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Vivemos na era do narcisismo: como sobreviver no mundo do eu, eu, eu

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Foi o belo e vaidoso Narciso, personagem da mitologia grega incapaz de amar outras pessoas e que morreu por se apaixonar pela própria imagem, que inspirou o termo narcisista. O conceito foi depois reinterpretado por Freud, o primeiro que descreveu o narcisismo como uma patologia. Nos anos setenta, o sociólogo Christopher Lasch transformou a doença em norma cultural e determinou que a neurose e a histeria que caracterizavam as sociedades do início do século XX tinham dado lugar ao culto ao indivíduo e à busca fanática pelo sucesso pessoal e o dinheiro. Um novo mal dominante. Quase quatro décadas depois ganhou força a teoria de que a sociedade ocidental atual é ainda mais narcisa.

Este comportamento parece expandir-se como uma praga na sociedade contemporânea. E não só entre os adolescentes e jovens que inundam as redes sociais. “A desordem narcisista da personalidade –um padrão geral de grandiosidade, necessidade de admiração e falta de empatia– continua sendo um diagnóstico bastante raro, mas as características narcisistas estão certamente em alta”, explica a psicóloga Pat MacDonald, autora do trabalho Narcissism in the Modern World (narcisismo no mundo moderno). “Basta observar o consumismo galopante, a autopromoção nas redes sociais, a busca da fama a qualquer preço e o uso da cirurgia para frear o envelhecimento”, acrescenta em uma entrevista por telefone.

As pesquisas realizadas a partir de 2009 por Jean Twenge, da Universidade do Texas, são uma das principais referências para as hipóteses mais catastróficas. Depois de estudar milhares de estudantes norte-americanos, a psicóloga proclamou que esses comportamentos tinham aumentado no mesmo ritmo que a obesidade desde 1980” e haviam alcançado níveis de epidemia. Ela publicou dois livros –The Narcissism Epidemic (a epidemia do narcisismo), com Keith Campbell, da Universidade da Geórgia, e Generation Me (geração eu)—, nos quais afirma que os adolescentes do século XXI “se acham com direito a quase tudo, mas também são mais infelizes”.

Os traços narcisistas nem sempre são fáceis de reconhecer e, sendo moderados, não há por que serem um problema. São comportamentos egoístas, pouco empáticos, às vezes um tanto exibicionistas, de pessoas que querem ser o centro da atenção, ser reconhecidas socialmente, que costumam resistir a admitir seus erros ou mentiras e que se consideram extraordinárias (embora sua autoestima seja, na realidade, baixa). Um exemplo extremo, contado por Twenge, é o de uma adolescente que em um reality da MTV tenta justificar assim o bloqueio de uma rua para realizar sua festa de aniversário, sem se importar que haja um hospital no meio: “Meu aniversário é mais importante!”.

Em outras ocasiões este tipo de comportamento é mais sutil, mais comum e, às vezes, mais prejudicial. É aquela pessoa que exige uma atenção exagerada a seus comentários e problemas e, se não consegue, conclui que é diferente dos outros e que nunca recebe o respeito que merece. Ou um chefe encantador que, de repente, faz você se sentir culpado por um projeto fracassado que era ideia dele. “Para tampar seus problemas, uma pessoa com elevado nível de narcisismo costuma buscar uma ou duas vítimas próximas, não precisa mais do que isso, mas pode tornar-lhes a vida impossível”, afirma o psicanalista francês Jean-Charles Bouchoux, autor de Les Pervers Narcissiques (os perversos narcisistas), que acaba de ser traduzido para o espanhol e vendeu mais de 250.000 exemplares na França. “Há um aumento do narcisismo porque agora a imagem conta mais do que o que fazemos e porque queremos ter muitos êxitos sem esforço”, opina.

Proliferam os casos na política –é difícil navegar na Internet sem ver o nome de Donald Trump associado ao narcisismo– e na televisão. O assunto fascina, como mostram os índices de audiência dos realities. Talvez a principal novidade sejam as redes sociais, lugar onde os millennials (nascidos entre 1980 e 1997) e os não tão millennials, os famosos e os não tão famosos, transformam o corriqueiro em algo extraordinário. Todos os dias são colocadas no Instagram 80 milhões de fotografias, com mais de 3,5 bilhões de curtidas: “Eu, comendo”, “Eu, com minha melhor amiga”, “Eu em um novo bar”. No Facebook, milhões de usuários dão detalhes de sua vida ao mundo. A Internet está nos convertendo não só em espectadores passivos, mas em narcisistas ávidos pela notoriedade fácil, obcecados por conseguir amigos virtuais e pelo impacto de nossos posts?

Convém ter muito cuidado com as fotos de si mesmo. Nem todos os que tiram selfies são narcisistas, mas um estudo realizado por Daniel Halpern e Sebastián Valenzuela, da Pontifícia Universidade Católica do Chile, concluiu que as pessoas que tiraram mais fotos de si mesmas durante o primeiro ano da pesquisa mostraram um aumento de 5% no nível de narcisismo no segundo ano. “As redes sociais podem modificar a personalidade. Autorretratar-se, quando se é narcisista, alimenta esse comportamento”, explica, por telefone, Halpern. “Nas redes podemos nos mostrar como queremos que nos vejam. Essa imagem perfeita que acreditamos que os demais têm de nós pode alterar a que nós temos de nós mesmos”, adverte. Ter impacto nas redes pode causar dependência e também temor (o medo do vazio de uma postagem sem uma curtida sequer).

Além disso, o narcisismo crescente movimenta dinheiro. Um recente relatório do Bank of America Merrill Lynch calcula que o consumo relacionado com os produtos que nos fazem sentir melhor e tornam possível uma aparência à prova de selfies –chamam a isso de vanity capital– movimenta no mundo 3,7 trilhões de dólares (11,65 trilhões de reais). A lista inclui carros e outros artigos de luxo, cirurgias estéticas, vinhos de qualidade, joias e cosméticos.

Como chegamos até aqui? A inabalável corrida por conquistas pessoais exigida de jovens e adultos explica parte da ânsia narcisista. “A sociedade é hiperdemandante e hiperexigente. Agora, por exemplo, é preciso ter muitos amigos, vivemos hiperconectados. Meu pai não tinha amigos, tinha sua família, e era feliz”, explica Rafael Santandreu, psicólogo e autor de Ser Feliz en Alaska, que vincula o narcisismo –e a frustração que pode provocar– com a depressão, a ansiedade e a agressividade.

Há causas que nascem na infância. As teorias de Twenge tocaram em um nervo cultural ao culpar pais e educadores por terem criado uma geração de narcisistas dizendo-lhes o quanto são especiais, sem se importar com suas conquistas. Um estudo europeu publicado em 2015 na revista PNASmostra que o narcisismo está relacionado a uma educação parental que sobrevaloriza os filhos, haja ou não fundamento. “São elogiados em excesso e, com o tempo, as crianças se consideram únicas”, explica um dos autores, Eddie Brummelman, do Instituto de Pesquisa para o Desenvolvimento Infantil, da Universidade de Amsterdam. “A autoestima é confundida com narcisismo. O que é preciso cultivar é a autoestima, que se consegue com carinho, apoio, atenção e limites”, acrescenta.

Quer dizer que não se deve pensar grande? Não exatamente. Cultivar certo ego saudável é benéfico. É o que afirma Craig Malkin, psicólogo clínico da Escola de Medicina de Harvard. “Um pouco de narcisismo na adolescência ajuda os jovens a suportar a tempestade e o ímpeto da juventude. Só as pessoas que nunca se sentem especiais ou as que se sentem sempre especiais são uma ameaça para elas mesmos ou o mundo. O desejo de se sentir especial não é um estado mental reservado para imbecis ou sociopatas”, afirma em Rethinking Narcissism (repensando o narcisismo).

Craig integra o grupo que considera que a maioria dos estudos sobre narcisismo não tem sido justo com os jovens e que os que falam de epidemia exageram. O Inventário da Personalidade Narcisista, um questionário básico para os pesquisadores do mundo todo, incluindo Twenge, é falho, argumenta Craig. Entre outras coisas, esta ferramenta considera negativo querer ser um líder ou alguém dizer que é decidido. “As pessoas que gostam de dizer o que pensam ou que querem liderar são claramente diferentes dos narcisistas, que costumam recorrer à manipulação e à mentira.” Um exaustivo estudo publicado em 2010 em Perspectives on Psychological Science tenta refutar a teoria da epidemia. Foi realizado com um milhão de adolescentes nos EUA entre 1976 e 2006. Os pesquisadores encontraram pouca ou nenhuma diferença psicológica entre os millennials e as gerações anteriores, a não ser mais autoestima. Em uma tentativa de relativizar o problema, o estudo é aberto com uma frase de Sócrates: “As crianças de hoje [século V a. de C.] são umas tiranas. Contradizem seus pais, engolem a comida e tiranizam os professores”.

De um lado e outro do debate, não parece haver dúvida de que é recomendável fugir das pessoas com elevados níveis de narcisismo. Kristin Dombek resume isso bem em The Selfishness of Others (o egoísmo dos outros), ensaio em que analisa a abundância no mundo virtual anglo-saxão de informações relacionadas com os narcisistas, sobre como reconhecê-los e enfrentá-los: “Um desses blogueiros dizia: o que uma pessoa deve fazer quando conhece um narcisista? Colocar os tênis e sair logo correndo”.

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Livre-arbítrio: ilusão ou realidade?

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Bom, o pensamento de que existe uma força chamada ciência por trás do nosso livre-arbítrio pode parecer um pouco contraditório, talvez até um pouco paradoxal, mas se você acompanhar esse raciocínio comigo, verá que tem algo de verdade aí.

Conforme a ciência vai avançando, ela mergulha cada vez mais fundo em questões que geralmente eram abordadas pela filosofia e/ou religião. O livre-arbítrio é uma dessas questões.

Nós, como seres humanos, gostamos muito da existência dessa força, dessa “ideia de liberdade”. Mas será que nós somos completamente autônomos, como pensamos ser?

Livre-arbítrio é uma escolha ou uma ilusão?

Infelizmente, ainda não podemos responder esse questionamento, porque ainda não há uma resposta absoluta. O que podemos fazer é pensar a respeito. Por exemplo: a natureza da consciência humana, o funcionamento interno do cérebro e as influências externas imensuráveis que todo ser humano recebe, todos estes fatores contribuem para a certeza de que o livre-arbítrio existe, sim. Afinal, eu, você e todo mundo escolhemos, por exemplo, ligar o computador todos os dias. Escolhemos entre chocolate branco ou ao leite. Escolhemos tomar café ou não.

Mas ao mudar ligeiramente a pergunta – podemos estar sempre 100% confiantes de nosso livre arbítrio, ou escolha? -, a resposta vira “quase com certeza não”.

A ciência e a filosofia concordam que o universo é previsível e segue um conjunto determinado de regras. Cada coisa no universo que temos observado até agora segue essas diretrizes específicas, e nada está isento da influência de forças externas. Então, por que nós – os produtos do universo – estaríamos isentos de influências do ambiente?

O livre-arbítrio sugere que nós, como uma entidade, somos capazes de tomar decisões absolutamente livres de qualquer influência externa. Mas certamente forças externas desempenham algum papel na nossa tomada de decisões.

Então, no final, a escolha depende de nós ou não?

 Talvez não

Acho que você pode estar virando os olhos agora, achando que isso é uma piada.

A razão pela qual a intuição nos diz que temos um livre-arbítrio é, provavelmente, porque a sua mente não consegue identificar todos os fatores que afetam sua escolha e, então, o procedimento padrão é concluir que ela veio de você.

Por exemplo: você está em uma confeitaria e lá têm duas opções de doces: bolo de chocolate e bolo de cenoura. Você tem que escolher entre um dos dois, de forma que (vamos supor) não exista a possibilidade de escolher nenhum, nem os dois. A escolha é simples: é um ou o outro. Ainda assim, devemos considerar as influências externas que estão em jogo aqui. Talvez você odeie chocolate, e nunca em sua vida tenha gostado do sabor do chocolate. Este fator é bem fora do seu controle – você não acorda um dia e decide “odeio chocolate”.

O mesmo vale para o bolo de cenoura. E se você escolher o de chocolate em vez de cenoura? Talvez seja porque ele tem uma cobertura mais apetitosa. Ou talvez tenha chovido naquele dia e o cheiro de chuva provoca – por uma razão qualquer – uma memória de chocolate. Talvez você esteja enjoado de bolo de cenoura, porque comeu bolo de cenoura de sobremesa todos os dias daquela semana até sair pelos ouvidos. Ou talvez você escolha o oposto do que você normalmente escolhe apenas para me irritar e contrariar esse artigo. Mas se você não tivesse lido isso, também não sentiria essa necessidade.

Consegue ver onde eu quero chegar?

Muitos, mas muitos fatores mesmo, entram em cena quando temos que tomar uma decisão. Até a mais simples das escolhas conta com fatores que não podemos sequer pensar em questionar, mas são muito reais.

Você diria que uma célula individual tem o livre-arbítrio? E um micróbio, teria? Ou uma árvore? E uma formiga, um cão, ou um chimpanzé – será que eles têm livre-arbítrio? Em que ponto a “complexidade” dessa ideia de liberdade para escolher surge em nós?

Para o biólogo Anthony Cashmor, acreditar que o livre-arbítrio existe é como acreditar em magia. Polêmico, não?

Evidências científicas

Em um estudo de 2008, voluntários foram convidados a escolher entre dois botões, e sua atividade cerebral poderia prever qual seria a escolha até 10 segundos antes dos participantes de fato apertá-los. Muitos veem esse estudo como uma evidência contra o livre-arbítrio, mas o filósofo Alfred Mele vê exatamente o oposto. Então eu pergunto: como podemos chegar a um consenso, se não conseguimos nem interpretar as evidências da mesma maneira?

Pois é, não podemos. Não até que algo mais sólido seja concluído a respeito desse tema.




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Não agrade os ingratos e nem sirva os folgados

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Precisamos parar de tentar agradar aos ingratos, de servir gente folgada, de nutrir amizades duvidosas, para que possamos percorrer somente os encontros verdadeiros.


Passamos muito tempo fazendo a coisa certa para as pessoas erradas, sofrendo as consequências das péssimas escolhas pelo caminho, sofrendo à toa por coisas inúteis e gente sem conteúdo, alimentando vãs esperanças em relação ao que não tem a menor chance de vir a acontecer.

Perdemos muito tempo investindo no vazio, esperando retorno do que não volta, aguardando sorrisos de quem nem nos olha direito. É preciso focar no que é real, pois, mesmo que não haja muito de verdadeiro nesses terrenos, esse pouco bastará.

Precisamos parar de tentar agradar aos ingratos, às pessoas descontentes e incapazes de receber algo de fora. Existem indivíduos que se encontram por demais fechados ao acolhimento do que não se encontra dentro deles, do que não faz parte daquele mundinho em que eles se fecham, presos a crenças e sentimentos que não mudam, não são repensados, não saem do lugar. Tentar alcançá-los é inútil.

É necessário evitar a servidão aos folgados, aos aproveitadores, a quem não sai do lugar por si só, a quem foge a qualquer tipo de responsabilidade, pois sabe que alguém sempre fará por ele.

Temos que ter clareza quanto ao que realmente devemos e poderemos tomar para nós, ou acumularemos cargas de bagagens que não são, nem de longe, relacionadas às nossas vidas. Muita gente precisa de ajuda, sim, mas muitos precisam é de vergonha na cara.

Não podemos nutrir amizades duvidosas, com pessoas que não expressam a menor necessidade de nós, como se tanto nossa presença quanto nossa ausência fossem a mesma coisa, algo sem importância, invisível, dispensável. Isso se chama amor próprio. Não podemos nos fechar para ajudar, mas ajudar demais pode atrapalhar. Principalmente quando nos fere. Precisamos estar bem até para cuidar do outro, mas se o cuidar do outro me machuca, algo está muito errado.

Nem todos de quem gostamos irão gostar de nós, o retorno da estima e da afeição nunca é uma certeza, portanto, há necessidade de que adentremos exclusivamente os encontros verdadeiros.

Não é fácil nem tranquilo conseguirmos acertar quanto ao que poderemos regar com a certeza de retorno e reciprocidade, uma vez que as pessoas, os acontecimentos, a vida, tudo é imprevisível.

Embora muito do que acontecerá em nossas vidas não possa ser controlado, mantermos sob controle nossas decisões, nossas vontades e a certeza de que merecemos ser felizes nos tornará mais fortes diante dos tombos, sem que desistamos de nossos sonhos.
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As primeiras mulheres psicanalistas

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Associação Psicanalítica Internacional, em 1911Photo by: azul, Ferenczi; laranja, Lou Salomé; amarelo, Freud; verde, C. G. Jung; violeta, Emma Jung





No fim do século XIX, por ocasião do surgimento da psicanálise, as mulheres não estavam presentes na história das disciplinas psicopatológicas senão a título de pacientes: mulheres loucas ou histéricas, tratadas na Salpêtrière ou nos diversos hospícios da Europa, depois "escutadas" por Josef Breuer e Sigmund Freud no segredo de um consultório médico, entravam em cena pela doença psíquica.

O feminino era então assimilável a um corpo confinado em coerções e convulsões e esse corpo punha-se a falar, fosse nos gritos da mulher do povo, como na Salpêtrière, em Paris, fosse nas confidências das mulheres da burguesia vienense.

Nesse aspecto, existe uma diferença radical entre a histeria das mulheres do povo e a histeria das mulheres da burguesia. As mulheres loucas ou semiloucas saídas da periferia constituíam um desafio para a elaboração de uma clínica do olhar — a de Charcot —, ao passo que as mulheres vienenses, dissimuladas no segredo do consultório particular, ajudavam na construção de uma clínica da escuta, uma clínica da interioridade e não mais da exterioridade.

Ao contrário das mulheres do povo, essas burguesas tiveram direito a uma vida privada, num sentido íntimo. Existiam porque seu sofrimento permitia aos homens da ciência elaborar uma nova teoria da subjetividade.

Até recentemente, todas essas mulheres, independentemente de sua origem, foram apontadas como "casos" e designadas por prenomes inventados: Augustine, Anna O., Emmy von N. etc. A partir dos anos 60, os trabalhos da historiografia científica permitiram identificá-las, dar-lhes um nome e atribuir-lhes um lugar à parte na história da psicanálise e da psicopatologia. Em outros termos, para que essas mulheres pudessem adquirir finalmente um status na história geral da psicopatologia, foi preciso que se desenvolvesse nesse domínio uma crítica do saber clássico e que se construísse uma "história das mulheres".

As primeiras mulheres psicanalistas foram tanto ex-pacientes, tratadas em geral por graves problemas psíquicos, quanto mulheres marcadas por um destino excepcional: psicose, assassinato, suicídio, violências diversas. Seus sofrimentos e sua vontade de serem reconhecidas exprimiam um protesto e uma revolta contra sua condição no seio da sociedade ocidental do fim do século XIX.

Nesse aspecto, convém comparar a situação dessas mulheres com a dos primeiros homens psicanalistas. Graças ao trabalho da historiadora Elke Mühlleitner, conhecemos com alguma exatidão a composição da primeira sociedade de psicanálise fundada por Freud, em 1902, em Viena.

A esse primeiro grupo de discípulos reunidos em torno dele, Freud deu o nome de Sociedade Psicológica das Quartas-Feiras. Os "homens da quarta-feira", primeiros freudianos da história, reuniam-se nas noites de quarta-feira na casa de Freud.

Verdadeiro banquete platônico imerso no espírito vienense do início do século, essa sociedade foi um laboratório de ideias novas. Durante cinco anos, até 1907, esses homens tiveram a impressão de inventar uma utopia dos tempos modernos, um método capaz de iluminar o lado noturno da alma humana e de compreender a significação profunda da dialética da vida e da morte.

Exploradores das profundezas do inconsciente, esses herdeiros de um romantismo que se tornou científico pretendiam-se representantes de uma nova ciência que, a seus olhos, encarnava o ideal da filosofia iluminista.

Quase todos eram judeus e oriundos de uma diáspora que recusava o comunitarismo e o gueto, em nome dos grandes princípios da Haskalá. Preocupados em interpretar o presente em função dos mitos de um passado atemporal, cultuavam a Grécia antiga e viam nela a fonte original mais fecunda do pensamento ocidental.

Ligados por uma insatisfação comum a respeito da ciência de sua época, pareciam-se com os pacientes dos quais tratavam. Assim como eles, eram frequentemente acometidos por distúrbios psíquicos e, quando expunham seus casos clínicos, referiam-se também à sua vida privada, a seus problemas, a seus desejos. A vontade de compreender seus semelhantes era para eles uma interrogação sobre sua infância, sua sexualidade ou sua genealogia.

Nenhuma mulher estava presente nas fileiras desse cenáculo masculino, que contava com 24 membros. Dezoito deles eram judeus, dezoito eram médicos e dez eram vienenses de cepa. Os demais membros eram provenientes da Europa Central: austríacos, poloneses, tchecos ou húngaros. Sete deles pereceram de morte violenta: quatro foram exterminados pelos nazistas, três se suicidaram.

À exceção de dois homens (Isaac Sadger e Fritz Wittels), os primeiros freudianos foram em geral adeptos da emancipação feminina, favoráveis tanto à generalização da contracepção quanto ao acesso das mulheres à liberdade sexual ou às profissões até então reservadas aos homens.

A imagem de um Freud misógino, tal como veiculada pelos movimentos feministas, é, nesse aspecto, completamente falsa, até mesmo ridícula. No âmbito da Sociedade das Quartas-Feiras, Freud não deixou de combater a tendência anti-feminina de seus dois discípulos misóginos. Da mesma forma, opôs-se às teses de Karl Kraus e de Otto Weininger, que associavam o anti-feminismo ao "ódio de si judeu".

Em 1907, Freud anunciou a dissolução da Sociedade das Quartas-Feiras, que se transformou numa associação, a Wiener Psychoanalytische Vereinigung (WPV), primeira instituição psicanalítica do mundo.

A partir dessa data, a febre do começo e a utopia dissiparam-se em prol de uma razão institucional e de uma organização da profissão de psicanalista. À horda "selvagem" do início, sucedeu então uma associação liberal moderna regida pelas regras de um consenso democrático.

Em 1910, por ocasião da fundação por Freud e Sándor Ferenczi da International Psychoanalytical Association (IPA), a WPV tinha 58 membros, entre os quais uma única mulher, que acabara de se filiar naquele ano.

Na sequência, a progressão do número de mulheres aumentou. Em 1938, dos 149 membros da WPV, 42 eram mulheres, ou seja, um pouco menos de um terço dos membros.

É forçoso constatar que o destino das primeiras mulheres psicanalistas não foi em nada diferente do dos primeiros homens do círculo freudiano. Tinham em geral a mesma origem social e geográfica (burguesia judaica e Leste europeu) e houve entre elas tantas mortes violentas (suicídio ou extermínio) e a mesma proporção de distúrbios psíquicos quanto entre os homens.
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Você dorme mal? Sete perguntas para saber o que se passa

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Há períodos em que custamos a pegar no sono, acordamos no meio da noite ou acordamos cedo demais. Mas quando o problema se torna crônico, os efeitos sobre a saúde das noites em claro se agravam, refletindo-se numa queda da concentração e da qualidade de vida e do trabalho. Paralelamente, há um aumento do risco de depressão, ansiedade e outros tipos de transtornos psicológicos. Mas a partir de que momento a insônia transitória se torna crônica?


A dificuldade para dormir aflige muitas pessoas, tornando o fato de cair no sono algo muitas vezes tortuoso e angustiante. Muitos até conseguem pegar no sono, mas acordam rapidamente, não conseguindo manter o sono por muito tempo.

Juan José Ortega, neurofisiologista clínico, diretor da Unidade de Sono do Hospital Geral de Castellón (Espanha) e vice-presidente da Sociedade Espanhola do Sono (SES), conta quais tipos de insônia existem e suas causas mais comuns. E quando convém consultar um especialista.

O comportamento das pessoas dificulta a preservação de um sono saudável. Comer muito é prejudicial à saúde de modo geral, mas comer excessivamente à noite sobrecarrega o organismo e atrapalha o sono. Ingerir bebidas alcoólicas antes de dormir pode levar a pessoa a roncar mais e, dessa forma, a perder parte do sono profundo.

Quantas horas você dorme? 

O aspecto quantitativo é importante, mas não definitivo. A média de horas de sono na população espanhola é de 7,1 horas por dia, mas cada pessoa tem suas próprias necessidades, que além disso vão mudando conforme a idade. “Tem gente que precisa de oito ou nove horas, e outros que só dormem cinco. Se quem dorme pouco se sentir bem no dia seguinte, então não é insônia”, esclarece Ortega. Outra coisa é se as horas habituais de sono diminuírem repentinamente de forma drástica.

Você acorda cansado? 

O normal é que a inércia do sono, essa fase em que já nos levantamos, mas ainda estamos sonolentos, dure 10 ou 15 minutos, o que se demora para entrar no banho. Quem acorda se sentindo quase tão cansado quanto foi dormir tem razões para suspeitar de que sofre de insônia ou de algum transtorno do sono, mesmo se tiver dormido nove horas.

Você tem certeza de que dormiu mal? 

Existe também o que os especialistas em medicina do sono chamam de insônia paradoxal, que na verdade é uma má percepção do paciente. “Há pessoas que na verdade dormem bem e funcionam perfeitamente durante o dia, mas acordam algumas vezes durante a noite e acreditam que dormem mal”, explica o neurofisiologista.

Transformar o quarto de dormir num local de estimulação dos sentidos é igualmente prejudicial, já que contribui para a intensa atividade cerebral. Estamos falando aqui de assistir televisão, usar computador, telefone celular ou tablet em horários em que já deveríamos começar a nos preparar para dormir – e no local que deveria ser propício ao sono. Deixar o quarto de dormir sujo ou desorganizado como se fosse um depósito de coisas (úteis ou inúteis) também dificulta a entrada no estado de sonolência. Precisamos, dessa forma, adotar uma atitude positiva e respeitosa em relação ao sono, a fim de obtermos o revigoramento necessário para uma vida saudável.

Há alguma causa médica que o impede de dormir? 

Você pode ter uma insônia secundária quando a falta de descanso é sintoma ou efeito secundário de algum outro problema — desde uma dor no joelho até uma infecção, passando por transtornos psicológicos como a ansiedade e a depressão.

Você acorda frequentemente durante a noite? 

As causas podem ser várias, mas você pode estar sofrendo, como 4% a 6 % da população, de um dos transtornos do sono mais comuns: a apneia, pausas repetitivas na respiração que chegam a se repetir entre 40 e 60 vezes durante uma noite. “O cérebro não descansa bem, e ocorre um sono fragmentado, que causa cansaço e sonolência. Além disso, é uma tempestade do ponto de vista cardiocirculatório, porque os vasos se fecham, causando uma redução da pressão arterial e da oxigenação.” Além do cansaço, outras pistas para identificar esse problema são despertar com dor de cabeça, com a boca seca e com dificuldade para engolir.

Há algo que lhe preocupa? “Todo mundo já sofreu uma insônia aguda alguma vez”, afirma Ortega. Quando a impossibilidade de pegar no sono está ligada à incapacidade de relaxar, trata-se de uma insônia psicofisiológica. “Costuma ter um desencadeante pontual, de caráter emocional”, explica o especialista. Quando não dormir vira uma inquietação, a profecia se cumpre por si só — a pessoa de fato não dorme, correndo o risco de cair num círculo vicioso, pois no dia seguinte a pessoa estará cansada e preocupada em passar mais uma noite em claro. Dormir mal de vez em quando não é muito preocupante, embora nosso cansaço aumente e a atenção decaia. O cérebro costuma cobrar o déficit de sono quando pode, afirma Ortega.

Quantas vezes isso acontece? Se as noites ruins, quaisquer que sejam motivo, ocorrem mais de três vezes por semana durante vários meses, o paciente sofre de insônia crônica. Nesses casos, é preciso consultar um médico para “dar nome” ao problema, como diz Ortega, e poder tratá-lo. Nas unidades do sono como a que ele coordena existem especialistas de várias disciplinas — pneumologistas, cirurgiões maxilofaciais, psiquiatras, psicólogos, neurologistas etc. —, capazes de abordar o problema segundo suas causas.

Os transtornos emocionais são causas mais graves. Problemas como depressão, ansiedade ou transtorno do estresse pós-traumático demandam cuidados específicos. Há também os transtornos neurológicos que dificultam o processo de dormir, como a Doença de Parkinson e a Doença de Alzheimer. Essas condições demandam tratamentos específicos.
Dentre as condições clínicas tidas como mais comuns nos casos de insônias, destacam-se: AVC, asma, dificuldade de respiração, menopausa, hiperatividade cerebral e até transtornos gastrointestinais, como a azia.

Situações do dia-a-dia e fatores externos também podem afetar a qualidade do sono e trazer dificuldades para a pessoa dormir. Medicamentos, estresse, atividades realizadas no cotidiano, barulhos e sons e certos hábitos alimentares podem contribuir negativamente na hora de dormir.


COMO SAIR DA INSÔNIA

A primeira coisa para tentar superar a insônia é ter uma boa higiene do sono. Algumas medidas básicas são não comer demais no jantar, não fazer exercícios físicos no finalzinho da tarde, não consumir álcool ou outras substâncias, tomar uma ducha à noite e criar um ambiente relaxado, propício para dormir.
Com a terapia cognitivo-comportamental, recomendada para a insônia psicofisiológica, “ajuda-se o paciente a compreender que não se pode antecipar o medo de ir dormir, e são ensinadas técnicas de relaxamento para controlar e evitar pensamentos intrusivos”, explica Ortega. Segundo a Sociedade Espanhola de Neurologia, isso pode resolver 70% dos casos.
Só em casos muito agudos os especialistas podem recomendar medicamentos hipnóticos. Mas, segundo Ortega, seu uso nunca deve superar três ou quatro semanas, porque eles produzem dependência e tolerância, além de não proporcionarem um sono de qualidade.
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A liberdade de ser você mesmo

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Já percebeu como é comum ficarmos nos remoendo ou ouvirmos pessoas  a remoer questões como “Quem sou eu realmente?” ou “Como posso conseguir ser eu mesmo?” Há uma tendência a se martirizar, a funcionar sob crenças que nos bloqueiam e causam estresse ante a mudança e a incerteza. As pessoas muitas vezes se guiam pelo que acreditam que deveriam ser, e não pelo que realmente são. Vivem condicionadas demais pelos julgamentos dos outros e tentam pensar, sentir e se comportar da maneira que o outro pensa que devem fazer. É como se quiséssemos ser quem não somos.

O Ocidente criou uma sociedade competitiva em que aspiramos ao o sucesso e à excelência, e não se aceita bem o fracasso. Desde a infância aprendemos jogos de competição e somos considerados por outros como hábeis ou desajeitados, bons ou ruins. Na escola somos julgados por professores e colegas. Sentimos a pressão de termos que ser o número um na nossa turma, no esporte, em suma, no nosso âmbito. Em vez de desfrutar de cada etapa, nos concentramos em tentar vencer para alcançar o primeiro lugar em tudo, e isso vai moldando a identidade de cada um.

Para enfrentar a vida é preciso abandonar as barreiras defensivas

O papel dos pais também é básico: frases como "isso é bom", "não seja mau" ou "isso não se faz" são típicas no vocabulário dos progenitores. Mas o excesso desse tipo de indicações pode prejudicar o caráter da criança. Crescemos dando importância à opinião dos outros e a seus olhares, uma vez que determinam o nosso valor na comunidade. Uma vez na universidade e no mercado de trabalho, o número de maneiras em que podemos fracassar aumenta substancialmente. 

Cada encontro com alguém pode nos lembrar de algo em que sejamos inadequados. Do estilo de roupa ao corte de cabelo. Alguém irá dizer-lhe para relaxar e aproveitar, outro reclamará que você não trabalha o suficiente e está desperdiçando seu talento; alguém vai recomendar que se concentre na leitura ou que se dedique mais aos estudos. Por outro lado, a imagem que os meios de comunicação projetam também pode gerar frustrações pessoais. Sua pressão está normal? Tem viajado o bastante? Cuida da sua família? Está em dia com a política? Seu peso é adequado? Faz esporte o suficiente? Viu o último filme de maior bilheteria? Esse tipo de perguntas faz a pessoa sentir que não está à altura das circunstâncias.

O filósofo existencialista Sören Kierkegaard (1813-1855) observou que a forma mais profunda de desespero é o de quem decidiu ser alguém diferente. O psicoterapeuta norte-americano Carl R. Rogers disse a respeito: "No extremo oposto ao desespero está desejar ser quem realmente se é; nessa escolha se encontra a mais profunda responsabilidade do ser humano".

Quando o indivíduo decide mostrar sua verdadeira personalidade deve ter consciência de qual visão tem dele mesmo. Quando conseguimos ter essa imagem realista não nos afogamos com metas inatingíveis nem nos menosprezamos com propósitos que nos diminuem. Para isso devemos considerar metas apropriadas ao nosso caráter. Um exemplo: quem quer perder peso mas não se vê mais magro. Por mais esforço que faça não será duradouro e voltará a engordar, porque ainda não se vê mais magro. Se quer perder peso realmente você tem que mudar a imagem que tem de si mesmo e modificar certos hábitos mentais e comportamentais.

Para ser você mesmo é necessário se conhecer e ter a consciência de até que ponto a imagem que você tem de si mesmo coincide com o seu eu verdadeiro e autêntico. Trata-se de deixar de se ver como uma pessoa inaceitável, indigna de respeito, inútil, pouco competente, sem criatividade, obrigada a viver segundo regras estranhas a você. Devemos aceitar as imperfeições. Quando conseguir se ver como alguém com falhas que nem sempre age como gostaria, aproveitará mais e se cuidará melhor.


Quando a pessoa consegue se conectar novamente a si mesma torna-se mais criativa e as perguntas mudam: “Como experimento isso? “O que isso significa para mim?” “Se eu me comportar de uma certa maneira, como posso começar a perceber o significado que terá para mim?” Ou seja, finalmente deixou de pensar sobre o que ou outros estavam esperando e começa a considerar o que você realmente quer. Isso requer abandonar as barreiras defensivas que enfrentou ao longo de sua vida e experimentar o que está escondido dentro de você. Então poderá começar a se tornar uma pessoa mais aberta, desenvolverá uma maior autoconfiança, aceitará as diretrizes de avaliação interna, aprenderá a viver participando do processo dinâmico e fluente que é a vida.

Ser você mesmo e viver sem máscaras implica sinceridade e autenticidade. Para o jesuíta Francisco Jálics, ser autêntico é mais valioso do que ser sincero: a pessoa sincera diz o que pensa; a autêntica, porém, o que efetivamente sente.

Para ser você mesmo é preciso ser soberano da própria personalidade, ou seja, totalmente autônomo e plenamente próprio. Para isso, além de remover as máscaras, você deve se livrar de maus hábitos e de opiniões falsas. Deve desaprender. Os filósofos da Antiguidade aconselhavam incorporar as seguintes práticas para alcançar essa independência mental: acender a luz da razão e explorar todos os cantos da alma, filosofar, ter tempo para cuidar de si mesmo, prestar atenção a cada uma das nossas necessidades, evitar as falhas ou os riscos, estabelecer relações consigo mesmo, adquirir a coragem que lhe permitirá lutar contra as adversidades, cuidar-se de forma a se curar e transformar esses exercícios mentais em uma forma de vida. Como dizia o filósofo grego Epicuro, nunca é cedo demais nem tarde demais para cuidar da própria alma.
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Como enfrentar a adversidade?

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As situações extremas da vida nos mostram, como se fosse através de uma lente de aumento, o comportamento de nosso cérebro diante de cenários nos quais está em jogo nossa sobrevivência física e nossa integridade psicológica. O que acontece em nosso cérebro diante de um perigo no presente, uma lembrança negativa e o temor de que aconteça alguma coisa ruim no futuro?

Desde o momento em que somos expostos a uma situação extrema é ativado um sistema muito básico, rápido e firme modelado durante centenas de milhares de anos para enfrentar o que está acontecendo. Esse primeiro passo de defesa de nosso sistema biológico é a chamada "resposta de estresse". 

Quando o cérebro detecta uma ameaça, é ativada uma resposta fisiológica coordenada que envolve componentes autônomos, neuroendócrinos, metabólicos e do sistema imunológico. O organismo precisa de maior fluxo de oxigênio para seus músculos, especialmente os do sistema de locomoção (para fugir se for necessário). Assim, a respiração fica acelerada para fornecer mais oxigênio, e a frequência cardíaca para entregar rapidamente esse oxigênio através da corrente sanguínea aos músculos principais. Os vasos sanguíneos na pele se contraem para que o sangramento seja o menor possível no caso de uma ferida.

Para proporcionar o combustível suficiente para o esforço, nossas glândulas transformam os carboidratos armazenados nas células em açúcar circulante no sangue. Melhora também a resposta imune; os glóbulos brancos que combatem as infecções se aderem às paredes dos vasos sanguíneos, preparados para zarpar rapidamente a qualquer parte do corpo que possa se machucar.

O sistema cognitivo humano, por sua vez, oferece uma variante ainda mais sofisticada: a capacidade de prever e antecipar as ameaças do futuro, e até mesmo imaginar eventualidades que nunca ocorreram, e que provavelmente nunca acontecerão. Essa notável capacidade da nossa espécie é fruto da experiência acumulada e da capacidade de realizar hipóteses e inferir. 

O desenvolvimento do cérebro humano, e em particular de suas áreas pré-frontais, expandiu, entre outras, nossas capacidades para revisar o passado e examinar o futuro. Esse aumento da complexidade cognitiva da resposta de estresse levou o psicólogo norte-americano Richard Lazarus a postular a existência de "mecanismo de avaliação" envolvidos no processo de resposta frente ao perigo porque nem sempre é simples determinar quando estamos diante de uma situação que requer ações de proteção.

O primeiro passo desse processo é a "avaliação primária", isso é, o estabelecimento do valor de um estímulo como perigoso ou inofensivo. As pesquisas em neurociência permitiram estabelecer as funções de diferentes estruturas cerebrais na detecção e avaliação do perigo, em particular, a atividade crucial das "amídalas cerebelosas", que seriam responsáveis por detectar, gerar e manter emoções relacionadas com o medo e responderiam à importância dos estímulos emocionais. A "avaliação secundária", por sua parte, busca estabelecer a disponibilidade de recursos do organismo para enfrentar a ameaça.

No entanto, quando a ameaça é dissipada, entram em funcionamento outros mecanismos para voltar à situação inicial de repouso: a desativação da resposta de estresse. Se, pelo contrário, a resposta de estresse permanece continuamente acesa, ocorre o chamado "estresse crônico". Nessa circunstância, os componentes da resposta que seriam uma vantagem adaptativa e uma reação de defesa e autoproteção do organismo, deixam de sê-lo e voltam-se contra nós.

No nível cognitivo, a resposta aguda desse estresse favorece o aumento do nível de alerta e a formação de memórias, ainda que a longo prazo a produção elevada de cortisol provoca deterioração cognitiva. A resposta imune também é negativamente afetada frente ao estresse crônico deixando o organismo mais exposto aos diversos patógenos.

Podemos especular que existem fatores ambientais, fatores individuais – biológicos e psicológicos – e também fatores socioculturais que podem fazer com que a resposta de estresse não ceda e se realimente continuamente ou, pior ainda, em forma de espiral. Entre os fatores externos socioculturais está o estilo de vida moderno e urbano. Por exemplo, hoje podemos acessar instantaneamente a informação sobre o que acontece em qualquer parte do mundo. Esse fato tecnológico que dá evidentes vantagens em certo terrenos, pode se tornar uma desvantagem em relação à propagação de temores e circulação de más notícias.

Por sua parte, no que se refere aos fatores biológicos e psicológicos, é preciso revisar a conexão existente entre o estresse e os transtornos de ansiedade, de um lado, e a depressão, do outro. Para entender a ansiedade, podemos compará-la com um radar, ou seja, um dispositivo que rastreia nosso ambiente em estado de alerta e nos avisa quando uma ameaça se aproxima. Mas a ansiedade é muito mais do que um radar: é também um diário de bordo onde registramos as experiências perigosas vividas, e um mapa que nos guia, como um GPS, a territórios seguros. Quando a ansiedade excede os níveis normais, entretanto, pode gerar "falsos alarmes" que ativam a resposta de estresse e provocam estados de preocupação intensos e sintomas físicos diversos.

A depressão, por sua parte, pode ser entendida em certos casos como uma reação biológica e psicológica na qual nosso organismo se rende ante a adversidade, reduz suas tentativas de solução, por considerá-las inúteis, e se entrega ao desânimo. Na depressão, assim como na ansiedade, nosso pensamento se torna propenso aos "vieses cognitivos", isso é, selecionamos e priorizamos certos dados em detrimento de outros. No caso da depressão, a informação negativa, e no caso da ansiedade, a informação relacionada com o perigo. Depois, certos raciocínios distorcidos generalizam e amplificam o peso dessa informação e provocam uma espiral de realimentação das emoções negativas.

Por sorte, nosso cérebro conta com diversas ferramentas que podem nos proteger dessas complicações. A "resiliência" é o conjunto de fatores e mecanismos que nos permite superar por adaptação as situações de adversidade. Nesse sentido, dois mecanismos altamente eficientes para atenuar de forma progressiva a resposta de estresse são a "habituação" e a "extinção". O primeiro é a propriedade geral de nossas células nervosas que consiste na acomodação ao entorno e um princípio de economia, para evitar respostas ociosas. 

São inumeráveis os exemplos, desde o momento em que entramos em uma piscina fria e pouco a pouco vamos nos acostumando, até o momento em que nos expomos repetidamente a um estímulo que nos assusta e nos deixa tensos, ajudando para que a resposta inicial diminua até se tornar tolerável. Esse é o princípio dos tratamentos por exposição, altamente eficazes na ansiedade.

O processo de "extinção" ocorre quando ficamos expostos a um estímulo temido e comprovamos repetidamente que as consequências negativas que esperávamos não acontecem tal como esperávamos, e a resposta de estresse é atenuada. Outro dos processos de regulação das emoções, de natureza cognitiva, é a "reavaliação", que consiste em modificar o significado funcional atribuído à situação que provoca o estresse. É "mudar a maneira como sentimos a mudar a maneira como pensamos".

É essencial refletir também sobre o papel fundamental do outro (o próximo, o ser amado, a comunidade), frente ao desassossego. Quando acolhe, quando contém, quando acompanha

Algumas pessoas que experimentaram traumas súbitos, sofreram situações de abandono ou maltrato emocional contínuo no começo de suas vidas podem chegar a sofrer prolongadamente por tais experiências. Transtornos psiquiátricos como o transtorno de estresse pós-traumático estão relacionados com essas experiências e com a maneira como nossa memória abriga as recordações emocionais. 

O trabalho de neurocientistas como Joseph LeDoux é relevante para entender as afeições emocionais e seu tratamento porque explica a consolidação das memórias. No começo, quando experimentamos algo, a lembrança é instável até se estabilizar pela síntese de proteínas no cérebro. Uma vez armazenada a lembrança, a exposição a um estímulo que nos lembra aquele evento irá reativá-la e torná-la instável por um curto período de tempo, para tornar a guardá-la depois e fixá-la novamente em um processo chamado reconsolidação da memória.

No entanto, a cada vez que recuperamos a memória de um fato, ao se tornar novamente instável permite a incorporação de nova informação. Esse momento é uma janela para mudar as reações emocionais que acompanham uma lembrança. Um paciente que sofre um transtorno de estresse pós-traumático evoca com a ajuda de um terapeuta especialista e em um contexto seguro, as recordações da situação vivida, para atenuar progressivamente as reações emocionais intensas que acompanham a lembrança.

Por último, é fundamental refletir também sobre o papel fundamental do outro (o próximo, o ser amado, a comunidade) frente ao desassossego. Quando acolhe, quando contém, quando acompanha. Como no diálogo entre os dois em O Beijo da Mulher Aranha, a famosa obra do autor argentino Manuel Puig: "... e enquanto estiver ao meu alcance, pelo menos nesse dia, ... não deixarei que você pense em coisas tristes".
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Esquecer um ex: tão difícil quanto largar um vício

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Como em um filme sobre mutantes, o exército de delicadas borboletas que parece dar voltas dentro de nós quando nos apaixonamos se transforma em um bando feroz, que ataca com toda a força no momento em que o relacionamento acaba. Você não consegue mais dormir, perde o apetite, dores se espalham pelo seu corpo e, apesar de todos os esforços em contrário, você não pensa em outra coisa. Está com o coração partido.

A explicação para isso é tão simples quanto dolorosa: o amor é como uma droga, e você está vivendo uma crise de abstinência, pois lhe negam a sua dose diária.

“A paixão, principalmente na fase inicial, gera comportamentos que lembram muito a conduta que observamos nas pessoas viciadas em drogas”, afirma Emilio Ambrósio, professor de psicobiologia da Universidade Nacional de Educação à Distância (UNED). Trata-se de uma dependência poderosa, com reflexos no cérebro.
Quando estamos apaixonados, nosso organismo produz substâncias como a dopamina (o hormônio do prazer) e a oxitocina (o hormônio do apego). As duas atuam em áreas do cérebro relacionadas com o prazer (o chamado sistema neuronal de reforço). De acordo com um estudo publicado pela revista PLOS ONE, o efeito do amor se assemelha ao de alguns analgésicos, pois ativa áreas de cérebro que diminuem a dor.

Com o rompimento afetivo, esses hormônios deixam de ser produzidos, e o cérebro reage gerando um estado de tristeza, bem como sintomas de abstinência (ansiedade, obsessão e até mesmo dor física) que são os mesmos que afetam os dependentes de drogas.

“A pessoa que continua gostando da outra experimenta, nesse período de carência afetiva, de tristeza e de saudade da pessoa amada, algo semelhante ao que vivem os dependentes de drogas, que é um déficit no funcionamento da comunicação neuronal”, explica Ambrosio.

O cérebro sofre

Tais efeitos foram demonstrados por um outro estudo, realizado com 10 mulheres e cinco homens na região de Nova York (EUA), que passaram por uma ressonância magnética a fim de se observar quais regiões do cérebro se ativavam quando eles eram colocados diante de imagens da pessoa de quem tinham acabado de se separar.

“A desafeição ativa áreas relacionadas com a dor física, a dependência de drogas e a recompensa”, afirma Lucy Brown, neurologista do Einstein College of Medicine (EUA) e integrante da equipe que realizou esse estudo.

A média de idade dos participantes da pesquisa é 20 anos, e a duração dos relacionamentos que eles tinham recém terminado gira em torno de 21 meses. Ao responderem aos questionários iniciais, todos eles expressavam um nível elevado de obsessão, admitindo passar mais de 85% de seu dia pensando em seus ex-companheiros.

Além disso, afirmavam querer que essas pessoas voltassem para eles e manifestavam uma clara falta de controle emocional, com telefonemas em momentos inadequados, e-mails, apelos pela reconciliação, choros desconsolados e o recurso a bebidas alcoólicas.

As imagens do cérebro forneceram uma explicação plausível para esses comportamentos irracionais. “A ativação de áreas relacionadas com a dependência de cocaína poderia explicar os comportamentos obsessivos associados aos rompimentos afetivos”, assinalam os autores do estudo, publicado pela revista Journal of Neurophysiology.

Sem distinção de sexo

Embora a pesquisa não tenha conseguido captar se o processo se dá de forma diferente entre homens e mulheres, os especialistas acreditam que o cérebro, nos dois casos, sofre de modo semelhante. “Não temos certeza, mas o mais provável é que seja isso”, sugere Brown.

Ambrosio concorda com essa opinião, mesmo observando que há especificidades não compartilhadas entre a psicologia feminina e a masculina. “O sistema neuronal de reforço é igual entre homens e mulheres. Apaixonam-se e sofrem os golpes da desafeição da mesma maneira, embora sintam essas situações de uma forma ligeiramente distinta”, destaca.

A pergunta que não quer calar, para quem está sofrendo: quanto tempo a dor leva para passar? “O funcionamento deficitário volta à normalidade depois de algum tempo, que varia conforme a pessoa que esteja sofrendo a desafeição”, afirma o psicólogo. Segundo as pesquisas existentes, esse período varia de três meses (Journal of Positive Psychology) a 18 meses (site de encontros Fifties.com).

Segundo o pesquisador, se as dores não desaparecem, a razão está provavelmente mais nos fatores emocionais do que nos biológicos. Seja como for, lembre-se que o cérebro tem uma capacidade assustadora de adaptação e que, felizmente, não há mal que dure para sempre. E, se você conseguiu parar de fumar, isso é café pequeno.

“CONTINUAMOS AMIGOS?” É MELHOR NÃO

A neurologista Lucy Brown e a antropóloga Helen Fisher trazem uma série de conselhos para encarar os rompimentos, que nem o coração nem o cérebro parecem dispostos a aceitar.

- Desfaça-se dos e-mails, cartas e mensagens da pessoa e guarde todas as lembranças em uma caixa no fundo do armário (o ideal seria jogar tudo fora)

- Nada de telefonemas ou cartas. Evite qualquer tipo de contato. Enquanto não esquecer a pessoa, você não conseguirá ser seu amigo.

-Pense em algum aforismo, alguma frase curta e otimista para se lembrar quando a pessoa lhe vier à cabeça. Assim, poderá se desviar de sua imagem. Pensar em um novo alguém que pode ajudar, mas, se mesmo assim você volta a se lembrar do ex-companheiro, não se apegue somente ao lado positivo. Lembre que também houve momentos ruins com ele.

- Mantenha-se sempre ocupado. Sair e se manter ativo é fundamental para o cérebro.

- Faça novas experiências. A novidade estimula a liberação de dopamina, o que o fará se sentir mais otimista.

- Faça exercícios. A atividade aeróbica também libera dopamina e serotonina, que o ajudarão a se acalmar.

-O tempo está do seu lado. Imagens de ressonância magnética demonstram que a região do cérebro associada aos sentimentos de apego mostra uma atividade menor quanto mais tempo se passa do momento da ruptura. Com o tempo, o apego se esvai.

- Sorria e não se entregue. Se o tempo passar e você continuar nessa espécie de luto, pode ser que precise da ajuda de um psicólogo, mas não jogue a toalha. Um dia você se dará conta de que já não está mais pensando naquela pessoa e se sentirá livre.
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Kintsugi: a beleza das cicatrizes da vida

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Em uma época dominada por consumismo e obsolescência programada, o mais provável é que, se um dia você levantar com o pé esquerdo, tropeçar e deixar cair a xícara do café, simplesmente se resignará a juntar os pedaços e a jogá-los no lixo, certo? Porém, isso é algo impensável no Japão. Há cinco séculos, surgiu no Extremo Oriente o kintsugi, uma apreciada técnica artesanal com o objetivo de reparar uma tigela de cerâmica quebrada. 

Diz-se que tudo começou com o shogun Ashikaga Yoshimasa que enviou para a China, para que lá fosse consertada, uma peça de cerâmica que havia se quebrado. Mas, quando a peça retornou o reparo era tão feio que ele pediu que artesãos japoneses refizessem tal restauração.  Encaixando e unindo os fragmentos com um verniz polvilhado com ouro, eles restauraram então a forma da cerâmica, e ao invés de dissimular as linhas das fissuras eles as valorizam com polvilhando o ouro, dquirindo uma nova vida.  Assim, essas peças tornaram-se  únicas e, portanto, ganham beleza e intensidade. 

Na cultura japonesa, as peças que recebem esta reparação comumente são mais valorizadas que as que estão intactas.   

Dessa forma Kintsugi se tornou um estilo de arte japonesa, onde  peças de cerâmica quebradas são “consertadas” mas com todas as suas rachaduras aparentes e destacadas. Kintsugi também se transformou em uma filosofia de vida: aceitar a imperfeição e enxergar rachaduras e cicatrizes como algo belo. Um prato de cerâmica pode ser feito idêntico infinitas vezes, mas não existem dois pratos que se quebram da mesma forma.  Assim, cada objeto torna-se único por meio de suas falhas. 

Então, se é válido pra tanta coisa, de pratos de cerâmica a selos postais, talvez seja interessante pensar em nós mesmos sob a ótica Kintsugi. Pra que buscar a perfeição e limar cara um de nossos detalhes imperfeitos, aparar cada aresta, remover cada cicatriz? Aliás, cicatrizes são história. As menores, alguma arte a infância. As maiores, uma prova de que se é um sobrevivente. Diante de erros e adversidades, é preciso saber se recuperar e superar as cicatrizes.

Ao contrário de nós que queremos sempre que as coisas voltem a ser como novas, eles querem mostrar que parte do nosso legado é aquilo que tentamos esconder com mais determinação: as nossas falhas e defeitos.

O ‘kintsugi’ evoca o desgaste que o tempo provoca sobre as coisas físicas, dando valor às  imperfeições


A filosofia vinculada ao kintsugi pode se aplicar à nossa vida atual, repleta de ânsias de perfeição. Ao longo do tempo, conhecemos fracassos, desenganos e perdas. Mas pretendemos esconder nossa natureza frágil, que nos faz mais humanos e autênticos, sob a máscara da infalibilidade e do sucesso. Ocultamos os defeitos, embora tenhamos falhas desde que nascemos.

Somos vulneráveis não apenas do ponto de vista físico, mas também psíquico. Quando as adversidades nos superam, nos sentimos quebrados. Às vezes, é o acaso que nos leva ao ponto de ruptura; em outras, somos nós mesmos, com nossas elevadas expectativas não realizadas e a avidez do novo, que complicamos a nossa vida. O filósofo catalão Josep Maria Esquirol afirma que “a memória e a imaginação são as melhores armas do resistente”. Como animais dotados de criatividade, temos uma poderosa ferramenta na capacidade de conceber alternativas à realidade. 

Quando sopram ventos ruins, contudo, o que mais nos ajuda a resistir à investida? Segundo a escritora norte-americana Joan Didion, a resposta é o verdadeiro amor próprio. As pessoas com essa qualidade “são duras, têm uma espécie de valentia moral; exibem essa faceta que antes se chamava personalidade”. E alcançar uma vida plena também envolve a capacidade de se livrar das expectativas alheias e deixar para trás a compulsão de agradar.

Não há recomposição nem ressurgimento sem paciência. No kintsugi, o processo de secagem é um fator determinante. A resina demora semanas, ou até meses, para endurecer. É o que garante a coesão e a durabilidade. Entre os cultivadores da paciência, Kafka ocupa um lugar de destaque. Para ele, a capacidade de saber sofrer e tolerar infortúnios era a chave para enfrentar qualquer situação. Um dia, enquanto passeava com um amigo, Kafka lhe deu um conselho: “É preciso deixar-se levar por tudo, entregar-se a tudo, mas conservando a calma e tendo paciência. Só há uma forma de superação, que começa superando-se a si mesmo”. A receita para viver do autor de O Processo é simples, mas nem por isso menos difícil: “Temos que absorver tudo pacientemente em nosso interior, e crescer.”

Saber valorizar o que se rompe em nós traz uma serenidade objetiva. Gostemos de nós como somos: quebrados e novos, únicos, insubstituíveis, em permanente mudança. Falar que ninguém é perfeito é um elogio: cada um de nós tem aí uma chance incrível de ser único.
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Síndrome da genitora tóxica: por que minha mãe não gosta de mim?

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É um tabu em nossa sociedade aceitar que haja mães que não gostem de suas filhas, mas isso é mais real e frequente do que gostaríamos de admitir. Como tudo aquilo que é difícil de aceitar e digerir, tendemos a negá-lo. Mas existem, vemos suas vítimas no consultório, lutando para preencher um buraco negro de infelicidade que arrastam desde a infância e que na maioria dos casos nem vem à consciência, porque dói falar dele.

A mãe tóxica é uma mulher que atingiu a maternidade por caminhos pouco desejados, por convenções, porque assim estava programado seu roteiro de vida, porque era isso que se esperava delas. Renegar a maternidade ou simplesmente exercer o direito de não fazer parte dela não era, e não é, algo aprovado pela sociedade. Aquelas mulheres que decidiram livre e abertamente não ser mães foram vistas com receio e suspeita pela maioria à sua volta. Sempre. Mesmo agora. Falamos de uma minoria valente e coerente que decidiu sozinha qual era sua vontade e seu caminho. Muitas outras, no entanto, aceitaram gestar, parir e criar como algo inevitável. Não é tão difícil entender que algumas daquelas filhas não apenas não tenham sido amadas incondicionalmente, como percebidas como um inconveniente, um obstáculo, uma rival e até uma projeção daquilo que elas queriam ser.


"Não é fácil encontrar a felicidade em nós mesmos, e não é possível encontrá-la em nenhum outro lugar" (Agnes Repplier) 

Na maioria são mulheres muito narcisistas ou infantilizadas, que nunca assumiram o papel de mãe e que continuam filtrando o mundo a partir de sua necessidade e seu desejo. Outras são mulheres amarguradas, cuja vida não se parece em nada com o que esperavam, profundamente infelizes, que usam suas filhas como bode expiatório, projetando nelas o foco de sua insatisfação. Há diferentes formas de mães tóxicas, mas todas incluem a culpa, a manipulação, a crítica cruel, a humilhação, a falta de empatia, o egocentrismo puro. São mães que fazem saber a suas filhas que não estão à altura do que se espera delas, invejam seus êxitos, desconfiam de sua necessidade de independência, rivalizam com elas num patológico palco vital no qual a vítima nem sabe que o é.

A mãe que não ama despeja sua toxicidade de diferentes formas. Há mães que invejam suas filhas e tentam anulá-las, mães que superprotegem e absorvem excessivamente, na tentativa de evitar o sentimento de culpa por não ter querido ter esse filho, mães voltadas unicamente à “fachada”, que exigem que suas filhas se encaixem num molde que elas mesmas criaram para se exibir, mães que usam a doença e a vitimização como principal estratégia de manipulação, mães dependentes que invertem os papéis e fazem que sejam suas filhas que se encarreguem de seu bem-estar físico e emocional e mães que, infelizmente, encaixariam-se em vários desses roteiros de filme de terror.

A maioria das meninas criadas por esse tipo de mulher não é capaz de entender que toda sua insegurança, falta de autoestima, necessidade de aprovação, autoexigência brutal, dificuldade para a intimidade emocional e vazio profundo derivam da falta de amor primário. Para uma pessoa, aceitar que sua própria mãe não a quis e não gosta dela é um dos processos psicológicos e emocionais mais difíceis de superar e tem consequências devastadoras em todos os aspectos da vida. A essa desproteção crônica é preciso acrescentar a incompreensão dos outros, uma sociedade disposta a olhar para o outro lado diante de uma realidade tão antinatural. As mulheres criadas por essas mães tóxicas chegam a duvidar até de sua própria saúde mental porque aos anos de maus-tratos emocionais, de tortura psicológica, é preciso somar o silêncio e a falta de apoio. Sabemos hoje, graças a numerosos estudos, que a falta de amor parental cria estruturas psíquicas desorganizadas que afetam muitas áreas da personalidade. A rejeição e a falta de amor materno produzem um estado crônico de avidez afetiva e um medo patológico do abandono.

Durante sua infância tratará por todos os meios de ganhar a atenção e a aprovação de sua mãe, o que resultará numa adulta que tentará por todos os meios ganhar a atenção e a aprovação do mundo. Não se sentirá digna de ser querida, terá aprendido que seu valor está no que faz e não no que é, a fragilidade e a insegurança serão companheiras de viagem e, com frequência, passará esse perverso legado a seus filhos, tornando assim crônico o círculo da infelicidade e da dependência.

Há muitos exemplos conhecidos de pessoas que, mesmo tendo alcançado sucesso social, laboral, econômico, expondo para o mundo uma fachada impecável de êxito na vida, são mortos-vivos, empregando toda sua energia em preencher esse vazio afetivo que há dentro delas; em nosso dia a dia somos rodeados de pessoas que tentam em vão preencher esse vazio (que chamamos de existencial, embora seja na verdade afetivo) pelos caminhos mais distintos, mas naufragando no pessoal com profundos sentimentos de vazio e solidão, que produzem a incapacidade de amar e ser amadas.

Obviamente há saída. É imprescindível dizer a essas mulheres que pode ser curada a menina prejudicada que há dentro delas e que parece dirigir sua vida. Como psicóloga que acompanha muitas dessas mulheres, não acredito no determinismo e defendo a capacidade resiliente que habita cada ser humano. Temos o dom da liberdade e a capacidade intrínseca de tomar o controle de nossa própria vida. Para isso é necessário tomar consciência de e dar nome àquilo que nos afetou, por mais difícil e brutal que isso seja. E é imprescindível fazer um luto: despedirmo-nos definitivamente da mãe que não tivemos, que já não teremos, e não continuar buscando, com braçadas de quem se afoga, maneiras infrutíferas de compensar esse oco escuro. Assumir sem culpa nenhuma que mãe não se escolhe e que viemos ao mundo programados para amar quem nos coube ser nossa mãe. Tomar a decisão interna de criar distância emocional e física da mulher que não soube nos querer e, acima de tudo, fazer da tentativa de não transmitir a ferida para nossas filhas um objetivo vital, uma cruzada.
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Como ajudar alguém com problemas psicológicos a buscar ajuda?

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Costumo sempre dizer que é muito diferente uma pessoa precisar de auxilio psicológico, e essa pessoa buscar por este auxilio. Precisar e buscar são etapas terapêuticas necessárias e muito particulares. Acontece com todos os casos, inclusive com aquela pessoa que deseja e acredita nesta ajuda psicológica para si mesmo. Então, mesmo a pessoa querendo uma ajuda, não significa que ela irá até essa ajuda ou mesmo que irá tão brevemente. E esta reflexão sobre quando, onde, com quem e porque buscar ajuda já é considerada parte do processo terapêutico. Os receios, as necessidades, os desejos e os tempos de cada etapa são muito particulares para cada pessoa e em alguns casos podem levar anos para se concretizar (isso quando se concretizam).

Por que é tão difícil admitir que se precisa de ajuda?

Ainda é muito comum as pessoas acreditarem que o único motivo merecedor de ajuda psicológica ou mesmo psiquiátrica são as necessidades de quadros ou diagnósticos extremos como: uma depressão grave, um transtorno relevante ou um quadro de esquizofrenia. Isso assusta e afasta muitas pessoas do consultório… Uma das primeiras frases que costumo ouvir de um paciente novo é: ?Não sou louco! Não sei você pode me ajudar ou se é aqui que resolvo isso?. Muitos ainda não entendem bem o porquê de um psicólogo ou para que procurar este profissional. E por isso acabam desenvolvendo a ideia de que somente aqueles que (de acordo com o julgamento deles) não são capazes de uma estrutura é que deveriam estar em um consultório terapêutico.

E é ai que está o maior engano. Um consultório psicológico serve justamente para qualquer pessoa, independente necessidade e diagnóstico, que seja capaz de ir e vir, de questionar o outro e a si mesmo, que possa ter consciência de si e do meio e que assim consiga entender suas limitações, conflitos e dificuldades para poder trabalhar com isso em sua vida.

A negação faz parte do inicio pré-terapeutico e às vezes ela persiste mesmo durante o processo de acompanhamento. É sempre importante respeitar o tempo e o limite de cada pessoa, pois nem sempre é fácil admitir ou perceber que estamos sofrendo ou angustiados. Usamos de disfarces, desculpas e justificativas para nos proteger da ideia do admitir alguma fragilidade e isso normalmente ocorre porque lidar com este ponto não é fácil (independente o que seja).

No fundo, todos nós temos receios de não dar conta de nossas questões, de nos perdermos, de não sermos suficientes em nosso equilíbrio entre razão e emoção. E por isso precisamos provar (para nós mesmos) que damos conta sim de nossas questões. E a ideia de tentar ou conseguir sozinho nos representa uma fantasia de poder. A humanidade ainda possui grandes e bons conflitos, em que são confundidos alguns conceitos, como acreditar que buscar ajuda é uma incapacidade e essa ideia é um grande equívoco.

Como sugerir que a pessoa busque ajuda?

Por isso, indicar ou sugerir para alguém um apoio psicológico é mais delicado do que pode parecer, pois a pessoa pode ainda não ter entrado em contato com seus conflitos e angustias ou, mesmo que já os esteja percebendo, pode ainda estar confusa e com medo de mexer ou analisar este conteúdo. Assim, esta é uma situação que não deve ser forçada nunca.

Para um processo psicológico saudável e efetivo, devemos sempre considerar, como fundamental, o interesse e também a disposição por parte da pessoa para com todo o trabalho psicológico. Isso mesmo, sem interesse e participação da pessoa, não é possível uma ajuda efetiva, no máximo uma ajuda paliativa. Não existe ajuda eficiente sem que a pessoa aceite primeiramente ser uma paciente.

Quando nos assumimos enquanto pacientes, estamos assumindo para nosso EU que algo não vai bem, independente o que seja e qual intensidade e se escondemos algo. Neste momento abrimos uma porta para começar uma investigação sobre nossas intimidades. Às vezes são questões que estão muito latentes e ao nosso alcance de percepção, ou outras vezes podem ser pontos ainda não perceptíveis, mas refletidos em outros sintomas que nos chamam a atenção.

É importante para aqueles que desejam ajudar, entenderem que o receio, a resistência e até a negação fazem parte, pois são formas de defesa de todo ser humano. E que forçar o outro a fazer algo ou adotar uma ideia, não ajuda e muitas vezes piora. O mais indicado é mostrar que é compreensível e ao mesmo tempo está preocupado.

Uma sugestão simples é em algumas conversas com esta pessoa, que possa estar precisando de ajuda, tentar exercer um papel de espelhamento. Mostre aos poucos e com muito tato e paciência os sintomas que a pessoa vem apresentando como: sofrimento, angústia, irritação, apetite descontrolado, dificuldade em se manter empregado ou qualquer que seja o quadro. Ajude-a perceber e pensar na intensidade dos sintomas ou do caso e como isso pode estar fora de um grau saudável ou mesmo já esteja prejudicando sua vida, causando perdas e sofrimentos. Faça isso através de pequenas conversas orientadoras e explicativas dando sua opinião, mas não a impondo como verdade. Pode também mostrar reportagens ou histórias de casos que vocês conhecem ou ouviram falar para ajudar na percepção e no autoreconhecimento desta pessoa.

Atenção! Deve-se sempre tomar muito cuidado para não criar ou imaginar diagnósticos por conta própria e firmar esta ideia, nem mesmo para tentar usar disto para convencer e levar a pessoa para uma ajuda. Isto é muito comum de acontecer e normalmente causa grandes conflitos e angústias. Somente os profissionais podem de fato diagnosticar e saberão junto ao paciente diferenciar os sintomas de um quadro fixo dos sintomas passageiros, por exemplo, diferenciar tristeza de depressão. Quando alguém despreparado já anuncia que o outro pode estar doente, pode criar uma grande resistência e dificultar o inicio da ajuda. Então, apenas se mantenha mostrando que está preocupado e que poderá ser importante e até gerar alivio ouvir a opinião de um profissional.

Vale saber, também, que buscar uma análise de um profissional não significa realizar um acompanhamento. Os primeiros encontros são utilizados para uma entrevista, para que paciente e profissional se conheçam, sem compromisso de ir adiante. Caso cheguem à conclusão que não precisa de auxilio psicológico isso será mostrado por ambas as partes. Cada caso sempre será visto e recebido em sua particularidade. Mostrar isso para a pessoa que acredita estar precisando de ajuda muitas vezes ajuda neste passo de ir até o consultório.

Explique, também, que a relação do psicólogo é muito diferente da relação com uma mãe, um pai, irmão, amigos… A neutralidade afetiva faz toda diferença para que a pessoa possa ser vista e compreendida por diferentes ângulos e assim poderá ter a chance de se perceber, se entender, ser acolhida e assim poder fazer algo que seja significativo e construtivo para com sua vida e necessidades.

Para terminar reforço que buscar, iniciar e manter uma terapia psicológica, apesar de proporcionar um espaço de alívio e construções para vida, também exige coragem, pois o paciente irá entrar em contato com certas intimidades a seu respeito que muitas vezes são desconhecidas e ele nem sempre está preparado para lidar. Por isso o ideal é não forçar essa busca.




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8 dicas para deixar o passado para trás

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Aprenda com o passado mas foque-se no presente e crie novas memórias. Viva agora, no hoje, neste momento.

Costuma ter noites sem dormir, preocupado com algo que aconteceu no passado? Todos o fazemos. Você não está sozinho. Lembrar experiências negativas pode ser doloroso e enquanto mantiver essa dor não será capaz de ver coisas positivas. É muito importante deixar o passado para trás. 

Veja oito dicas para lidar com o passado:

1. Aprenda com o passado — mas não viva lá

Sim, aquelas experiências negativas que teve podem ser utilizadas para aprender — não importa o quão dolorosas foram. Reflita por algum tempo e tente entender como poderá beneficiar das mesmas. 

Você pode aprender com as suas experiências refletindo sobre estas questões simples:

O que aconteceu? Enumere apenas os factos. Que emoções sinto? Anote-as. Como posso utilizar estes fatos para mudar o meu comportamento e os meus sentimentos?

Depois de responder a estas perguntas poderá seguir em frente. Embora refletir durante algum tempo sobre o passado seja aceitável, viver no passado irá apenas manter pensamentos e sentimentos negativos. 

2. Expresse-se Não hesite em desabafar os seus sentimentos. 

Pode falar com a pessoa que o magoou (ou a quem você magoou), abrir-se com um amigo ou anotar as suas emoções negativas. Faça o que sentir que poderá ajudar. O mais importante é que isso será bom para a sua saúde. Edmund Bourne, autor do livro "The Anxiety and Phobia Workbook" (Livro da Ansiedade e da Fobia), avisa que conter os sentimentos leva a ansiedade, depressão, dor de cabeça e hipertensão arterial. Horsley, especialista em dor da OpentoHope, afirma: "Quando estiver a desabafar, certifique-se de que inicia frases com ‘Eu’. Descreva a profundidade das suas emoções e partilhe-as com alguém que irá ouvir sem julgar. Isto vai ajudá-lo a livrar-se da dor." 

3. Pare de culpar os outros

Fazer-se de vítima é mais fácil e, às vezes, agradável do que aceitar a verdade. O problema é que culpar os outros impede-nos de seguir em frente. É assim que nos queixamos da vida muitas vezes. O life coach Ruchika Batra também acrescenta no seu blog "Pick the Brain" (Escolha o Cérebro) que culpar os outros faz com que nos desvalorizemos a nós próprios. Batra avança: "Quando culpamos os outros entramos automaticamente numa zona negativa. Odiamos alguém ou um fator externo porque não somos capazes de ser donos da nossa própria vida."

4. Foque-se no presente

Um dos métodos mais eficazes para deixar o passado para trás passa por aproveitar o presente. Em vez de reviver o passado, e ficar absorto na sua negatividade, mantenha-se ativo e goze do momento atual. Aprenda uma habilidade nova. Medite. Faça exercício. Jante com um amigo. Faça novas amizades. Tente viver no presente, mesmo que esteja sentado à mesa olhando para as nuvens lá fora. Para atingir este estado de espírito repare no que está pensando e no que está sentindo ; reduza a cobrança pessoal, procure novas experiências e aceite os seus sentimentos — bem como situações negativas — como uma simples parte da vida. 

5. Desligue-se por um tempo

Permita a si mesmo algum tempo para limpar a cabeça. Afaste-se de determinada situação — distanciando-se das pessoas, lugares e coisas que fazem com que relembre o passado. Não precisa de fazer uma viagem pela Europa. Acampar, por exemplo, numa cidade-vizinha — sem acesso às redes sociais — é um bom exemplo. Vai ver que será mais fácil analisar o passado quando voltar. 

6. Pense nas pessoas ao seu redor

Analise as pessoas que o rodeiam. Quem é negativo ou o influencia negativamente? Quem é que está tentando esquecer por se encontrar associado ao seu passado? Provavelmente terá de se afastar destas pessoas e fazer novas amizades - com pessoas mais positivas, que irão ajudá-lo a seguir em frente. Como encontrar pessoas novas? Pode, por exemplo, assistir a conferências interessantes. Não seja tímido.

7. Perdoe as pessoas que o magoaram — incluindo a si mesmo

Se você ficou magoado com alguém provavelmente a última coisa que quererá fazer será perdoá-lo. No entanto, segundo Wayne Dyer, "Perdoar os outros é essencial para o crescimento espiritual.” Wayne Dyer elaborou um programa de 15 passos para ajudar as pessoas a perdoar. Destacando alguns: aceitar o passado, seguir em frente, chegar a acordo consigo mesmo, não adormecer irritado, ser bondoso e generoso; e assim por diante. Também deve ser capaz de se perdoar a si próprio. Ninguém é perfeito e todos cometemos erros. Em vez de se julgar pelos seus erros, foque-se nas lições que aprendeu. É mais fácil seguir em frente sem rancor ou ressentimento.

8. Crie novas memórias

Comece a criar novas memórias positivas para substituir as emoções negativas do passado. Passe tempo com as pessoas que o fazem feliz e faça coisas que lhe deem alegria. Criar novas memórias é muito melhor do que ficar preso ao passado. De facto, cientistas provaram que ter muitas memórias antigas faz com que seja mais difícil criar memórias novas. Elimine o passado sem medo. Está na hora de viver — agora. 

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