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Estudo prova que o mundo é literalmente cinza para as pessoas que sofrem de depressão

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As cores têm um papel tão importante nas nossas vidas, que nós as usamos para descrever nossos sentimentos e ações. Você já se sentiu azul de fome, verde de inveja, roxo de raiva ou viu o mundo rosa por estar apaixonado? Já dissipou uma nuvem negra quando finalmente teve uma oportunidade de ouro e não conseguiu realizar? Já enxergou o mundo cinza quando estava triste ou deprimido? Pois é sobre essa última constatação que hoje vamos falar. Essa percepção de que um mundo triste é um mundo sem cores vai muito além da linguagem.


O fato agora tem prova científica. A descoberta, realizada por cientistas alemães, prova o que há séculos os artistas tem manifestado na pintura, na literatura e em outras obras, além de revelar que a depressão causa uma alteração fisiológica na visão, levando à perda de sensibilidade na vista e fazendo com que os pacientes enxerguem a vida literalmente em tons de cinza.


O estudo “Seeing Gray When Feeling Blue? Depression Can Be Measured in the Eye of the Diseased“, da Universidade de Freiburg, mostra que pessoas com a doença são realmente menos sensíveis aos contrastes de cor. 


Os pesquisadores realizaram testes na retina de vários voluntários e mostraram que o efeito é semelhante ao ato de diminuir o controle de contraste em uma TV. Para os especialistas, a conclusão da experiência foi tão clara que eles acreditam poder usar, em futuro próximo, um teste de visão para medir níveis de depressão em pacientes que apresentem os sintomas.


Essa pode ser a razão também para explicar o motivo de tantos artistas ao longo dos tempos, independentemente da cultura ou língua, retratarem os sintomas usando símbolos da escuridão e tons cinzentos, como o da tela ‘O Velho Guitarrista‘ de Pablo Picasso, produzida em 1903.


Para o psiquiatra da Unicamp, Paulo Dalgalarrondo, que atende na área há mais de 20 anos, essa é uma reclamação constante de quem busca o tratamento para a doença. Seus pacientes frequentemente reclamam disso. A boa notícia, diz Paulo, é que isso é reversível assim que o paciente cura a doença. De acordo com o médico, as pessoas diagnosticadas com depressão têm a sensação de que “o mundo está mais apagado” e que a música não soa como antes. Nosso humor consegue afetar a maneira como nós enxergamos o mundo à nossa volta.




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Sintomas de depressão na infância e adolescência são mais variados

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Os sintomas na infância e adolescência são mais variados do que nos adultos. E podem se confundir com outros problemas. Pode apresentar irritabilidade, agitação, que pode ser confundido com transtorno de hiperatividade, por exemplo. Ter medo de dormir sozinha, não querer ir para escola, ter piora no rendimento escolar, dores de cabeça, abdominais.


Sintomas de acordo com a idade: 

  • 2 a 5 anos: sintomas físicos, como parar de comer, dor na barriga. 
  • 5 a 7 anos: sintomas psicossomáticos, desempenho pobre e recusa escolar, ansiedade, fobia, irritabilidade, retraimento social. 
  • 8 a 12 anos: perda do prazer e tristeza, desesperança, variação de humor, ansiedade, recusa escolar, desejo de morte. 
  • 13 a 18 anos: irritabilidade, inquietação, isolamento social, agressividade, problemas com drogas, cansaço, dormir muito, ideação e atos suicidas. 

Antes de diagnosticar a depressão é preciso descartar outras doenças. Ficar triste e quieto é OK. Depressão é mais intensa, imobiliza.

Na adolescência, o jovem pode apresentar isolamento social, ficar muito no quarto, não querer interagir com os pais, com os amigos. Esses sintomas muitas vezes são confundidos. Os pais precisam perceber quando passa da normalidade ou quando gera sofrimento, prejuízo social e emocional para esse adolescente. Esse é o gatilho para entender que esse adolescente está em risco ou que ele realmente está com quadro de depressão. 

E as redes sociais? 

Elas podem funcionar para o bem e para o mal. O adolescente pode encontrar acolhimento na internet, mas também pode encontrar pessoas que o colocam para baixo. É muito importante os pais ficarem SEMPRE de olho no que os filhos estão vendo. 

O que protege? 

  • Ter com quem conversar 
  • Ter um amigo que vai ligar para os pais se algo estiver estranho 
  • Poder se abrir com a família, sem julgamentos 
  • Ter suporte na escola 
  • Alimentação 
  • Atividade física 

O que traz riscos? 

  • Bullying 
  • Violência doméstica 
  • Violência emocional 
  • Violência sexual 
  • Assalto 
  • Privação de sono 
  • Fator genético 
  • Abandono 
  • Ausência de suporte social 
  • Contato precoce com substancias psicoativas 
O que fazer? 

Rompa o isolamento em que vive o jovem 
Expresse disponibilidade de escutá-lo sem julgamento 
Avalie a urgência do caso 
Não o deixe só até que as providências sejam tomadas 
Envolva a família 

Tratamentos 

Crianças e adolescentes com depressão também devem fazer terapia e, se for necessário, tomar antidepressivos. O tratamento deve ser multidisciplinar. Além do psiquiatra e psicólogo, as pessoas ao redor também precisam se envolver. Carinho, apoio, atenção são fundamentais. 

Estudos já comprovam que aquelas pessoas que têm uma vida social com amigos verdadeiros, têm capacidade de troca com eles, conseguem viver uma vida mais harmoniosa, com humor muito melhor. 

As pessoas precisam olhar para elas mesmas e tratar as pessoas que estão deprimidas com carinho. Ajudar a buscar uma solução e não ficar criticando.




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Estresse e depressão podem afetar a memória; veja truques de memorização

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O estresse, a ansiedade e a depressão estão na lista dos principais inimigos da memória. Segundo estudos científicos recentes, a liberação do cortisol, conhecido como hormônio do estresse, quando em excesso, pode causar a diminuição do hipocampo, a região do cérebro onde guardamos nossas lembranças e gravamos nossos conhecimentos.


Se não tratadas, essas doenças ligadas ao estilo de vida contemporâneo podem causar danos cerebrais semelhantes ao Alzheimer ou mesmo acelerar a chegada da doença degenerativa.


"Tanto a depressão quanto a ansiedade e o estresse crônico levam à atrofia de uma parte do cérebro chamada hipocampo, que é o nosso 'hard drive'. Na doença de Alzheimer, o hipocampo também começa a diminuir, por isso existe um link entre a depressão, o estresse e o Alzheimer que vem sendo estudado", diz o geriatra João Senger, vice-presidente da Sociedade de Geriatria do Rio Grande do Sul, que analisa os estudos que abordam os efeitos das doenças mentais e físicas na memória, especialmente em idosos.


Estudos recentes concluíram que as alterações circulatórias causadas por tabagismo, hipertensão e diabetes também causam estragos no cérebro, porque afetam a circulação do sangue. "A hipertensão, o diabetes e o tabagismo influenciam na parte circulatória do corpo e, por consequência, do cérebro, já que os neurônios são células que precisam de muita energia para funcionar. E quem leva essa energia? O sistema circulatório. O nosso cérebro pesa mais ou menos um quilo e meio e consome 20% do nosso sangue. Se você não tiver o motor bem alimentado, ele não funciona bem", explica.


Receita da boa memória


Cientistas que estudam os efeitos da atividade física na memória descobriram que, além de combater a hipertensão e o diabetes, manter o corpo em movimento ajuda na liberação de substâncias químicas que protegem os neurônios.


"A atividade física libera um fator de proteção aos neurônios que faz com que eles durem mais. A perda de neurônios ou de sua funcionalidade também afeta a memória", diz Senger.


Outro aliado da memória é o pensamento ativo, explica a psicóloga Mônica Yassuda, professora associada do bacharelado em Gerontologia da USP-Leste. "As pesquisas mostram de forma contundente que temos ganhos cognitivos ao aprendermos coisas novas, seja uma oficina de bordado, de fotografia. Exames de neuroimagem mostram alterações no volume do hipocampo nestas situações, que trazem ganhos para a memória. E, entre os que aprendem uma habilidade nova, os testes de memória apresentam melhoras", afirma Yassuda.


Pessoas que fazem atividades intelectuais tendem a ter uma reserva cognitiva mais complexa que reforça a estrutura do hipocampo.


"Precisamos ter problemas, pensar, caso contrário o hipocampo atrofia e o cérebro envelhece. Para garantir uma boa reserva cognitiva, o ideal é, enquanto for jovem, investir na escolaridade; na fase adulta manter um trabalho que te faça pensar. Já na velhice, o melhor é arrumar coisas para fazer, ir plantar, criar bicho, se incomodar com o vizinho. Quem se aposenta e resolve ter férias eternas, em dois anos, começa a afundar a memória porque parou de exercitar o cérebro", reforça Senger.


Problema ou mero esquecimento?


Antes mesmo de começar a rotina de exercícios e de estudos, vale primeiro notar se há de fato um problema na memória. Esquecimentos são comuns e diferem de problemas de memória pela frequência e pela forma como afetam a rotina.


"Quando uma pessoa tem dificuldade de aprender coisas novas e quando esse esquecimento se torna contínuo, é algo que podemos nos preocupar. Um exemplo é quando a pessoa começa a repetir perguntas e a não se lembrar disso. Mas, quando ela tem lapsos de memória e sabe que se esqueceu, não é necessariamente algo preocupante", diz Senger.


Para quem se queixa de esquecimentos frequentes, há uma série de técnicas de memorização que ajudam a melhorar a qualidade de vida. Yassuda ensina essas técnicas a grupos de idosos na USP-Leste todo o semestre, mas afirma que as técnicas podem trazer benefícios para pessoas de todas as idades.


"É importante o adulto a ser mais estratégico no momento da memorização. Ensinamos primeiramente a prestar atenção, evitar distrações, focar melhor a sua atenção para fazer uma memorização mais profunda", diz Yassuda.


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Sinais não óbvios de que você pode estar deprimido

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A depressão é muito mais do que uma condição inerente ao humor. Embora seja um (errô­neo) costume associar o termo “deprimido” a uma pessoa em estado de tristeza e desânimo, a depressão é um mal patoló­gico, há anos reconhecido pela Organização Mundial de Saú­de (OMS). Tristeza, desinteresse exacerbado, sentimento de culpa ou excesso de sono são apenas alguns dos vários sintomas que esse mal provoca no infeliz indi­víduo que com ele precisa lidar.


A depressão afeta tanto física quanto psicologicamente. Altera a produção hormonal, ou seja, toda a fisiologia do organismo se trans­forma, e o corpo funciona de ma­neira “bagunçada”, anulando ou aumentando a sensação de fome e sono, e pode provocar aumen­to ou perda de peso. A depressão, mais do que uma doença que afeta emocionalmente, ela pode repri­mir até mesmo o desejo de uma pessoa continuar vivendo. Veja abaixo alguns sinais não óbvios que pode indicar que você pode estar deprimido:




1. Hobbies sem graça


Isso acontece porque o prazer em realizá-los diminui ou até desaparece. “Quando estamos em depressão, nosso sistema de recompensa sofre um colapso”, explica Luiz Scocca, psiquiatra da Associação Brasileira de Psiquiatria. Com a produção de certas substâncias descompensadas, como a dopamina, o cêrebro não reconhece mais a diversão em atividades que antes você achava pra lá de agradável.


2. Irritabilidade


Perder a cabeça com mais frequência indica uma cronicidade da doença : um estudo publicado no periódico científico JAMA Psychiatry observou que mais de 50% das pessoas que sofrem com depressão há muitos anos apresentam um alto nível de irritabilidade e raiva. “Isso porque, durante a depressão, a sensibilidade a estímulos externos e internos aumenta, fazendo com que seja mais difícil lidar e processar esse tipo de sentimento”, diz Luiz.


3. Alterações do sono


Dormir muito mais ou muito menos do que você estava acostumada não é um bom sinal.  Acordar cedo demais com frequência, por volta das quatro ou cinco da manhã, e não conseguir voltar a dormir também pode ser indício do problema”, alerta Luiz. Isso acontece porque o cérebro libera uma série de substâncias que inibem o relaxamento, fazendo com que seja mais difícil pegar no sono.


4. Celular: seu novo melhor amigo


O excesso de tempo online é sinônimo de busca de escapismo para os sentimentos depressivos. Cada like nas redes sociais serve como uma distração para o que está realmente acontecendo dentro de você mesma. O problema é que esses micromomentos de felicidade que uma foto supercomentada traz acabam mascarando a depressão – tanto para você quanto para os outros.


5. Vocabulário específico


Um estudo recente publicado no Clinical Psychological Science analisou 64 diferentes fóruns online de saúde mental, examinando mais de 6 400 membros para descobrir os termos mais comuns usados por quem tem depressão. As palavras absolutas (que transmitem magnitudes ou probabilidades totais, como “sempre”, “nada” ou “completamente”) foram selecionadas pelos pesquisadores como as melhores para distinguir o público sofrendo do transtorno, até mesmo mais importantes do que as que expressam negatividade, como “solidão” ou “tristeza”. Por isso, fique atenta ao seu vocabulário – ele pode dar sinais de que seu emocional precisa de ajuda.





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A tristeza permitida

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Se eu disser pra você que hoje acordei triste, que foi difícil sair da cama, mesmo sabendo que o sol estava se exibindo lá fora e o céu convidava para a farra de viver, mesmo sabendo que havia muitas providências a tomar, acordei triste e tive preguiça de cumprir os rituais que faço sem nem prestar atenção no que estou sentindo, como tomar banho, colocar uma roupa, ir pro computador, sair pra compras e reuniões – se eu disser que foi assim, o que você me diz?


Se eu lhe disser que hoje não foi um dia como os outros, que não encontrei energia nem pra sentir culpa pela minha letargia, que hoje levantei devagar e tarde e que não tive vontade de nada, você vai reagir como?


Você vai dizer “te anima” e me recomendar um antidepressivo, ou vai dizer que tem gente vivendo coisas muito mais graves do que eu (mesmo desconhecendo a razão da minha tristeza), vai dizer pra eu colocar uma roupa leve, ouvir uma música revigorante e voltar a ser aquela que sempre fui, velha de guerra.


Você vai fazer isso porque gosta de mim, mas também porque é mais um que não tolera a tristeza: nem a minha, nem a sua, nem a de ninguém. 


Tristeza é considerada uma anomalia do humor, uma doença contagiosa, que é melhor eliminar desde o primeiro sintoma. Não sorriu hoje? Medicamento. Sentiu uma vontade de chorar à toa? Gravíssimo, telefone já para o seu psiquiatra.


A verdade é que eu não acordei triste hoje, nem mesmo com uma suave melancolia, está tudo normal. Mas quando fico triste, também está tudo normal. Porque ficar triste é comum, é um sentimento tão legítimo quanto a alegria, é um registro de nossa sensibilidade, que ora gargalha em grupo, ora busca o silêncio e a solidão. 


Estar triste não é estar deprimido. Depressão é coisa muito séria, contínua e complexa. Estar triste é estar atento a si próprio, é estar desapontado com alguém, com vários ou consigo mesmo, é estar um pouco cansado de certas repetições, é descobrir-se frágil num dia qualquer, sem uma razão aparente – as razões têm essa mania de serem discretas.


“Eu não sei o que meu corpo abriga/ nestas noites quentes de verão/ e não me importa que mil raios partam/ qualquer sentido vago da razão/ eu ando tão down…” Lembra da música? Cazuza ainda dizia, lá no meio dos versos, que pega mal sofrer. Pois é, pega mal. Melhor sair pra balada, melhor forçar um sorriso, melhor dizer que está tudo bem, melhor desamarrar a cara. “Não quero te ver triste assim”, sussurrava Roberto Carlos em meio a outra música. Todos cantam a tristeza, mas poucos a enfrentam de fato. Os esforços não são para compreendê-la, e sim para disfarçá-la, sufocá-la, ela que, humilde, só quer usufruir do seu direito de existir, de assegurar seu espaço nesta sociedade que exalta apenas o oba-oba e a verborragia, e que desconfia de quem está calado demais. Claro que é melhor ser alegre que ser triste (agora é Vinícius), mas melhor mesmo é ninguém privar você de sentir o que for. 


Em tempo: na maioria das vezes, é a gente mesmo que não se permite estar alguns degraus abaixo da euforia.


Tem dias que não estamos pra samba, pra rock, pra hip-hop, e nem pra isso devemos buscar pílulas mágicas para camuflar nossa introspecção, nem aceitar convites para festas em que nada temos para brindar. Que nos deixem quietos, que quietude é armazenamento de força e sabedoria, daqui a pouco a gente volta, a gente sempre volta, anunciando o fim de mais uma dor – até que venha a próxima, normais que somos.



Martha Medeiros



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Síndrome do ninho vazio: o impacto da saída dos filhos de casa na vida dos pais

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Apesar de sentir-se realizada ao ver a única filha casar e estruturar uma nova vida, Hebe desmoronou quando se viu sozinha em casa, em 2017.

"Quando eu falava dela, sentia uma vontade incontrolável de chorar. A razão dizia que eu precisava construir novos laços, mas o sentimento era de não querer conversar com outras pessoas", conta Hebe, hoje com 52 anos e viúva há 13.

Formada em Economia, ela trabalha como bancária há 29 anos em Jundiaí (SP). Apesar de gostar do trabalho, não conseguia lidar com a solidão e sentiu dificuldades para recriar a rotina, agora voltada para si e não mais para a filha Ana Carolina.

"É difícil não ter mais uma pessoa para cuidar e conversar. Eu não fazia muita coisa sozinha, a maioria do meu tempo era para ela, com ela e por ela", diz Hebe. "Ela tinha atividades durante o dia, mas a gente sempre conversava quando ela chegava em casa, mesmo que fosse tarde da noite. Eu não ficava totalmente sozinha."

Após a saída da filha, Hebe começou a apresentar sintomas depressivos: só saía de casa para trabalhar e visitar os pais, sentia dores intensas no corpo e vontade constante de chorar.

Em abril de 2018, após 11 meses, Hebe decidiu buscar uma psicóloga e foi diagnosticada com a síndrome do ninho vazio (SNV), caracterizada pelo sofrimento dos pais após o esvaziamento da casa pela saída dos filhos.

"Abri mão das minhas coisas pensando apenas nela. A gente se apega e acaba se esquecendo um pouco da gente", afirma.

Apesar de não se arrepender da dedicação à filha, Hebe hoje reconhece a importância de buscar outras atividades de seu interesse e de construir si mesma em outros papéis além da maternidade. Se antes esperava convites para sair de casa, agora Hebe busca viver de outra maneira. "Chorava a ausência dela e pensava que alguém poderia me convidar para sair. Agora não fico mais lamentando e tento convidar as pessoas", conta.

Hoje, Hebe acompanha Ana Carolina por telefone e nos almoços de fins de semana. Apesar de ainda sentir falta da filha, ela considera que o contato não se perde: apenas se transforma. "Os filhos precisam seguir o caminho deles e nós que temos que buscar o nosso, sem a presença deles tão constante."

Síndrome do Ninho Vazio

A Síndrome do Ninho Vazio é caracterizada por um sentimento de tristeza e desânimo que acomete os pais quando os filhos se tornam independentes e saem de casa. A maioria das pessoas educa seus filhos e os prepara para buscar seus próprios caminhos, mas alguns pais (principalmente as mães) que dedicaram suas vidas exclusivamente aos filhos começam a perceber que não descobriram outros papéis enquanto indivíduos a não ser o de pai/mãe e, assim, começam a se sentir desconfortáveis.

Principais sintomas

Depressão;
Distúrbios do sono;
Melancolia;
Raiva;
Distúrbios alimentares;
Diminuição da libido.

Além disso, é comum que os casais que estão passando por esta fase acabem tendo conflitos. Isso porque, quando os filhos já estão criados e a vida financeira é estável, existe um reencontro entre o casal que, às vezes, pode perceber que não há mais nenhum projeto comum. Inconscientemente, marido e mulher estabelecem um compromisso de vínculo para educar os filhos e, quando eles amadurecem, os pais sentem que sua função foi cumprida.

Dicas para lidar com a partida dos filhos

Entenda a nova fase

Reconheça que é natural que os filhos saiam de casa para buscar sua própria independência é natural. Neste momento, é importante refletir e aceitar que a fase de mãe protetora passou e perceber que outras possibilidades podem se abrir e a descoberta de novos papéis é essencial. Encare essa nova fase como uma oportunidade de cuidar de você e realizar novas tarefas.
Encerre o ciclo

Faça um exercício: inspire e segure a respiração. Repare como o “ar antigo” nos sufoca, não deixando novos ciclos de oxigênio acontecerem. A mesma coisa ocorre quando nos apegamos a ciclos que já se encerram e quando temos medo da perda e não conseguimos focar nos ganhos que ela nos traz. Permita-se abrir espaço para o novo.
Tire seus sonhos da gaveta

Orgulhe-se de ter completado sua missão: você criou seus filhos para serem independes e cumpriu sua tarefa. Agora é o momento de tirar seus sonhos da gaveta. Encontre novos hobbies, pratique exercícios, comece um novo curso e aprenda coisas novas. Reflita honestamente sobre as ações que te dão prazer. Ao longo da vida, as pessoas acabam adiando uma lista de atividades prazerosas por conta da correria diária. Faça uma lista com tudo que deseja realizar e coloque-se no centro da sua vida.

Pense nos lados positivos

Além de ter mais tempo para você, muitas vezes o relacionamento com os filhos melhora quando eles mudam de casa. Aproveite a nova fase para dar mais atenção ao seu relacionamento e sair mais à dois.

Preparar a saída

O sofrimento causado pela SNV não se relaciona somente à saudade e a solidão dos filhos, mas também à falta de preparação prévia dos pais para essa fase da vida.

A prevenção é sempre o melhor remédio. As pessoas precisam começar a se preparar para essa fase e buscar outras vivências além dos filhos: sair com amigos, praticar atividades físicas, estudar, viajar. Falta de saúde social também faz adoecer.

O esvaziamento da casa pode ter impactos diferentes sobre o casamento dos pais dependendo da maneira como eles construíram a relação.

Não é difícil haver divórcios nessa fase porque muitos não suportam a pressão de se ver frente a frente com o parceiro. Perderam a intimidade, não sabem o que o outro gosta e só se enxergam como pai e mãe. Tudo isso faz o casamento perder sentido.

Porém, há também casais que se fortalecem e usam o tempo antes dedicado ao filhos para buscar novas atividades juntos.

FONTE: BBC Brasil
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Esforço de 200 cientistas no mundo inteiro cria mapa genético da depressão

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Em um esforço global para entender o peso genético da depressão, um consórcio de 200 cientistas, em 161 instituições do mundo inteiro, identificou 44 genes relacionados a formas severas da condição. Isso é particularmente importante porque a ciência já sabe que, em casos mais graves, a hereditariedade tem um peso importante na ocorrência da doença.

O estudo foi publicado na "Nature Genetics" e integra o "Psychiatric Genomics Consortium", um esforço global para mapear genes associados a disfunções psiquiátricas. A pesquisa teve a coordenação da Kings College London (Reino Unido), da Universidade da Carolina do Norte (EUA) e da Universidade de Queensland (Austrália).

Dos 44 genes mapeados, 30 foram descritos pela 1ª vez nessa iniciativa específica. O achado abre caminho para o surgimento de terapias mais específicas para a condição, que tenham por alvo ou o silenciamento desses genes ou o bloqueio de substâncias produzidas a partir de informações desses genes.

O estudo tem por base outras pesquisas que mostraram o peso da hereditariedade em casos mais graves. Estudos com gêmeos idênticos, por exemplo, mostraram que, se um deles desenvolve uma forma mais grave da doença, o outro tem um risco tão elevado quanto de também manifestar os mesmos sintomas.

Apesar disso, no entanto, cientistas pontuam que não é toda a pessoa com genes associados à depressão que vai desenvolver a condição. O esforço global também quer entender o porquê isso ocorre.

A depressão mais grave afeta aproximadamente 14% da população global. Um dos problemas, no entanto, é que apenas metade dos pacientes responde bem aos tratamentos existentes, segundo os autores. Pesquisadores mapearam dados de 135 mil pessoas com depressão maior (a mais incapacitante) e também de 344 mil pessoas saudáveis.

Além dos 44 genes associados à depressão, pesquisadores encontraram outros 153 genes relacionados a outros transtornos mentais. Desses outros genes encontrados, os cientistas descobriram que seis deles contribuem tanto para o surgimento da depressão, quanto para a maior ocorrência de esquizofrenia.

Um outro ponto curioso do estudo é que alguns genes associados à depressão também foram relacionados à qualidade do sono, insônia, cansaço e tendência à obesidade.

Dá para dizer que a depressão tem os genes como causa?

Genes têm um peso na depressão, mas não a determinam, dizem os cientistas. Isso significa dizer o seguinte: se uma pessoa tem genes associados à doença, ela tem maior risco de desenvolvê-la, mas isso não quer dizer com certeza que esse indivíduo será depressivo.

Em outras doenças, a genética é mais determinante. É o caso da doença de Huntington, que tem como primeiros sintomas alterações de humor, mas vai lentamente progredindo para demência, problemas de fala e coordenação motora. Trata-se de uma doença hereditária causada por uma mutação do cromossomo 4. Essa mutação mata gradualmente células cerebrais.

No caso da depressão, o gene não é tão determinante, mas pesquisas dizem que, em casos realmente severos, a hereditariedade tem um peso de 40% a 50%. Outros estudos mostram que fatores como abuso sexual ou a perda do pai ou da mãe na infância também são "gatilhos" para que a condição se desenvolva.
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Depressão: 11 maneiras de apoiar quem sofre com a doença

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Quando você pensa em alguém que sofre de depressão, pode imaginar alguém em casa, escondido embaixo das cobertas e incapaz de sair da cama. Mas nem sempre é assim. Pessoas que sofrem de depressão de alto funcionamento, um dos tipos da doença, são capazes de cumprir seus objetivos, manter uma rotina diária e parecem ter uma vida bem-sucedida, explica Charlene Sanuade, terapeuta clínica do CS Counseling and Therapy


Ou seja, a doença pode estar presente, mas de forma oculta. Fica difícil ajudar, demonstrar compaixão ou até mesmo reconhecer que a pessoa precisa de ajuda. Mas o apoio é absolutamente vital. Eis como reconhecer os sinais e ajudar quem sofre desse tipo de depressão, segundo os especialistas.


1. Eduque-se


Antes de tentar ajudar quem sofre de depressão de alto funcionamento, é melhor educar-se a respeito do assunto. "Parte da dificuldade desse tipo de depressão é que a pessoa em geral sofre em silêncio", diz Tanisha M. Ranger, psicóloga e proprietária da Insight to Action LLC.


"Por exemplo, a pessoa pode não estar se acabando de chorar nem ser um poço de tristeza e desespero, pelo menos na sua frente. Mas será que elas não são críticas implacáveis de si mesmas?", continua Ranger. "Parecem incapazes de sentir ou expressar alegria? São particularmente irritáveis? São perfeccionistas ou parecem incapazes de dar um tempo e relaxar? Todos esses são sinais de que elas podem estar lutando contra esse tipo de depressão particularmente insidioso."


É importante, no entanto, não tentar fazer o papel do terapeuta nem se considerar especialista. "Você pode entender as generalidades, mas as dificuldades de cada um são únicas", explica Ranger. "Educar-se sobre depressão significa entender o que seu amigo está passando. Esteja aberto a ouvir que você não compreendeu tudo e esteja disposto a descobrir o que a outra pessoa está sentido exatamente."


2. Ouça e não tente consertar nada


Tentar consertar as coisas é da natureza humana, mas talvez não seja isso o que seu amigo procura.


"A ânsia de 'consertar' os outros vem do nosso desejo de atenuar nossa própria inquietação ou ansiedade. Dê um passo atrás e deixe que a pessoa indique o caminho, no tempo dela", afirma Sanuade.


Lisa Hutchinson, conselheira de saúde mental em Middleborough, Massachusetts, diz que, se um amigo lhe confidencia o que está sentindo, é melhor deixar que ele fale, sem fazer julgamentos e evitando dar opiniões. "Ouvir dessa maneira vai permitir que seu amigo sinta sua empatia e encontre suas próprias soluções", diz Hutchinson.


Ash Nadkarni, psiquiatra associada e instrutora da Escola de Medicina da Universidade Harvard, acrescenta que também é importante reconhecer que uma solução que funcionou para você num cenário específico pode não ser necessariamente adequada para outros. "Todas as pessoas são diferentes", afirma ela.


3. Seja específico em seu apoio


Quando se oferecer para ser parte do sistema de apoio de uma pessoa com depressão de alto funcionamento, é importante explicar exatamente o que você está oferecendo.


"A depressão muitas vezes inclui a sensação de estar sobrecarregado e incapaz de tomar decisões", diz Cindy Adeniyi, conselheira que atua em Jonesboro, Geórgia. Adeniyi lida com depressão clínica há mais de 20 anos.


Em vez de dizer "me ligue se precisar de algo", seja mais específico. Ofereça-se para conversar ou diga: "Se precisar de alguém para te levar no médico, me avise no dia anterior que eu te levo", afirma Adeniyi.


4. Sugira programas divertidos para vocês fazerem juntos


A depressão isola e rouba a energia. Mas conectar-se com pessoas e participar de atividades divertidas ajuda a aliviar os sintomas da doença.


"Sugerir programas divertidos a dois pode fazer muita diferença", diz Adeniyi. Ela sugere um almoço, um filme ou uma caminhada. O que importa é a atenção individualizada.

"Se você convidar a pessoa como parte de um grupo maior, a tendência é que elas não apareçam, ou então não interajam com os outros", afirma ela.


5. Faça as perguntas certas


Quem sofre de depressão costuma ouvir perguntas como "O que você tem de errado?" e "Por que você não está feliz?", ou então frases como "Sua vida é incrível" ou "Supere!". Mas, segundo Erika Martinez , psicóloga baseada em Miami, usar esse tipo de comunicação só piora o estado de quem sofre de depressão. Em vez disso, ela sugere perguntar "O que está acontecendo?", "de que você precisa para se sentir melhor?" ou "Posso fazer alguma coisa para ajudar?"


6. Valide sentimentos


A principal coisa que queria que família e amigos tivessem feito é validar meus sentimentos", diz a YouTuber Cassandra Bankson, 25, moradora de San Francisco. Isso significa que você não pode menosprezar o que as pessoas queridas estão passando.


"Entendo que minha depressão, suas causas e seus gatilhos possam parecer irrelevantes, dramáticos demais ou desimportantes no contexto das vidas das outras pessoas. Mas, para mim, é tudo enorme", explica Bankson. "Quando parentes e amigos dizem: 'Não é nada demais', me sinto mal compreendida e me afasto ainda mais. Foi muito importante ver meus sentimentos validados, ouvir claramente que é OK tê-los e OK pedir ajuda."


7. Pequenos atos de gentileza


Apoiar envolve ter resistência. É importante manter-se firme e ao mesmo tempo dar ao amigo o espaço que ele precisa. Não deixe de procurá-los ou se oferecer para fazer companhia, talvez para cozinhar ou ajudar na arrumação da casa, sugere Nadkarni.


"Lembra quando você era pequeno e seus pais te preparavam um chá ou faziam sua comida favorita quando você estava pra baixo? Ajudar quem está deprimido em casa pode fazer muita diferença", explica ela.


Nadkarni diz também que esses pequenos atos de gentileza são especialmente importantes para quem sofre de depressão de alto funcionamento porque essas pessoas estão acostumadas a cuidar de outros, mantêm altos níveis de controle e usam mecanismos de defesa como humor ou altruísmo para lidar com sentimentos negativos.


"Oferecer-se para cuidar de uma pessoa pode ajudá-la a tolerar uma eventual sensação de desamparo. E elas também entendem que não há nada errado em não estar no controle o tempo inteiro."


8. Não desista


Amy Ragan Kearns, 26, teve depressão depois da morte da mãe, em dezembro de 2016. Kearns, que mora em Nova York, disse ter sido importante contar com o apoio incondicional dos amigos e parentes.


"Mostre que a pessoa não está sozinha e que você sempre estará por perto", diz Kearns. "Simplesmente dar um oi e lembrar a pessoa de que você está pensando nela."

Kearns acrescenta que a parte difícil de viver com depressão de alto funcionamento é que ela não é um exemplo típico de pessoa que tem doença mental.


"Amigos e colegas do trabalho podem não reconhecer os sintomas, mostrar simpatia ou até mesmo acreditar que você tem depressão, pois não há sintomas tradicionais", diz ela. "Você não corresponde ao que a sociedade espera de uma pessoa deprimida – não falta no trabalho, não evita atividades sociais e assim por diante. Ter depressão não significa ter problemas na carreira ou não ser bem-sucedida em outras áreas da vida."


9. Não leve as mudanças de humor para o lado pessoal


Quem tem qualquer tipo de depressão pode se sentir para baixo sem motivos aparentes. É importante saber que essas alterações de humor não têm nada a ver com você.


"Achar que o humor ou o comportamento da pessoa tem relação com o que você fez ou deixou de fazer não ajuda e gera ressentimento de ambas as partes", diz Bianca L. Rodriguez, terapeuta e fundadora do You Are Complete. "Você acaba achando que está sendo punido, e a outra pessoa acha que você é egoísta e autocentrado."


10. Aponte sistemas de apoio externos


Por mais que você queira ajudar, nunca será capaz de dar todo o apoio que as pessoas precisam. "Você pode perguntar se seu amigo está fazendo terapia ou tomando remédios para entender se ela precisa ou quer algum tipo de tratamento profissional", diz Deborah J. Cohan, professora associada de sociologia da Universidade da Carolina do Sul, em Beaufort.


Como forma de incentivo, você também pode reiterar os benefícios da ajuda especializada. "Diga que você está preocupado com o bem estar da pessoa e que há muitas maneiras de obter ajuda hoje em dia, de coaching a meditação e até mesmo abordagens baseadas em nutrição", diz Teodora Pavkovic, psicóloga e life coach. Também é essencial incentivar as pessoas a pesquisar os vários tratamentos existentes, acrescenta ela.


11. Se você achar que a pessoa pode se agredir, fale


"É OK dizer para um amigo que está preocupado com o bem-estar dele", diz Lakiesha Russell, terapeuta licenciada do The Evolving Chair. Russell sugere formular um plano de ação com o amigo caso ele passe por uma crise aguda, deixando claro qual será o seu papel.



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