslizes, acabamos por fazer com que elas vivam em uma redoma de vidro, protegidas de todos os enganos. Afinal, se os pais estão sempre ali para decidirem por elas, que tipo de esforço será necessário para analisar, entender e agir? Quase nenhum!

Está aí um dos maiores motivos para dizermos: Deixe o seu filho errar. Assim, sem medo de ser feliz e sem medo de que ele arrisque e se machuque. O bom senso, claro, faz parte do processo. Você não vai deixá-lo sozinho e desamparado nas decisões da vida, mas também não vale tomá-las pela criança.

O caminho do meio está aí justamente para isso. O papel dos pais é, desde muito cedo, apoiar e orientar, para que a criança possa desenvolver seu senso crítico e seja capaz de tomar suas próprias decisões, estando elas certas ou não. Isso vai torná-la mais independente e também irá prepará-la para o futuro.

Lá na frente 

Quando a criança é estimulada a explorar o mundo ao seu redor de maneira mais independente, ela cresce de forma diferente daquela criança que não pôde tomar decisões sozinha e aprender com as consequências dos seus atos. 

“Com o apoio dos pais essa criança se torna um adulto mais consciente, com maior responsabilidade e maior habilidade para lidar com adversidades e para tomar de decisões”, explica Mariana Bonsaver, psicóloga da Pro Matre Paulista, filha de Tullio e Isabel. 

Tudo o que fazemos na infância dos nossos filhos afeta o futuro deles. Uma criança que explora possibilidades, testa e tem a chance de aprender com seus erros está muito mais propensa a se tornar um adulto que sabe lidar com problemas.

Mas nem precisa ir tão longe assim para entender a importância de apoiar os filhos a tomarem suas próprias decisões. Em muitos momentos, a criança estará sozinha, como na escola ou na casa dos amigos, e precisará encarar as mais variadas situações. É aí que ela precisa se sentir segura e preparada para poder tomar decisões sem medo de errar ou depender de outras pessoas.

Começa quando? 

Normalmente, a primeira dúvida que surge na cabeça dos pais é: quando eu posso deixar meu filho começar a tomar decisões? E a resposta é mais simples do que parece. Não precisa começar com decisões complexas e importantes. Mas escolhas simples do dia a dia são o início perfeito, ainda mais para crianças pequenas. 

“A idade ideal varia conforme a escolha. Por exemplo, a partir dos 4 anos os pais podem apresentar duas opções de trocas de roupas e permitir que a criança escolha a que mais gostar. A partir dos 8 anos, ela já pode escolher entre muitas opções direto do armário. Depois dos 10 anos, ela pode fazer várias escolhas, como o esporte que deseja praticar, a língua que deseja estudar, um lugar que gostaria de visitar, mesmo que a decisão final seja dos pais”, afirma Viviane Helena Ferreira Rossi, mãe de Luis Felipe e João Pedro, psicóloga clínica infantil e adolescente. 

Vale lembrar que cada criança se desenvolve de um jeito, então você deve proporcionar as escolhas para o seu filho conforme ele apresentar a maturidade necessária para aquilo. No começo, o importante é apresentar um número limitado de opções, para que a criança não fique confusa com tantas possibilidades. Começar aos poucos e com decisões simples é o ideal. 
Mas se você reparou que seu filho já consegue, por exemplo, escolher entre duas opções de roupa com tranquilidade, aumente o desafio. Coloque mais opções ou então até mesmo faça com que ele escolha entre as peças do armário. Colocar novas propostas e gerar dúvidas também faz parte do desenvolvimento.

O famoso limite 

Certo, até aqui você já entendeu a importância de deixar que a criança faça suas próprias escolhas e, a partir delas, possa errar, aprender e tentar novamente. Então você também deve estar se perguntando onde entra o limite entre deixar errar e proteger e como alcançar esse caminho do meio. 

“Muito difícil, o foco principal dos pais é a segurança do filho. Logo, há sempre o receio de que ele se machuque, em todos os sentidos. Uma boa comunicação pode proporcionar um equilíbrio”, diz Deborah Moss, mãe de Ariel, Patrick e Alicia, neuropsicóloga e mestre em Psicologia do Desenvolvimento pela USP. 
Os pais devem olhar para a criança como uma pessoa capaz de fazer determinadas escolhas sozinha e confiar! Não é fácil, mas esse processo só faz bem ao desenvolvimento durante a infância. Além disso, para quem encontrar mais dificuldades, seguir o exemplo da escola é uma boa dica. 

Nas escolas é comum que as crianças ganhem mais liberdade de escolha e independência. Então procure estar antenado no que o seu filho pode decidir enquanto está nesse espaço, e reproduzir isso em casa pode ser uma boa. Mas não se acomode! Lembre sempre de dificultar e propor novos desafios. 

“Nunca conseguiremos proteger nossos filhos de tudo, então, a cada escolha que eles fazem, a proximidade e confiança que construímos durante todo o processo facilita a nossa credibilidade e comunicação com eles”, afirma Regiane Silva, mãe de Rafaela e Luana, coach master em programação neurolinguística, hipnose e neurossemântica. 
Dessa forma podemos identificar o limite entre a liberdade e a proteção mais facilmente. Então lembre-se que o segredo é uma boa comunicação, aliada de confiança, fundamental para qualquer relação funcionar, até mesmo entre pais e filhos!

Dá para atrapalhar? 

Sim, é possível entrar no caminho do desenvolvimento do seu filho de forma que ele não seja ajudado, mas que você acabe atrapalhando o processo. Mas não esquente a cabeça! Basta ter em mente que o fundamental é o diálogo, sempre. 

“Proteger em todas as situações sem explicações pode ser um erro, em que os pais não mostram por que está ocorrendo aquilo, mas já agem evitando alguma coisa ruim”, explica Yuri Busin, filho de Walnei e Tales, psicólogo. 
Ou seja, quando você impede que o seu filho tome decisões porque, de fato, você sabe o que é melhor para ele e também não explica o motivo da sua escolha, ele não tem a oportunidade de experimentar. Assim, a criança acaba sendo privada de ter uma maior autonomia e vai sempre depender dos pais para qualquer coisa que desejar fazer.

Lidar com o erro 

Se por um lado é importante orientar, deixar que a criança escolha e aceitar que ela pode errar, por outro é fundamental saber como lidar com esse erro. Vamos então aos fatos: você vai orientar, vai cuidar, vai falar e vai fazer de tudo para que o seu filho entenda a melhor opção, mas ele vai escolher e fazer o oposto. Normal! 

Não significa que o seu filho seja um rebelde ou que ele queira te desrespeitar, mas que aquela decisão fez sentido para ele e, em uma próxima oportunidade, ele vai ponderar melhor. Porém, depois de tantos avisos e recomendações, é normal que os pais fiquem bravos e irritados com o erro. 
É justamente aí que os pais erram junto com os filhos. 

“O que gera frustração na criança são atitudes exageradas dos pais, como, por exemplo, apagar as respostas do filho na lição de casa para que ele refaça toda a atividade”, esclarecem Roberta e Taís Bento, mãe e filha, sócias no projeto Socorro, Meu Filho Não Estuda e nossas embaixadoras. 

Em vez de surtar e apontar o erro da criança, respire e procure manter a calma. Por exemplo, no caso da lição de casa errada, Roberta e Taís recomendam que os pais ajudem a encontrar ou identificar o erro, mas a criança é quem deve apagar as suas próprias respostas. 

O importante é não se estressar com o erro das crianças. Quando elas exploram, experimentam e descobrem, muitos processos novos e distintos passam por seus cérebros. Todos esses estímulos, em conjunto, são formadores de novas memórias no cérebro, que, no futuro, serão usadas para novos aprendizados. Então deixa errar, sim!


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5 coisas que seu filho NUNCA irá esquecer sobre você quando eles crescerem

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Quando a família se reúne é quase impossível não relembrar de várias histórias da infância, cada um vai lembrando um acontecimento e a nostalgia e as risadas sempre se fazem presentes. E tem coisas que a gente não esquece mesmo como o dia em que a mãe perdeu o vô ou o nosso pai perdeu uma peça de teatro ou jogo de futebol ou o jeito como nossos pais se cumprimentavam quando chegavam em casa.


1. As experiências que você viveu com ele. Mais que coisas que você dá, são os momentos que permanecerão na memória do seu filho. Ou seja, não é do sorvete que você comprou que ele vai lembrar, e sim da conversa e das risadas que vocês deram enquanto estavam juntos.


2. A vez em que você largou o celular por ele. Não adianta falar que não é viciado, não: tá todo mundo na mesma página! Ou melhor, no mesmo app, o tempo todo conectados. E quando a gente consegue priorizar nossos filhos e não o celular, eles sentem. Sabem que está escutando e que se importa com o que ele está falando.


3. Seu apoio. Palavras positivas fazem TODA diferença! Um “estou orgulhosa de você”, “a família é muita melhor com você” ou um “você é um bom ouvinte”, são frases que parecem bobas, mas que são super importantes para formar a personalidade do seu filho e algo que ele vai levar para a vida.


4. Como você lida com situações difíceis. Uma coisa é fato: seu filho presta atenção em TUDO o que você faz! E mais: ele se inspira em você. E vivemos em um mundo que faz com que as crianças se sintam vulneráveis e, infelizmente, eles vão ter que lidar em algum momento com doenças e perdas. É nesses momentos que ele vai lembrar do jeito como você lidou com a situação, como falou com ele sobre isso e como o fez se sentir.


5. As vezes que você não estava lá. Pode parecer uma coisa negativa, mas pode ser algo positivo também. Podem tanto se lembrar de quando você não estava e ele precisava quanto da vez em que ele foi dormir na casa de um amigo ou fez algo incrível na escola e mal podia esperar para chegar em casa e te contar.


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A psicologia explica por que você tem tanto medo de palhaços

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Personagens praticamente infalíveis nas festas infantis, os palhaços têm a missão de levar alegria e divertir as pessoas, com seus tradicionais narizes vermelhos. Acontece, no entanto, que nem sempre essa missão funciona tão bem assim.

Isso porque tem gente por aí que se arrepia só de pensar nos carinhas dos rostos brancos e bocas super vermelhas. Aliás, para quem conhece alguém assim, um alerta: não é frescura! Embora não seja uma parcela tão grande assim de pessoas que sentem medo dos palhaços, a fobia realmente existe e tem até nome. Chamado coulrofobia, esse transtorno consiste em um pavor agudo à figura circense.

Como a maioria dos distúrbios que trazem pavor de alguma determinada coisa (como é o caso de pessoas que odeiam alguns sons), a coulrofobia também pode ser causada por alguma experiência traumática na infância. No entanto, o número de indivíduos que realmente sofre de uma situação médica relacionada à pânico intenso não é tão expressivo assim. O que acontece na maioria dos casos, é que as pessoas simplesmente odeiam palhaços!

Tudo começa na infância. Um artigo científico da Universidade de Sheffield, na Inglaterra, revela que crianças e adolescente com idades entre 4 e 16 anos são quase unânimes em afirmar que a presença de figuras de palhaço em quartos de hospital é assustadora e não colabora em nada com a recuperação de pacientes — é de se pensar como o McDonald's conseguiu conquistar o mundo com Ronald. 

No artigo, a palavra usada para descrever Bozo e seus amigos em inglês é unknowable. Uma tradução próxima, mas complicada, é a palavra incognoscível. O espírito da coisa é que não se pode saber o que está por trás de um olhar de palhaço, e coisas ambíguas, em geral, dão muito mais medo do que coisas abertamente ruins. 

Em resumo, todo mundo vai entender se você sair correndo quando um jacaré faminto avança na sua direção. O animal é um risco claro à sua vida, e todo mundo concordaria. Um palhaço, por outro lado, pode ter uma aparência repulsiva par alguns, mas nada garante que ele vá fazer uma maldade quando te abordar na rua — ou na platéia do circo. Eles são imprevisíveis. E é aí que está a chave do medo. 

Uma outra pesquisa, que saiu na revista científica New Ideas in Psychology, é o primeiro estudo empírico já feito sobre coisas "arrepiantes" (creepy). E sua principal conclusão é que para ser horripilante, mais do que repulsivo, é preciso ser imprevisível. Os pesquisadores analisaram 1.341 voluntários maiores de idade por meio de questionários. Na primeira parte, os participantes precisavam selecionar, entre 44 características físicas e comportamentais diferentes, as que elas mais associavam a coisas arrepiantes. Depois, elas precisavam fazer seu próprio ranking de profissões de dar frio na barriga e selecionar dois hobbys que não fossem exatamente... normais. 

Os resultados são óbvios: no topo da lista de profissões, com uma imensa vantagem, estão os palhaços. E entre as características que ativam o alerta de arrepio, comportamentos só um pouco estranhos são considerados piores que comportamentos abertamente estranhos.

É impossível saber se um palhaço está feliz ou triste com o disfarce da maquiagem. E é impossível saber se ele vai ou não dar com uma torta na sua cara em uma fração de segundo. O mais provável, então, é que seja essa mistura de felicidade fingida com intenções ocultas que dê tanto medo. E esse medo é universal. 

Mesmo assim, é bom salientar que os portadores da fobia sofrem ataques de pânico ao se depararem com os seres de nariz vermelho, acompanhados de perda súbita de fôlego, arritmia cardíaca, suor exacerbado e podem ficar até mesmo nauseabundas...

Essa insatisfação com a presença dos palhaços move tanta gente, que há sites especificamente direcionados a quem não curte os clowns, como o I hate Clowns(em inglês). Além disso, o desgosto já chegou às redes sociais e existe até uma comunidade no Facebook dedicada a compartilhar essa mesma desaprovação, que já conta com mais de 475 mil adeptos!
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5 coisas que você não sabia sobre a pedofilia

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Casos graves de abuso sexual de crianças aparecem nas capas dos jornaiscom frequência. Há muita confusão, porém, na forma como o assunto é tratado na esfera pública. A ciência, nas últimas décadas, avançou muito na compreensão do fenômeno da pedofilia tanto do ponto de vista biológico quanto do social. Segue alguns fatos que te ajudarão a compreender um dos crimes mais brutais que existem, com consequências incalculáveis para a saúde mental e física de centenas de milhares de crianças todos anos. 

Cartilha contra a pedofilia:  baixe grátis

Nem todo abusador de crianças é pedófilo, e nem todo pedófilo pratica crimes sexuais

O termo "pedófilo" se refere à pessoa que sente atração sexual por crianças. Isso não significa que todo pedófilo seja um abusador ou consuma conteúdo pornográfico infantil, nem que todo ato de violência sexual praticado contra uma criança seja cometido por um pedófilo. De fato, há, na literatura científica, registro de pedófilos que buscaram tratamento para conter sua libído sem terem praticado nenhum crime. Por outro lado, há muitas ocorrências de estupro de criançasperpretadas por homens que não possuem fixação sexual por menores de idade, principalmente nos casos de incesto, em que há laços familiaresentre os envolvidos. Segundo o artigo The Neurobiology and Psychology of Pedophilia: Recent Advances and Challenges (A Neurobiologia e Psicologia da Pedofilia: Avanços Recentes e Desafios), disponível aqui, só cerca de 50% dos casos de abuso sexual infantil são praticados por pedófilos.


Há menos substância cerebral branca em pedófilos, o que dificulta as conexões cerebrais

Nas últimas décadas, a neurociência passou a analisar a influência de fatores biológicos na atração sexual por crianças. E já há descobertas relevantes na área.

James Cantor, da Universidade de Toronto, descobriu, em 2007, que há menos substância branca nos cérebros de pedófilos. Esse conjunto de células gliais e axônios mielíticos é responsável, entre outras funções de apoio, pelo isolamento elétrico e conexão entre as várias partes do órgão. 

Os problemas de conexão poderiam ajudar a explicar as distorções comportamentais, transformando o instinto de proteção que um adulto costuma sentir em relação a uma criança em desejo sexual. Os resultados foram publicados em 2008, na 3º edição do Periódico de Pesquisa Psiquiátrica, da Elsevier.

Ninguém escolhe ser pedófilo

A pedofilia é uma condição psicológica, provavelmente incurável, para a qual ainda há poucas alternativas de tratamento. É, em resumo, uma espécie de orientação sexual com preferência etária, que possuí, claro, as mais severas implicações éticas. 

Uma solução para conter o impulso sexual é tomar medicação que reduza os níveis de testosterona do corpo. É comum que pedófilos sofram de outros transtornos psicológicos, situação que, combinada à redução da libído, acaba exigindo o uso de antidepressivos. Sessões de terapia, claro, podem colaborar, mas não há evidência científica de que elas funcionem de maneira sistemática. 

Pedófilos, em geral, não tiram prazer só do ato sexual, mas da convivência com a criança

O pedófilo, em geral, tem dificuldades no convívio social com outros adultos. Por outro lado, podem estabelecer fortes laços emocionais com as crianças abusadas, que vão além do simples prazer sexual. É incerto se essa é sempre uma tática de aproximação que torna a criança mais propensa a confiar no abusador ou se o pedófilo sente um bem estar genuíno na convivência com menores de idade, que substituí os laços sociais que não estabelece com pessoas da mesma faixa etária.

Para piorar a situação, é comum que, devido à aproximação, a criança não perceba claramente o momento da transgressão, e que, mesmo que se sinta incomodada pelo ato, não faça objeções por medo de pôr em risco sua relação com o abusador. Nem sempre há ameaças diretas. A psicóloga Judith Becker, especialista em tratamento de pedófilos da Universidade do Arizona, afirmou ao Daily Beast que parte da solução para o problema é justamente aumentar a aproximação com outros adultos. 

Só uma parcela minúscula dos crimes sexuais contra crianças chega às autoridades

Nos EUA, o National Center for Victims of Crimes (Centro Nacional de Vítimas de Crimes) calcula que 1 a cada 5 meninas e 1 a cada 20 meninos já tenham sofrido alguma forma de abuso sexual, um valor muito inferior ao registrado pelas autoridades criminais. Informações detalhadas estão disponível do artigo Violence, abuse, and crime exposure in a national sample of children and youth (Violência, abuso e exposição ao crime em uma amostra nacional de crianças e jovens), de professores da Universidade de New Hampshire.

Os casos brutais de violência sexual infantil exibidos nos noticiários, porém, são uma parcela pequena das ocorrências. Na maior parte das vezes, a pedofilia se manifesta em formas de abuso menos perceptíveis. A mera observação de crianças em situações cotidianas, especialmente quando há maior exposição do corpo, é comum. A masturbação na frente de crianças e carícias com intenções ambíguas também são recorrentes. Nos casos de incesto, descobrir o que ocorre é ainda mais difícil.

Com crianças, a maior parte dos casos é praticada por pessoas conhecidas, e, do total desses conhecidos, 80% ou 90% faz parte do núcleo familiar. Pai, padrasto, irmão, tio materno, paterno, avô, cunhado, etc. Há também um grupo muito grande de pessoas que não são do núcleo familiar, mas que têm acesso privilegiado à rotina da criança. Isso torna muito difícil a identificação e interrupção do abuso.


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Ter um irmão mais novo te torna uma pessoa melhor, afirma pesquisa

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Irmãos podem até viver entre tapas e beijos, mas essa relação os torna pessoas mais empáticas. É o que sugere uma pesquisa realizada pela Universidade de Calgary, no Canadá, publicada no periódico Child Development.

Os cientistas chegaram a essa conclusão após realizarem um experimento com mais de 452 duplas de irmãos. Os pares consistiam em crianças de um ano e meio a quatro anos de idade, todas canadenses, que foram filmadas em casa com suas mães. As famílias também precisaram responder alguns questionários sobre o comportamento dos filhos.

Os pesquisadores analisaram as gravações, focando nas reações das crianças quando um adulto fingia estar bravo ou chateado. "Apesar de presumirmos que os irmãos mais velhos e os pais são as principais influências de socialização no desenvolvimento dos mais novos, descobrimos que tanto os irmãos mais velhos quanto os mais novos contribuem para a empatia um do outro com o passar do tempo", disse um dos autores do estudo, Marc Jambon, da Universidade de Calgary.

Segundo ele, fatores como os valores de cada família e suas condições socioeconômicas não mudaram os resultados das análises. Questões de gênero e idade também foram avaliadas: observou-se que irmãos mais novos não têm um grande impacto na empatia das irmãs mais velhas e que, quanto maior a diferença de idade entre os irmãos, maior a influência que eles têm uns nos outros. 

"Nossas descobertas enfatizam a importância de levar em consideração como todos os membros de uma família, não só os pais e os irmãos mais velhos, contribuem para o desenvolvimento de uma criança", afirmou Sheri Madigan, professora de psicologia da Universidade de Calgary e coautora do estudo. Ela e a equipe pretendem pesquisar como famílias podem desenvolver práticas mais empáticas entre si.




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O misterioso coma das crianças na Suécia

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Só acontece na Suécia e ninguém sabe exatamente o motivo: centenas de crianças caem em um estado de coma após suas famílias serem informadas de que serão deportadas. O primeiro foi registrado em 1998, mas foi denunciando publicamente há pouco tempo. Isso acontece aos filhos de refugiadosvindos de países soviéticos e da antiga Iugoslávia e de grupos minoritários como os yazidis quando são informados que o asilo no país foi negado. Os números ainda não são claros, mas alguns pesquisadores falam de até milhares de casos e o chamam de “histeria epidêmica”, mas foi oficialmente batizado como Síndrome da Resignação (SR), também conhecida pela palavra sueca uppgivenhetssyndrom.

As crianças que sofrem essa síndrome não possuem nenhum problema físico e neurológico, mas caem nesse inexplicável coma. De acordo com Göran Bodegård (diretor da unidade psiquiátrica para crianças do Hospital Universitário Karolinska, em Estocolmo) em um artigo publicado em 2005 na revista médica Acta Pædiatrica, os pacientes estão "totalmente passivos, imóveis, sem vigor, retraídos, mudos, incapazes de comer e beber, incontinentes e sem reação aos estímulos físicos e à dor". Os afetados são chamados de “crianças apáticas”, mas também existem vítimas adolescentes.

Desde então, todos os estudos existentes tentaram inutilmente averiguar a causa e o porquê da concentração geográfica de vítimas. No começo tentou-se explicar o fenômeno pela teoria do estresse, mas foi ineficiente porque, mesmo sendo considerado um desencadeador da SR, não explica o fato de ocorrer em um só país e em certos grupos imigrantes, mas não em outros que também estão sob tensão.

Duas décadas depois da descrição do primeiro caso, ainda não foi resolvido o grande enigma de por que só acontece na Suécia. Somente entre 2015 e 2016, a Junta Nacional de Saúde da Suécia declarou que ocorreram 169 episódios, segundo informou a BBC. A hipótese mais sólida indica uma psicogênese cultural. De acordo com a tese de Karl Sallin, o neurologista sueco que lidera a pesquisa e que também trabalha como pediatra no Hospital Infantil Astrid Lindgren de Estocolmo, as crianças internalizam os padrões de conduta dados no país. O perigo que isso acarreta é o de produzir um efeito dominó. O dilema moral que a sociedade enfrenta é que, se as crianças não receberem um tratamento adequado, morrerão; mas o fato de atendê-las parece dar margem a novos casos.

A SR continua sendo um mistério. O fenômeno começou a ser conhecido fora da Suécia em abril de 2017, quando foi publicada a primeira reportagem a respeito, assinada por Rachel Avid na revista The New Yorker. De acordo com o seu relato, a doença fez com que grande parte da população protestasse porque, apesar do crescente número de crianças doentes, as deportações continuavam sendo realizadas. Consequentemente, cinco dos sete partidos políticos mais importantes do país pediram anistia às vítimas, mais de 60.000 suecos assinaram uma petição para deter a deportação de crianças apáticas e Gellert Tamas, respeitado apresentador de um conhecido programa de televisão, chegou a dizer que o problema estava fazendo com que o Governo balançasse. Graças à demanda popular, o Parlamento sueco se viu forçado a permitir a revisão da solicitação de permanência de 30.000 famílias cuja deportação era iminente.

A doença é tão fascinante como estranha; por que sofrem esse sintoma somente indivíduos que oscilam majoritariamente entre os sete e os 19 anos de idade? A resposta mais aceita é que os adultos têm pessoas sob seus cuidados que dependem totalmente deles, de modo que não permitem a si mesmos perder o controle; enquanto isso, as crianças submetidas a um grande estresse somatizam o sofrimento de suas famílias pelo coma. “Acho que é uma forma de autoproteção. São como a Branca de Neve”, diz Elisabeth Hultcrantz, uma otorrinolaringologista que trabalha como voluntária na organização Médicos do Mundo tratando crianças que sofrem essa doença.

Os mais céticos com o fenômeno da Síndrome da Resignação dizem que as crianças se induziam ou eram induzidas ao coma por familiares (Síndrome de Münchhausen) com o objetivo de permanecer mais tempo no país adiando a deportação, mas ainda que certamente tenham ocorrido casos falsos, foram bem poucos, e essa hipótese foi descartada por falta de provas. De acordo com os médicos e pesquisadores, os sintomas da doença não são voluntários e muitos indivíduos desconhecem a patologia antes de desenvolvê-la. A isso se soma o fato de que não é um episódio efêmero, levando em consideração que as vítimas chegaram a permanecer em um estado semelhante à catatonia por um período de até dois anos, e que algumas vezes ocorreram casos de reincidência.

Apesar surgirem mais informações sobre os desencadeadores, ninguém sabe ainda exatamente como deter essa epidemia. Em 2013, a junta sueca de saúde e bem-estar publicou um guia de 63 páginas para tratar a SR em que afirmava que o tratamento mais efetivo era dar permissões de residência permanente, já que de outro modo os pacientes não se recuperariam. O doutor Sallin, entretanto, diz que o problema está mais relacionado ao trauma do que à condição de refugiado e que, portanto, a recuperação pode ser ainda mais complexa. “Sabemos de muitos casos de indivíduos que melhoraram sem que a família tenha recebido uma permissão de residência, e também existem crianças que ficaram doentes até mesmo tendo tal permissão. Podem se passar cinco meses do recebimento de uma resposta positiva de asilo até ocorrerem certos sinais de melhora”.

Já se sabe que o estado anímico pode afetar a saúde. Existem estudos que mostram maior probabilidade de morte após a perda de um ente querido, o que sempre se chamou de “morrer de pena”, mas até agora estava ligado a adultos. A Síndrome da Resignação, entretanto, afeta crianças e demonstra que o trauma da exclusão e a fustigação social são muito mais ferozes do que os teóricos e psicanalistas previam.

A inabilidade para resolver a crise dos refugiados é sem dúvida um dos problemas mais graves enfrentados. Essa é somente uma das consequências.


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Desafio do desodorante, da camisinha, da cola: as ondas online que põem vida de crianças em risco

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A morte de uma menina de sete anos por ingestão de aerossol volta a lançar luz sobre "desafios" que circulam em vídeos pela internet e têm nas crianças suas principais vítimas.

Adrielly Gonçalves, de São Bernardo do Campo (Grande São Paulo), deu entrada em uma Unidade de Pronto Atendimento no último sábado com parada cardiorrespiratória, em estado grave. As tentativas de reanimá-la não tiveram sucesso, segundo nota da Secretaria de Saúde da cidade. Um laudo do Instituto Médico Legal vai detalhar as causas da morte.

"Ela, criança inocente, colocou o desodorante direto na boca e desmaiou, tendo uma parada cardíaca na sequência. (Foi) por um motivo que jamais imaginamos, um vídeo sobre desafio de inalar desodorante aerossol", disse uma familiar em postagem no Facebook, fazendo "um alerta aos pais, (para) que fiquem de olho nos conteúdos que os filhos pesquisam na internet".

Youtubers fazem diferentes desafios que consistem em inalar a substância em vídeos que circulam pelas redes sociais e acumulam milhares de visualizações no site.

Há ainda o "jogo da asfixia" ou "do desmaio", em que compete-se para ver quem prende a respiração por mais tempo, além de desafios de inserir camisinhas nas narinas para tirar pela boca, de comer canela em pó em grandes quantidades e pura, de passar cola nas narinas e na boca. Fora as competições que induzem jovens e crianças a tomar grandes quantidades de bebidas alcóolicas.

Todas as práticas trazem gravíssimos riscos à saúde. E estão proliferando na internet.

A ONG cearense DimiCuida, voltada à conscientização sobre o perigo de jogos de asfixia, contabilizou na semana passada 24 mil vídeos em português de "desafios de desmaio" apenas no YouTube. Há outros 800 mil em inglês.

"E o número de vídeos fica extraordinariamente maior se contarmos outros vídeos de jogos semelhantes que também causam asfixia, como os da camisinha ou da canela", diz Fabiana Vasconcelos, psicóloga da ONG, à BBC Brasil. 

Além disso, há relatos de convites a jogos do tipo em postagens no Instagram, no Snapchat e em fóruns de games online, ainda que o YouTube seja a maior fonte de acesso.

Há cerca de um ano e meio, um jovem de 14 anos de São Vicente (litoral de São Paulo) foi encontrado morto com um lençol no pescoço. Investiga-se se ele foi induzido a isso pelo chamado "jogo do desmaio".

"Muitos acidentes acontecem por causa (de brincadeiras assim), em que as crianças participam de desafios porque o amigo pediu, por exemplo", diz à BBC Brasil o capitão Marcos Palumbo, porta-voz do Corpo de Bombeiros de São Paulo.

"Geralmente o resultado é muito ruim, com lesões que duram o resto da vida ou causam a morte."

Até jogos aparentemente inocentes, como o que estimula a ingerir canela, podem ter consequências graves: "a canela em pó bloqueia e queima as vias respiratórias e pode causar asfixia. O jogo da camisinha também pode asfixiar", explica Vasconcelos, da DimiCuida. 

Desafios perigosos que viralizam online:

  • Ingerir álcool ao máximo que conseguir
  • Asfixiar a si mesmo ou a um colega para causar desmaio
  • Inalar aerosol de desodorantes
  • Ingerir canela em pó
  • Colocar camisinha no nariz para sair pela boca

E o desafio do desodorante, que aparentemente causou a morte de Adrielly Gonçalves, é perigoso por causa do alto teor de etanol (álcool) presente em qualquer tipo de desodorante, explica Anthony Wong, diretor do Centro de Assistência Toxicológica (Ceatox) do Instituto da Criança da Faculdade de Medicina da USP.

"Esse teor é de 70% a 90%, muito maior do que o do uísque ou o absinto, por exemplo. E, ao inalar, o volume (de álcool) absorvido é extremamente alto, provocando uma inflamação da laringe e uma parada cardíaca", diz à BBC Brasil.

Como agir no caso emergências

Em situações como essas, é preciso correr para o pronto-socorro, porque a criança precisará de inalação ou entubação urgente, explica Wong.

E, tendo havido a ingestão de produtos tóxicos ou alcoólicos, a orientação dos especialistas é nunca provocar o vômito (que pode piorar a obstrução das vias aéreas) nem oferecer nada às crianças sem antes buscar ajuda especializada.

Essa ajuda pode ser dada pelos bombeiros (telefone 193) ou por centros de assistência toxicológica, como o Ceatox da Faculdade de Medicina da USP (0800-148110), que atende ligações do Brasil inteiro nas 24 horas do dia.

"As substâncias podem causar reações diferentes entre si, e cada uma vai exigir um tipo de tratamento, então é primordial pedir auxílio especializado", diz Palumbo, do Corpo de Bombeiros. 

No caso de asfixia ou parada respiratória, Palumbo orienta a colocar a criança deitada de costas no chão (por ser uma superfície rígida) com o corpo alinhado ao pescoço, para ajudar a liberar as vias aéreas. 

Isso não dispensa, porém, que se chamem os bombeiros imediatamente, para obter orientações específicas para as circunstâncias de cada caso. 

Veja, pelo movimento do tórax, se há sinais de respiração e batimentos cardíacos. Se não houver, é possível que o atendente emergencial oriente a fazer uma massagem cardíaca (um vídeo dos bombeiros no Facebook ensina a fazer as manobras) 

No caso de queimaduras, os bombeiros ensinam a lavar a área do corpo com água corrente, cobrir com gazes úmidas e com um pano, para proteger o local. Jamais passe qualquer produto (veja vídeo tutorial dos bombeiros com mais detalhes). 
Como prevenir

"Como nativas do mundo digital, as crianças têm acesso muito mais rápido a esses vídeos, enquanto os pais ainda não sabem como administrar (a navegação infantil)", diz Vasconcelos, da DimiCuida. 

A prevenção, diz ela, começa com respeitar a idade mínima de acesso às plataformas sociais (16 anos para WhatsApp e 13 anos para Facebook, por exemplo). E Vasconcelos sugere a pais e responsáveis acompanhar a vida online das crianças assim como ocorre com a vida offline.

"Assim como perguntamos 'com qual amigo você vai sair hoje?', devemos perguntar 'quem são seus amigos online?', 'a qual vídeo você assistiu hoje?', e assistir junto", explica.

Vasconcelos opina que não adianta proibir a visualização de vídeos perigosos. 

"É preciso criar um ambiente (para discutir os vídeos) sem julgamento, mas sim com uma reflexão crítica, que ainda não está maturada nas crianças e adolescentes. 'Esse rapaz do vídeo tem quantos anos? Ele não parece ser uma criança como você. Por que ele está fazendo isso? E vale a pena correr esse tipo de risco? Vale a pena compartilhar esse conteúdo?'", diz. 

Como, para crianças e adolescentes, a morte é algo muito abstrato, Vasconcelos sugere deixar claro o risco desses vídeos de forma mais concreta - dizendo, por exemplo, que a criança pode perder seus movimentos e ser impedida de jogar futebol.

Além disso, é importante denunciar vídeos com conteúdo perigoso.

Em nota, o YouTube afirma que "as políticas (da plataforma) restringem conteúdos que têm a intenção de incitar violência ou encorajar atividades ilegais ou perigosas, que apresentem um risco inerente de danos físicos graves ou de morte. Qualquer usuário pode denunciar esse tipo de conteúdo e nossa equipe analisa essas denúncias 24 horas por dia, sete dias por semana".

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