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Losers: Série da Netflix mostra que quem aprende com o fracasso são os verdadeiros campeões.

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Você não precisa gostar de esportes para apreciar Losers, série documental  da Netflix . Pode parecer que cada um de seus 8 episódios apenas contam um caso relacionado a uma modalidade esportiva, mas essa produção original da plataforma de streaming é muito mais do que isso.

Ali não há histórias de campeões. Ao invés disso, elas focam nos “perdedores”. Mostram que a derrota abre portas, revelam nosso verdadeiro caráter, aumentam nossa compreensão do que é a vida real. A derrota pode ser dolorosa, mas não há evolução sem ela.

Seja contando a história do lutador de boxe que odiava lutar boxe, de uma patinadora negra que sofria preconceito, de um jogador de curling que passava por cima de tudo e de todos para vencer, ou de uma condutora de trenós que dava mais importância para o bem-estar de seus cachorros do que chegar ao ponto mais alto do pódio, Losers mostra que o fracasso é, sim, uma alternativa.

Não há representação mais precisa da natureza humana que o esporte. Competimos o tempo todo por um conceito de vitória que exalta apenas o 1ºlugar, que não dá a mínima para como chegamos lá, privilegiando apenas o resultado. E onde o 2º colocado é o maior dos perdedores.

Mas as histórias retratadas na série mostram o contrário. Que não há conquista no mundo que valha o sacrifício da felicidade ou do amor pelo outro.

Entre os episódios, destaque para Um ex-lutador e Julgamento. O primeiro conta a história de Michael Bentt, um ex-campeão de boxe que viu em uma grande derrota a oportunidade de fazer o que realmente amava, enquanto o outro mostra a patinadora negra Surya Bonaly, que encontrou seu devido reconhecimento quando finalmente parou de tentar ser o que os outros queriam que ela fosse para agradar os jurados e passou a ser ela mesma.

Fique de olho também em dois EPs que mostram a outra face do fracasso. O de quem, pela vitória, faz absolutamente de tudo, transformando a conquista em algo amargo. Como na história do jogador de curling Pat Ryan, que inventou uma fórmula de vitória garantida que acabou com a graça do jogo; e a do corredor italiano Mauro Prosperi, que se afasta totalmente de sua família obcecado por uma maratona no deserto do Marrocos, que quase o matou.

Esqueça livros de autoajuda. Losers mostra que o esporte está cheio de lições importantes para nossas vidas. Principalmente a de que perder é necessário. Que são as derrotas que nos fazem pessoas melhores.

Quem aprende com o fracasso são os verdadeiros campeões.


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Birdbox : O que os olhos não veem o coração não sente.

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A visão é o último dos nossos sentidos a ser formado. É um dos sentidos de mais difícil estimulação dentro do útero. Mas depois que nascemos , é uma questão óbvia: Você abre seus olhos e vê o mundo. Quando o alarme toca, você vê os números vermelhos, a cor da colcha e dos seus pijamas, as folhas verdes da árvore no lado de fora da janela e o teto, que pode provavelmente estar precisando de uma tinta. A visão nos oferece 80% de todas as impressões do que está ao nosso redor. Quatro quintos de todas as informações recebidas pelo cérebro chegam-nos através dos olhos.


Mas a visão também tem suas peculiaridades: seja na percepção de cores, visão 3D ou visão noturna: todas elas variam de uma pessoa para outra. Aos 80, é um simples fato da vida que já não vemos tão bem quanto aos 20 – a acuidade visual, a percepção do espaço e das cores, e nossa capacidade de ver à noite, tudo se deteriora com a idade. A percepção de cores ocupa um lugar especial. Em geral, mulheres e homens percebem as cores de maneira diferente.


Mas o que tudo isto tem a ver com BirdBox? Tudo.


BirdBox é o filme da Netflix que tem causado mais discussões e Memes desde o seu lançamento. O filme é uma adaptação do livro (do mesmo nome) do Romance de estreia de Josh Malerman, Caixa de pássaros é um thriller psicológico tenso e aterrorizante, que explora a essência do medo. Assim como o livro, o filme se passa em dois momentos: no presente quando o “monstro” aparece e cinco anos depois.


O filme conta uma história de algo ( monstro, força, ou alguém , não fica claro) , com a presença tão forte e assustadora que basta uma olhadela para desencadear um impulso violento e incontrolável que acabará em suicídio. Ninguém é imune a visão e a única coisa que se sabe é que ao olhar para a coisa, algo de muito ruim acontece.


Muitas metáforas surgiram tentando explicar o que o filme quis nos passar. Se pensarmos, cada um entendeu de uma forma (ou não) e deu um significado diante daquilo que compreendeu. Todas são brilhantes, (maternidade, saúde mental, etc), apenas pretendo dar um novo “olhar” (pegou essa indireta?).


BirdBox é uma metáfora de como olhamos as coisas ao nosso redor e nos deixamos influenciar. No filme existe a presença de algo mal que se alastrou sobre a Terra. Pessoas que o viam se matavam ou passavam admirar a “coisa” de tal forma que passavam o resto da vida obcecadas em fazer as pessoa que não tinham a visto “enxergarem” a beleza do monstro.


São duas “cegueiras” que acabam cegando. Explico melhor. Uma que conduzia a morte, pelo suicídio ao olharem para seus maiores medos. E a outra cegueira da obsessão, em ver o “bem”, o “belo” onde não existe e forçar o outro a ver o que não querem ver.


Duas fragilidades que nos fazem pensar a forma como lidamos com o que vemos. Um enxergar pode produzir a morte, o outro uma admiração cega, obsessiva, sem limites. O que fazer? No filme, o correto parece ser o não ver. Mas a que custo?


É muito comum em terapia e na vida não conseguirmos enxergamos algo que está na nossa frente. Tememos ver porque Inconscientemente sabemos que se enxergamos será doloroso demais. Até que chega o momento em que vemos a verdade, temos o tal do insight e por mais doloroso que seja, não conseguimos fugir da verdade. Einstein já dizia: “ a mente que se abre uma nova ideia, jamais voltará ao seu tamanho original”.


Freud também vai falar que aquilo que se torna para nós consciente, jamais volta a ser Inconsciente. Para Freud a maior parte da consciência é inconsciente. Ali estão os principais determinantes da personalidade, as fontes da energia psíquica, as pulsões e os instintos. É justamente o que não conseguimos AINDA ver. Porém , o inconsciente, não é apático e inerte, havendo uma vivacidade e imediatismo em seu material. Memórias muito antigas quando liberadas à consciência, podem mostrar que não perderam nada de sua força emocional.


 “Aprendemos pela experiência que os processos mentais inconscientes são em si mesmos intemporais. Isto significa em primeiro lugar que não são ordenados temporalmente, que o tempo de modo algum os altera, e que a idéia de tempo não lhes pode ser aplicada” (1920, livro 13, pp. 41-2 na ed. bras.)


Materiais inconscientes quando “vistos”, ou trazidos à luz, seja por um ato falho, um sonho, uma memória ou em um processo terapêutico serve para nós libertar. Não pode e nem deve ser forçado, e o inconsciente por assim dizer , só libera quando estamos preparados emocionalmente. Quer um exemplo? Quantas vezes a pessoa traída é a última a saber mesmo que as evidências estejam bem na frente da pessoa? Está é a ideia: os olhos só veem o que o coração está pronto para enxergar.


O filme mostra um enxergar forçado, sem preparo e por isso mostra as pessoas se matando ou se tornando obsessivas com a visão.


Como eu disse anteriormente, muitas interpretações tem surgido e todas são válidas, mas na minha opinião fica este “olhar clínico” sobre os medos que por inúmeros motivos não estamos preparados ainda para lidar. Cada pessoa tem o seu tempo e forçar alguém a ver algo que não está preparado ainda pode causar mais danos do que benefícios. 


A visão é importante em tudo que fazemos. Quatro quintos de todas as informações recebidas pelo cérebro chegam-nos através dos olhos. Mas para as nossas emoções é preciso saber como e quando devemos olhar algo. Na minha opinião, o filme deixa duas lições: 


1- Não se obriga ninguém a ver o que não está preparado e


2- por outro lado uma vez que você tenha visto é preciso lidar com o que se vê , afinal não dá para passar avisa toda fugindo (como no filme) de algo que não se pode ver. A vida real não funciona assim.


Debora Lima de Oliveira

Psicóloga Clínica e neuropsicóloga 

CRP: 06/123460


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Sharp Objects: Série OBJETOS CORTANTES mostra como a Síndrome de Münchausen por Procuração causa doenças nos filhos

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Sharp Objects, série da HBO baseada no livro homônimo de Gillian Flynn. Na história, a vida da solitária Camille Preaker em Chicago resume-se a escrever matérias para a editoria de polícia do jornal Daily Post, beber vodca além da conta e torturar-se pelo passado que deixou para trás na pequena Wind Gap, sua cidade natal. É para lá que seu editor a envia em busca de um furo de reportagem. Naquela comunidade ao sul do Missouri, um serial killer faz de crianças suas vítimas. Camille Preaker retorna a sua cidade natal para cobrir os assassinatos de duas meninas pré-adolescentes. Sem mais spoilers, a Síndrome de Münchhausen por procuração é uma doença mental em que o genitor provoca abuso infantil, ferindo a criança para atrair atenção para si. Ocorre quando alguém próximo de uma criança, quase sempre a mãe, produz de forma intencional sintomas, ou mesmo causa ativamente a doença. A taxa de vítimas é alto, pois em geral o genitor aparenta devotado aos cuidados do filho. 

Por quê? 

Até agora, sabe-se pouco sobre o que causa essa síndrome. Especialistas acreditam que pessoas que sofreram abusos, maus-tratos ou abandono na infância têm mais risco de desenvolvê-la na vida adulta. 

Teoriza-se que o paciente se autoflagela ou flagela a criança sob seu cuidado em uma tentativa de despertar empatia ou admiração pelo "fardo" que carrega. 

Ao mesmo tempo, ainda que haja suspeitas, os médicos costumam ter dificuldades em confrontar e lidar com pacientes com a síndrome de Münchausen, que muitas vezes ficam defensivos ou desaparecem, apenas para posteriormente buscar ajuda em outro hospital onde seu quadro ainda não seja conhecido. 

A síndrome de Munchausen por procuração é um tipo de abuso infantil, em que um dos pais, geralmente a mãe, simula sinais e sintomas na criança, com a intenção de chamar atenção pra si. Como consequência, a vítima é submetida a repetidas internações e exposição a exames e tratamentos potencialmente perigosos e desnecessários, gerando sequelas psicológicas e físicas, podendo levar a morte.


O termo síndrome de Munchausen foi utilizado pela primeira vez por Asher1 em 1951, onde descrevia pacientes que contavam consistentemente histórias falsas, com sintomatologia dramática e recorrente e, como consequência eram submetidos à investigação diagnóstica e tratamentos desnecessários. Em 1977, esta síndrome foi introduzida na pediatria quando Meadow2, por meio do relato de dois casos, usou o termo Síndrome de Munchausen por Procuração (by proxy) para demonstrar situações em que um dos pais, geralmente a mãe, simulava sinais e sintomas na criança, levando-a repetidas internações e exposição a exames e tratamentos perigosos e desnecessários, com o objetivo de chamar atenção para si.

A síndrome de Munchausen por Procuração é uma doença de difícil controle e que se não diagnosticada e tratada a tempo, pode levar ao óbito, revelando uma taxa de mortalidade de 9% 

Esta é uma forma extrema de abuso infantil associada à alta morbidade e mortalidade, que levam a sequelas psicológicas irreparáveis. A equipe de saúde quando se depara com um caso como o acima descrito, deve garantir a perpetuação dos debates e ação conjunta para que o diagnóstico e a comprovação da fraude sejam efetivados o mais breve possível, e a segurança seja garantida.



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Como lidar com 5 dilemas da vida segundo a série This is Us

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Com sensibilidade e delicadeza ímpares, a série é um manual da vida adulta.


Atenção: Este texto contém spoilers.

This is Us é uma série premiada e aclamada nos Estados Unidos. Criada por Dan Fogelman (Enrolados), ela no ar pela rede de televisão NBC desde 2016. Ela retrata os dramas e dilemas de uma família não convencional. Jack (Milo Ventimiglia) e Rebecca (Mandy Moore) são os pais de Kate (Kate Pearson), Kevin (Kevin Pearson) e Randall (Sterling K. Brown).

Misturando flashbacks com a história linear, a produção aborda temas complicados com sensibilidade e beleza. É difícil não se reconhecer e se emocionar diante da tela. Os episódios são verdadeiros manuais de como podemos enfrentar situações difíceis. A seguir, listamos cinco momentos em que a série aplicou esse método com perfeição.

1 - Separação

Jack e Rebecca são um casal perfeito. Aparentemente. Eles se amam, cuidam muito bem dos três filhos, se divertem juntos. Mas mesmo no melhor casamento do mundo, crises podem surgir.

O trabalho de um pode atrapalhar a rotina do outro. Um pode neglicenciar o outro sem perceber. E seus problemas podem afetar a família inteira. Jack e Rebecca enfrentam essa fase quando ela quer retomar sua carreira como cantora.  E ele começa a beber para compensar a infelicidade no trabalho. A solução mais fácil nesses momentos é a separação. Só no Brasil, o número de divórcios cresceu 160% em uma década.

Mais do que amor, é preciso empatia para levar uma relação. Jack entende a importância que cantar tem na vida da esposa, que ser apenas mãe não basta para completá-la e que, como parceiro, deve apoiá-la em sua busca pela felicidade. E Rebecca entende que o marido não consegue sair de sua condição sozinho. Com muito amor, respeito e empatia, eles conseguem contornar esses problemas e mostram que família perfeita é a que se esforça para dar certo..

2 - Obesidade

Kate e Toby são obesos e se conhecem em um grupo de apoio. Kate está super focada na dieta, em uma rotina pesada de exercícios e está sempre se culpando por seu peso. Enquanto isso, Toby não se preocupa e continua comendo por prazer. Os dois começam um relacionamento e a forma como cada um encara a obesidade os atrapalha.

Em nenhum momento a série é irresponsável com os problemas de saúde que a obesidade pode acarretar. Ela fala dos riscos à saúde, dos problemas psicológicos envolvidos, da pressão, sobretudo sobre a mulher. Nos mostra como o preconceito pode ser sutil: um olhar, uma fala sugestiva, um pequeno gesto. E como todas essas sutilidades se transformam em transtornos para quem as ouve. Mas nos dá uma lição sobre aceitação do corpo e quebra de padrões estéticos.

3 - Luto

Uma das passagens mais tristes e bonitas de This is Us é a morte de William, o pai biológico de Randall. William é doce, inteligente, humilde e ilumina a todos em seu caminho. Por isso, sua partida emociona.
Ele está bem resolvido com o fim de sua vida após um câncer. Resolve viver seus últimos meses em contato com as pessoas que ama, fazendo tudo o que não pôde durante sua dura vida e aproveitando cada dia. Quando parte, o faz em paz.

Quem fica, no entanto, não tem a mesma maturidade para lidar com a perda. Randall enfrenta um turbilhão emocional. Chora, sente raiva e dor. Mas aprende que a melhor forma de lidar com a perda é honrar o legado da pessoa em vida. É aprender o que ela estava tentando ensinar, é levar um pouco dela no dia a dia.

4 - Aborto espontâneo

Kate e Toby se surpreendem com uma gravidez não planejada e de risco. A preocupação é natural, assim como o entusiasmo à espera de uma nova vida. Natural também é a frustração diante da perda: Kate sofre um aborto espontâneo.

Com sensibilidade, a série mostra que o luto por um bebê que nunca se chegou a ter é tão real e doloroso quanto qualquer outro; a sensação de culpa que paira sobre os pais: "Foi algo que eu fiz? Que eu não fiz? Que eu comi? Como me comportei?", são perguntas que passam pela cabeça involuntariamente.

Mostra que a dor e a perda também são do pai, que pode não ter pedido um bebê fisicamente, mas nutria expectativa, sentimentos e sonhos. Que apoio e carinho são fundamentais nesse momento em que raiva e frustração vão dominar aquele casal, que o que eles sentem é compreensível e que aquela dor vai passar.

5 - Ansiedade

Crises de ansiedade são terríveis e assustadoras. E o ataque de pânico vivenciado por Randall em um momento altamente estressante no trabalho mostrou brilhantemente a realidade de pessoas com ansiedade.

A ansiedade é uma doença que atinge milhares de pessoas e está longe de ser apenas uma "frescura moderna", como muitos insistem em pintar. Ainda há muito estereótipo e tabu quando se trata do assunto.

Assim como Kevin ajuda Randall nesse momento, é preciso que as pessoas ao redor deem suporte durante um ataque e não façam pouco caso. Saúde mental é um assunto sério e problemas como depressão, ansiedade e pânico requerem cuidados médicos e psicológicos.










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5 lições de vida com o Professor de “La Casa de Papel”

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“La Casa de Papel” foi a maior febre do Netflix esse ano e, inclusive, virou a série de língua não-inglesa mais vista do serviço de streaming. Se você ainda não assistiu, recomendo reservar algumas horas deste fim-de-semana para fazê-lo. Você não vai se arrepender, eu garanto.


Além de ser uma série incrível, ela oferece várias lições de vida para quem assiste, porque seu personagem principal – o Professor – é um verdadeiro gênio. Bora dar uma olhada? PS: Fique tranquilo, porque tivemos o maior cuidado possível para não dar spoilers da história.


1# PLANEJAMENTO DETALHADO


A chave do roubo orquestrado pelo Professor é o planejamento. Ele passou anos bolando um plano perfeito para assaltar a Casa da Moeda. Estudou nos mínimos detalhes o funcionamento do banco; montou a equipe ideal, com perfis psicológicos complementares e essenciais; analisou os procedimentos que a polícia toma nessas situações; e muito mais.


Se não fosse por essa preparação toda, o assalto iria durar menos tempo do que um espirro. Isso serve para a nossa vida, também. Quando vamos abrir um negócio ou montar um projeto, é preciso estudar exaustivamente e se planejar o máximo que for possível, para assim aumentar as chances de sucesso.


2# ANTECIPAÇÃO DE CENÁRIOS


O Professor é um jogador de xadrez, no sentido figurado e no literal, porque o tabuleiro aparece algumas vezes na série. Por isso ele sabe a importância da antecipação. Por mais que você faça um planejamento cuidadoso, existe um fator de imprevisibilidade na vida. Não dá para prever com 100% de precisão as coisas que vão acontecer.


Por isso o Professor trabalha sempre em cima de diferentes cenários. Se eu fizer a ação “A”, a polícia pode responder da maneira “B”, “C” ou “D”. Se eles apostarem na “B”, aí farei “E”. Se for “C”, vou ter um plano “F”. No caso de “D”, seguirei na “G”.


Aí se eu fizer “A” e eles “B” e eu “E”, talvez eles venham com “H” ou “I”, etc etc.


Bom, talvez essa sopa de letrinhas tenha ficado confusa, mas deu para entender o espírito, né? E essa antecipação ainda vai longe, porque ele tem que fazer planos para todas as possibilidades futuras. Só assim para não ser pego de surpresa.


3# CAPACIDADE DE IMPROVISAÇÃO


Beleza. Aí você faz o planejamento perfeito; antecipa todos os cenários que pode imaginar; mas pinta uma situação inesperada. O que fazer? Agora é a hora de improvisar.


Mas não se engane: improvisação requer, também, habilidade e conhecimento. Tente improvisar um drible e peça ao Messi para fazer o mesmo. Deu para entender a ideia? Quando você tem domínio do que faz, consegue improvisar com destreza. Por isso você tem que estudar a sua área de atuação ao máximo, cobrindo todas as vertentes possíveis.


4# RAZÃO VS EMOÇÃO


Não é nenhum spoiler, mas sempre que alguma coisa dá errado no assalto, é porque alguém deixou a emoção falar mais alto do que a razão. Óbvio que não somos robôs para agir com uma frieza absoluta. Mas na hora de tomar uma decisão importante que diz respeito a um negócio – especialmente no qual outras pessoas estão envolvidas – temos que pensar mais com a cabeça, menos com o coração.


5# INTEGRIDADE ACIMA DE TUDO


Para fechar com chave de ouro, não dá para deixar de citar uma das grandes virtudes do Professor: a integridade. Ok, ele está organizando um assalto a banco, o que não é exatamente uma atitude honesta. Mas ele nunca deixa os seus princípios de lado. Por exemplo, respeitar vida das pessoas acima de tudo, mesmo que isso coloque os planos em risco.


O Professor tem um grande senso de lealdade e honra. Sabe quais são os limites que não deve cruzar e os respeita sempre. A grande lição que isso nos mostra? Ter sucesso é ótimo, mas não a qualquer preço. Existem coisas mais importantes. Como respeitar seus princípios.


Fonte: https://www.elhombre.com.br/5-licoes-de-vida-com-o-professor-de-la-casa-de-papel/


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The Sinner: série mostra como o inconsciente influência nossas ações

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"Até você se tornar consciente, o inconsciente irá dirigir sua vida e você vai chamá-lo de destino."Carl Gustav Jung. 


Produzida pela USA Network, casa de Suits e Mr. Robot, baseada no best-seller homônimo de Petra Hammesfahr, o drama The Sinner acompanha a jovem mãe Cora (Jessica Biel), que durante um ataque de raiva inexplicável, comete um ato de violência assustador – e, para seu horror, sem saber porquê. 

O investigador Harry Ambrose (Bill Pullman) é encarregado de descobrir um motivo, cada vez mais obcecado em entender as profundezas mesmo que esteja enterrado no inconsciente da moça, acaba desvendando segredos violentos que ela tenta manter no passado, longe dos olhos do mundo.

Para psicólogos de plantão a série é uma análise a cada capítulo. Isso porque a atriz consegue transmitir de uma forma envolvente e clara como o inconsciente influencia as nossas ações e pensamentos, para o bem e para o mal. Todos nós temos desejos, temores, ideias preconcebidas que não sabemos exatamente de onde vêm, que não foram escolhas nossas e que simplesmente se manifesta.

As teorias de Sigmund Freud, são referenciais importantes para os estudos do inconsciente. Freud já defendia que apenas uma pequena fração das nossas memórias encontra-se ativada, demarcando os limites da consciência. Todas as demais estão em estado latente, ou seja, escondidas.

Uma das principais funções do inconsciente é manter o equilíbrio da nossa psique. É simplesmente impossível guardar todas as nossas experiências e ainda ter plena consciência delas. Para isso, existe o inconsciente.

Logo, o inconsciente é a nossa bagagem de memórias, um repositório que nos alimenta continuamente de imagens e símbolos. De vez em quando, o inconsciente interage com a consciência, o que pode ser bom ou ruim, dependendo de como lidamos com os resultados que essa ação nos traz. Quando uma associação entre memórias é muito forte, mas reprimida conscientemente, ela pode escapar ou vazar por meio de um ato falho ou mesmo de um sonho que expressa aquele conteúdo de forma direta ou indireta. Esse mecanismo explicaria, por exemplo, o fato de alguém dizer “tchau” em vez de “oi” a uma pessoa que acabou de encontrar e da qual não gosta muito.

Nesse ambiente inconsciente que a drama ocorre a protagonista comete um crime e não entende o que a motivou. Quando o detetive se propõe a ajudá-la ele começa a questionar o que aconteceu. Como ele não tem respostas do motivo, ele procura na hipnose a busca das memórias reprimidas para entender o ocorrido.

Nas sessões de hipnose , Cora começa a se lembrar do ocorrido , porém de forma distorcida. O inconsciente mostra as imagens, mas o conteúdo é tão pesado que para ela lidar ele o faz de doses homeopáticas. Mas não é através da hipnose que a cura vem. Por causa das lembranças distorcidas que Cora “se lembra”, o conteúdo não se encaixa, e oferece poucas pistas do motivo.

Apesar de Cora não ser lembrar totalmente do seu passado, a hipnose dispara aquilo que chamamos de processo terapêutico. Ela começa a sonhar , a reviver o seu passado até que a lembrança do real motivo vem à tona e o caso é solucionado.

A série dessa forma, nos mostra como o inconsciente é real e tem poder sobre nossos pensamentos e ações. Deste modo, perceber e analisar o inconsciente pode ser um caminho para minimizar distúrbios emocionais, pois é comum uma pessoa enfrentar um problema por anos, sem entender seu motivo, e a explicação estar em algo que ficou guardado no inconsciente. E, quanto mais acessado, maior a chance de ampliar a consciência e com isso agir de forma menos inconsciente possível.

Debora Oliveira
Psicóloga Clínica
CRP: 06/123470






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Gipsy: quando o Psicólogo precisa de cuidados

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“ Nenhum psicanalista avança além do quanto permitem seus próprios complexos e resistências internas; e, em conseqüência, requeremos que ele deva iniciar sua atividade por uma auto-análise e levá-la, de modo contínuo cada vez mais profundamente, enquanto esteja realizando suas observações sobre seus pacientes (FREUD, 1910)


Freud , Em seu texto “Sobre o ensino da psicanálise nas universidades” (1919), afirma que a formação de um analista deve ser sustentada a partir de um tripé constituído por: ensino teórico, supervisão e análise pessoal.

O tripé aconselhado por Freud é muito importante e necessário para o profissional em sua formação acadêmica e depois de já formado. Embora a teoria seja a base para os atendimentos , não há uma receita de “bolo” a ser seguida, mas um comprometimento em melhorar não apenas como pessoa, mas também como profissional. O Código de ética do Psicólogo , no item IV de seus princípios fundamentais, deixa claro que o psicólogo atuará com responsabilidade por meio do contínuo aprimoramento profissional.

Mas por que fazer terapia é vital para o profissional? Poderíamos ficar o dia todo aqui escrevendo a respeito, mas vou citar apenas dois. O primeiro e o mais óbvio é que o psicólogo também precisa se cuidar. Ele não está imune às circunstâncias adversas da vida ou a sofrimentos. Alguém já viu um médico doente cuidar de outro enfermo? Claro que não. O princípio é o mesmo para o psicólogo. Ele precisa se cuidar e experimentar primeiro ele, a eficácia da terapia.

Em segundo lugar é importante que o psicólogo faça terapia (principalmente se ele for para a área clínica) , porque em seus atendimentos, vez por outra ele irá encontrar algo, feridas e traumas em seus pacientes que esbarram nas suas feridas. A terapia irá ajudá-lo a separar suas dores das dores de seus pacientes , permitindo assim que o processo não “se contamine”. 


Tão importante quanto a terapia é a supervisão clinica. É durante a supervisão que o psicólogo terá a oportunidade de visualizar seus atendimentos sob a ótica de alguém mais experiente, bem como avaliar sua capacidade de ir além do que o paciente traz para a sessão. A continuidade dos estudos faz com que o psicólogo se aprimore e acompanhe o ritmo e as mudanças da sociedade e cultura na qual ele está inserido.

Mas o que tudo isso tem a ver com o seriado Gipsy? Tudo eu diria.

Gipsy é uma série forte e mostra claramente o que acontece quando o psicólogo não se atenta para o tripé em sua formação e ultrapassa e desrespeita todos os limites entre pacientes e psicólogos . A ética profissional existe por uma razão : proteger o paciente e o psicólogo. Quando Jean desrespeita a ética , sua conduta profissional não apenas deixa a desejar , mas também prejudica a vida dos seus pacientes de forma direta.

Jean é uma psicologa que faz tudo o que um psicólogo não deve fazer. Ela começa a desenvolver relações íntimas e ilícitas com as pessoas que fazem parte da vida dos seus pacientes e em certo ponto esse envolvimento não tem volta. Com isso o inevitável acontece: não apenas sua vida vira uma bagunça , como suas sessões são influenciadas de forma negativa por essa proximidade. 

A psicóloga tem claros problemas emocionais e ela age como se fosse outra pessoa para sustentar seu envolvimento. De fato ela cria uma persona, com nome , uma vida diferente da sua e esse "jogo emocional" custa caro para Jean.

A série retrata de forma clara, ao contrário do que muita gente pensa, como o psicólogo é frágil , ser humano, passível de erros. Quebra a onipotência do profissional como um ser superior , detentor do saber único e que sempre sabe o que fazer com a sua vida.

Por outro lado , percebemos que embora essa fragilidade seja algo normal, ela não deve suportará como algo imutável, pelo contrário, ela deve ser cuidada. A cada episódio acompanhamos como Jean vai se complicando, se envolvendo em um emaranhado de mentiras e manipulação. Ela se perde em suas tramas, nessa persona criada e vemos claramente que o psicólogo que não faz terapia fica à mercê das suas próprias feridas, preso na teia das suas dores e com isso, Jean não sabe onde começa e termina suas questões o que acaba complicando o tratamento de seus pacientes e cada mais fica difícil lidar com o paciente quando a sua dor esbarra na dele.

Embora Jean não se cuide em uma análise, ela faz supervisão dos seus casos. Talvez isso ocorra porque é feita na clínica, junto com outros profissionais que também trabalham lá. Contudo , o que poderia ser algo muito bom , não acontece porque os dados que são repassados por ela são manipulados. Jean conta em supervisão apenas aquilo que lhe convém e não somente omite fatos importantes como também chega a criar histórias sobre o progresso de seus pacientes. Dessa forma, ela é vista como uma boa profissional por seus colegas, inclusive um pede para ela lhe ajudar em um caso parecido com o seu, já que ela teve grandes progressos no mesmo ( falsamente e inventado).

A série é intrigante e envolvente. Mas quando analisada percebemos que o tripé de Freud que é aconselhado em sua teoria não é cumprido e com isso percebemos o quão importante e necessário é o profissional se cuidar emocionalmente, fazer supervisão e continuar os seus estudos. Fica um alerta para todos nós psicólogos o quão prejudicial nossos atendimentos se tornam quando cruzamos essa linha e não nos cuidamos. 

Para os pacientes ou o público em geral que assistem a série e se questionam se a pessoa com quem faz terapia pode ser tão problemática quanto Jean, lembre-se : ele é humano, mas isso não o exime da responsabilidade e necessidade em se cuidar. Não tenha medo em perguntar se o profissional faz terapia e tão pouco verificar no conselho regional de Psicologia do seu Estado se existe algum processo ( e se esses são legítimos ou meras acusações ) contra o mesmo.

Debora Lima de Oliveira
Psicóloga Clinica 






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