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Como melhorar a convivência durante a quarentena?

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Casais em isolamento: como superar momento de convivência intensa sem destruir a relação:

Em tempos de pandemia do novo coronavírus (Covid-19), cuidar da saúde sempre será prioridade. Mas há outros cuidados que também não pode passar despercebidos para quem vive sob o mesmo teto ou não. Um deles é a vida conjugal dos casais, sejam noivos, namorados ou casados.

As consequências da pandemia de coronavírus vão além da saúde e da economia. Em Xi'am, na China, houve um recorde no número de pedidos de divórcio nas últimas semanas, segundo o jornal "The Global Times".

O tabloide "New York Post" também informou que advogados especialistas em separação relataram um aumento de 50% na busca de consultas por clientes em potencial no período de isolamento social nos Estados Unidos.

O fato de as pessoas não estarem podendo sair, estarem na tensão por algo que elas não veem, mas que sabem que está matando, adoecendo... Elas ficam irritadas. E tudo bem elas ficarem irritadas. A gente não pode cobrar que, por 24 horas, elas estejam se amando o tempo inteiro.

Veja algumas dicas para te ajudar a melhorar a convivência:

1-Mantenham rotinas independentes

Pode parecer impossível, mas dá para criar uma rotina independente do cônjuge, mesmo que vocês passem o dia todo na mesma casa. Cada um deve estabelecer seus horários e atividades de forma independente.

Isso quer dizer que vocês devem negociar uma organização das tarefas pessoais e profissionais. Enquanto um trabalha, por exemplo, o outro pode fazer algum exercício físico ou entreter as crianças.

Para que funcione, se possível dê preferência para ambientes separados de trabalho. Dessa forma, um não atrapalha o outro e é possível estabelecer a privacidade de ambos. É muito importante que cada um continue com a sua individualidade, realizando suas tarefas e atividades que proporcionam prazer.

Não é porque estão confinados em uma casa que precisam fazer tudo juntos o tempo todo. Isso pode até não ser saudável para o relacionamento.

2-Respeitem a privacidade do outro

O fato de estarem trabalhando em casa não significa que estão disponíveis o dia inteiro. É preciso ter consciência de que horário de trabalho é horário de trabalho. Exceto em casos de emergência, o parceiro deve respeitar o outro e procurar não interrompê-lo durante os momentos destinados às obrigações profissionais. 

E a privacidade não diz respeito apenas ao horário de trabalho. Em alguns momentos o companheiro pode querer ficar sozinho, ler, ouvir uma música, ou seja, ter um momento introspectivo. Isso precisa ser respeitado, principalmente pelo fato de estarmos vivendo com muitas incertezas.


3-Estejam abertos para o diálogo

O único jeito de resolver os conflitos é por meio da conversa. Portanto, evite atitudes agressivas, afinal, todos já estão nervosos o suficiente. É importante se colocar à disposição para conversar sobre tudo, inclusive o relacionamento.

O que está dando certo? Como podem melhorar a convivência? Um diálogo honesto e transparente é essencial para sobreviver à quarentena com o cônjuge. 
Além da mudança de rotina e da repentina falta de momentos em que se está completamente só, quem tem filhos está precisando entretê-los ou cuidar deles durante um período maior e, diante da preocupação com o vírus, as faxinas também se intensificaram – algo que contribui para a irritação e que pode prejudicar inclusive a vida sexual do casal.

4-Tenham momentos de lazer e diversão

O lado bom de morar com alguém durante a quarentena é que você pode ter momentos de lazer em conjunto, o que pode ser ainda mais prazeroso. Apesar desse momento de incerteza, aproveitar horários livres e os finais de semana para curtirem a companhia um do outro é muito saudável.

Reservem alguns momentos na agenda para assistir filmes, cozinhar, fazer exercícios, meditar ou qualquer outra coisa que agrade ambos. É importante abstrair dos problemas ao lado de quem nos faz bem!

5-Sejam tolerantes e empáticos

Estamos vivendo um momento atípico onde, mais do que nunca, é preciso se colocar no lugar do outro e ser mais paciente.

Conflitos podem acontecer durante esse período intenso de convivência, mas você é a única pessoa responsável por decidir como irá reagir a eles. Procure ser tolerante com a ansiedade e o estresse do outro, afinal, todos nós estamos angustiados com a situação.

Busque no diálogo uma maneira de confortar as aflições do momento e seja mais tolerante com os erros do outro. Eles vão ficar mais evidentes por conta da convivência excessiva e está tudo bem!

6-Dividam os cuidados com os filhos

Casais que têm filhos enfrentam uma realidade ainda mais diferente, pois a presença das crianças muda totalmente a dinâmica da dupla. Caso os dois precisem trabalhar durante o dia, é importante estabelecer uma rotina para a criança e organizar as responsabilidades.

Os dois precisam trabalhar e descansar em algum momento, mas a criança também necessita de cuidados e atenção. A dica é aproveitar a flexibilidade para tentar encaixar atividades com a criança na rotina, alternando entre pai e mãe para que nenhum fique sobrecarregado.

O lado bom é que vocês passarão mais tempo em família, então que tal propor brincadeiras e atividades das quais todos possam participar e fortalecer o elo?

7-Façam uma divisão de tarefas justa

Se na sua casa ainda existia aquela história de que serviço de casa é responsabilidade da mulher, se esqueça disso de uma vez por todas. Com ou sem isolamento social esse tipo de pensamento já não deveria existir.

A quarentena é uma ótima oportunidade para repensar as responsabilidades dentro do lar. O período de mudanças deixa um belo convite para revermos velhos paradigmas. Que tal a ideia de cada um contribuir com as tarefas domésticas no dia a dia? Cozinhar, lavar e limpar são alguns exemplos de obrigações que devem ser divididas de acordo com a nova realidade.

Para não pesar para ninguém, o ideal é chegar a um acordo em relação às responsabilidades de cada um. Lembre-se de que é um momento de solidariedade e união.


Além disso....é preciso:
  • Reconhecer o momento: é um momento tenso, em uma atmosfera ansiosa, que é uma situação que mobiliza nosso estresse;
  • Pra eu viver um bom dueto, preciso saber fazer uma boa carreira solo: como eu estou frente a essa situação, como meu íntimo está respondendo a tudo isso? Feito esse exercício, aí sim eu posso ir a meu parceiro e dividir com ele como me sinto;
  • Dividir e perguntar: dividir como estou me sentindo, como é pra mim, perguntar para o outro como ele está. Criar um espaço de conversação que se possa externar as emoções exercita a cumplicidade;
  • Manter o ambiente de casa o mais pacífico possível mesmo em meio ao caos: Pode se manter informado, não ficar alienado, mas também tem que se preservar;
  • Alternar o dia a dia com atividades gostosas pro casal: Tudo o que promove sensação de bem estar, prazer, gasto de energia, é muito bem-vindo. Ver filmes, ouvir músicas, fazer comidinha juntos, receitinha, dar risada, conversar;
  • Manter uma rotina mesmo em quarentena é uma possibilidade de se organizar: A disciplina traz essa sensação de segurança, sentimento de organização. Mais organizado, o dia pode ficar um pouco mais previsível e isso para o cérebro traz uma sensação de segurança.

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Por que nos apaixonamos?

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De repente alguém do seu convívio passa a despertar seu interesse. Vocês conversam e seu coração dispara, as mãos tremem, a garganta fica seca e você tem a nítida sensação de que pelo menos duas dúzias de borboletas resolveram habitar seu estômago. Passa um tempo e "batata": a tal pessoa habita seus sonhos e tudo o que você quer é ficar perto dela.


Salvo raras exceções, todos nós passamos ou vamos passar por isso – e é simplesmente incrível quando o sentimento é recíproco. A questão é: por que nos apaixonamos? Por que temos essa quase necessidade de encontrar uma pessoa para amar e sentir vontade de ficar junto, de proteger e de rodopiar com ela de mãos dadas por aí? Quais são os fatores que fazem com que passemos a gostar de alguém?


O que se sabe é que o amor romântico acontece por uma série de fatores, possivelmente com o objetivo de preservar a nossa espécie e, de acordo com um estudo de 1989, alguns quesitos precisam ser preenchidos para que, sem nos darmos conta, uma pessoa passe a ser vista de uma maneira diferente:


1 – Semelhanças: Isso inclui desde similaridade em termos de crenças e traços de personalidade até ideologias e forma de pensamento.


2 – Propinquidade: Tendemos a gostar de pessoas que vivem geograficamente próximas a nós. Isso acontece porque, para que o relacionamento funcione, é preciso que o casal tenha como se ver com frequência e passar um tempo juntinho.


3 – Características desejáveis: Aqui entram aqueles detalhes da aparência física da pessoa que chamam a nossa atenção: podem ser os olhos, o cabelo, o formato das mãos...


4 – Reciprocidade: Quando a outra pessoa também se sente atraída por você, a tendência é de que vocês dois acabem se gostando mais ainda.


5 – Influências sociais: A possibilidade de uma pessoa satisfazer suas necessidades sociais se aceitar ficar ao seu lado é um fator decisivo em termos de paixão.


6 – Outras necessidades: Se a pessoa supre sua necessidade de companheirismo, amor e de expectativas sexuais, por exemplo, é bem possível que o relacionamento engrene.


7 – Fazer coisas incomuns, excitantes: Estar com uma pessoa em um ambiente diferente e fazer com ela algumas coisas que fogem da rotina dos dois é uma maneira ótima de despertar o amor romântico.


8 – Passar um tempo sem mais ninguém por perto: Nem precisa dizer, né, que essa é uma forma garantida de dar aquele empurrãozinho para que as coisas fluam entre os dois pombinhos... De qualquer forma, não custa lembrar.


Esses itens foram levantados com base em relatórios de estudantes universitários que descreveram suas experiências amorosas. Os fatores que mais contaram foram características consideradas desejáveis e que estão presentes na outra pessoa e, claro, a famigerada reciprocidade.


De acordo com a conclusão do estudo, entrar em um relacionamento amoroso sério requer deixar de lado alguns aspectos da nossa autonomia. Agora se a outra pessoa tem características que consideramos desejáveis e admiráveis, a presença dela em nossa vida pode ser compreendida como uma expansão da nossa personalidade, e não como um tipo de perda de liberdade.


Em 2007, um estudo neurológico confirmou as descobertas psicológicas feitas ao final da década de 1980. Pessoas apaixonadas têm níveis mais baixos de serotonina, que é a substância que nos dá a sensação de satisfação. Em termos químicos, podemos dizer que o amor nos traz uma espécie de TOC.


É justamente por isso que alguns dos fatores citados acima, como excitação e mistério, quando relacionados com o sentimento de amor, aumentam as chances de nos sentirmos mais ansiosos, o que faz subir a nossa pressão arterial e os níveis de adrenalina no corpo.


A relação entre amor e adrenalina é tão verdadeira que a existência dessa substância pode fazer com que uma pessoa acredite estar apaixonada, ainda que não esteja. É ela, a adrenalina, que faz também com que seja mais fácil nos apaixonarmos por alguém que conhecemos em meio a uma situação emocionante.


Já com relação à proximidade, o que acontece é que estar perto de alguém de quem gostamos faz com que nosso corpo produza mais dopamina, hormônio que nos dá a sensação de prazer. Quando estamos apaixonados, a simples lembrança do ser amado já faz com que o cérebro produza essa substância.


Com o passar do tempo, o amor que sentimos por aquela pessoa que conquistou nosso coração e a reciprocidade desse sentimento nos fazem produzir os hormônios ocitocina e vasopressina, que estão diretamente relacionamos com a criação de laços e de fidelidade entre as pessoas. Aí é só aproveitar e ser feliz.




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Crônica do amor

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Ninguém ama outra pessoa pelas qualidades que ela tem, caso contrário os honestos, simpáticos e não fumantes teriam uma fila de pretendentes batendo a porta.


O amor não é chegado a fazer contas, não obedece à razão. O verdadeiro amor acontece por empatia, por magnetismo, por conjunção estelar.


Ninguém ama outra pessoa porque ela é educada, veste-se bem e é fã do Caetano. Isso são só referenciais. Ama-se pelo cheiro, pelo mistério, pela paz que o outro lhe dá, ou pelo tormento que provoca.


Ama-se pelo tom de voz, pela maneira que os olhos piscam, pela fragilidade que se revela quando menos se espera. Você ama aquela petulante. Você escreveu dúzias de cartas que ela não respondeu, você deu flores que ela deixou a seco.


Você gosta de rock e ela de chorinho, você gosta de praia e ela tem alergia a sol, você abomina Natal e ela detesta o Ano Novo, nem no ódio vocês combinam. Então?


Então, que ela tem um jeito de sorrir que o deixa imobilizado, o beijo dela é mais viciante do que LSD, você adora brigar com ela e ela adora implicar com você. Isso tem nome.

Você ama aquele cafajeste. Ele diz que vai e não liga, ele veste o primeiro trapo que encontra no armário. Ele não emplaca uma semana nos empregos, está sempre duro, e é meio galinha. Ele não tem a menor vocação para príncipe encantado e ainda assim você não consegue despachá-lo.


Quando a mão dele toca na sua nuca, você derrete feito manteiga. Ele toca gaita na boca, adora animais e escreve poemas. Por que você ama este cara?

Não pergunte pra mim; você é inteligente. Lê livros, revistas, jornais. Gosta dos filmes dos irmãos Coen e do Robert Altman, mas sabe que uma boa comédia romântica também tem seu valor.


É bonita. Seu cabelo nasceu para ser sacudido num comercial de xampu e seu corpo tem todas as curvas no lugar. Independente, emprego fixo, bom saldo no banco. Gosta de viajar, de música, tem loucura por computador e seu fettucine ao pesto é imbatível.

Você tem bom humor, não pega no pé de ninguém e adora sexo. Com um currículo desse, criatura, por que está sem um amor?


Ah, o amor, essa raposa. Quem dera o amor não fosse um sentimento, mas uma equação matemática: eu linda + você inteligente = dois apaixonados. Não funciona assim.


Amar não requer conhecimento prévio nem consulta ao SPC. Ama-se justamente pelo que o Amor tem de indefinível. Honestos existem aos milhares, generosos têm às pencas, bons motoristas e bons pais de família, tá assim, ó!


Mas ninguém consegue ser do jeito que o amor da sua vida é! Pense nisso. Pedir é a maneira mais eficaz de merecer. É a contingência maior de quem precisa.

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O mito da metade da laranja: quando entrego a chave da minha felicidade para o outro.

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A metade da laranja é uma música cruel que nos contaram e infelizmente acreditamos.

Eu sei, não começou com o pobre Fábio Júnior esse mito. Na verdade, o mito da alma gêmea ( vulgo metade da laranja) foi criado por Platão que em seu livro O Banquete tentando definir o que é o amor. 

O mito foi descrito assim: no início dos tempos os homens eram seres completos, de duas cabeças, quatro pernas, quatro braços, o que permitia a eles um movimento circular muito rápido para se deslocarem. Porém, considerando-se seres tão bem desenvolvidos, os homens resolveram subir aos céus e lutar contra os deuses, destronando-os e ocupando seus lugares. Todavia, os deuses venceram a batalha e Zeus resolveu castigar os homens por sua rebeldia. Tomou na mão uma espada e cindiu todos os homens, dividindo-os ao meio. Zeus ainda pediu ao deus Apolo que cicatrizasse o ferimento (o umbigo) e virasse a face dos homens para o lado da fenda para que observassem o poder de Zeus.Dessa forma, os homens caíram na terra novamente e, desesperados, cada um saiu à procura da sua outra metade, sem a qual não viveriam.

Parece lindo e romântico. Mas a realidade é bem outra. Isso porque , a alma gêmea ou a metade da laranja nos trouxeram uma perda da identidade. Sim, porque se eu sou uma pessoa incompleta , esperando a outra metade cid me preencher , eu sou alguma metade perambulando pelas ruas sem ser inteiro. Que mito perigoso! Passamos a vida inteira acreditando que não somos um ser inteiro, capaz de encontrar a felicidade em nós e por nós mesmos. 

Passamos a acreditar que para ser feliz precisamos sempre da presença do outro na nossa vida, como se a felicidade não fosse algo interno, que deve vir de dentro de nós independente de ter ou não alguém. Ter alguém é bom demais, mas isso não faz com que seja um contrato de felicidade. Conheço muito casal infeliz que estão juntos pela aparência ou porque não conseguem ficar um tempo a sós , somente com a sua companhia.

Deixe eu te fazer uma pergunta um tanto quanto boba: você  nasceu colocado em quem? A menos que você tenha nascido colado em alguém, como os bebês siameses, acredito que você veio ao mundo sozinho. Mesmo que você seja gêmeo cada um teve seu momento e hora de nascer. Para dar os seus primeiros passos, falar as primeiras palavras , correr no parque , se divertir com os amigos, você estava colado em alguém? Não é possível que em todos esses anos você não tenha tido um momento de felicidade. Então de onde vem essa neura agora? Por que você se permitiu acreditar em algo que te faz tão incompleto, dependente do amor de outro para ser feliz?

Eu sei, podemos culpar a Disney e seus terríveis filmes onde a princesa precisa ser salva. Podemos culpar as musicas que quando nos apaixonamos parece ter tido sentido. Podemos achar vários culpados, mas no final , Devemos nos perguntar o porquê de ainda acreditarmos nisso.

Aprenda isso: você não é metade de ninguém. Você não é uma pessoa incompleta que só encontrará a felicidade quando alguém te completar. Amor , não é isso. Amor é soma onde cada um tem que entrar inteiro em um relacionamento e não buscando no outro o pedaço que falta.

Não importa quantas pessoas ao seu redor, quantos amigos estão namorando e casando. Aprenda a ser feliz sozinho, aprenda a se cuidar, para quando a pessoa chegar você possa entrar inteiro em uma relação. Sem cobranças. Sem medo. Sem dependência emocional. Não de a chave da sua felicidade para ninguém. Aprenda a ser feliz sozinho para depois se somar à alguém e então dividir a felicidade. 

Como diria Arnaldo Jabor : “Não acredito em pessoas que se complementam. Acredito em pessoas que se somam.
Às vezes você não consegue nem dar cem por cento de você para você mesmo, como cobrar cem por cento do outro?”

Debora Oliveira
Psicóloga Clínica e Neuropsicóloga 
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Arkangel - Quanto o controle dos pais se torna perigoso

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Que Black Mirror é uma série tão “Black Mirror” a gente já sabe. É impossível assistir os episódios da série e não ficar mobilizado por alguma questão relatada. Algumas pessoas juram que a série trata sobre a tecnologia. Eu discordo, acredito que Black Mirror se utiliza da tecnologia para “esfregar” na nossa cara questões sociais, emocionais e de relacionamento que já estamos vivendo. Mesmo não tendo acesso a toda tecnologia (ainda) apresentada no seriado.

É pensando nisso que irei falar de uma questão muito bem retratada sobre relacionamento entre pais e filhos , sobre cuidados parentais e sobre a dificuldade em deixar com que o filho passe por experiências que em um primeiro momento pode parecer algo maléfico para a formação da criança ou do adolescente.

O segundo episódio da quarta temporada dirigido por ninguém nada menos que Jodie Foster mostra a relação entre mãe e filha . A trama revela uma mãe comum, que trabalha, cuida da filha e tem um relacionamento tranquilo com o pai. A filha também: começa com ela criança e depois a típica adolescente, crescendo, fazendo o que pode para se desviar das limitações da sociedade e da própria família.

A relação parece ser plausível dentro daquilo que podemos chamar de normal. Uma mãe que não mede esforços pare proteger e cuidar da filha. Entretanto , não é bem assim que acontece. A simbiose entre mãe e filha é elevada a um novo patamar . Para pais preocupados, uma empresa oferece um sistema que é inserido no cérebro da criança. A partir dali, é possível, em um tablet, observar os sinais vitais e a localização do filho, aplicar filtros de desfoque de visão em momentos estressantes do pequeno e literalmente enxergar pelos olhos do jovem. O total controle tranquiliza inicialmente, mas, claro, aterroriza pouco tempo depois.

A distância dos momentos considerados estressantes que são bloqueados pela mãe através do filtro do dispositivo influencia no desenvolvimento da menina. Ela passa a apresentar comportamentos agressivos e de automutilação em resposta a falta de maturidade que seria adquirida pelas experiências que lhe foram privadas. A mãe então desiste do dispositivo — até Sara chegar à adolescência.

Winnicott, psicanalista inglês em sua teoria vem trazer a definição do que é a “mãe suficientemente boa”. Contrariando o próprio senso comum de que a mãe boa é aquela que ama , protege e assegura que na caminhada do seu filho ele encontrará o menor número de adversidades e frustrações possíveis, Winnicott vem trazer luz a essa definição.

Segundo o psicanalista a mãe suficientemente boa não é aquela mãe perfeita, porque essa não existe. Mas é a mãe que sabe a hora certa para favorecer a ilusão no bebê e, logo após, a desilusão.

A ilusão é criada quando a mãe se adapta às necessidades do bebê e este projeta o que ele mesmo criou daquilo de que ele necessita. Aliás, o bebê percebe a mãe dele como sendo parte sua: os dois são um só – o que dá sustento ao pensamento de dependência para com a mãe. Winnicott escreveu em O Brincar & a Realidade: “A mãe, no começo, através da adaptação quase completa, propicia ao bebê, a oportunidade para a ilusão de que o seio dela faz parte do bebê, de que está, por assim dizer, sob o controle mágico do bebê.” É este o período de dependência absoluta, que vai de 4 a 6 meses. É importante notar que o bebê não tem percepção dessa situação, mas adquire uma sensação de onipotência.

Logo após esse período, é tarefa da mãe desiludir a criança, não atendendo tudo tão prontamente. Ou seja, a mãe, progressivamente, começa a fazer com que a criança suporte algumas frustrações. De confrontos em confrontos, o desenvolvimento do ego da criança será facilitado e ela passa a esperar certas atitudes que anteriormente queria na hora.
Em outras palavras a mãe suficientemente boa é aquela mãe que ama, cuida, protege, mas frustra o filho. Ela permite que o filho saia do estado de dependência rumo à independência.
Nesse episódio vemos justamente o oposto disso. Vemos uma mãe insegura, que utiliza da tecnologia como uma desculpa para suprir seus medos de perder essa filha. Mas observe que não é uma perda real, é uma perda imaginária de uma falsa ilusão que dá a essa mãe a falsa onipotência de poder cuidar e proteger essa filha. Onipotência essa que vira onisciência e onipresença e portanto se torna sufocante, opressora.

O resultado é catastrófico: a filha não amadurece porque sua mãe está sempre “filtrando” o que ela pode ver e com isso não permite que a filha enfrente o mundo real. Com todos os seus percalços e adversidades.

Vale aqui algumas reflexões sobre como o cuidado materno e também paterno pode ser algo que prejudica. Prejudica quando não dá a liberdade para o filho escolher e errar. Não permite o filho se machucar. A aprender com a vida. Vida essa que no futuro, quando esses mesmos pais não estiverem vivos não irá protegê-lo.

O episódio nos faz refletir mostrando que não é o excesso de controle que protege. O controle deve existir desde que não invada a liberdade ( liberdade essa de acordo com a idade). O que protege a criança , como Winnicott demonstra em sua teoria é o amor, o cuidado e a disciplina ( a frustração, o não para a criança). Esses três elementos juntos faz com que o filho se sinta amado e confiante de que ele pode errar e que sempre que isso acontecer, ele terá um para seguro para voltar . Afinal, ninguém é totalmente independente. Vez ou outra precisaremos de um colo de mãe.

Debora Oliveira
Psicóloga Clínica
CRP:06/123470
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Australiana vítima de câncer deixa carta com 8 BONS conselhos

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“Reclame menos, pessoal! E ajudem mais uns aos outros”.


Uma jovem australiana que lutava contra um câncer agressivo deixou uma emocionante carta de despedida com conselhos de vida. Holly Butcher tinha 27 anos e há um ano fazia tratamento. Ela morreu na última quinta-feira (4) e sua família publicou a carta de despedida nas redes sociais da jovem.

"Só quero que as pessoas parem de se preocupar tanto com as coisas pequenas e as tensões insignificantes na vida e tentem lembrar-se que todos nós temos o mesmo destino depois disso tudo. Então, faça o que puder para que seu tempo seja incrível, sem besteiras. Nesses momentos que você estiver lamentando por coisas ridículas, apenas pense que alguém está realmente enfrentando um problema. Seja grato pelo seu pequeno problema. Não faz mal reconhecer que algo é irritante, mas tente não continuar a carregar isso e afetar negativamente o dia de outras pessoas”

1. A vida é frágil

Na carta, Holly diz que “esta é uma coisa da vida: é frágil, preciosa e imprevisível. E cada dia é um presente, não um direito dado. Eu tenho 27 anos agora. Não quero ir. Eu amo a minha vida. Estou feliz. Devo isso aos meus entes queridos. Mas o controle está fora das minhas mãos”.

2. Não se preocupe tanto com coisas pequenas

“Só quero que as pessoas parem de se preocupar tanto com as coisas pequenas e as tensões insignificantes na vida e tentem lembrar-se que todos nós temos o mesmo destino depois disso tudo. Então, faça o que puder para que seu tempo seja incrível, sem besteiras. Nesses momentos que você estiver lamentando por coisas ridículas, apenas pense que alguém está realmente enfrentando um problema. Seja grato pelo seu pequeno problema. Não faz mal reconhecer que algo é irritante, mas tente não continuar a carregar isso e afetar negativamente o dia de outras pessoas” declarou a jovem.

3. Aprecie os pequenos prazeres

Para os momentos de impaciência, Holly aconselhou: “veja como o céu é azul e como as árvores são verdes; é tão lindo. Pense como você é sortudo por poder fazer isso: respirar”.

4. Engarrafamento, corte de cabelo e celulites não são importantes

“É tudo tão insignificante quando se olha para a vida como um todo. Estou vendo meu corpo desaparecendo diante dos meus olhos e não há nada que eu possa fazer. E tudo o que desejo agora é que eu pudesse ter mais um aniversário ou natal com a minha família, ou apenas mais um dia com o meu parceiro e o meu cão”.

5. Não fique obcecado pela aparência física

“Lembre-se que há mais aspectos para a saúde do que o corpo físico”.

6. Faça mais pelas pessoas

“Dê, dê, dê. É verdade que você ganha mais felicidade fazendo coisas para outros do que para si mesmo. Gostaria de ter feito mais isso”.

7. Desapegue-se de bens materiais

“Compre algo para seu amigo em vez de outro vestido. Leve-os para uma refeição, ou melhor ainda, prepara-lhes uma refeição. Dê para eles uma planta, uma massagem ou uma vela e diga quanto os ama. Use seu dinheiro em experiências. Ou ao menos não perca experiências porque gastou todo o dinheiro com coisas materiais”.

8. Faça uma boa ação para a humanidade

“Doações de sangue (mais bolsas que eu poderia contar) me ajudaram a me manter viva por mais um ano. Um ano que eu serei eternamente grata, que eu passei aqui na terra com minha família, amigos e cachorro. Um ano em que eu tive alguns dos melhores momentos da minha vida”.
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Suporte psicológico durante tratamento do câncer de mama é tão importante quanto medicação

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Atualmente, o prognóstico de vários tumores é bastante diferente do que se via uns tempos atrás. O câncer é hoje considerado uma doença crônica e absolutamente tratável e, em muitos casos, a cura já é uma realidade – principalmente quando diagnosticado precocemente. De qualquer forma, o câncer ainda continua sendo uma doença bastante estigmatizada, carregada de preconceitos e mistérios; estimuladora de fantasias, desencadeante de rupturas na forma habitual de vida e, não raras vezes, determinante da configuração de um estado de crise.

Neste contexto, o impacto do diagnóstico pode definir diferentes sentimentos de difícil elaboração que variam de acordo com a história de cada paciente, de seu momento de vida, de suas experiências anteriores e das informações que recebeu no convívio familiar, social e cultural que nasceu e cresceu. Medo, angústia, raiva, culpa, ressentimento, revolta, em geral, permeados pela incerteza e insegurança de futuro, são sentimentos comuns e podem gerar quadros de ansiedade e depressão.

Pensando especificamente no câncer de mama, além das questões abordadas anteriormente, aparece o valor simbólico que a mama tem para cada mulher. Para muitas delas, a mama carrega consigo aspectos relacionados à feminilidade, à sexualidade e à maternidade. A mama confere à mulher sua identidade feminina. Ao se receber o diagnóstico, estes valores ficam em suspenso, sem falar do medo da morte que permeia todo este processo. Pode ocorrer uma diminuição da auto-estima, sentimentos de vergonha e inferioridade, medo da rejeição do parceiro e evitação de relacionamentos, e, quando da retirada parcial ou total da mama, é comum a imagem corporal atual não coencidir com a imagem sentida e lembrada.

A família do paciente também vivencia este momento com incerteza e insegurança, impotência e culpa. Sofre, se angustia, se anima, se deprime, sente pena, e pode funcionar tanto como um elemento de auxílio como um elemento que exalta a condição de deficiência e dependência. Em geral, famílias mais coesas se renovam e tendem a se unir para atender as necessidades imediatas: elaborar a aceitação da doença e enfrentar as dúvidas quanto ao futuro incerto. Famílias mais vulneráveis costumam se fragmentar.

Uma vez doente, o paciente passa a se deparar com sentimentos de impotência e dependência, além das alterações em sua imagem corporal decorrentes do tratamento. Em geral, as condutas terapêuticas são tomadas por outro que não o paciente. As limitações físicas acarretam a necessidade de ajuda quase constante de familiares e amigos. Com frequência, os efeitos colaterais prejudicam ou impedem o paciente de desempenhar seu papel no âmbito familiar e profissional, como também geram importantes mudanças no aspecto físico. Além disso, a incerteza relacionada à eficácia do tratamento proposto está presente o tempo todo.

A notícia do final do tratamento evoca no paciente sentimentos de ambiguidade. A felicidade e o alívio vêm junto com o medo e insegurança. É neste momento que o paciente se depara com a volta a suas atividades familiares, sociais e profissionais anteriores. A possibilidade de fazer planos e ter expectativas em relação ao futuro ressurge. Paralelamente surgem sentimentos de vulnerabilidade – os menores sintomas físicos podem ser interpretados como sinais de retorno ou progressão da doença –, e abandono – imaginariamente, não necessitar mais de medicação passa a ter o significado de estar desprotegido.

É fundamental que durante todo este processo pelo qual a paciente passa ela seja respeitada e acolhida pela família, amigos e profissionais. É necessário que se desmistifique o câncer, deixando de tomar seu diagnóstico como sentença de morte. Para enfrentar a doença é importante que a mulher volte sua atenção aos aspectos positivos, que podem facilitar o enfrentamento dessa situação. A escolha adequada de uma equipe médica que desperte competência e confiança, como também, o reconhecimento de que os avanços da medicina contribuem significativamente para o controle e muitas vezes, para a cura da doença são aspectos importantes.

Lembrar de outras mulheres que enfrentaram com sucesso o diagnóstico e tratamento do câncer de mama, também pode ser primordial. Além disso, a família, os amigos e crenças espirituais significativas são fundamentais para um enfrentamento saudável.

O apoio da família facilita que a mulher encare com esperança e coragem o diagnóstico e tratamento do câncer de mama. Para que isso aconteça é preciso que esta funcione como uma força positiva, estando atenta ao tipo de comunicação e de apoio necessário.

É importante que a família seja orientada a buscar esse apoio tanto do ponto de vista emocional, quanto concreto e informativo. Esse apoio pode ser obtido com outros familiares que passaram por experiências semelhantes, com amigos específicos, com a própria equipe de saúde que cuida da mulher, bem como com alguma comunidade religiosa, cujos valores tenham significado para a família.






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Em troca de afeto, abraçadora ganha R$ 5 mil por semana.

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"Tudo o que você precisa é amor".  Sim, já dizia a canção dos Beatles que a nossa principal e maior necessidade é amar e sermos amados. Sigmund Freud, o pai da Psicanálise também sabia da importancia do amor em nossas vidas: "Como fica forte uma pessoa quando está segura de ser amada."


Sim, precisamos e buscamos o amor das formas mais variadas e algumas vezes até erradas. O avanço da tecnologia trouxe um terrível paradoxo: nunca estivemos tão pertos, tão próximos , " a um toque" da pessoa amada, mas nunca estivemos tão longe, e tão solitários.  Alguém tem dúvida?

Essa semana, vi uma reportagem no mínimo curiosa, mas que mostra claramente o meu ponto de vista: pessoas estão pagando estranhos, simplesmente para serem abraçados. Sim, eu disse abraçados. Esse contato físico tão básico. Não estou falando de sexo, nem de amor. Estou falando de abraço. Como foi que nós tornamos tão frios, e tão distantes ao ponto de termos que pagar por um abraço?

Cobrando R$ 250 por hora, a abraçadora profissional Janet Trevino, de 37 oferece afeto sob medida e acumula clientes em cidade dos Estados Unidos.  Tudo começou em agosto do ano passado, quando ela, em busca de um extra para completar a renda , passou a atender os primeiros clientes na cidade de San Antonio.

Um mês depois, Janet abandonou o antigo trabalho e assumiu de vez a função de abraçadora profissional. Com o aumento da procura pelo serviço, ela passou a trabalhar de 13 a 20 horas e, cobrando R$ 250 por hora, a terapia afetiva rende cerca de R$ 5 mil por semana, segundo notícia divulgada pelo tabloide britânico "Daily Mail".

Entre os principais clientes em busca de um abraço estão, curiosamente, homens entre 40 e 70 anos, ex-combatentes de guerra. "Meus clientes costumam ser veteranos de guerra, já que moro em uma cidade militar, mas atendo todos os tipos de pessoas", contou ao Daily Mail.

Feito sob medida, o serviço é precedido de uma consulta por telefone,onde Janet diagnostica as principais necessidades do cliente. "Preciso fazê-los entenderem o que exatamente é o meu trabalho para que eu também esteja segura". Janet define sua função como um serviço "sobre consentimento e laços".

O que isso diz de nós? Será que nos tornamos tão frios emocionalmente a ponto de não podermos oferecer um abraço a quem amamos. Estamos perdendo os traços da nossa humanidade em troca do que? É hora de pararmos e pensarmos no que realmente é necessário e fundamental para as nossas vidas. Não importa se você é rico ou pobre, trabalha o dia todo ou não trabalha. Não importa se você é homem ou mulher, criança ou adulto, tudo o que você precisa para se tornar forte e segura é ser amado. 

Sejamos francos vai, nada melhor que um abraço apertado, bem forte, com as mãos correndo pelas costas, olhos fechados e corações abertos.Bendito seja o cidadão que teve a brilhante ideia de abrigar em seu peito e em seus braços o corpo e a alma do outro. Aquele carinho gostoso, diferente, capaz de dizer o que as palavras não dizem, capaz de recarregar as energias do outro, capaz de calar o choro de quem já não suporta mais. O abraço, talvez seja a única coisa no mundo que quanto mais apertado ele for, mais alívio ele dá.

O que você está esperando? Saia daqui e vá abraçar alguém que você ama. Não a deixe pagar por algo tão especial e tão nosso. Lembre-se: o abraço envolve duas pessoas. Você também sentirá os benefícios. Abrace com vontade. Um abraço demorado. Um abraço do coração. Afinal, o melhor lugar do mundo é dentro de um abraço.

Debora Oliveira
Psicóloga Clínica
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