Sigmund Freud usou, receitou e defendeu arduamente a cocaína
antes de seu banimento das prateleiras das farmácias para o mercado
clandestino. Nunca foi algo que o pai da psicanálise tenha exatamente
escondido, pelo contrário.
O testemunho de Freud do potencial nocivo do
“mittel” (medicamento, em alemão), no fim das contas, contribuiu para a
proibição do uso da substância que, até o começo do século XX, era sintetizada
por laboratórios como Merck e Parke-Davis e comercializada como tratamento para
o vício da morfina, esse sim já reconhecido pela ciência.
Apesar de algumas pessoas já saberem, isso ainda é um fato desconhecido por muitos. Freud abusava das drogas e, para conhecermos um pouco mais sobre o motivo que o levou a isso, contamos com a ajuda de Howard Markel, amigo de longa data do médico e professor de História da Medicina na Universidade de Michigan.
Ele escreveu um livro chamado "An Anatomy of Addiction: Sigmund Freud, William Halsted and the Miracle Drug Cocaine". Em sua publicação, podemos conhecer um pouco sobre Freud e os detalhes de seu envolvimento com a droga.
Como muitos médicos, Freud pesquisou tudo o que podia sobre
a cocaína exatamente para uso próprio. Tudo isso para saber com precisão qual
era o efeito da droga em seu corpo. Certa vez, o médico descreveu para seus
amigos, colegas, irmãos e sua noiva, Martha, que a substância o fazia ficar
forte e dava um pouco de cor às suas bochechas.
Markel descreveu em certa parte de seu livro: "Durante
o período de várias semanas, Sigmund Freud engoliu dezenas de cápsulas de
cocaína em doses que variavam de 0,05 a 0,10 gramas. A partir dessas
experiências que ele próprio teve, foi capaz de compor um relatório preciso dos
efeitos imediatos que a droga exerce sobre o ser humano".
O próprio Freud escreveu uma análise científica sobre a
cocaína, seus efeitos e suas consequências, intitulada "Über Coca",
em julho de 1884. Foi a primeira grande publicação médica dele. Segundo o
professor, a maior parte dos escritos é muito bem redigida e Freud incorpora
seus próprios sentimentos, sensações e experiências vividas.
Neles, Freud afirma que a droga pode servir como um grande
medicamento, sendo eficaz para a morfina e o abuso de álcool, sem deixar de
mencionar que é extremamente viciante. Apesar de ter sido uma bela análise, o
estudo não rendeu os elogios e reconhecimentos que o médico esperava, já que
não foram apresentadas as habilidades anestésicas da substância.
Markel escreveu que Freud parou com o uso da cocaína em 1896
e completa: "As informações precisas sobre o uso da droga, tanto antes
como depois dessa data, podem muito bem estar entre os segredos de Sigmund. A
ausência de provas nem sempre significa evidências. No final, nós provavelmente
nunca vamos realmente saber".
Os altos e baixos de Freud com a cocaína:
CURIOSIDADE
Empenhado em tratar as “doenças da alma”, Freud ouve falar da cocaína, então uma poderosa droga lícita, usada para aliviar dores.
Empenhado em tratar as “doenças da alma”, Freud ouve falar da cocaína, então uma poderosa droga lícita, usada para aliviar dores.
TESTE
Freud passa a experimentar e prescrever cocaína em 1884. No artigo Sobre a Coca, fala sobre efeitos da droga e seus possíveis usos terapêuticos.
Freud passa a experimentar e prescrever cocaína em 1884. No artigo Sobre a Coca, fala sobre efeitos da droga e seus possíveis usos terapêuticos.
HÁBITO
O pai da psicanálise também fazia uso pessoal da droga, em épocas de crise pessoal. Importante: ele não cheirava, consumia cocaína diluída em água.
O pai da psicanálise também fazia uso pessoal da droga, em épocas de crise pessoal. Importante: ele não cheirava, consumia cocaína diluída em água.
EUFORIA
Entusiasmado com resultados iniciais, Freud usa cocaína em casos de hipocondria, neurastenia, histeria, melancolia e prostração nervosa.
Entusiasmado com resultados iniciais, Freud usa cocaína em casos de hipocondria, neurastenia, histeria, melancolia e prostração nervosa.
RESSACA
A longo prazo, a cocaína mostra-se mais maléfica que benéfica: Freud para de consumi-la em 1895 e de prescrevê-la em 1899. Sua decepção com drogas o leva a estudar um tratamento alternativo, sem medicamentos, baseado na fala. Daí surgiria a psicanálise.
A longo prazo, a cocaína mostra-se mais maléfica que benéfica: Freud para de consumi-la em 1895 e de prescrevê-la em 1899. Sua decepção com drogas o leva a estudar um tratamento alternativo, sem medicamentos, baseado na fala. Daí surgiria a psicanálise.


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Muito bom
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