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Série 13 Reasons Why trouxe impacto positivo aos jovens, revela pesquisa

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Como você se sentiu ao assistir a série 13 Reasons Why, da Netflix? Tenso? Nervoso? Triste? Arrependido? Ou, ainda, representado?

As sensações variam de telespectador para telespectador, mas é inegável que a produção audiovisual, inspirada no livro homônimo de Jay Asher, mexeu com o seu público ao abordar temas que permeiam a sociedade contemporânea e, principalmente, o público jovem, tais como bullying, violência sexual, depressão e suicídio.

Um grupo de pesquisadores da Universidade Northwestern, em Illinois, nos Estados Unidos, decidiu pesquisar a fundo de que forma a série impactou a vida de mais de cinco mil pessoas, divididas entre adolescentes, jovens adultos e pais dos Estados Unidos, Inglaterra, Brasil, Austrália e Nova Zelândia.

O resultado foi significativo: mais de dois terços dos adolescentes e jovens adultos entrevistados revelaram se identificar com a temática da série. Isso mostra precisamos, cada vez mais, oferecer espaço para se falar sobre saúde mental.

Felizmente, a série parece estar ajudando nisso: 58% dos adolescentes participantes do estudo contaram se sentir mais confortáveis para conversar com seus pais sobre temas difíceis.

Do outro lado da narrativa, as coisas também parecem ter melhorado, já que 60% dos adolescentes disseram que se desculparam pela forma como haviam tratado alguém depois de assistir a 13 Reasons Why.

“O mais importante foi a descoberta de que a série gerou conversas entre pais e adolescentes sobre as questões difíceis que eles enfrentam”, disse Ellen Wartella, diretora do Centro de Mídia e Desenvolvimento Humano da Universidade Northwestern e especialista na relação entre crianças e a mídia. “Em segundo lugar, a série levou adolescentes a demonstrarem mais empatia pelos colegas e, em terceiro lugar, a pesquisa indicou que pais e adolescentes querem mais recursos”.

A pesquisa, intitulada “Explorando Como Adolescentes e Pais Reagiram a 13 Reasons Why”, também traz dados específicos sobre o público do Brasil. Por aqui, mais de três quartos dos adolescentes relataram que a série os alertou para a possibilidade de que alguém próximo possa estar sofrendo de depressão, mesmo que os sinais não sejam aparentes.

90% dos adolescentes e jovens adultos brasileiros entrevistados disseram que a série os ajudou a entender que suas ações podem ter impacto na vida de outras pessoas. Cerca de 60% decidiu, inclusive, pedir desculpas a alguém a quem havia maltratado.

Já entre os pais, 71% afirmaram que 13 Reasons Why os facilitou a discussão de assuntos como depressão, suicídio e violência sexual com seus filhos.

Porém, esse impacto positivo não foi unanimidade entre os entrevistados ou até entre o público. Na época de estreia da série, final de março de 2018, diversos internautas reclamaram sobre a cena de suicídio ter sido tão explícita. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), é preciso evitar descrições detalhes de suicídio e apostar em informações e contato de centros especializados em ajuda.

Durante a pesquisa da Universidade Northwestern, alguns adolescentes que sofrem de alta intensidade social relataram que as cenas de violência sexual também foram muito intensas.

“Pode ser que apenas alguns poucos indivíduos discordem ou não se enquadrem no panorama geral devido a características individuais específicas, mas é importante considerar essas pessoas quando estamos falando de programas dessa natureza”, disse Drew Cingel, colaborador de pesquisa no Centro de Mídia e Desenvolvimento Humano e professor assistente da Universidade da Califórnia em Davis.
“Mas os resultados da maioria dos adolescentes e jovens adultos são promissores. Essas descobertas indicam que programas que lidam com questões difíceis, como 13 Reasons Why, podem ajudar crianças e adolescentes a falarem sobre esses agentes estressores de sua vida”, acrescentou o pesquisador.

O estudo, encomendado pela Netflix, pode ser conferido neste link. Já a segunda temporada da série deve chegar à Netflix ainda neste semestre.

Precisa de ajuda? 

Quando você percebeu que alguém apresenta comportamento suicida, não deixe a pessoa sozinha; remova álcool, drogas, medicamentos ou objetos afiados que possam ser usados em uma tentativa de suicídio; procure ajuda médica de um especialista em saúde mental ou em um pronto atendimento. 

Contate o Centro de Valorização da Vida pelo telefone 141 ou pelo email atendimento@cvv.org.br.
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Arkangel - Quanto o controle dos pais se torna perigoso

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Que Black Mirror é uma série tão “Black Mirror” a gente já sabe. É impossível assistir os episódios da série e não ficar mobilizado por alguma questão relatada. Algumas pessoas juram que a série trata sobre a tecnologia. Eu discordo, acredito que Black Mirror se utiliza da tecnologia para “esfregar” na nossa cara questões sociais, emocionais e de relacionamento que já estamos vivendo. Mesmo não tendo acesso a toda tecnologia (ainda) apresentada no seriado.

É pensando nisso que irei falar de uma questão muito bem retratada sobre relacionamento entre pais e filhos , sobre cuidados parentais e sobre a dificuldade em deixar com que o filho passe por experiências que em um primeiro momento pode parecer algo maléfico para a formação da criança ou do adolescente.

O segundo episódio da quarta temporada dirigido por ninguém nada menos que Jodie Foster mostra a relação entre mãe e filha . A trama revela uma mãe comum, que trabalha, cuida da filha e tem um relacionamento tranquilo com o pai. A filha também: começa com ela criança e depois a típica adolescente, crescendo, fazendo o que pode para se desviar das limitações da sociedade e da própria família.

A relação parece ser plausível dentro daquilo que podemos chamar de normal. Uma mãe que não mede esforços pare proteger e cuidar da filha. Entretanto , não é bem assim que acontece. A simbiose entre mãe e filha é elevada a um novo patamar . Para pais preocupados, uma empresa oferece um sistema que é inserido no cérebro da criança. A partir dali, é possível, em um tablet, observar os sinais vitais e a localização do filho, aplicar filtros de desfoque de visão em momentos estressantes do pequeno e literalmente enxergar pelos olhos do jovem. O total controle tranquiliza inicialmente, mas, claro, aterroriza pouco tempo depois.

A distância dos momentos considerados estressantes que são bloqueados pela mãe através do filtro do dispositivo influencia no desenvolvimento da menina. Ela passa a apresentar comportamentos agressivos e de automutilação em resposta a falta de maturidade que seria adquirida pelas experiências que lhe foram privadas. A mãe então desiste do dispositivo — até Sara chegar à adolescência.

Winnicott, psicanalista inglês em sua teoria vem trazer a definição do que é a “mãe suficientemente boa”. Contrariando o próprio senso comum de que a mãe boa é aquela que ama , protege e assegura que na caminhada do seu filho ele encontrará o menor número de adversidades e frustrações possíveis, Winnicott vem trazer luz a essa definição.

Segundo o psicanalista a mãe suficientemente boa não é aquela mãe perfeita, porque essa não existe. Mas é a mãe que sabe a hora certa para favorecer a ilusão no bebê e, logo após, a desilusão.

A ilusão é criada quando a mãe se adapta às necessidades do bebê e este projeta o que ele mesmo criou daquilo de que ele necessita. Aliás, o bebê percebe a mãe dele como sendo parte sua: os dois são um só – o que dá sustento ao pensamento de dependência para com a mãe. Winnicott escreveu em O Brincar & a Realidade: “A mãe, no começo, através da adaptação quase completa, propicia ao bebê, a oportunidade para a ilusão de que o seio dela faz parte do bebê, de que está, por assim dizer, sob o controle mágico do bebê.” É este o período de dependência absoluta, que vai de 4 a 6 meses. É importante notar que o bebê não tem percepção dessa situação, mas adquire uma sensação de onipotência.

Logo após esse período, é tarefa da mãe desiludir a criança, não atendendo tudo tão prontamente. Ou seja, a mãe, progressivamente, começa a fazer com que a criança suporte algumas frustrações. De confrontos em confrontos, o desenvolvimento do ego da criança será facilitado e ela passa a esperar certas atitudes que anteriormente queria na hora.
Em outras palavras a mãe suficientemente boa é aquela mãe que ama, cuida, protege, mas frustra o filho. Ela permite que o filho saia do estado de dependência rumo à independência.
Nesse episódio vemos justamente o oposto disso. Vemos uma mãe insegura, que utiliza da tecnologia como uma desculpa para suprir seus medos de perder essa filha. Mas observe que não é uma perda real, é uma perda imaginária de uma falsa ilusão que dá a essa mãe a falsa onipotência de poder cuidar e proteger essa filha. Onipotência essa que vira onisciência e onipresença e portanto se torna sufocante, opressora.

O resultado é catastrófico: a filha não amadurece porque sua mãe está sempre “filtrando” o que ela pode ver e com isso não permite que a filha enfrente o mundo real. Com todos os seus percalços e adversidades.

Vale aqui algumas reflexões sobre como o cuidado materno e também paterno pode ser algo que prejudica. Prejudica quando não dá a liberdade para o filho escolher e errar. Não permite o filho se machucar. A aprender com a vida. Vida essa que no futuro, quando esses mesmos pais não estiverem vivos não irá protegê-lo.

O episódio nos faz refletir mostrando que não é o excesso de controle que protege. O controle deve existir desde que não invada a liberdade ( liberdade essa de acordo com a idade). O que protege a criança , como Winnicott demonstra em sua teoria é o amor, o cuidado e a disciplina ( a frustração, o não para a criança). Esses três elementos juntos faz com que o filho se sinta amado e confiante de que ele pode errar e que sempre que isso acontecer, ele terá um para seguro para voltar . Afinal, ninguém é totalmente independente. Vez ou outra precisaremos de um colo de mãe.

Debora Oliveira
Psicóloga Clínica
CRP:06/123470
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Blue Monday: Hoje é o dia mais triste do ano.

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Acabou o Natal, o Ano Novo passou e as contas chegaram. Tem IPVA, IPTU, matrícula escolar e todas as outras contas acumulando em janeiro. Além disso, você já percebeu que aquelas resoluções para 2018 estão difíceis de sair do papel. Dá uma tristeza nessa época, né? Saiba que você não está sozinho.

Segundo um psicólogo galês, esta segunda-feira (15) é o "Blue Monday", também conhecido como dia mais triste do ano. De acordo um estudo questionável feito por Cliff Arnall, então da Universidade de Cardiff, no País de Gales, a terceira segunda-feira de janeiro é o dia em que as pessoas se sentem mais para baixo.

Ele criou, em 2005, uma fórmula matemática para provar sua teoria: [W+(D-d)]xTQ/MxNA. Difícil de entender? "D" são as dívidas que você fez no fim de ano, "d" seu salário mensal, "T" é o tempo que se passou desde o Natal, "M" o nível de motivação, "W" é o clima e "NA" a necessidade de tomar medidas. Bem, no Reino Unido faz muito frio nesta época, por isso, "W" tem um peso maior para eles.

Arnall não teve a menor preocupação com embasamento teórico para chegar à equação. Tanto é que seu "estudo" não foi publicado em nenhuma revista científica. A história toda foi criada pelo psicólogo a pedido de uma agência de viagens, ou seja, marketing puro para vender pacotes turísticos na tentativa de combater essa "melancolia".

No entanto, Arnall continua acreditando em sua criação. O psicólogo diz que teve a melhor das intenções e que a ideia do dia é encorajar as pessoas a terem um olhar positivo para o restante do ano, encarando as oportunidades de novos começos e de mudanças.

"Seja para embarcar em uma nova carreira, conhecer novos amigos, assumir um novo hobby ou reservar uma nova aventura, janeiro é realmente um ótimo momento para tomar as grandes decisões do restante do ano", afirmou, recentemente, em entrevista ao jornal inglês "The Independent".
Como evitar a tristeza?

Para a coach e palestrante Lilian Bertin não que é que exista um dia mais triste do que os outros, mas esse período de janeiro pode ser melancólico para pessoas que tenham passado o fim de ano apenas procurando prazer, sem equilíbrio algum. "Daí, quando se deparam com a realidade, ela pode parecer mais difícil do que realmente é", afirma.

Por isso, segundo a especialista, é necessário um planejamento em cinco pilares fundamentais para passar um começo de ano feliz: família, saúde, finanças, além de propósitos para o ano pessoal e no trabalho.

"Primeiro eu faço um mapeamento do que preciso. Essa fase é a da idealização. Coloco no papel, sem racionalizar, aquilo que eu quero. Com as ideias postas, analiso o que pode ser implementado rapidamente. Geralmente, são três ou quatro coisas", explica. "Depois disso, parto para a ação. Parece simples, mas não se costuma parar colocar isso tudo no papel."

Geralmente, Lilian aponta se há algum problema em um desses pilares dos clientes, como, por exemplo, a falta de dinheiro para pagar as contas de começo de ano, quando a sensação de melancolia aparece. Por conta disso, a pessoa pode acabar presa no problema, sem ação, além da volta à rotina ter chance de agravar a tristeza. "É como uma máquina parada que precisa retomar o funcionamento e está tentando voltar a produzir", afirma.
Melancolia não tem data

A psicóloga e consultora de desenvolvimento humano Mônica Salomão não encara janeiro como um mês particularmente mais triste do que os outros. Para ela, a "Blue Monday", além de falsa, cumpre um papel de dar um motivo externo para um sentimento que o indivíduo não sabe lidar e é interno. "Instituímos certas leis em nossa sociedade, como estar feliz o tempo todo. Parece que não podemos sofrer oscilações que são humanas", explica.

Segundo Mônica, atualmente não existe apenas um momento triste, mas sim pessoas que estão mais sensibilidades e frustradas em tempo integral. "Por isso, existe essa avalanche toda de cirurgia plástica, troca de casa, de carro, de relacionamento", avalia. "As redes sociais trazem uma ideia ilusória o ano inteiro. Durante 24 horas por dia, comparamos nossas vidas com a do outro, e nos vemos como falidos. Por isso, o colapso emocional pode ocorrer o tempo todo".
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Alegria express: truques para levantar o astral em 30 segundos

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Todos temos nossos dias ruins. Portanto, saber como se animar é importante. Escolher o momento de meditar na montanha ou suar numa corrida não são uma boa opção, é melhor descobrir truques simples para levantar o astral sem a ajuda de ninguém. A boa notícia é que poucos segundos podem mudar tudo, até mesmo nosso humor.

A médica norte-americana Jill Bolte dedicou toda sua carreira ao estudo da doença mental e como isso se reflete no cérebro. Em 1996, a própria neuroanatomista sofreu um derrame grave que a levou a se aprofundar ainda mais na autoconsciência. Chegou à conclusão que cada um de nós tem "o poder de escolher a cada momento quem é e como quer ser no mundo". Bolte aconselha "virar à direita do hemisfério esquerdo e, simplesmente, sentir", já que as emoções "vão passar sozinhas". Especificamente, chegou a quantificar o tempo das emoções em 90 segundos, período de duração de uma exaltação.

Embora seja reconfortante saber que seja uma questão mental, o que podemos fazer quando não dispomos sequer de um minuto e meio para mudar o chip? Como enfrentar os fantasmas de nosso próprio cérebro quando este se torna nosso inimigo? Aqui estão algumas dicas para levantar o astral e se transformar nesse autocheerleader tão necessário quanto eficaz.

1. Sorrir. É tão simples quanto mover os músculos da boca para cima. O Aurélio define o termo assim: “Rir sem gargalhada, fazendo apenas um pequeno movimento com os lábios”. Vale a pena tentar, porque a postura influencia diretamente a emoção. Foi uma das suposições de Charles Darwin e, posteriormente, endossada por eminentes psicólogos da Universidade Harvard como William James, que chegou a afirmar que "se a pessoa não expressa emoção, não consegue senti-la". É o que se chama de feedback facial, segundo o qual "as expressões faciais estão conectadas com o que sentimos".

2. Contar uma piada sobre sua tragédia. Funciona porque facilita a mudança de atitude. A ideia foi proposta na Terapia Racional Emotiva, de Albert Ellis. Esse psicólogo norte-americano, considerado um dos mais influentes da história, propôs algumas técnicas terapêuticas em sua época que continuam muito atuais e que fazem uso de piadas e hipérboles como fórmula "aniquiladora de bobeiras". Nada como exagerar as próprias misérias e verbalizá-las para que se perceba o quão ridículas são. Com essa fórmula, podemos ter pensamentos catastróficos tais como: "É terrível", "Ai meu Deus" ou "Não posso continuar assim".

3. Enviar um emoticon para um amigo. Ou uma foto que ele goste, um link para uma música, um simples "olá, o que você está fazendo?". A solidão, às vezes tão necessária, também nos coloca para baixo, de acordo com vários estudos. Portanto, uma forma de combater a infelicidade é socializar. Se não temos à mão o nosso melhor amigo, sempre é possível usar a tecnologia. Nem tudo resulta num mau uso de nossos gadgets.

4. Dar o lugar no metrô. Dar um passo além do social e se mostrar útil tem um efeito muito positivo sobre os outros, mas também em nós mesmos. Na verdade, vamos nos tornar mais felizes do que sendo hedonistas, como expressaram vários psicólogos norte-americanos em um artigo na revista Journal of Research in Personality. Seus dados coincidem com alguns preceitos da Psicologia Política, segundo a qual estar envolvido nas próprias crenças aumenta o bem-estar. Aqui seria necessário dar um passo além e ultrapassar os 30 segundos, para se envolver com uma ONG ou um partido político com ideias afins. Os ativistas, de acordo com os testes citados, relatam sentir uma maior vitalidade do que aqueles que não assumem compromissos idealistas.

5. Comer doces. Embora este conselho deva ser avaliado com cuidado caso você tenha tendência a hábitos compulsivos, há uma razão emocional para comer ou para devorar doces. Ouve-se muito a questão de "comer por ansiedade ou ansiedade por comer", sem saber muito bem quem vem antes, o ovo ou a galinha. Embora a ingestão excessiva de comida seja um sintoma de que algo está errado, uma das razões pelas quais comemos sem fome é que, enquanto fazemos isso, não ficamos ansiosos. Por definição, comer é uma resposta antagônica da ansiedade, como o próprio sexo. Essa é a explicação do professor de psicologia Antonio Cano Vindel, presidente da Sociedade Espanhola para o Estudo da Ansiedade e do Estresse (SEAS). Adotando esse conselho com cautela, um docinho de vez em quando pode muito bem poupar-nos de algum desgosto em alguns momentos. Já o orgasmo demora um pouco mais...

6. Anotar, em uma frase, algo bonito de sua vida. A expressão de gratidão é um dos pilares da psicologia positiva, recentemente muito utilizada em coaching. Trata-se de "focar no momento presente para apreciar sua vida como ela é, sem considerar as coisas como definitivas e analisando os benefícios e bênçãos que temos agora". É uma das dicas de Sonja Lyubomirsky, da Universidade da Califórnia, autora do livro A Ciência da Felicidade. Lembrar-se (ou anotar) dois ou três aspectos positivos da nossa existência levará apenas alguns segundos e, em troca, provocará resultados positivos impressionantes em nosso humor.

7. Assista ao vídeo de um gato. O grande fenômeno viral de ficar vendo vídeos curtos de doces bichinhos não é aleatório, e foi comprovado por uma professora da Universidade de Indiana. Jessica Gal Myric decidiu analisar a razão por que os vídeos de gatos fascinam os internautas. Para realizar o estudo, entrevistou cerca de 7.000 pessoas com o objetivo de descobrir por que, em 2014, mais de dois milhões de vídeos de gatos foram postados no YouTube, somando até 26 bilhões de visualizações e vencendo por goleada outras categorias. Uma de suas conclusões foi que os fãs desses vídeos relataram sentir mais energia e positividade, ao mesmo tempo que diminuía o estresse emocional.

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Como enfrentar a adversidade?

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As situações extremas da vida nos mostram, como se fosse através de uma lente de aumento, o comportamento de nosso cérebro diante de cenários nos quais está em jogo nossa sobrevivência física e nossa integridade psicológica. O que acontece em nosso cérebro diante de um perigo no presente, uma lembrança negativa e o temor de que aconteça alguma coisa ruim no futuro?

Desde o momento em que somos expostos a uma situação extrema é ativado um sistema muito básico, rápido e firme modelado durante centenas de milhares de anos para enfrentar o que está acontecendo. Esse primeiro passo de defesa de nosso sistema biológico é a chamada "resposta de estresse". 

Quando o cérebro detecta uma ameaça, é ativada uma resposta fisiológica coordenada que envolve componentes autônomos, neuroendócrinos, metabólicos e do sistema imunológico. O organismo precisa de maior fluxo de oxigênio para seus músculos, especialmente os do sistema de locomoção (para fugir se for necessário). Assim, a respiração fica acelerada para fornecer mais oxigênio, e a frequência cardíaca para entregar rapidamente esse oxigênio através da corrente sanguínea aos músculos principais. Os vasos sanguíneos na pele se contraem para que o sangramento seja o menor possível no caso de uma ferida.

Para proporcionar o combustível suficiente para o esforço, nossas glândulas transformam os carboidratos armazenados nas células em açúcar circulante no sangue. Melhora também a resposta imune; os glóbulos brancos que combatem as infecções se aderem às paredes dos vasos sanguíneos, preparados para zarpar rapidamente a qualquer parte do corpo que possa se machucar.

O sistema cognitivo humano, por sua vez, oferece uma variante ainda mais sofisticada: a capacidade de prever e antecipar as ameaças do futuro, e até mesmo imaginar eventualidades que nunca ocorreram, e que provavelmente nunca acontecerão. Essa notável capacidade da nossa espécie é fruto da experiência acumulada e da capacidade de realizar hipóteses e inferir. 

O desenvolvimento do cérebro humano, e em particular de suas áreas pré-frontais, expandiu, entre outras, nossas capacidades para revisar o passado e examinar o futuro. Esse aumento da complexidade cognitiva da resposta de estresse levou o psicólogo norte-americano Richard Lazarus a postular a existência de "mecanismo de avaliação" envolvidos no processo de resposta frente ao perigo porque nem sempre é simples determinar quando estamos diante de uma situação que requer ações de proteção.

O primeiro passo desse processo é a "avaliação primária", isso é, o estabelecimento do valor de um estímulo como perigoso ou inofensivo. As pesquisas em neurociência permitiram estabelecer as funções de diferentes estruturas cerebrais na detecção e avaliação do perigo, em particular, a atividade crucial das "amídalas cerebelosas", que seriam responsáveis por detectar, gerar e manter emoções relacionadas com o medo e responderiam à importância dos estímulos emocionais. A "avaliação secundária", por sua parte, busca estabelecer a disponibilidade de recursos do organismo para enfrentar a ameaça.

No entanto, quando a ameaça é dissipada, entram em funcionamento outros mecanismos para voltar à situação inicial de repouso: a desativação da resposta de estresse. Se, pelo contrário, a resposta de estresse permanece continuamente acesa, ocorre o chamado "estresse crônico". Nessa circunstância, os componentes da resposta que seriam uma vantagem adaptativa e uma reação de defesa e autoproteção do organismo, deixam de sê-lo e voltam-se contra nós.

No nível cognitivo, a resposta aguda desse estresse favorece o aumento do nível de alerta e a formação de memórias, ainda que a longo prazo a produção elevada de cortisol provoca deterioração cognitiva. A resposta imune também é negativamente afetada frente ao estresse crônico deixando o organismo mais exposto aos diversos patógenos.

Podemos especular que existem fatores ambientais, fatores individuais – biológicos e psicológicos – e também fatores socioculturais que podem fazer com que a resposta de estresse não ceda e se realimente continuamente ou, pior ainda, em forma de espiral. Entre os fatores externos socioculturais está o estilo de vida moderno e urbano. Por exemplo, hoje podemos acessar instantaneamente a informação sobre o que acontece em qualquer parte do mundo. Esse fato tecnológico que dá evidentes vantagens em certo terrenos, pode se tornar uma desvantagem em relação à propagação de temores e circulação de más notícias.

Por sua parte, no que se refere aos fatores biológicos e psicológicos, é preciso revisar a conexão existente entre o estresse e os transtornos de ansiedade, de um lado, e a depressão, do outro. Para entender a ansiedade, podemos compará-la com um radar, ou seja, um dispositivo que rastreia nosso ambiente em estado de alerta e nos avisa quando uma ameaça se aproxima. Mas a ansiedade é muito mais do que um radar: é também um diário de bordo onde registramos as experiências perigosas vividas, e um mapa que nos guia, como um GPS, a territórios seguros. Quando a ansiedade excede os níveis normais, entretanto, pode gerar "falsos alarmes" que ativam a resposta de estresse e provocam estados de preocupação intensos e sintomas físicos diversos.

A depressão, por sua parte, pode ser entendida em certos casos como uma reação biológica e psicológica na qual nosso organismo se rende ante a adversidade, reduz suas tentativas de solução, por considerá-las inúteis, e se entrega ao desânimo. Na depressão, assim como na ansiedade, nosso pensamento se torna propenso aos "vieses cognitivos", isso é, selecionamos e priorizamos certos dados em detrimento de outros. No caso da depressão, a informação negativa, e no caso da ansiedade, a informação relacionada com o perigo. Depois, certos raciocínios distorcidos generalizam e amplificam o peso dessa informação e provocam uma espiral de realimentação das emoções negativas.

Por sorte, nosso cérebro conta com diversas ferramentas que podem nos proteger dessas complicações. A "resiliência" é o conjunto de fatores e mecanismos que nos permite superar por adaptação as situações de adversidade. Nesse sentido, dois mecanismos altamente eficientes para atenuar de forma progressiva a resposta de estresse são a "habituação" e a "extinção". O primeiro é a propriedade geral de nossas células nervosas que consiste na acomodação ao entorno e um princípio de economia, para evitar respostas ociosas. 

São inumeráveis os exemplos, desde o momento em que entramos em uma piscina fria e pouco a pouco vamos nos acostumando, até o momento em que nos expomos repetidamente a um estímulo que nos assusta e nos deixa tensos, ajudando para que a resposta inicial diminua até se tornar tolerável. Esse é o princípio dos tratamentos por exposição, altamente eficazes na ansiedade.

O processo de "extinção" ocorre quando ficamos expostos a um estímulo temido e comprovamos repetidamente que as consequências negativas que esperávamos não acontecem tal como esperávamos, e a resposta de estresse é atenuada. Outro dos processos de regulação das emoções, de natureza cognitiva, é a "reavaliação", que consiste em modificar o significado funcional atribuído à situação que provoca o estresse. É "mudar a maneira como sentimos a mudar a maneira como pensamos".

É essencial refletir também sobre o papel fundamental do outro (o próximo, o ser amado, a comunidade), frente ao desassossego. Quando acolhe, quando contém, quando acompanha

Algumas pessoas que experimentaram traumas súbitos, sofreram situações de abandono ou maltrato emocional contínuo no começo de suas vidas podem chegar a sofrer prolongadamente por tais experiências. Transtornos psiquiátricos como o transtorno de estresse pós-traumático estão relacionados com essas experiências e com a maneira como nossa memória abriga as recordações emocionais. 

O trabalho de neurocientistas como Joseph LeDoux é relevante para entender as afeições emocionais e seu tratamento porque explica a consolidação das memórias. No começo, quando experimentamos algo, a lembrança é instável até se estabilizar pela síntese de proteínas no cérebro. Uma vez armazenada a lembrança, a exposição a um estímulo que nos lembra aquele evento irá reativá-la e torná-la instável por um curto período de tempo, para tornar a guardá-la depois e fixá-la novamente em um processo chamado reconsolidação da memória.

No entanto, a cada vez que recuperamos a memória de um fato, ao se tornar novamente instável permite a incorporação de nova informação. Esse momento é uma janela para mudar as reações emocionais que acompanham uma lembrança. Um paciente que sofre um transtorno de estresse pós-traumático evoca com a ajuda de um terapeuta especialista e em um contexto seguro, as recordações da situação vivida, para atenuar progressivamente as reações emocionais intensas que acompanham a lembrança.

Por último, é fundamental refletir também sobre o papel fundamental do outro (o próximo, o ser amado, a comunidade) frente ao desassossego. Quando acolhe, quando contém, quando acompanha. Como no diálogo entre os dois em O Beijo da Mulher Aranha, a famosa obra do autor argentino Manuel Puig: "... e enquanto estiver ao meu alcance, pelo menos nesse dia, ... não deixarei que você pense em coisas tristes".
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Esquecer um ex: tão difícil quanto largar um vício

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Como em um filme sobre mutantes, o exército de delicadas borboletas que parece dar voltas dentro de nós quando nos apaixonamos se transforma em um bando feroz, que ataca com toda a força no momento em que o relacionamento acaba. Você não consegue mais dormir, perde o apetite, dores se espalham pelo seu corpo e, apesar de todos os esforços em contrário, você não pensa em outra coisa. Está com o coração partido.

A explicação para isso é tão simples quanto dolorosa: o amor é como uma droga, e você está vivendo uma crise de abstinência, pois lhe negam a sua dose diária.

“A paixão, principalmente na fase inicial, gera comportamentos que lembram muito a conduta que observamos nas pessoas viciadas em drogas”, afirma Emilio Ambrósio, professor de psicobiologia da Universidade Nacional de Educação à Distância (UNED). Trata-se de uma dependência poderosa, com reflexos no cérebro.
Quando estamos apaixonados, nosso organismo produz substâncias como a dopamina (o hormônio do prazer) e a oxitocina (o hormônio do apego). As duas atuam em áreas do cérebro relacionadas com o prazer (o chamado sistema neuronal de reforço). De acordo com um estudo publicado pela revista PLOS ONE, o efeito do amor se assemelha ao de alguns analgésicos, pois ativa áreas de cérebro que diminuem a dor.

Com o rompimento afetivo, esses hormônios deixam de ser produzidos, e o cérebro reage gerando um estado de tristeza, bem como sintomas de abstinência (ansiedade, obsessão e até mesmo dor física) que são os mesmos que afetam os dependentes de drogas.

“A pessoa que continua gostando da outra experimenta, nesse período de carência afetiva, de tristeza e de saudade da pessoa amada, algo semelhante ao que vivem os dependentes de drogas, que é um déficit no funcionamento da comunicação neuronal”, explica Ambrosio.

O cérebro sofre

Tais efeitos foram demonstrados por um outro estudo, realizado com 10 mulheres e cinco homens na região de Nova York (EUA), que passaram por uma ressonância magnética a fim de se observar quais regiões do cérebro se ativavam quando eles eram colocados diante de imagens da pessoa de quem tinham acabado de se separar.

“A desafeição ativa áreas relacionadas com a dor física, a dependência de drogas e a recompensa”, afirma Lucy Brown, neurologista do Einstein College of Medicine (EUA) e integrante da equipe que realizou esse estudo.

A média de idade dos participantes da pesquisa é 20 anos, e a duração dos relacionamentos que eles tinham recém terminado gira em torno de 21 meses. Ao responderem aos questionários iniciais, todos eles expressavam um nível elevado de obsessão, admitindo passar mais de 85% de seu dia pensando em seus ex-companheiros.

Além disso, afirmavam querer que essas pessoas voltassem para eles e manifestavam uma clara falta de controle emocional, com telefonemas em momentos inadequados, e-mails, apelos pela reconciliação, choros desconsolados e o recurso a bebidas alcoólicas.

As imagens do cérebro forneceram uma explicação plausível para esses comportamentos irracionais. “A ativação de áreas relacionadas com a dependência de cocaína poderia explicar os comportamentos obsessivos associados aos rompimentos afetivos”, assinalam os autores do estudo, publicado pela revista Journal of Neurophysiology.

Sem distinção de sexo

Embora a pesquisa não tenha conseguido captar se o processo se dá de forma diferente entre homens e mulheres, os especialistas acreditam que o cérebro, nos dois casos, sofre de modo semelhante. “Não temos certeza, mas o mais provável é que seja isso”, sugere Brown.

Ambrosio concorda com essa opinião, mesmo observando que há especificidades não compartilhadas entre a psicologia feminina e a masculina. “O sistema neuronal de reforço é igual entre homens e mulheres. Apaixonam-se e sofrem os golpes da desafeição da mesma maneira, embora sintam essas situações de uma forma ligeiramente distinta”, destaca.

A pergunta que não quer calar, para quem está sofrendo: quanto tempo a dor leva para passar? “O funcionamento deficitário volta à normalidade depois de algum tempo, que varia conforme a pessoa que esteja sofrendo a desafeição”, afirma o psicólogo. Segundo as pesquisas existentes, esse período varia de três meses (Journal of Positive Psychology) a 18 meses (site de encontros Fifties.com).

Segundo o pesquisador, se as dores não desaparecem, a razão está provavelmente mais nos fatores emocionais do que nos biológicos. Seja como for, lembre-se que o cérebro tem uma capacidade assustadora de adaptação e que, felizmente, não há mal que dure para sempre. E, se você conseguiu parar de fumar, isso é café pequeno.

“CONTINUAMOS AMIGOS?” É MELHOR NÃO

A neurologista Lucy Brown e a antropóloga Helen Fisher trazem uma série de conselhos para encarar os rompimentos, que nem o coração nem o cérebro parecem dispostos a aceitar.

- Desfaça-se dos e-mails, cartas e mensagens da pessoa e guarde todas as lembranças em uma caixa no fundo do armário (o ideal seria jogar tudo fora)

- Nada de telefonemas ou cartas. Evite qualquer tipo de contato. Enquanto não esquecer a pessoa, você não conseguirá ser seu amigo.

-Pense em algum aforismo, alguma frase curta e otimista para se lembrar quando a pessoa lhe vier à cabeça. Assim, poderá se desviar de sua imagem. Pensar em um novo alguém que pode ajudar, mas, se mesmo assim você volta a se lembrar do ex-companheiro, não se apegue somente ao lado positivo. Lembre que também houve momentos ruins com ele.

- Mantenha-se sempre ocupado. Sair e se manter ativo é fundamental para o cérebro.

- Faça novas experiências. A novidade estimula a liberação de dopamina, o que o fará se sentir mais otimista.

- Faça exercícios. A atividade aeróbica também libera dopamina e serotonina, que o ajudarão a se acalmar.

-O tempo está do seu lado. Imagens de ressonância magnética demonstram que a região do cérebro associada aos sentimentos de apego mostra uma atividade menor quanto mais tempo se passa do momento da ruptura. Com o tempo, o apego se esvai.

- Sorria e não se entregue. Se o tempo passar e você continuar nessa espécie de luto, pode ser que precise da ajuda de um psicólogo, mas não jogue a toalha. Um dia você se dará conta de que já não está mais pensando naquela pessoa e se sentirá livre.
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5 filmes, 5 olhares sobre a depressão

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A depressão afeta 350 milhões de pessoas no mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), e é mais prevalente entre mulheres. No Brasil, cerca de uma em cada dez pessoas sofre com o problema. Embora seja uma doença comum, a moléstia carrega estigmas que dificultam seu diagnóstico precoce e a adesão ao tratamento adequado.


Abaixo segue uma lista de cinco filmes que trata sobre o assunto e que pode te ajudar a ver com outros olhares esta doença. 


O substituto


Nesse filme Adrien Brody interpreta o professor substituto Henry Bates, que escolheu ser substituto na esperança de não se envolver com as pessoas, enfrentando sua depressão dia após dia sozinho e desacreditado das relações. É no ambiente de uma escola pública desintegrada que o professor vai questionar os muros que construiu para separar-se do mundo e o luto antecipado que sofre por cada um desde a perda da mãe.


Henry se vê, apesar de seus problemas psicológicos, ajudando e contribuindo mais com seus jovens alunos do que os professores e indivíduos vazios que povoam a vida deles. E talvez tenha sido exatamente o seu Detach que possibilitou algumas mudanças, afinal Henry não se envolvia o suficiente para ser machucado por seus alunos, estava sempre do lado de cá.


A história central do filme gira entorno da relação de Henry com duas jovens que tentam fazê-lo baixar a guarda. Pequenas alegrias são colocadas em cheque, pelo que vale a pena viver e quão grande são nossos problemas quando os indivíduos a nossa volta estão caindo aos pedaços.

Como esquecer


Ana Paula Arosio vive Júlia, uma professora universitária de Literatura Inglesa, que está em um processo de reconstrução depois de ser abandonada pela companheira de vida. Este filme é extremamente rico, baseado no livro Como Esquecer – Anotações quase inglesas de Myriam Campello, traz personagem complexos e passa sobre seus conflitos internos.


Júlia vive uma depressão num deserto de lembranças e sofrimentos gerados pela ausência daquele “outro” que era sua companheira e que nunca aparece no filme. O sofrimento de Júlia é descrito como a forma “mar” de sofrer, conflitos tão profundos quanto o oceano. A existência do outro de repente deixa Júlia atônita, e do outro que lhe faz falta e fere seu orgulho.

Júlia vai dividir a casa com dois amigos e aprender como aceitar a dependência de uma mão amiga estendida, aceitar precisar e ainda se completar consigo mesma e não precisar.

Prozac Nation




Essa depressão que assola os jovens que dizemos ter tudo pela frente, Prozac Nation era inicialmente o Best seller que conta a história real da autora, Elizabeth Wurtzel, o filme não deixa por menos, fazendo um panorama pela crise da personagem que carece por dentro daquilo que os outros não podem compreender.

Ela tem os pais divorciados quando pequena, uma mãe que a superprotege e coloca nela todas as expectativas não cumpridas consigo mesma; um pai que a abandona por completo e não tem nada a lhe oferecer; dramas comuns que nos levam a questionar o porquê de uns desenvolverem a depressão e outros não.


Elizabeth se envolve e se alimenta daqueles que a amam; como sua evolução terapêutica é insatisfatória, sua terapeuta receita o Prozac. Acompanhamos então o processo de desconstrução da doença de Elizabeth até que ela descubra que mais carece de si mesma que de outros.

O porco espinho


“O Porco Espinho” baseado no romance “L’Élégance du Hérisson” de Muriel Barbery é um filme que trata delicadamente nossos maiores conflitos com personagens de todos os tamanhos e formas. Paloma (Garance Le Guillermic) tem 11 anos e mora em um apartamento de luxo com seus pais e sua irmã, uma garotinha precoce e extremamente entediada. Considerada excêntrica, ela tem o hábito de ficar filmando o dia a dia de sua família e seus vizinhos, pretende fazer um filme, pois não vê sentido na vida e decidiu se matar no seu aniversário de 12 anos.

Por outro lado temos Renée Michel (Josiane Balasko) é uma mulher de cinquenta e quatro anos, zeladora do prédio, sua única companhia é seu gato Leo. Renée se sente quase sempre invisível aos olhos dos moradores e aos olhos do mundo e resolve se enterrar de vez em seu casulo. Mas Paloma enxerga Renée, a menina percebe um livro aberto em cima da mesa ao lado de um tablete de chocolate e uma xícara de chá e fica encantada pela possibilidade daquela zeladora ser uma leitora de livros densos e interessantes.

E o que vem a transformar tudo é a chegada do Sr. Kakuro (Togo Igawa), um personagem extremamente humano, que ao contrário das duas acredita na vida; ele não só enxerga Renée, como fica encantado por ela e Paloma vai vencendo as barreiras precoces que construiu, para se aproximar dos dois. Um final surpreendente e uma história encantadora.

O estranho em mim



Este filme trata da depressão pós-parto, muito educativo com um jeito alemão de ser, aborda o tema sem medo, com certa frieza, expondo ao máximo os personagens, humanos e frágeis. Um filme para se informar e enfrentar a realidade do tema; gera certa tensão e com certeza desmascara o conto de fadas social sobre a maternidade.


Rebecca, a mãe, é internada depois do diagnóstico e o filme da um foco nas reações da família e sociedade à inadmissível ideia de uma mulher que rejeita o filho, a maternidade que seria o empreendimento natural e livre de erros, que quando os tem, a culpa é da mãe. Dessa forma, o filme denuncia e problematiza o tema e mostra o preconceito pela condição, mesmo depois do tratamento.

É um desses filmes que não chega a atingir as massas, mas que deveria.
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Como a falta de regras influencia o comportamento humano.

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O "Senhor das moscas" é um livro escrito por William Golding, vencedor do Prêmio Nobel em 1983. Foi adaptado para o cinema em 1963 por Peter Brook. É um dos mais expressivos estudos da natureza humana, contendo importantes reflexões sobre a civilização e o seu papel na formação do ser humano.


A história, muito conhecida, é sobre um grupo de garotos que, após um acidente aéreo, se vêem sozinhos em uma ilha deserta no Pacífico, sem a presença de um adulto. Embora a premissa pareça simples, o filme faz uma análise profunda do caráter humano e da relação entre o homem e sociedade.

No início a alegria é a nota dominante. Não há aulas, não há adulto, só há férias! Como se trata de uma ilha tropical sentem-se no paraíso. No entanto, é preciso lutar pela sobrevivência para conseguir alimentos, para se protegerem das condições climáticas e para avisar os possíveis socorristas de que estão vivos… Dividem-se tarefas, estabelecem-se objetivos, mas nem todos os elementos do grupo possuem a mesma motivação. Alguns não estão dispostos a aceitar as regras do jogo, mesmo que o que esteja em causa seja a sobrevivência.

A diferença de cada um em encarar essa busca pela sobrevivência é a causa de sérios conflitos e divisões. O mais interessante na história, é observar como cada um reage em um ambiente onde não há as regras e normas da civilização, nem adultos para estabelecerem essas normas. Num ambiente assim, em meio a uma selva cheia de mistérios e perigos, é muito fácil a força instintiva vir à tona. Com isso, o comportamento civilizado e baseado na razão do homem é tomado pelo instinto selvagem e pela “lei do mais forte”.

"O Senhor das Moscas", mostra os conflitos dentro da própria "psiqué" humana. Vale a pena assistir o filme, pois ele relata como que a falta de regras dentro de uma sociedade faz com que o ser humano se se rendam aos mais baixos sentimentos humanos e se transformaram em uma espécie de selvagens, praticando violências e assassinatos. E as crianças não estão isentas disto pois o filme retrata que o ambiente e a falta de controle adulto criaram nelas uma espécie de histeria coletiva, de voluntarismo para o brutal e o instintivo. 

Mas você pode falar que isto acontece apenas na ficção. Mas quem não se lembra do experimento realizado pela Universidade de Stanfort em 1971, por vários pesquisadores liderados por Philip Zimbardo ? 

Vinte quatro estudantes universitários participaram como voluntários assumindo papéis de guardas e prisioneiros numa área localizada no subsolo do departamento de Psicologia da universidade, simulando uma prisão. Essa experiência foi considerada um marco no estudo psicológico das relações humanas. O objetivo de Zimbardo era constatar “como indivíduos se adaptam a situações em que estão relativamente impotentes”. 

Não foi dada formação específica aos guardas para desempenharem o seu papel. Tinham liberdade, dentro de certos limites, para fazer o que pensassem que fosse necessário para manter a lei e a ordem na prisão e para assegurar o respeito dos reclusos. Os guardas elaboraram as suas próprias regras, que implementaram sob a supervisão do Director David Jaffe, um estudante de licenciatura da Universidade de Stanford. A princípio, os alunos que iam fazer os prisioneiros só sabiam que seriam “presos”.

O resultado? O experimento foi encerrado cinco dias após ter começado devido a tamanha brutalidade que os "falsos policiais" começaram a tratar os "falsos prisioneiros", mostrando que no final, onde cada um pode fazer o que quer, nos resta apenas a ética e a moral.


O relato completo do experimento você encontra aqui: http://www.prisonexp.org/portugues/


Fica para nós, psicólogos, os seguintes tópicos de discussão: 

1. A capacidade de liderança de cada individuo.

2. Todos nós temos a capacidade de motivar as pessoas, seja para o bem ou para o mal.

3. Como funcionam as relações humanas dentro de um grupo.

4. Um conjunto mínimo de regras torna mais eficaz o trabalho de todos.

5. A covardia em aceitar falsas propostas, só para não se ficar isolado.

6. A importância de manter a estratégia correta, apesar de impopular.

7. Ceder no essencial uma vez, é ceder para sempre.


O filme completo " O senhor das moscas", você encontra aqui: " O senhor das moscas"



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