Durante a última edição
da WonderCon, em Los Angeles, um dos painéis tinha como objetivo analisar os
perfis psicológicos dos habitantes de Westeros, a terra fictícia onde habitam
os diversos clãs que disputam o poder em "Game of Thrones".
Liderado
pelos psicólogos Travis Langley (autor de "Psicologia em 'Game of
Thrones'" e "A Psicologia de Batman"), Janina Scarlet (autora de
"Psicologia em 'The Walking Dead'" e psicóloga que usa a cultura geek
como elemento de terapia comportamental em seus pacientes), Erin Currie
("Psicologia em 'Doctor Who?'"), Jenna Busch ("Psicologia em
'Star Wars'") e Matt Munson ("Psicologia em 'Star Trek'") eles falam sobre o perfil psicológico dos principais personagens.
Cersei Lannister — Traumatizada
Ela definitivamente tem uma conexão com a família. Ela protege seus
filhos com tudo o que tem ao alcance. Talvez não do melhor jeito. Ela tem
sérios problemas de confiança. E ela tem um trauma de que ninguém fala. Em
famílias reais, o casamento forçado causa sérios danos. Casar-se com alguém que
você nem conhece e ainda por cima ser apaixonada por outro é barra. Em um ponto
ela diz pro marido que o amava no começo, mas que ele sempre amou outra. Isso
na cabeça de uma adolescente que, segundo ela, tentou fazer o casamento
funcionar e foi tratada como lixo. Há sinais claros de abuso emocional. Ela
nunca aprendeu compaixão em sua família. E o único homem que a vê como pessoa é
seu irmão — algo que eles levaram um pouco longe demais —, até seu filho a
traiu.
Joffrey Baratheon — Inseguro
"Ok, ele é mau, mas eu prefiro dizer que ele é um produto de seu
meio. Louco, certo? Mas sendo um rei absolutista, ele acha que pode tudo,
inclusive atirar em uma prostituta. Talvez ele não seja mau, mas alguém que se
obriga a ser mau, porque temos que considerar que lhe foi dado muito poder e
ele é um adolescente cujas ideias ainda não foram formadas", disse Matt Munson,
que foi retrucado imediatamente: "Não, ele gosta daquilo além da
medida." Janine Scarlet diz que o rei carrasco tinha uma necessidade
enorme de provar para si mesmo que tinha poder. "Embora ele pareça ter
muita autoestima, é claro que ele não tem nenhuma. Pessoas que precisam o tempo
todo humilhar as pessoas têm uma tendência à violência. Toda vez que ele ouve
que os Lannisters perderam uma batalha, ele precisa descontar em alguém. Ele
não suporta qualquer tipo de derrota. Ele é muito inseguro."
Melisandre — Má e manipuladora
Segundo a psicóloga Janina Scarlet, Melisandre é a personagem que pode ser considerada má porque ela manipula as pessoas a ponto de fazê-las queimarem em uma fogueira os próprios filhos. E quando você começa a pôr fogo em crianças, é porque você cruzou a linha.
Mindinho — Psicopata
.
Ramsay Bolton— Maquiavélico e psicopata
A definição de maquiavelismo, segundo os psicólogos presentes, é uma pessoa que tem um grande carisma e influencia as outras a segui-lo por meio de truques ou de charme. Alguém manipulador. Além disso, a pessoa tem um senso de posse e poder. Tyrion Lannister poderia ser um deles, mas a conclusão da mesa foi a de que Ramsey preenche todos os requisitos. E mais: sua falta de empatia e o prazer em torturar suas vítimas apenas confirma a tese de sua psicopatia.
Walder Frey — O pior
Na opinião de Erin Currie, não há ninguém pior em "Game of
Thrones" que Walder Frey, o arquiteto do massacre que deixou dez entre dez
fãs da série totalmente sem chão — episódio conhecido como "O Casamento
Vermelho", onde morreram Rob e Catelyn Stark. "Ele é o tipo de cara
que não tem a menor compaixão por quem não lhe proporcione poder. Ele não é do
tipo que suja as mãos, mas é bem narcisista e acha que o mundo gira ao seu
redor."
Arya Stark e Brienne de Tarth — As boas
Apesar de ter matado muita gente e ser manipuladora, Arya não pode ser
considerada uma psicopata, porque duas de suas principais características são a
empatia e o senso de Justiça. Ver o pai ser morto daquele jeito mexe com sua
cabeça, mas ela reconhece o que tem que fazer e como fazer para defender
aqueles que foram vítimas. Outra que se encaixa na mesma categoria é Brienne de
Tarth, por sua nobreza, seu código de ética, e o fato de ela não buscar o poder
e não vilipendiar aqueles que são mais fracos que ela.
Jon Snow e Sam Tarly — Os bons
No time dos homens, também entra na categoria dos bons o bravo Jon Snow. Ele se sacrifica por todos, arrisca a própria vida para salvar gente que ele mal conhece e junta os bravos para livrar pessoas injustiçadas. Junto a ele, Sam Tarly, que supera sua covardia ao defender outros, além de ser muito nobre. "Eles são os mais corajosos da série", avalia Janina Scarlet.
Jaime Lannister — O renascido
Embora tenha começado a série empurrando uma criança da janela de uma
torre, Matt Munson considera que ao ter tido sua mão decepada, o personagem
passou por uma morte simbólica que o transformou em um homem melhor. "Ele
é o personagem que está crescendo e se transformando, o que não é uma boa ideia
em se tratando de 'Game of Thrones', porque sabemos que os bons fatalmente
acabam mortos nesta série."
Tyrion Lannister — O sábio
Embora tenha tido muitos problemas de autoestima, após a morte de seu
pai e o afastamento de sua família, quanto mais assistimos, mais vemos sua
evolução de um homem cínico a um empático aos outros. Além disso, desde a
segunda temporada, vê-se como ele foi uma ótima mão do rei, inclusive tendo
livrado Porto Real do ataque marítimo de Stannis Baratheon.









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