Os benefícios psicológicos da gratidão


Os benefícios de mostrar gratidão aos outros

A Gratidão afeta realmente o nosso cérebro a nível biológico, aumentando um dos neurotransmissores responsável pelo bem-estar psicológico: a dopamina. Explicando de uma forma simples, a gratidão provoca efeitos semelhantes a alguns antidepressivos. Sentir-se grato/a ativa a região do cérebro responsável pela produção de dopamina, dando-lhe uma maior sensação de bem-estar. Adicionalmente, a gratidão face a outras pessoas aumenta a atividade dopaminérgica em regiões associadas às interações sociais, tornando as mesmas mais prazerosas.



A Gratidão aumenta também outro neurotransmissor responsável pelo bem-estar psicológico: a serotonina. Ao tentar pensar naquilo pelo qual está agradecido/a na vida, leva-o/a a focar-se nos aspetos positivos da mesma, o que promove um aumento na produção de serotonina no Córtex Anterior, com todos os benefícios a ela associados.

Isto significa que é preciso resignar-se e que não é possível ser feliz no dia a dia? Nada mais longe da realidade. Por isso, proponho o seguinte exercício que certamente os deixará gratamente surpresos.

Mas você pode estar pensando neste momento:  “Mas há alturas na vida em que é tão difícil pensar naquilo pelo qual somos gratos”. É verdade, há momentos em que o sofrimento é tão intenso que a única coisa que conseguimos fazer é preocupar-nos, sentirmo-nos ansiosos e tristes. Lembre-se que a curto prazo o seu cérebro se alimenta disso e vai gerar um ciclo de recompensas.

Este ciclo pode começar a ser quebrado por algo tão simples como perguntar-se pelo que está agradecido na sua vida. Na realidade, não é encontrar a resposta que mais importa, mas é sim o ato de pensar sobre isso que aumenta os neurotransmissores responsáveis pelo bem-estar.

Pense em uma pessoa que tenha sido muito importante na sua vida. Seus pais, irmãos, amigos, avós, parceiro… Todos temos alguém que nos marcou e que serviu como exemplo em nosso dia a dia. Já pensou? Pois agora coloque em uma folha de papel o que essa pessoa lhe trouxe de bom ao longo dos anos. É importante espremer bem essa laranja, porque depois vem o mais importante.

Depois disso, você só precisa se colocar em contato com essa pessoa que escolheu, por telefone por exemplo, e dizer-lhe de coração aberto tudo o que você escreveu sobre ela. Também é muito importante explicar-lhe o por quê da sua escolha, assim ela entenderá um pouco melhor o sentido da sua ligação.


Já fez? Pronto? Pois ai está um dos grandes benefícios. Com certeza, ao desligar o telefone e ter falado com essa pessoa que você considera tão importante, você se sentirá melhor consigo mesmo. Isto é, você está muito mais feliz. E isso, meus amigos, é algo que não tem preço e nem todo o ouro do mundo paga.

Expressar gratidão pode mudar seu cérebro e faz muito bem para a saúde

Pesquisadores da Universidade de Indiana, nos Estados Unidos, chegaram à conclusão de que ser grato pelas pequenas coisas da vida pode causar grandes mudanças – inclusive cerebrais. Um artigo publicado no jornal científico NeuroImageatesta que, depois de poucos meses exercitando sua gratidão por meio da escrita, seu cérebro passa a se sentir ainda mais condicionado a ser grato. E isso traz benefícios.

Para a experiência, foram chamados 43 voluntários que passavam por terapia para tratar depressão e problemas relacionados a ansiedade. Todos foram recrutados para uma terapia em grupo semanal, porém apenas vinte e dois deles foram chamados para a "sessão de gratidão", por assim dizer: nos três primeiros encontros, os participantes passaram vinte minutos escrevendo cartas em que revelavam gratidão pelo destinatário (e poderiam escolher se enviariam ou não a carta). O outro grupo não participou desse exercício.

Três meses depois desses encontros, todos passaram por um escaneamento cerebral, que ocorria simultaneamente a outro exercício: eram exibidas fotos de pessoas que, em tese, teriam feito grandes doações de dinheiro à pesquisa. Os participantes precisavam agradecer a eles pelo investimento, enquanto seus cérebros eram examinados. Todo mundo sabia que era apenas um exercício, mas foi dito a cada um deles que as doações realmente seriam feitas em algum momento.

O teste foi claro: quem escreveu as cartas, três meses antes, demonstrou mais atividade cerebral nas áreas relacionadas ao sentimento de gratidão. Vale ressaltar que essas áreas responderam de forma ímpar: ações como se colocar no lugar do outro ou demonstrar empatia não reverberam da mesma forma no cérebro. É um sentimento único. E o mais empolgante é que o efeito de "exercitar a gratidão" é realmente duradouro: seja duas semanas ou três meses depois da experiência, é como se a massa cinzenta se "lembrasse" do comportamento carinhoso e passasse a agir mais dessa forma. A pesquisa compara esse treinamento a como exercitar um músculo: quanto mais você pratica a gratidão, mais propenso estará a senti-la espontaneamente no futuro. Isso ajuda a diminuir a depressão e passar mais tempo com aquele calorzinho bom de se sentir feliz com a ajuda de alguém.

Essas investigações sobre os efeitos de se sentir grato ainda são bastante primordiais – e os próprios pesquisadores admitem isso. Há muito a aprender em termos de efeitos desse sentimento no cérebro e se realmente podemos relaciona-los a efeitos de longo prazo na forma como pensamos e agimos no cotidiano. Mas enquanto isso, talvez seja mesmo bom espalhar #gratidão por aí – e não apenas em uma hashtag.

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