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Sharp Objects: Série OBJETOS CORTANTES mostra como a Síndrome de Münchausen por Procuração causa doenças nos filhos

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Sharp Objects, série da HBO baseada no livro homônimo de Gillian Flynn. Na história, a vida da solitária Camille Preaker em Chicago resume-se a escrever matérias para a editoria de polícia do jornal Daily Post, beber vodca além da conta e torturar-se pelo passado que deixou para trás na pequena Wind Gap, sua cidade natal. É para lá que seu editor a envia em busca de um furo de reportagem. Naquela comunidade ao sul do Missouri, um serial killer faz de crianças suas vítimas. Camille Preaker retorna a sua cidade natal para cobrir os assassinatos de duas meninas pré-adolescentes. Sem mais spoilers, a Síndrome de Münchhausen por procuração é uma doença mental em que o genitor provoca abuso infantil, ferindo a criança para atrair atenção para si. Ocorre quando alguém próximo de uma criança, quase sempre a mãe, produz de forma intencional sintomas, ou mesmo causa ativamente a doença. A taxa de vítimas é alto, pois em geral o genitor aparenta devotado aos cuidados do filho. 

Por quê? 

Até agora, sabe-se pouco sobre o que causa essa síndrome. Especialistas acreditam que pessoas que sofreram abusos, maus-tratos ou abandono na infância têm mais risco de desenvolvê-la na vida adulta. 

Teoriza-se que o paciente se autoflagela ou flagela a criança sob seu cuidado em uma tentativa de despertar empatia ou admiração pelo "fardo" que carrega. 

Ao mesmo tempo, ainda que haja suspeitas, os médicos costumam ter dificuldades em confrontar e lidar com pacientes com a síndrome de Münchausen, que muitas vezes ficam defensivos ou desaparecem, apenas para posteriormente buscar ajuda em outro hospital onde seu quadro ainda não seja conhecido. 

A síndrome de Munchausen por procuração é um tipo de abuso infantil, em que um dos pais, geralmente a mãe, simula sinais e sintomas na criança, com a intenção de chamar atenção pra si. Como consequência, a vítima é submetida a repetidas internações e exposição a exames e tratamentos potencialmente perigosos e desnecessários, gerando sequelas psicológicas e físicas, podendo levar a morte.


O termo síndrome de Munchausen foi utilizado pela primeira vez por Asher1 em 1951, onde descrevia pacientes que contavam consistentemente histórias falsas, com sintomatologia dramática e recorrente e, como consequência eram submetidos à investigação diagnóstica e tratamentos desnecessários. Em 1977, esta síndrome foi introduzida na pediatria quando Meadow2, por meio do relato de dois casos, usou o termo Síndrome de Munchausen por Procuração (by proxy) para demonstrar situações em que um dos pais, geralmente a mãe, simulava sinais e sintomas na criança, levando-a repetidas internações e exposição a exames e tratamentos perigosos e desnecessários, com o objetivo de chamar atenção para si.

A síndrome de Munchausen por Procuração é uma doença de difícil controle e que se não diagnosticada e tratada a tempo, pode levar ao óbito, revelando uma taxa de mortalidade de 9% 

Esta é uma forma extrema de abuso infantil associada à alta morbidade e mortalidade, que levam a sequelas psicológicas irreparáveis. A equipe de saúde quando se depara com um caso como o acima descrito, deve garantir a perpetuação dos debates e ação conjunta para que o diagnóstico e a comprovação da fraude sejam efetivados o mais breve possível, e a segurança seja garantida.



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5 coisas que você não sabia sobre a pedofilia

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Casos graves de abuso sexual de crianças aparecem nas capas dos jornaiscom frequência. Há muita confusão, porém, na forma como o assunto é tratado na esfera pública. A ciência, nas últimas décadas, avançou muito na compreensão do fenômeno da pedofilia tanto do ponto de vista biológico quanto do social. Segue alguns fatos que te ajudarão a compreender um dos crimes mais brutais que existem, com consequências incalculáveis para a saúde mental e física de centenas de milhares de crianças todos anos. 

Cartilha contra a pedofilia:  baixe grátis

Nem todo abusador de crianças é pedófilo, e nem todo pedófilo pratica crimes sexuais

O termo "pedófilo" se refere à pessoa que sente atração sexual por crianças. Isso não significa que todo pedófilo seja um abusador ou consuma conteúdo pornográfico infantil, nem que todo ato de violência sexual praticado contra uma criança seja cometido por um pedófilo. De fato, há, na literatura científica, registro de pedófilos que buscaram tratamento para conter sua libído sem terem praticado nenhum crime. Por outro lado, há muitas ocorrências de estupro de criançasperpretadas por homens que não possuem fixação sexual por menores de idade, principalmente nos casos de incesto, em que há laços familiaresentre os envolvidos. Segundo o artigo The Neurobiology and Psychology of Pedophilia: Recent Advances and Challenges (A Neurobiologia e Psicologia da Pedofilia: Avanços Recentes e Desafios), disponível aqui, só cerca de 50% dos casos de abuso sexual infantil são praticados por pedófilos.


Há menos substância cerebral branca em pedófilos, o que dificulta as conexões cerebrais

Nas últimas décadas, a neurociência passou a analisar a influência de fatores biológicos na atração sexual por crianças. E já há descobertas relevantes na área.

James Cantor, da Universidade de Toronto, descobriu, em 2007, que há menos substância branca nos cérebros de pedófilos. Esse conjunto de células gliais e axônios mielíticos é responsável, entre outras funções de apoio, pelo isolamento elétrico e conexão entre as várias partes do órgão. 

Os problemas de conexão poderiam ajudar a explicar as distorções comportamentais, transformando o instinto de proteção que um adulto costuma sentir em relação a uma criança em desejo sexual. Os resultados foram publicados em 2008, na 3º edição do Periódico de Pesquisa Psiquiátrica, da Elsevier.

Ninguém escolhe ser pedófilo

A pedofilia é uma condição psicológica, provavelmente incurável, para a qual ainda há poucas alternativas de tratamento. É, em resumo, uma espécie de orientação sexual com preferência etária, que possuí, claro, as mais severas implicações éticas. 

Uma solução para conter o impulso sexual é tomar medicação que reduza os níveis de testosterona do corpo. É comum que pedófilos sofram de outros transtornos psicológicos, situação que, combinada à redução da libído, acaba exigindo o uso de antidepressivos. Sessões de terapia, claro, podem colaborar, mas não há evidência científica de que elas funcionem de maneira sistemática. 

Pedófilos, em geral, não tiram prazer só do ato sexual, mas da convivência com a criança

O pedófilo, em geral, tem dificuldades no convívio social com outros adultos. Por outro lado, podem estabelecer fortes laços emocionais com as crianças abusadas, que vão além do simples prazer sexual. É incerto se essa é sempre uma tática de aproximação que torna a criança mais propensa a confiar no abusador ou se o pedófilo sente um bem estar genuíno na convivência com menores de idade, que substituí os laços sociais que não estabelece com pessoas da mesma faixa etária.

Para piorar a situação, é comum que, devido à aproximação, a criança não perceba claramente o momento da transgressão, e que, mesmo que se sinta incomodada pelo ato, não faça objeções por medo de pôr em risco sua relação com o abusador. Nem sempre há ameaças diretas. A psicóloga Judith Becker, especialista em tratamento de pedófilos da Universidade do Arizona, afirmou ao Daily Beast que parte da solução para o problema é justamente aumentar a aproximação com outros adultos. 

Só uma parcela minúscula dos crimes sexuais contra crianças chega às autoridades

Nos EUA, o National Center for Victims of Crimes (Centro Nacional de Vítimas de Crimes) calcula que 1 a cada 5 meninas e 1 a cada 20 meninos já tenham sofrido alguma forma de abuso sexual, um valor muito inferior ao registrado pelas autoridades criminais. Informações detalhadas estão disponível do artigo Violence, abuse, and crime exposure in a national sample of children and youth (Violência, abuso e exposição ao crime em uma amostra nacional de crianças e jovens), de professores da Universidade de New Hampshire.

Os casos brutais de violência sexual infantil exibidos nos noticiários, porém, são uma parcela pequena das ocorrências. Na maior parte das vezes, a pedofilia se manifesta em formas de abuso menos perceptíveis. A mera observação de crianças em situações cotidianas, especialmente quando há maior exposição do corpo, é comum. A masturbação na frente de crianças e carícias com intenções ambíguas também são recorrentes. Nos casos de incesto, descobrir o que ocorre é ainda mais difícil.

Com crianças, a maior parte dos casos é praticada por pessoas conhecidas, e, do total desses conhecidos, 80% ou 90% faz parte do núcleo familiar. Pai, padrasto, irmão, tio materno, paterno, avô, cunhado, etc. Há também um grupo muito grande de pessoas que não são do núcleo familiar, mas que têm acesso privilegiado à rotina da criança. Isso torna muito difícil a identificação e interrupção do abuso.


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O ‘app’ brasileiro para denunciar abusos e ataques a menores

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Há cinco anos, o Brasil se preparava para algo muito grande. Para três coisas muito grandes, na realidade. Em 2013 acolheu a Copa das Federações, em 2014, a Copa do Mundo de futebol, e em 2016, os Jogos Olímpicos. Em tal cenário e ante a avalanche de visitantes que estavam para chegar, a Unicef se aliou com uma pequena empresa de software, a Ilhasoft, cujo objetivo era "mudar o mundo" e criaram o Proteja Brasil, um aplicativo que permite identificar e denunciar abusos e ataques a menores. A ferramenta está diretamente conectada com Dial 100, a linha de telefone de defesa dos direitos humanos do Governo Federal.

Entre as suas utilidades está a de indicar a localização de lugares de interesse, como delegacias, juizados de menores, embaixadas e prefeituras. O uso é totalmente anônimo e nem o Unicef nem os criadores do aplicativo têm um meio de conhecer a identidade do usuário. Permite denunciar todo tipo de agressão aos direitos dos menores: exploração infantil, maus-tratos físicos e psicológicos, abusos sexuais, etc. Mas também aqueles decorrentes do mundo digital, como o bullying e a pedofilia que se nutre das redes sociais. Um total de 80% dos jovens entre 9 e 17 anos tem acesso à Internet, segundo os dados compilados pela organização. "Este projeto se insere no WePROTECT, uma aliança internacional para deter os abusos online", explica do outro lado do telefone, em São Paulo, a especialista da Unicef em proteção à infância Fabiana Gorenstein.

Começou como um projeto-piloto em 2013 e no ano seguinte se estendeu a todas as cidades-sede da Copa. Em 2016 já estava totalmente operacional. Em setembro do ano passado, 51.000 pessoas haviam baixado o aplicativo, que tinha registrado 692.680 interações, entre denúncias e pedidos de informação. Atualmente já são 109.000 downloads. Isto é uma constatação, argumenta Gorenstein, de que o aplicativo deixou de ser um projeto isolado para se tornar parte das políticas públicas do país em matéria de defesa dos menores. "Queríamos avançar graças à inovação, ampliar a capacidade de denúncia e defesa da infância graças às novas tecnologias", acrescenta Gorenstein. A proteção de crianças e adolescentes faz parte da agenda política das últimas legislaturas no país. O Brasil possui desde 2014 uma lei que proíbe totalmente as punições físicas no âmbito doméstico e escolar.

Desde o começo se envolveram neste projeto a ONG Cedeca (Centro de Defesa da Criança e do Adolescente Yves de Roussan), a associação brasileira de juízes e promotores e o próprio Governo. Numerosos youtubers se prontificaram a divulgar a ferramenta. O objetivo era claro: que a população soubesse que tinha ao alcance da mão a possibilidade de defender os direitos da infância em um país em que 90% dos cidadãos se conecta com a Internet pelo celular.


Baixe aqui: Proteja Brasil
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Apresentador Lucas Mendes coloca em dúvida denúncias de ginastas sobre abuso sexual

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Lucas Mendes, do Manhattan Connection, chegou a sugerir que centenas de ginastas norte-americanas que vêm denunciando abuso sexual de seus técnicos estariam mentindo e o fazendo só por "oportunismo" e para ganhar "uma grana preta"

Vem causando grande repercussão nas redes sociais as declarações dadas pelo jornalista Lucas Mendes na última edição do programa “Manhattan Connection”, da GloboNews. Na ocasião, Mendes e mais dois jornalistas debatiam sobre a condenação do ex-técnico da seleção americana de ginástica Larry Nassar por abuso sexual contra atletas da Seleção quando elas ainda eram menores de idade. Nassar foi condenado a 175 anos de prisão e, a partir de sua condenação, inúmeros outros relatos de outras atletas começaram a vir à tona.

Em um dado momento do programa, então, Lucas Mendes começa a colocar em dúvida a credibilidade das denúncias das ginastas.

“Agora, durante o período de 10 anos, nenhuma delas, mais de 260… Nenhuma delas chamaram a irmã ou os pais e falaram: ‘papai, mamãe… ele tá enfiando o dedo dentro de mim’”, questionou.

 Os outros dois jornalistas que estavam na bancada, então, começaram a rebater Mendes. “Você está duvidando das meninas?”, questionou o jornalista Caio Blinder.

Lucas Mendes, no entanto, mesmo diante do claro constrangimento de seus companheiros de bancada, segue com seu raciocínio. Ele chegou a sugerir que as meninas que denunciaram abuso estariam o fazendo por oportunismo, já que essas denúncias poderiam gerar “uma grana preta”.


“Eu estou duvidando é que nenhuma das meninas contaram pros pais, e agora são mais de 265. Quantas dessas meninas foram realmente abusadas? Porque depois que começou a sair a lista, iria sair uma grana preta… Ou seja, qual dessas meninas entraram na lista na carona? Como é que você vai distinguir isso?”, dispara.
Um pouco aborrecido, Caio Blinder explica que, em todo o momento, as meninas falaram para os pais, médicos e pessoas próximas. Caio comparou a fala de Lucas Mendes com a de Donald Trump, que tem acusações de assédio sexual e chama as acusadoras de oportunistas.

Lucas não se deu por vencido e tentou defender seu argumento. “Você está dizendo que não tem nenhuma oportunista?”, questiona novamente Lucas. “De 265, pode ter uma ou outra, mas o que você está dizendo é o mesmo que duvidar dos abusos da Igreja Católica em Boston, porque demoraram 20 anos para falarem”, rebate novamente Caio.

Pedro Andrade, o outro debatedor da mesa, também ficou ao lado de Caio e contra as falas duvidosas de Lucas: “Muita gente não fala porque tem medo que as pessoas não acreditem nelas”.

Lucas termina o seu raciocínio e diz que a história não bate. Pedro novamente questiona: “Mas você não tá defendendo esse crápula das ginastas, né? Pela ostea consagrada… Se dois casos forem verdadeiros, esse cara já merece apodrecer na cadeia”.

Lucas, de novo, para finalizar o assunto, duvida da história do abuso: “A pessoa faz um tratamento desse e ninguém conta em casa? Se contaram e os pais não fizeram nada, são umas bestas”.

O fato está revoltando muitas pessoas nas redes sociais. O vídeo com a fala de Lucas Mendes já ultrapassada as 20 mil visualizações no Facebook. “Vivi para ver na TV o jornalista Lucas Mendes afirmar, categoricamente, que a maioria das ginastas americanas que levaram para a cadeia o médico Larry Nassar não devem ter sido abusadas e que ingressaram na fila da denúncia porque estão interessadas é na ‘grana preta'”, dizia uma postagem.

“Lucas Mendes desfilando toda sua MISOGINIA na edição de 18 de fevereiro do Manhattan Connection. Foi tão absurdo seu comentário, botando em questão as acusações das mais de 200 ginastas vítimas de abuso sexual, que revoltou até seus colegas de bancada”, comentou outra internauta.



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As 4 coisas que toda criança deveria aprender para 'se proteger' de abusos

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Em entrevista à BBC Brasil, a nadadora Joanna Maranhão, vítima de abuso na infância, defendeu que a educação sexual é mais importante do que a caça a pedófilos no combate à violência sexual contra crianças.

No Brasil, esse é um tema considerado tabu e "restrito para adultos"; por isso, poucas escolas adotam um programa específico para tratar questões como abuso sexual, gravidez precoce, doenças sexualmente transmissíveis (DSTs), diversidade sexual, entre outras.

No entanto, já existem correntes de pensamento que defendem o ensino de educação sexual para crianças nas escolas justamente com o objetivo de ajudar a evitar esses problemas no futuro.

"Quando a criança já sabe alguma coisa de educação sexual, ela aprende a lidar com o que está acontecendo, fica preparada para isso", diz a educadora sexual Maria Helena Vilela, do Instituto Kaplan, que promove a capacitação de professores na área.

"Já a criança não preparada se torna um alvo muito mais fácil para abusos. A descoberta sexual começa na infância, se você não trabalha isso, você exclui a sexualidade da criança."

Para preencher o que veem como "lacuna" nas escolas, algumas ONGs e institutos oferecem atividades para crianças e treinamento para professores sobre educação sexual.

A própria Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) lançou uma cartilha mundial em 2010 com uma "Orientação Técnica Internacional sobre Educação em Sexualidade" para ser usada como base nas escolas.

A BBC Brasil consultou especialistas e preparou uma lista com estratégias que podem ser adotadas para ensinar educação sexual para crianças.

1) Reconhecimento do corpo: diferenças entre meninos e meninas

A primeira coisa que pode ser ensinada às crianças é o reconhecimento do corpo delas e as diferenças entre os meninos e as meninas. "Passamos para as crianças a ideia de que os corpos de menino e menina são diferentes e aí trabalhamos a questão do respeito", explica Vilela. "Na hora que ela perceber que não está sendo respeitada, significa que é para parar ali."

Para Vilela, o tema é um forte tabu para muitos pais. "Quando eles sabem que os professores estão falando algo para os filhos sobre sexo, eles já acham que os filhos vão começar a transar e ficam preocupados. Há uma grande resistência."

"O reconhecimento do corpo não vai fazer nenhum mal para as crianças, só vai fortalecê-las."

Em sua cartilha, a Unesco diz que "pesquisas de todo o mundo indicam claramente que a educação sexual raramente leva a um início sexual precoce, se é que o faz".

"A educação sexual pode levar a um comportamento sexual mais tardio e mais responsável, ou pode não ter nenhum impacto discernível sobre o comportamento sexual", diz o documento.

Vilela afirma ainda que é importante também ensinar a criança a cuidar de seu corpo. "O objetivo é fazer essa criança se tornar uma pessoa autônoma nesses cuidados. Quanto menos ela precisar de alguém que a limpe, que a lave, menos exposta ela vai estar e mais autonomia ela tem."

2) O que pode e o que não pode, partes do corpo que são 'públicas' e outras que são 'privadas'

Outra questão importante é explicar para a criança quais partes do corpo podem ser tocadas e quais não podem. "Elas precisam entender o conceito de público e privado. Entender que essas partes privadas do corpo, as pessoas não podem tocar", disse a educadora do Instituto Kaplan.

Vítima de abuso na infância, a nadadora Joanna Maranhão trabalha essa questão em atividades que promove com a ONG que fundou, a Infância Livre.

"A gente tem que explicar que existem partes que podem e outras que não podem ser tocadas, a não ser que seja por um médico ou pelo pai e pela mãe por causa de algum exame", disse Joanna à BBC Brasil.

"Tem até um joguinho, um pingue-pongue que eu faço com as crianças mostrando: mão aqui pode, mão aqui não pode. E tem vezes que tem menino que confunde, que acha que pode. Tem como ser de uma forma lúdica, mas ao mesmo tempo de uma forma séria."

3) O dono do seu corpo é você

Além de ensinar o reconhecimento do corpo à criança, é preciso também passar para ela a ideia de que aquele corpo tem um dono.

"Seu corpo é seu: ninguém pode tocá-lo sem sua permissão. Estabelecer uma comunicação direta com as crianças logo cedo sobre as partes privadas do corpo, usando os nomes corretos para as genitais, vai ajudar as crianças a entender o que é permitido para adultos que estejam em contato com eles. E vai ajudar a identificar comportamentos abusivos", diz a cartilha elaborada pelo Conselho da Europa para defesa dos Direitos Humanos sobre o tema.

"Elas precisam entender o funcionamento desse corpo, que ele tem sensibilidade, tem sensações, que essas sensações podem ser gostosas, mas podem também não ser. Vale pra qualquer parte do corpo. Carinho é uma coisa que a gente só recebe quando quiser", afirmou Vilela.

4) Estratégia: não gostou? Conte para alguém de confiança

Outra medida de proteção contra abusos é conscientizar as crianças de que, caso alguém faça alguma coisa que elas não gostem, é preciso contar isso para uma pessoa de confiança.

"Vá embora! Conte. Essa é uma das estratégias que devem ser ensinadas às crianças para que elas estejam preparadas a dizer 'não' a contatos físicos que julgarem inapropriados e para fugir de situações pouco seguras. Além disso, elas precisam contar o que aconteceu a um adulto de sua confiança o quanto antes", é a orientação da cartilha europeia.

Muitas vezes, o abusador da criança é alguém muito próximo, da família. Sendo assim, é importante também que os adultos próximos estejam preparados para ouvir o que a criança tem a dizer e não desacreditá-la logo de cara.

"Esse é um trabalho ainda mais complicado, com o adulto. Ele precisa dar ouvidos à criança", diz Vilela.

"Porque geralmente (o abuso) é com uma pessoa próxima. A reação dos pais normalmente é 'não seja mal educado'. O adulto precisa estar atento à mudança de comportamento da criança e, quando ela fizer a queixa, investigar em vez de logo desacreditá-la", concluiu Vilela.
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18 de maio: Dia Nacional de combate ao abuso e à Exploração Sexual de Crianças

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Denuncie. Proteja quem não sabe ainda se proteger.



No dia 18 de maio de 1973, uma menina de 8 anos foi sequestrada, violentada e cruelmente assassinada no Espirito Santo. Seu corpo apareceu seis dias depois carbonizado e os seus agressores, jovens de classe média alta, nunca foram punidos. A data ficou instituída como o “Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes” a partir da aprovação da Lei Federal nº. 9.970/2000. O “Caso Araceli”, como ficou conhecido, ocorreu há quase 40 anos, mas, infelizmente, situações absurdas como essa ainda se repetem. 

Diferença entre Abuso e Exploração Sexual 

O abuso sexual envolve contato sexual entre uma criança ou adolescente e um adulto ou pessoa significativamente mais velha e poderosa. As crianças, pelo seu estágio de desenvolvimento, não são capazes de entender o contato sexual ou resistir a ele, e podem ser psicológica ou socialmente dependentes do ofensor. O abuso acontece quando o adulto utiliza o corpo de uma criança ou adolescente para sua satisfação sexual. Já a exploração sexual é quando se paga para ter sexo com a pessoa de idade inferior a 18 anos. As duas situações são crimes de violência sexual.

O que pode acontecer a uma criança que sofreu abuso sexual. 

O papel da família é essencial na recuperação física e emocional da criança que sofreu abuso sexual. A atenção que deverá proporcionar a esta criança não deve somente centrar-se no cuidado das suas lesões físicas, mas deve ser acompanhada por outros profissionais para dar-lhe também acompanhamento psicológico.

A criança que sofre ou sofreu algum abuso sexual sofrerá consequências a curto e longo prazo. O Manual de Prevenção do Abuso Sexual, publicado por Save the Children (Salvem as crianças), mostra as seguintes consequências:

Consequências a curto prazo do abuso infantil


- Físicas: pesadelos e problemas com o sono, mudanças de hábitos alimentares, perda do controle de esfíncteres.
- Comportamentais: Consumo de drogas e álcool, fugas, condutas suicidas ou de auto-flagelo, hiperatividade, diminuição do rendimento acadêmico.
- Emocionais: medo generalizado, agressividade, culpa e vergonha, isolamento, ansiedade, depressão, baixa auto-estima, rejeição ao próprio corpo (sente-se sujo).
- Sexuais: conhecimento sexual precoce e impróprio para a sua idade, masturbação compulsiva, exibicionismo, problemas de identidade sexual.
- Sociais: déficit em habilidades sociais, retração social, comportamentos antissocial.

Consequências a longo prazo do abuso sexual infantil

Existem consequências da vivência que permanecem, ou inclusive podem piorar com o tempo, até chegar a configurar patologias definidas. Por exemplo:

- Físicas: dores crônicas gerais, hipocondria ou transtornos psicossomáticos, alterações do sono e pesadelos constantes, problemas gastrointestinais, desordem alimentar.
- Comportamentais: tentativa de suicídio, consumo de drogas e álcool, transtonno de identidade.
- Emocionais: depressão, ansiedade, baixa auto-estima, dificuldade para expressar sentimentos.
- Sexuais: fobias sexuais, disfunções sexuais, falta de satisfação ou incapacidade para o orgasmo, alterações da motivação sexual, maior probabilidade de sofre estupros e de entrar para a prostituição, dificuldade de estabelecer relações sexuais.
- Sociais: problemas de relação interpessoal, isolamento, dificuldades de vínculo afetivo com os filhos.


Denúncias

No Brasil o “Disque 100”, criado pela Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, é um serviço de recebimento, encaminhamento e monitoramento de denúncias de violência contra crianças e adolescentes. Os dados mostram que, de março de 2003 a março de 2011, o Disque recebeu 52 mil denúncias de violência sexual contra este público, sendo que 80% das vítimas são do sexo feminino.

O Disque 100 funciona diariamente de 8h às 22h, inclusive aos finais de semana e feriados. As denúncias são anônimas e podem ser feitas de todo o Brasil por meio de discagem direta e gratuita para o número 100; e do exterior pelo número telefônico pago 55 61 3212-8400 ou pelo endereço eletrônico: disquedenuncia@sedh.gov.br.

A intenção do 18 de maio é destacar a data para mobilizar e convocar toda a sociedade a participar dessa luta e proteger nossas crianças e adolescentes. A data reafirma a importância de se denunciar e responsabilizar os autores de violência sexual contra a população infanto-juvenil.
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