A psicologia é uma área do saber onde existem muitos mitos
relacionados à terapia. Isto ocorre por que algumas informações caem no senso
comum (com a ajuda da indústria midiática), sofrendo distorções quase
impossíveis de reverter.
As informações mais distorcidas estão relacionadas ao
processo psicoterápico. Alguns mitos encobrem as verdades, o que dificulta o
trabalho do psicólogo.
Eis alguns deles:
Mito 1: O psicólogo
deve mudar a "cabeça" das pessoas.
Jamais. O psicólogo deve verificar junto ao seu paciente,
quais os comportamentos excessivos ou deficitários devem ser modulados. Para
isto é preciso levar o paciente a modificar alguns pensamentos. Isto se
consegue por meio de técnicas como o questionamento socrático, role-play,
atividades reflexivas, etc. O executor da mudança é o PACIENTE. O psicólogo só
instrumentaliza.
Mito 2
"Psicoterapia é para a vida toda"
Nem sempre. Existem casos que algumas sessões podem ajudar o
paciente a se ajustar ao seu meio. Neste caso, o paciente viria para a terapia
apenas para a "manutenção”. Claro que em ALGUNS casos, a psicoterapia é
necessária por longos períodos. Se as pessoas são diferentes, o tempo de
terapia também o é. A Psicoterapia é no tempo de cada
um. A individualidade, a problemática e o desenvolvimento de cada pessoa é que
define o término do tratamento.
Mito 3 . Fazer terapia "Custa
caro"
Não mesmo. Se você procurar com calma, sempre encontrará um
profissional que aceite o que você pode pagar. Basta conversar. O que não pode
é deixar de procurar terapia por medo de quanto irá custar. Além do que, hoje
em dia, existem clínicas de atendimentos que aceitam planos de saúde.
Mito 4: Terapia substitui
a medicação.
Não. E o pressuposto contrário também é falso. Terapia e medicação
são tratamentos complementares, como o trabalho do dentista e do protético.
Hoje já se sabe, por exemplo, que não adianta tomar remédio para depressão e
não fazer terapia. Um completa o outro e vice-versa. Entretanto, é necessária
uma avaliação bem feita para saber quando entrar com medicação, quando pedir a
suspensão, a redução, etc.
Mito 5. "Psicólogo
não pode atender parente "
Este talvez seja a maior dúvida que muitos psicólogos ouvem. De
fato: não pode atender OS SEUS parentes. Não podemos atender nossos irmãos,
tios, primos, filhos, pois nosso vínculo transcende o profissional. Sobre
atendimento de indivíduos da mesma família, o CRP-SP responde:
“A decisão pelo atendimento é do (a) psicólogo(a), que
considerará se o atendimento interferirá negativamente nos objetivos do serviço
prestado, uma vez que não há nada na regulamentação que proíba especificamente
o atendimento de familiares e/ou conhecidos(as).”
Devo tomar algum
cuidado quando optar por atender familiares e/ou conhecidos(as)? Sim. Além do
conhecimento e consentimento das pessoas atendidas, o(a) psicólogo(a) deverá
estar atento(a) em relação ao sigilo profissional. As informações de um
atendimento não podem, em nenhuma hipótese, ser reveladas ou utilizadas no
outro atendimento.”
(Fonte: Manual de
orientações do CRP-SP)


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